Crônicas de Helgard: Capítulo 2

Estou no Céu? Errado. Seja Bem Vindo a Biblioteca Dimensional, Akasha!

 

 

 

 

Após sua morte. Eduardo estava flutuando na escuridão infinita, revendo toda sua vida. As raras alegrias e as incontáveis batalhas que travou contra a vida. Aos poucos sentia sua mente desvanecer, sendo absorvida pela escuridão silenciosa. Perdeu a noção de tempo, pensou que vagaria eternamente pela escuridão até sentir algo puxando-o de volta a luz.

 

Lentamente, Eduardo retornou aos seus sentidos, semicerrou os olhos com a luz intensa em seu rosto, com as pernas bambas, levantou-se e verificou seus arredores.

 

E o que viu, deixou Eduardo sem fôlego.

 

Ao seu redor havia estantes repletos de livros que chegavam até os céus, desafiando as leis da gravidade. Luzes radiantes que pensou ser o sol estavam por todos os lados iluminando os corredores da majestosa biblioteca sem fim.

 

― Eu estou no céu? ― perguntou Eduardo para si mesmo.

 

― Não, Eduardo. Essa é minha biblioteca particular, Akasha ― respondeu uma voz familiar vindo atrás dele. Era o doutor, mas desta vez estava vestindo um terno britânico caro e rolex no pulso direito. Havia algo sobrenatural em sua aparência, em seus olhos azuis como um lago cristalino, brilhando com um poder transcendental.

 

― Akasha….Mas….Não é a biblioteca criada para ficar fora das leis do tempo-espaço, que o jovem mago cria no capítulo…

 

― Por favor, sem contar detalhes da história do jovem mago – alertou o doutor, caminhando em frente. – Me siga, Eduardo, você tem papéis para assinar.

 

Eduardo hesitou por um momento, mas, fascinado pelo o ambiente o seguiu.

 

As estantes da biblioteca pareciam ter vida própria, movendo-se, abrindo novos caminhos, até chegou a ver certos livros voando pelos corredores.

 

Estava encantado por aquele lugar mágico, fechou os olhos lembrando do jovem mago criando aquela magnífica biblioteca que ficava entre as dimensões e fora do tempo. Um reduto para aqueles que buscam conhecimento.

 

― Doutor, você é o jovem mago? ― perguntou Eduardo, após pensar em toda circunstância que levou até aquele momento.

 

― Eu já fui um mago há muito, muito tempo atrás ― respondeu vagamente. Abrindo os braços, como se esperasse um abraço, apontou para si. ― Agora eu sou o que vê ― vendo a cara de Eduardo cheio de perguntas, completou: ― Sem perguntas, meu caro Eduardo. Sem perguntas. Existe um tempo certo para tudo, no futuro você saberá.

 

Eduardo assentiu relutante. Se o doutor realmente for o jovem mago, pensou ele, essa era a típica frase usada por ele no livro para enrolar as pessoas que o enchiam de perguntas.

 

O corredor terminou em um local circular, com almofadas macias sobre uma rica tapeçaria de cores vibrantes. Muitas das almofadas estavam ocupadas por pessoas lendo livros, quais estavam envoltas por uma névoa obscura, escondendo a identidade do leitor.

 

― Em Akasha, apenas os dignos podem entrar. Por segurança, nenhum visitante pode ver a aparência de outro visitante.

 

Doutor sentou-se em uma das almofadas, estendeu a mão apontando para outra almofada vaga.

 

Eduardo sentou-se, no lugar indicado aguardando por respostas.

 

― Eu ofereci duas opções, você escolheu a segunda ― explicou o doutor, materializou um grande livro de capa de couro escuro com o título: lista de transferência extradimensional. ― Leia os termos de responsabilidade e assine o livro.

 

Eduardo leu cada paragrafo e letras minúsculas do livro a procura de algo suspeito.

 

― Sabe, normalmente você apenas iria ignorar o imenso texto e assinar de uma vez ― disse com um suspiro entediado. ― Os jovens de hoje estão perdidos!

 

Eduardo ignorou o resmungo irônico do doutor. Leu com calma, até finalmente terminar. Parecia um contrato formal, com cláusulas e tudo mais. Resumindo, tudo dizia: ser você morrer dolorosamente no novo mundo não é minha responsabilidade.

 

Após refletir, assinou o livro, permitindo a transferência de sua alma para outro mundo e um novo corpo.

 

― Vou renascer como um bebê? ― perguntou, essa parte do termo era confuso, ”você renascerá em um novo corpo”, o que pode ter vários significados dependendo da forma que for interpretado.

