Crônicas de Hellgard: Capítulo 1

Magusgod: Crônicas de Helgard será meu novo projeto. Anteriormente, meses atrás eu havia postado dois capítulos de história de um guerreiro. Por alguns motivos decidi não continuar com a novel, não pelo menos com o enrendo original. O começo das Crônicas de Helgard será quase igual ao primeiro capítulo de histórias de um guerreiro, com diferença em certos pontos.

Enfim, a História de Crônicas de Helgard vai se passar num mundo caótico, cheio de monstros e uma mistura de um ambiente medieval -dependendo do lugar -, com tecnologias Sci-fi.

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 E tudo começa quando você morre!

 

 

 

 

 

Qualquer fã de histórias de fantasia medieval, alguma vez em suas vidas deve ter sonhado em ser o herói galante que salva a princesa das garras de um dragão, ou um poderoso mago salvando o mundo das forças das trevas. Um caçador correndo com seu lobo por uma floresta cheia de vida, ou um ladino lendário invadindo um castelo bem protegido.

 

Todos uma vez sonharam em ser em algum de seus personagens favoritos. Para Eduardo, um devorador ávido de livros, poderia citar inúmeros personagens de todos os livros que já leu. Muitas vezes fantasiou em ser um de seus personagens favoritos, já que sua realidade não era nada gentil.

 

Aos nove anos de idade Eduardo perdeu seus pais em um acidente de carro. Chorou pela perda de seus pais, mas encontrou uma nova família em sua tia, Aline, irmã mais nova de sua mãe. Viveu feliz por alguns anos, até a vida roubar a vida de sua tia, deixando-o sozinho e desamparado mais uma vez.

 

Às vezes a vida é como um vendaval forte derrubando tudo em seu caminho, Eduardo pensou lembrando as últimas palavras de sua tia. Nesses momentos seja como uma montanha, Eduardo, seja tão forte e resistente quanto uma montanha, não deixe a vida te derrubar. Seja uma montanha, Eduardo.

 

Essa frase nunca saiu de sua cabeça, dando forças para seguir em frente, sorrindo, com a cabeça erguida. E uma montanha ele foi, até receber o golpe mais poderoso de todos da vida: estava morrendo.

 

Após um desmaio repentino quando jogava futebol com seus amigos, passou por exames e descobriu que tinha um câncer raro em seu sangue em estagio terminal. Daquele momento adiante viveu uma luta dolorosa contra a vida, chegando a momentos que desejava morrer após uma seção de quimioterapia.

 

Mesmo não havendo esperança, não morreria sem lutar.

 

Nos momentos de dor, os livros eram seu refugio secreto, aonde incorporava o papel de seus personagens favoritos.

 

― O que achou do livro, Eduardo? ― perguntou um doutor sentando de forma desleixada na cadeira ao lado de sua cama. Era jovem quanto comparado com os outros doutores do hospital. Seu cabelo loiro e olhos azuis límpidos fazia sucesso com as enfermeiras e pacientes femininas do hospital.

 

Era um homem misterioso, com mudanças de humor repentinas e um olhar poderoso que fazia as pessoas tremerem. Eduardo não lembrava, quando ele apareceu naquele hospital, mas era grato por sua companhia e os fantásticos livros que ele o emprestava.

 

― É uma ótima história, nunca imaginei que poderia existir um livro que pudesse me fazer viajar por dimensões, mechas, dragões e outros seres sobrenaturais fantásticos! ― respondeu Eduardo com um sorriso fraco. Estava deitado em sua cama, lutando para manter seus olhos abertos. Temia que se fechasse os olhos não voltaria acordar. ― Mas como acaba a história? Depois dele….

 

― Não fale mais nenhuma palavra ― ele o interrompeu. ― Pode haver pessoas ouvindo, não quero estragar suas leituras contando como acaba o livro.

 

Eduardo desenhou um sorriso de desculpas. Queria descobrir o que acontecia com o jovem mago que se tornou deus – o livro terminava de forma tão ambígua provocando sua curiosidade.

 

O doutor ficou em silêncio, observando o céu azul através da janela do quarto. Eduardo olhou também, sabendo que seria sua última vez apreciando aquele lindo céu azul. Sem querer, começou imaginar dragões, monstros e mechas gigantes voando pelo céu e riu de si mesmo por ser tão infantil.

 

― Qual dos personagens do livro que você mais gostou? ― perguntou o doutor quebrando o silêncio.

