Crônicas de Helgard: Capítulo 8

Terras Esquecidas!

 

 

― Então isso é o que restou dos Helgardianos?

 

Perguntou-se Karl contemplando as ruínas de um fantástico edifício, coberto por musgos e líquen, em meio a um vasto pantanal. Ele andou pelo pátio de pedra sólida cheio de fissuras, passando por maciços pilares caídos e torres desmoronadas.

 

A construção carregava um ar místico, como se de maneira persistente, guarda-se em sua essência da glória dos tempos antigos. Dos tempos da honra. Dos tempos heroicos.

 

― Aquilo é uma barreira?

 

No final do pátio, aonde começava as águas negras e os imensos salgueiros de folhagens exóticas. Karl percebeu que o complexo de ruínas era envolto por uma imensa barreira semi-transparente em forma de domo.

 

Karl pegou o dispositivo e o ativou, projetando uma linha azul levando-o para fora da barreira. Antes de teletransportado para a superfície, doutor havia o instruído a colocar as coordenadas que levava para fora da Floresta da Morte. “A linha azul é a trajetória que deve seguir,” dissera o doutor. “Guarde bem meu aviso. Se deixar de seguir o caminho marcado morrerá. Não olhe para trás, para os lados, apenas siga em frente.”

Fora da barreira era visível o miasma sendo expelido pelo que parecia montes rochosos de pedra escura. E ao redor desses montes um vasto pantanal de água escuras e grandes salgueiro e arbustos e outras plantas exóticas, e, provavelmente extremamente venenosos.

 

O cenário era intimidador, mais intimidador ainda era o vários urros animalescos que ecoava no ar. Silhuetas de formas monstruosas movendo-se entre as águas do pântano.

 

― Não tenho muita escolha ― disse Karl e depois de uma breve hesitação caminhou em direção a barreira. ― Um guerreiro nunca deve hesitar ― citou para sim mesmo, numa tentativa de inspirar coragem. ― Um guerreiro…Um guerreiro…qual é mesmo a citação?

 

Karl respirou fundo e deixou de lado qualquer hesitação restante, passando pela barreira, criando ondulações. Sem qualquer impedimento, atravessou a barreira. E foi acometido por uma lufada de miasma, trazendo um cheiro pungente e nauseante.

 

Por um breve momento foi atordoado, custou-lhe alguns minutos para acostumar-se com o cheiro e a sensação de pinicando a pele devido ao veneno no ar. Se ele fosse uma pessoa comum, teria sido morto no mesmo instante que colocou os pés para fora da barreira.

 

Antes de saltar para as águas negras do pântano, Karl, derramou energia mágica nas botas ativando uma de suas funções【Andar sobre a Água】, permitindo andar por qualquer superfície líquida sem ter a velocidade reduzida.

 

Deu um passo em frente, pisou sobre a superfície líquida criando ondulações.

 

Karl não pode deixar de suspirar de admiração.

 

― Andar pela água, hein…Essas botas realmente são incríveis, me faz me sentir como um shinobi!

 

Karl deu o segundo o passo, depois o terceiro e com um sorriso, começou a correr. Imerso em um sentimento de euforia, movia-se em alta velocidade, seguindo a trajetória da linha azul. Sem hesitação. De certa forma, esqueceu os perigos e o clima tenso se dissipou como névoa. Não temia mais o ambiente hostil à vida. Sabia que estava protegido das criaturas pelo doutor. Então se entregou e correu em frente. Correu como uma criança que não sabia o que era liberdade.

 

Ele moveu-se, desviando de grandes salgueiros, imensos montes de pedra escura que vomitava um miasma vindo das profundezas da terra e grandes monstros crocodilianos com enormes bocarras de dentes como adagas afiadas, que podem facilmente engolir um elefante inteiro. Karl viu belíssimos humanoides de olhos negros, hipnotizantes, pele avermelhada, mas a parte inferior era o corpo de um escorpião. Viu outras criaturas igualmente perigosas, e ironicamente igualmente belas.

 

Karl estava surpreso, apesar do ambiente hostil a vida, tinha um rico ecossistema – apesar de ser um ecossistema bizarro, com criaturas que pareciam vir diretamente do próprio inferno.

 

Vários minutos depois, avançando, o pântano de repente se transformou em uma floresta de terra acidentada e grandes carvalhos de copas que escondiam o céu. O miasma lá era mais fraco, contudo continuava sendo um lugar mortal e cheio de perigos ocultos.

 

A floresta era sombria, mas sua visão no escuro era perfeita e seus sentidos extremamente afiados. Apesar da incrível velocidade qual se movia, podia ver cada árvore e planta com detalhes precisos. Na terra ele era fraco e mal podia deixar a cama. Agora, sentia-se forte como um Deus.

 

Em menos de uma hora chegou ao fim da Floresta da Morte.

 

Um novo mundo abriu-se para Karl.

 

O solo era rochoso com precipícios nos quais corriam riachos de espuma branca. Montanhas de picos tingidos pela neve e escondidos pelas nuvens nebulosas, bosques de pinheiros espalhado até onde seus olhos podem ver. Viu cavernas profundas cheias de perigos e tesouros, estátuas de grandes heróis do passado esculpidos na própria montanha e ruínas e mais ruínas, repletos de mistérios e aventura.

 

Karl foi arrebatado por aquela visão.

 

O dispositivo vibrou e projetou uma imagem bidimensional.

 

 

 Bem vindo as Terras Esquecidas!

 

 

Karl não olhou para trás e seguiu em frente, com uma ânsia feroz por aventuras. Com uma ânsia por tesouros e com uma determinação de aço para esculpir sua própria lenda naquele novo mundo.

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3 comentários em “Crônicas de Helgard: Capítulo 8

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