Nefoedd (Reescrito): Capítulo 8

Mudança na Vila dos Homens Raposas! (1 Parte)

 

 

 

>>>>> 1 <<<<<

 

 

Sentada sobre uma grande pedra lisa nas margens do rio Maren. Ouvia o som das correntezas, borbulhando com espuma por entre rochas, cortando toda a Grande Floresta de Orman.

Um súbito vento forte vindo do norte agitou seus cabelos prateado, balançando as copas dos cetros e pinheiros, trazendo o cheiro de fumaça e morte.

Seus olhos estavam fixos no horizonte. Nas imensas colunas de fumaça negra. Fumaça de vilas e tribos de semihumanos destruídas, queimadas até as cinzas pelos demônios de ferro que marchavam pela floresta. Demônios sem corações. Sem Almas. Movidos com o proposito de cumprir as ordens de seu criador.

Meu pai tomou a decisão correta, pensou Yasmin, filha de Giles, chefe da Vila dos Homens Raposas. Estremeceu ao pensar o que teria acontecido com seu povo, caso seu pai não tivesse jurado lealdade para aquele ser Todo-Poderoso. Não, não é tão difícil de imaginar, pensou ela. Se meu pai não tivesse jurado lealdade, seriamos mais uma daquelas vilas e tribos massacradas por seus demônios de ferro.

Duas semanas atrás seu povo sofria uma crise sem precedentes. Agora, desfrutava de paz e uma promessa de glória e prosperidade.

O ser Todo-Poderoso, havia deixado claro duas coisas para todos habitantes da Grande Floresta de Orman: Glória e prosperidade para aqueles que jurar lealdade. Ferro e fogo, para aqueles não jurar lealdade.

Não havia meio termo. Nem neutralidade. Apenas duas opções: jurar lealdade ou morte.

Ao ser confrontado com essas opções nada agradáveis, apenas os tolos e orgulhosos escolhiam a segunda opção.

Yasmin não sabia se eram tolos demais, ou, orgulhosos demais. Apenas sabia, para sua surpresa, que havia um monte deles.

Yasmin pensou nos mitos e lendas dos Deuses Nefoeddianos.

Os Deuses são cruéis. É o que as lendas sempre nos dizem. O grande Deus, Aeron, era justo e bondoso com seus aliados, cruel e vingativo com seus inimigos. Quando o Deus da Enganação, Rhanag, tentou usurpar o Trono da Guerra. Aeron, Furioso o empalou em sua Lança Flamejante e o atirou para as profundezas da terra, aonde queima eternamente. Quando a terra treme é por causa dos gritos dolorosos de Rhanag. Quando a terra cospe fogo e enche os céus de fumaça negra é por causa da Lança Flamejante de Aeron, queimando o Deus maligno.

Por vários minutos ficou lá ouvindo o som tranquilizante da correnteza do rio Maren. Imersa em vários pensamentos. Até que sua paz foi quebrada pelo som de um estalo alto, seguido por um estrondo e um leve tremor de terra.

Moveu sua cabeça em direção a origem do som e farejou o ar, sentindo o cheiro familiar de ferro e magia.

― Demônios de Ferro ― disse Yasmin, surpresa. ― Eles chegaram mais rápido que eu havia imaginado. Quando ouvi falar que eles vão construir uma estrada até o rio Maren, pensei que levariam meses.

Da Vila até o rio Maren era aproximadamente 5 milhas de distância – um percurso de terreno acidentado, solo pedregoso, barrancos e muitas árvores e rochas no caminho. Yasmin, usando as capacidades físicas racial de uma mulher raposa, conseguia percorrer essa distância em menos 20 minutos.

(Magusgod: 1 milha equivale 1.609,344 metros.)

Agora, para realizar todo percurso da Vila até o rio Maren, derrubando todas árvores no caminho e preparando o solo para servir de estrada, em menos de uma semana era rápido demais.

O som de machados golpeando madeira ficou cada vez mais alto e próximo, até a silhueta dos Demônios de Ferro se tornar visível entre os pinheiros e cetros.

Os Demônios de ferro eram altos, com aproximadamente 2, 50 centímetros de altura, segurando grandes machados de guerra. Todo corpo era revestido por uma sólida armadura de placas de ferro, e seu elmo tinha a forma da cabeça de um touro.

Aonde eram localizados os olhos havia duas orbe azul pálido flamejante.

Homens raposas apareceram ao lado dos Demônios de Ferro. Amarrando os grandes troncos das árvores cortadas, com grossas cordas, puxando-as em direção as margens do rio Maren.

― Levem até marchem do rio! ― gritou Abdul. Um Homem Raposa alto, corpulento, com braços grossos e fortes. Suas orelhas e cauda de raposa eram de um vermelho-alaranjado. ― Força Homens! Mostrem a força dos Homens Raposas! Não envergonhem nosso Senhor! Puxem! Puxem! Puxem!

Sobre os gritos de incentivo de Abdul. Homens Raposas jovens e velhos puxam o tronco da árvore cortada com gritos de esforço que ecoavam pelo ar.

Yasmin levantou-se, ficando de pé sobre a rocha, observando o trabalho dos moradores da vila. Notou que havia outros grupos puxando as árvores derrubadas do local. Não eram somente os moradores da Vila dos homens raposas, estavam presentes moradores de outras tribos e vilas da região leste ajudando no projeto.

Abdul e seu grupo puxaram a árvore derrubada até a margem do rio, ao lado de uma grande rocha cinzenta, pontiaguda como as presas de um lobo selvagem. Após concluir o trabalho desabaram no chão, respirando profundamente.

