Crônicas de Helgard: Capítulo 4

Despertando!

 

 

 

Eduardo abriu os olhos e viu que estava dentro de uma espécie de sarcófago.

 

A cabeça doía. Palavras de um idioma estranho inundava sua mente, como uma grande onda de conhecimento. Instintivamente estendeu as mãos para frente tocando a tampa do sarcófago. Reagindo ao toque. Linhas douradas surgiram na tampa igual a circuitos de uma máquina.

 

A tampa sibilou e deslizou para o lado.

 

Seus olhos foram ofuscados pela súbita luminosidade. Estreitou seus olhos até se acostumar com a luminosidade. Então com um único olhar digitalizou todo o ambiente ao seu redor.

 

As fontes de luminosidade eram várias orbe de luz flutuantes espalhadas ao longo do salão.

 

Ele estava dentro de um sarcófago que parecia ser feito a partir de quartzo. Parte do corpo estava submergido em um líquido azul viscoso. Levantou-se, contemplando o majestoso salão diante seus olhos.

 

O sarcófago de cristal estava no centro de um grande salão de teto abobadado sustentado por seis maciços pilares. Palavras em um idioma desconhecido foram esculpido meticulosamente em cada pilar.

 

― …Esse lugar?

 

A confusão mental se foi.

 

Aos poucos se lembrou da conversa com o doutor e o novo corpo que reencarnaria.

 

Saiu do sarcófago.

 

O piso era de mármore de uma tonalidade branca como neve. O salão era extremamente frio, como se fosse um imenso refrigerador.

 

Vapor branco saia de sua boca a cada respiração. Esfregou seus braços numa tentativa tola de elevar sua temperatura corporal.

 

A procura de uma resposta. Andou pelo salão contemplando as imagens meticulosamente esculpidas nas paredes.

 

Gradualmente as palavras do idioma estranho começaram a fazer sentido. Logo o idioma já não era tão estranho para ele e podia compreender vagamente o significado de algumas letras.

 

De repente parou ao lado de um painel espelhado e o que viu o fez duvidar de seus próprios olhos.

 

No painel espelhado. Ele estava olhando para um homem alto, com aproximadamente um metro e noventa de altura, vestindo um traje escuro de manga longa e calça da mesma cor feito a partir dos materiais resistente. Corpo de músculos densos e sólidos como aço exalava um ar imponente. Cabelo curto, azul, que brilhava como as estrelas do céu sob a iluminação artificial. Emoldurando seu rosto anguloso de olhos escuros brilhavam com uma determinação de ferro.

 

Se houvesse uma palavra que se encaixa na descrição do homem seria “um soldado perfeito”.

 

Aquela imagem no painel espelhado era nada menos do que seu próprio reflexo.

 

― Então esse era o receptáculo vazio….

 

Antes de completar a frase parou em estado de choque. Quando estava se virando contemplou a visão de suas costas. Ao longo da coluna vertebral havia um exoesqueleto metálico com duas barras de medidor. A barra luminosa vermelha que se encontra no meio do exoesqueleto representava sua barra de saúde. Enquanto a segunda barra circular luminosa azul do lado esquerdo representava sua mana.

 

Apavorado, instintivamente tocou o exoesqueleto em suas costas.

 

Lembrou-se das palavras do doutor: “um corpo físico criado através da magia e engenharia genética avançada, pelos últimos Helgardianos”. Ele o havia avisado que não teria um corpo humano normal. No entanto não esperava ter um exoesqueleto vinculado com seu novo corpo.

 

Após o choque inicial se acalmou e verificou mais uma vez o exoesqueleto em suas costas.

 

Agora que estou vendo com cuidado esse exoesqueleto lembra a mesma tecnologia daquele jogo de tiro, pensou ele. Pensando bem será que o doutor não tem uma mão por trás dessa tecnologia?

 

Tirando-o de seus pensamentos, ele ouviu uma a voz familiar do doutor:

 

― Interessante não é?

 

Ele se virou procurando a fonte da voz.

 

Não encontrou nenhum sinal do doutor ao longo do salão.

 

― Esse exoesqueleto de aperfeiçoamento inteligente está conectado diretamente com a coluna vertebral através de nano-circuitos ― explicou o doutor. ― Criado a partir da fusão de tecnologia avançada e magia. Funciona como uma engrenagem de auto-perfeiçoamento da estrutura orgânica. Os Helgardianos o chamavam de Engrenagem Divina, El Ragnall Gear Hexe.

 

Helgardianos uma ova. Parece-me que ele pegou o conceito de tecnologia de um jogo da terra e colocou em prática em outro mundo.

 

Esses foram seus sinceros pensamentos.

 

― Doutor? ― perguntou perplexo.

 

― Claro! Quem pensou que fosse? A fada dos dentes?

 

Procurou novamente a origem da voz do doutor, mas não encontrou nada.

 

― Doutor onde você está? O que há com a droga desse corpo?!

 

― Estou falando com você através da telepatia. Por certos motivos não posso colocar os pés em Helgard ― ele respondeu, sua voz era amarga. ― Vou ocultar os detalhes técnicos para não superaquecer seu cérebro. Seu novo corpo e resultado da engenharia genética avançada com vários nano-implantes cibernéticos mágicos. Tecnicamente falando você é um humano geneticamente melhorado, mas ao mesmo tempo você não é um humano. Fruto da ciência e da magia, essa raça criada artificialmente foi nomeado de “Arcanistas”.

 

O que e um helgardiano afinal? Gritou mentalmente.

 

― Enfim ― continuou ele num tom casual. ― Estou aqui para te ajudar com os primeiros passos. Veja isso como um tutorial chato do começo de um jogo.

 

― Posso pular tutorial? ― perguntou esperançoso.

 

― Claro que pode, mas não recomendo ― respondeu o doutor soturnamente. ― Após sair desse salão você vai estar por conta própria e não poderei orienta-lo. Se quiser pular o tutorial e caminhar pelo mundo desconhecido sem saber o básico eu não vou te impedir.

 

Se fosse um jogo ele pularia sem dúvidas o tutorial. Contudo era da sua nova vida que eles estavam falando e qualquer pedaço de informação pode significar a diferença entre a vida e a morte.

 

No fim aceitou o tutorial do doutor.

 

― Certo! Antes de começar o tutorial você precisa encontrar um equipamento adequado ― disse ele, pensativo. ― Vá até o fim do salão.

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4 comentários em “Crônicas de Helgard: Capítulo 4

  1. “Por certos motivos não posso colocar os pés nesse mundo” Então encontramos a razão do “esta me devendo uma” e.e Parece que o Lyam do futuro precisa de alguem de confiança nesse mundo? Sera que esse mundo tem alguma importancia para o Lyam do futuro? e.e

    Curtido por 1 pessoa

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