Crônicas de Helgard: Capítulo 15

Lutando contra os bandidos!

 

 

 

O grandalhão que havia atacado Karl começou a suar frio, enquanto olhava idiotamente para o clube rústico de madeira em sua mão, que ardia por choque do impacto. Suas mãos trêmulas deixou cair o clube de madeira.

O silêncio sufocante foi quebrado pelo som surdo da arma batendo contra o chão.

― Pode ser que ele seja um guerreiro de alto nível? ― perguntou um dos bandidos tendo um mal pressentimento.

Ryder e seu bando eram corajosos porque estavam em maior número, acreditavam que Karl não seria uma ameaça. Mas ao ver que ele não havia recebido qualquer dano, despertou sua cautela.

Eram covardes por natureza e não ousariam enfrentar alguém mais forte que eles.

― Não. Não sinto nenhuma aura de poder vindo desse cara… ― respondeu Ryder hesitante.

Apesar de não sentir nenhuma aura de poder vinda de Karl. Sabia bem por experiência própria que uma pessoa normal teria levado muito dano com aquele golpe. Não só Karl não recebeu qualquer dano, mas quem o atacou acabou se machucando.

Ryder tinha um mau pressentimento, mas não desistiria tão facilmente. Não queria causar a ira de seu chefe. Pagando ou não a divida, a ordem era para captura-la.

― Ei pessoal! ― gritou Ryder. ― Não tenham medo e ataquem ao mesmo tempo! Quero ver se esse desgraçado vai conseguir continuar em pé depois de alguns golpes!

Sendo incitado por Ryder avançaram novamente, apertando fortemente suas armas. O grandalhão que havia atacado Karl hesitou, mas acabou dando um passo em frente… Então seus olhos arregalaram ao ver o punho esquerdo de Karl vindo em sua direção.

O grandalhão não conseguiu dar o segundo passo e nem evitar o soco de Karl. Apesar de o soco ser lento, era acompanhado por uma pressão que paralisava de medo. Assim que o soco pousou no peito do bandido, um som alto e claro de ossos sendo quebrado reverberou pelo ar. E seu corpo foi arremessado, como uma bola de canhão, contra uma parede de tijolos a 7 metros de distância, que desabou sobre seu corpo com o impacto.

O bandido ergueu levemente a cabeça cuspindo um bocado de sangue, até o brilho da vida se apagar em seus olhos.

Ele não se levantou mais. Estava morto.

Karl olhou incrédulo para seu punho. O punho que havia ceifado uma vida. Por mais desprezível que fosse aquele bandido, não desejava matá-lo. Contudo, apesar de sentir um mal estar, não estava arrependido. Nem martirizar-se por ter matado um bandido desprezível.

Eu queria ser herói, mas escolhi trilhar o caminho do doutor, isso acabaria acontecendo cedo ou tarde, pensou Karl cerrando o punho com força.

Mais uma vez silêncio…

Sendo quebrado apenas pelo bater de dentes dos bandidos restantes.

Estavam com medo.

Medo de perder suas miseráveis vidas.

O medo da morte impregnou-se até seus ossos.

Eles engoliram a saliva para anemizar o aperto que sentia na garganta.

Não estavam vendo apenas um homem, mas sim uma besta demoníaca capaz de matar um homem com apenas um soco. Uma besta demoníaca que exalava um ar intimidador sufocante.

Ryder e os três bandidos restantes deram um passo para trás sob o olhar frio de Karl. Olhar que parecia poder congelar o mundo.

Aqueles homens que ganhavam a vida cometendo crimes violentos choravam como criancinhas impotentes. Ao olhar nos olhos escuros de Karl viam apenas sua morte. Um deles tombou impotente no chão, urinando de medo, molhando sua calça.

Vendo aquela cena Ryder, girou sobre os calcanhares, e correu na direção contrária. Os dois bandidos que estavam em pé também correram por suas vidas. Sabiam que ficar lá significaria sua própria morte.