 

― Gosto de personagens guerreiros, como uma das companheiras do jovem mago, que maneja sua grande espada de fogo ― respondeu com um olhar sonhador. ― Entretanto, o jovem mago é meu personagem favorito, por nunca abandonar as esperanças mesmo diante grandes provações. Talvez eu tenha visto um pouco de mim nele, lutando contra seu destino, mesmo que não houvesse esperanças….Ele é um verdadeiro herói.

 

― Eduardo, acredito que você estava lendo o livro errado ― disse o doutor com um olhar irritado. ― O jovem mago pensava apenas em si mesmo, não era um herói.

 

― Não o vejo dessa forma, doutor ― respondeu Eduardo com sinceridade. ― O jovem mago era bem humano e aceitava esse fato. Nós vivemos apenas por nós mesmos. Não vejo isso como egoísmo, apenas natureza inata do ser humano. Claro, todos nós preferimos disfarçar esse nosso lado com ações e discursos humanitaristas, mas no fim tudo que fazemos é somente por nós mesmo. E o que acredito, doutor. Mas se você ver por outro lado as ações do jovem mago, apesar de tudo que ele falava, suas ações sempre foram para beneficiar todos ao seu redor de forma direta ou indireta. Em todos os sentidos ele é um herói…Um herói tsundere.

 

Eduardo riu consigo mesmo por chamar o jovem mago de um herói tsundere. Não conseguia imaginar palavra melhor que combinasse com o jovem mago do livro.

 

― Muito engraçado, Eduardo ― disse o doutor com certa irritação em sua voz. Fechou seus olhos, respirando fundo, voltando a sua aparência calma de sempre. ― Vamos fazer uma conjectura, Eduardo. Imagine que Deus em seu infinito tédio desceu ao mundo mortal e começou a conversar com você, admirado por sua bravura e blá-blá-blá…E te oferecesse duas opções. A primeira seria curar seu câncer e dar uma longa vida cheia de prosperidade. A segunda opção seria reencarnar em outro corpo, em um mundo perigoso de magias e espadas, onde viver cada dia será um desafio. Qual você escolheria?

 

Eduardo ficou em silêncio, meditando o que escolheria caso Deus te oferecesse uma escolha. Inicialmente pensou que ter seu câncer curado e uma vida de prosperidade era a escolha ideal.

 

Uma recompensa por todo sofrimento que passou até agora.

 

A segunda escolha, apesar de seus perigos, era igualmente tentadora para Eduardo. Viver em um mundo onde pode se tornar um espadachim ou um herói salvando uma princesa em perigo, era um romance que já fantasiou inúmeras vezes.

 

― Se eu fosse o jovem mago, escolheria a terceira opção ― disse com olhos brilhantes. ― Entretanto, eu não sou ele, nem sou tão inteligente. Uma pessoa sábia e de bom senso escolheria a primeira opção ― falou vagamente imaginando como seria uma aventura em um mundo de magia e espadas. ― Contudo eu sou um idiota, sem nenhuma gota de bom senso. Sem dúvidas nenhuma escolheria a segunda opção.

 

O doutor levantou-se em um pulo, sorrindo.

 

― Idiotas não pensam ― disse o doutor olhando para seu relógio de ouro suíço. ― E você pensou demais, você faz parte dos que pensam antes de agir, apesar de que somente um idiota escolheria o caminho difícil…Humm….Talvez você seja um hibrido…..Bom está quase na hora…

 

― Na hora do que doutor? ― perguntou numa voz fraca.

 

― Na hora que você morrer ― respondeu com um sorriso misterioso. ― Vou perguntar uma última vez, Eduardo. Tem certeza de escolher a segunda opção?

 

Eduardo sentia-se cansado demais, não pensou direito nas palavras do doutor ou por que ele fazia uma cara tão séria.

 

― …S-sim….Quero ser….Um guerreiro Doutor….Um herói….

 

― Não é melhor ter um harém? ― perguntou o Doutor cheio de humor. ― Essas crianças de hoje em dia estão perdidas.

 

Foi a última coisa que Eduardo ouviu antes de morrer.

 

Enfermeiras entraram no quarto, correndo de um lado para outro. Seus sinais vitais haviam parado a mais de dois minutos. Fizeram de tudo para trazê-lo de volta. Não obtiveram sucesso.

 

Aos 19 anos, Eduardo faleceu.

 

Uma porta havia se fechado…

 

…Mas outra havia sido aberta.

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