Yasmin saltou da rocha e andou até o grupo de Abdul.

― Abdul ―chamou ela. ― Parece que vocês estão trabalhando duro ― elogiou e perguntou: ― Por que estão levando as árvores derrubadas para as margens do rio Maren?

― Senhorita, Yasmin! ― cumprimentou com um largo sorriso. ― Não sabemos ― respondeu com um balanço de cabeça. ― São ordens do Todo-Poderoso. De acordo com o chefe, ele suspeita que o Todo-Poderoso esteja planejando construir uma ponte! ― exclamou. ― Acredita nisso, Senhorita Yasmin! Construir uma ponte nas águas profundas e ferozes do rio Maren, o Rio da Morte!

O rio Maren atravessava toda Grande Floresta de Orman, vindo das Cordilheiras Belâli, cruzando as regiões norte, leste e sul. Naquele ponto o rio Maren tinha mais de dois quilômetros de largura. Sem mencionar que o rio era muito profundo, o que não permite travessia com cavalos. A única forma de atravessar o rio naquele ponto era com barcos, mas, mesmo assim seria uma travessia perigosa por causa das correntezas ferozes e os monstros que habitam suas profundezas.

De todo modo, construir uma ponte no rio Maren naquele ponto era um projeto condenado ao fracasso. Caso as correntezas não destruir a ponte, os monstros nas profundezas do rio com certeza destruiria.

Isso era o que Yasmin e todos outros teriam pensado no passado.

Yasmin suspirou.

― Por que eu não acreditaria? ― disse ela com um meio sorriso. ― O Todo-Poderoso, lorde supremo de God… alguma coisa, fez tantos milagres que não ficaria surpresa com mais nada!

Ao ouvir as palavras de Yasmin, Abdul e seu pessoal se entreolharam e gargalharam.

― Não, senhorita, não diga essas palavras tão cedo ―disse Abdul misteriosamente. ― Logo será surpreendida! ― ele apontou em direção aos Demônios de Ferro. ―Veja! Logo se tornará visível!

Yasmin observou os Demônios de Ferro, com poderosos balanços de seus machados colocavam abaixo uma árvore em poucos segundos. Prosseguindo rapidamente com a tarefa atribuída. Quando mais árvores foram cortadas, revelou uma vasta faixa de terra limpa é plano que se estendia até a Vila, e outras estradas menores ligando a outras vilas e tribos.

Yasmin não podia acreditar em seus próprios olhos. Ela lembrou-se que por onde a estrada passava havia um monte rochoso, mas agora não havia nada. Nenhum sinal do monte rochoso, como se nunca tivesse existido.

― Como isso é…

Antes que pudesse concluir a pergunta, um tremor de terra a fez perder o equilíbrio, caindo sentada nas pedrinhas lisas da margem do rio.

A terra tremeu mais uma vez fazendo as pedrinhas pular para cima e para baixo.

Yasmin praguejou e por um momento acreditando que fosse o Deus Rhanag agitando a terra com seus gritos dolorosos. Mas logo descobriu a origem dos tremores de terra.

― É a Bruxa! ― gritou Abdul para Yasmin e apontou para o céu. ― Veja o poder da serva do Todo-Poderoso!

Satisfeitos, gargalharam novamente ao ver Yasmin encarando o céu com a boca aberta.

Flutuando no céu havia uma pequena figura de manto negro, agitando um elegante cajado mágico. Na faixa recém-cortada da floresta a terra se elevou e grandes rochas flutuaram para o céu. Depois, como se fosse moldado por ferramentas invisíveis, as rochas foram cortadas e transformadas em blocos de rocha polida.

Fluindo em um rio de pedras até a Vila dos Homens Raposas.

― Um rio de pedras! ― Abdul gritou e gargalhou como se fosse uma piada engraçada. ― Eis algo que não se ver todo dia, não é pessoal?

O “pessoal” respondeu com um vigoroso sim e riram. Não havia medo ou espanto em seus olhos. Havia apenas um brilho de orgulho e pura admiração. Havia júbilo em seus rostos. Por que tudo que estava acontecendo era por causa da vontade de seu senhor. Para elevar o povos da região leste da floresta para um novo patamar. Para uma era de glórias e prosperidade.

Por outro lado, Yasmin via todo aquele privilégio com preocupação. Seu pai havia a ensinado que nada na vida vem sem um preço. Se essas palavras estivessem corretas, que preço seu povo teria que pagar?

Tirando de seu devaneio, Yasmin ouviu um grito chamando por seu nome.

― Senhorita Yasmin! ― gritou um jovem garoto e ao vê-la soltou um longo suspiro de alívio.

― Algo aconteceu, Ben? ― perguntou preocupada.

O jovem garoto parou para recuperar o fôlego.

Ben era pequeno, corpo franzino de uma criança de sua idade, e como a maioria dos Homens Raposas os pelos de suas orelhas e cauda eram de um tom vermelho-alaranjado.

― O Chefe pediu que retornasse urgentemente para Vila! ― disse ele entre as respirações. ― Parece que o Todo-Poderoso está vindo para a Vila e tem um anúncio para fazer! ― ele olhou para Abdul e seu pessoal. ― Vocês também, todos Homens Raposas devem retornar para Vila!

Após dar o recado ele se dirigiu para outro grupo de Homens Raposas passando o recado do chefe da vila.

Yasmin e aqueles que trabalhavam puxando os troncos retornaram imediatamente para a vila.

Anúncios

3 comentários em “Nefoedd (Reescrito): Capítulo 8

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s