Brienne retirou a adaga de seu cinturão, livrou-se da mão de Karl e perseguiu Ryder.

― Por que está ai parado?! ― gritou a jovem ruiva. ― Se eles escaparem vão contar ao bando o que fizemos! Rápido, mate-os!

Karl hesitou por um breve momento, antes de dispararam como um raio para cima dos dois bandidos que corriam. Karl pulou sobre um dos bandidos, agarrando a cabeça do bandido e com um sonoro…*Crack*… Quebrou seu pescoço, matando-o instantaneamente.

Karl pegou o clube rústico de madeira do corpo e acertou as pernas do segundo bandido, a força do impacto fez o clube estilhaçar-se, e fazendo-o girar belamente no ar, antes de cair no chão com as pernas quebradas. Cuspiu um bocado de sangue enquanto gemia lamentavelmente de dor. Karl jogou a arma quebrada fora, ajoelhou-se diante o bandido.

― …Por favor… Eu não quero morrer… ― choramingava o bandido.

― Ninguém deseja morrer ― Karl balbuciou fechando a mão direita em um punho. ― Mas a morte vem para todos. Pessoas boas e ruins. Principalmente para as pessoas ruins. Para esse tipo de pessoas, geralmente suas mortes são violentas.

― …Perdão…

Não houve perdão.

O soco de Karl foi como um martelo de guerra, esmagando sua cabeça, regando o chão com sangue e massa encefálica. Vendo toda violência que havia acabado de realizar estava surpreso consigo mesmo por não ter vomitado.

Naquele momento seu coração era de gelo.

Eu mudei, pensou ele. Pode ser que seja por causa desse corpo?

Desde que Karl reencarnou em Helgard e andou pelas terras esquecidas. Fez coisas que nunca sonhou em fazer. Quando se deparava em situações críticas ao encontrar com bestas mutantes poderosas, conseguia agir friamente. Sem desespero. E agora estava matando outro ser humano e não conseguia sentir a menor empatia por eles.

Karl não pensou mais no assunto e voltou seus olhos para o terceiro bandido que havia ignorado. Continuava em seu lugar, olhando para Karl em estado de choque. Karl andou em sua direção lentamente, lançando uma sufocante pressão sobre o bandido.

De costas para o sol, vestindo o manto de penas de corvo, tremulando ao vento. Fazia Karl parecer uma besta assustadora saída do próprio inferno.

Ele pediu perdão. Chorou como uma criancinha. E no fim morreu como os covardes morrem: morreu sobre uma poça de sua própria urina e vômito.

Em um instante ele havia matado 4 homens.

Vendo o que havia realizado sabia que algo dentro de si havia mudado para sempre.

Eduardo, ele pensou em seu nome antigo. Aquele bondoso garoto fraco que vivia em uma cama de hospital, lamentando as várias tragédias de sua vida. Agora está morto.

Na terra ele sempre havia suportado as dores e as tragédias em silêncio. Era fraco e impotente para fazer qualquer coisa. Mas, seu coração vivia cheio de raiva contra o mundo, contra a vida injusta, uma raiva silenciosa, trancafiada nas profundezas de seu coração.

Ao matar aqueles homens sentia-se que havia se livrado de correntes que haviam o prendido todo esse tempo.

Karl gargalhou.

― Obrigado, doutor! ― agradeceu Karl olhando para o céu. ― Não sei os desafios que me aguardam, mas sou grato por ter me concedido essa nova vida! Juro, que vou fazer tudo que puder para responder as suas expectativas, mestre!

Depois de agradecer voltou sua atenção para a jovem de cabelo ruiva que se movia como uma gata, cheia de destreza e agilidade, evitando os golpes de faca de Ryder. A adaga nas mãos da garota parecia uma serpente, golpeando-o seus braços e pernas de forma incessante, causando vários cortes sangrentos.