 

― Não ― respondeu o doutor. ― Vou vincular sua alma com um receptáculo vazio que está em estado de animação suspensa em outro mundo.

 

― Receptáculo vazio?

 

― Um corpo físico criado através da magia e engenharia genética avançada pelos últimos Helgardianos. As capacidades físicas e mentais desse corpo é várias vezes superior ao de uma pessoa comum. E o melhor de tudo, seu corpo físico não envelhece, mas não vai pensando que é um imortal. Se tiver sua cabeça esmagada irá morrer como qualquer mortal.

 

Eduardo estava espantado demais para dizer alguma palavra.

 

― Sou benevolente, vou permitir que escolha três perícias. Escolha bem, Eduardo.

 

O doutor acenou com a mão e poucos minutos depois, um grande livro de capa de couro negro gravado com imagem de uma espada, escudo, machado, lança e outras armas, flutuou até Eduardo. Acima do brasão de armas na capa do livro estava escrito: Livro de Perícia Mundus.

 

O livro se abriu, revelando uma lista com inúmeras perícias.

 

Enquanto olhava encantado para cada perícia descrita no livro, o doutor começou a falar sobre o novo mundo que será seu lar.

 

― O mundo que você renascerá é conhecido como Helgard. Um mundo fascinante de armas e magia, com um pouco de elementos sci-fi e blá-blá-blá. Originalmente, era um mundo tecnologicamente avançado. Um mundo maravilhoso, pessoas de mente brilhante, sempre criando novas tecnologias a cada dia.

 

Ele era um ser que viveu por incontáveis milhares de anos. Viu estrelas se apagarem e mundos nascerem. Presenciou incontáveis raças humanoides inteligentes nascerem e desaparecer em um estalar de dedos.

 

― Infelizmente, milênios atrás, Helgard sofreu um grande cataclismo, levando outrora civilização avançada para uma longa era das trevas. Enfim, resumindo, Helgard não é um mundo fácil de viver. Por esse motivo, meu caro Eduardo, se deseja ter uma vida um pouco menos difícil no novo mundo. Escolha uma perícia voltada para magia e outra para o combate. Esse é o meu conselho.

 

Eduardo acenou com a cabeça, agradecendo o conselho do doutor.

 

Folheou mais duas vezes o livro de perícia, provocando um suspiro irritado do doutor. Minutos mais tarde escolheu três perícias que melhor se encaixava em seus critérios.

 

  • Perícia Compreensão Idioma. Nível I. Descrição: Você aprenderá mais facilmente os idiomas falados em seu mundo. No nível I de Compreensão Idioma você pode aprender até dois idiomas extras. Quando maior for o nível de perícia mais idiomas poderá aprender.
  • Perícia Mestre da Batalha. Nível I. Descrição: Seja em uma luta desarmada, com lança, machado, arco e flecha, espada e escudo, você será um guerreiro astucioso que controla o campo de batalha. No nível I de Mestre da Batalha você terá conhecimento básico de técnica de luta, movimentação e nas seguintes armas: lança, alabarda, machado, arco e flecha e espada e escudo. Quando maior for o nível de perícia maior será sua maestria no combate.
  • Perícia Conhecimento Arcano. Nível I. Descrição: Você possui conhecimento mínimo para reconhecer feitiços ou invoca-los. No nível I de Conhecimento Arcano você é capaz de reconhecer e invocar magias até a terceira camada.

 

Para um novo começo. Eduardo acreditava que essas três perícias seriam a chave de sua sobrevivência.

 

Mostrou para o doutor as perícias escolhidas.

 

― Eu até que compreendo o motivo de escolher a perícia Mestre da Batalha e Compreensão Idioma. Mas por que Conhecimento Arcano? Você tinha falado sonhava em ser um guerreiro.

 

― Sonho em ser um guerreiro ― admitiu. ― Mas, ser um guerreiro mágico parece ser muito melhor.

 

Seus motivos são superficiais, pensou o doutor.

 

No entanto sabia que não era a melhor pessoa para critica-lo sobre isso.

 

Levantou a mão até seu queixo, ponderando se ajudava ou não o jovem Eduardo.

 

Minutos depois soltou um longo suspiro tomando sua decisão.

 

― Admiro sua escolha ― disse o doutor, satisfeito. ― Para ajuda-lo vou conceder três feitiços. Mas antes é necessário descobrir qual atributo elemental você tem maior afinidade

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5 comentários em “Crônicas de Helgard: Capítulo 2

    1. Sim, mas Lyam é um pouco mesquinho kkk
      Deixando a brincadeira de lado, se ele não escolhesse essa habilidade, aprenderia só um idioma básico. Com a compreensão idioma ele pode aprender vários idiomas além do básico.

      Curtir

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