― Qual é o problema Ryder? ― Brienne zombou. ― Você não me queria? Aqui estou eu! Toda sua, vem me pegar! Seu cachorro sarnento! Vou arrancar seu p@# e fazê-lo comer!

― Sua cadela! Vou espanca-la até a morte!― rosnou furiosamente.

Sob a enxurrada de provocações o rosto de Ryder estava completamente vermelho de raiva. Colocou mais ferocidade nos golpes com a adaga. Brienne aparou o golpe com sua ataca, fazendo chover faíscas, e acertou um chute contra o estômago, fazendo-o cambalear sem ar para trás.

Nesse momento Brienne jogou seu corpo para trás fazendo uma bela pirueta no ar.

Assim que aterrissou no chão adotou uma posição de combate estranha e gritou:

―【Golpe Mortal】!

Brienne desapareceu de sua posição original e, como um fantasma, reapareceu atrás de Ryder com a lâmina da adaga suja de sangue.

Ryder franziu a testa vendo que a jovem ruiva havia desaparecido de sua linha de visão. Tentou virar a cabeça… Mas uma linha vermelha surgiu em seu pescoço, seguido por um esguicho de sangue.

― Não posso perder meu tempo com você! ― disse a garota friamente, embainhando sua adaga. ― Seja grata por não receber uma morte de cão.

Ryder nada respondeu e tombou de joelhos no chão, enquanto sangue jorrava sem parar pelo corte profundo na garganta. Antes de morrer, viu a garota passando por ele, rebolando sua bundinha graciosamente.

― Toca aqui! ― disse a garota ruiva parando de frente de Karl com os punhos ensanguentados.

Ela fez uma posse, estendendo o braço direto, fechando sua mão em um punho.

Karl olhou para o pequeno punho estendido da garota, a mesma mão que segurava a adaga que ceifou a vida de Ryder. Parecia tão frágil que era difícil de acreditar que aquela bela garota de cabelos ruivos podia ser tão mortal.

Karl estendeu o braço fechando a mão em um punho.

― Obrigado por me defender, Karl! ― disse ela socando o punho dele em um cumprimento, mantendo-os conectados por um tempo até a jovem retirar seu punho.

Ela andou em direção aos corpos, vasculhando a procura de algo de valor.

Retirou as bolsas que continham alguns Drac de bronze e o gibão de pele que usavam, embora estivesse surrado ainda era possível vende-los por alguns Drac de bronze. E depois de saquear os corpos, com ajuda de Karl, arrastou os corpos para o leito do córrego e jogaram nas águas escuras e sujas do córrego que passava pela periferia.

Fizeram seu caminho para casa da garota.

― Não é a primeira vez que você matou uma pessoa, não é? ― perguntou Karl, suspeitando pela atitude da jovem ruiva ao matar Ryder que não era a primeira vez que havia matado outro ser humano.

― Como acha que sobrevivi até agora, Karl? Em minhas veias corre sangue de ferro e não sangue de flores. Quando se é jogado contra um canto e a única forma de sobreviver é tirando a vida da outra pessoa. Você tem apenas duas opções: a primeira opção e ceder à vontade da pessoa que te jogou naquela situação. A segunda opção é lutar e eliminar a ameaça. Eu escolhi a segunda opção.

― Entendo ― Karl falou num tom baixo, fazendo um memorando mental para não provocar aquela pequena raposa. ― Pelo que vi, independentemente de pagar a divida, parecem estar especialmente atrás de você. Por quê?

― Por causa de tudo isso! ― respondeu dando uma viradinha para Karl,

― Tudo isso o quê?

― Meu corpo, idiota! ― sibilou com raiva. ― Um dos lideres locais, membro da organização Sombras de Guinevere, é um pervertido degenerado que sempre teve seus olhos em mim. Desde a morte do meu pai ele vem procurando uma oportunidade de me pegar. Através de vários subterfúgios consegui fugir, mas se eles estavam aqui significa que a paciência dele acabou. Ganhamos um tempo com a morte desse peões, mas não vai demorar para descobrir o que fizemos aqui. Vou precisar abandonar essa casa, o problema é ir para onde?

Karl alisou seu queixo e falou:

― Se eles estão te incomodando ― disse ele pausadamente. ― Basta eliminarmos todos. Não, é?

Brienne balançou a cabeça.

― Essa é a pior escolha possível. Embora ele seja apenas o chefe local, não muda o fato que faz parte da organização Sombras de Guinevere. Eliminando-o, estaríamos comprando uma briga com toda organização. E isso séria o mesmo que suicidar-se. Você não faz ideia do poder e influência que eles têm dentro da cidade.

Karl não falou nada.

Passaram pela cerca de tábua de madeira, revelando uma pequena horta com várias espécies de ervas medicinais e verduras selvagens. Brienne parou diante a porta que parecia poder cair a qualquer momento e bateu três vezes, após três segundos bateu mais três vezes.

― Irmãzona? É você? ― perguntou uma voz infantil atrás da porta.

Sem esperar por uma resposta o garotinho destrancou a porta e saltou para os braços da irmã, enquanto chorava. Nicolas estava muito preocupado com sua irmã mais velha por não ter retornado para casa no dia anterior. Ele temia que o pior tivesse acontecido – já que é bastante comum exploradores perder a vida do lado de fora da muralha.

Brienne abraçou carinhosamente seu irmão.

― Você não falou que tinha um irmão ― Karl murmurou para ela.

― Você não perguntou nada ― respondeu empinando o nariz. ― De todo modo, agora que sou sua garota, ele também é de sua responsabilidade. Entendeu?

Karl desenhou um sorriso irônico.

― Irmãzona, quem é ele? ― perguntou Nicolas, limpando as lágrimas do rosto. Apesar da pouca idade, ele era um garoto muito esperto. Sabendo da personalidade de sua irmã, e sua desconfiança natural pelas pessoas. Sabia que ela não levaria um homem para casa sem uma boa razão. Então para ela trazer um homem e ainda sumir por um dia… ― Irmãzona pode ser que ele seja seu namorado?

― Bem… Sim… ― balbuciou Brienne com o rosto avermelhado.

― Eu sabia! ― exclamou o jovem alegremente. ― Então você será meu cunhado a partir de agora?

Vendo a reação alegre do garotinho. Karl agachou-se e acariciou os cabelos do pequeno. Como filho único não sabia o que era ter um irmão, mas sempre teve vontade de ter um.

― Sou Karl, pode me chamar de irmão mais velho se desejar!

Nicolas com um sorriso alegre acenou várias vezes com a cabeça.

― Sim! Irmão mais velho!

― Vamos entrar logo! ― disse Brienne recuperando-se do embaraço.

Seguindo os dois irmãos, Karl entrou na casa, com cada passo fazendo o assoalho ranger. Temia que as tábuas do assoalho não aguentasse seu peso. Seu temor se realizou. Não havia dado nem dez passos e a tábuas sob seu pé direito quebrou.

Agora entendo sua atitude melhor, pensou Karl. Sou seu bilhete de saída desse lugar. Enfim, não importa qual era sua intenção. Agora e meu dever proteger esse par de irmãos e tira-los daqui.

Com esses pensamentos Karl havia tomado sua decisão de proteger Brienne e seu irmão.

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9 comentários em “Crônicas de Helgard: Capítulo 15

  1. Eles não vão ficar muito tempo nessa cidade né? Eu achava que ele ia pegar os 2 e ia explorar o mundo ._. =v Tentar procurar evidencias do “Jovem Mago” Da uma de Indiana Jones e.e Já que Hdum e Arcadia já não são mais voltados a exploração u.u

    Curtido por 1 pessoa

      1. ;-; Sl… Desde quando comecei a ler essa novel to com esse sentimento sabe? De que Karl vai sai explorando o mundo e tals ._. Sabe? sem se preocupar muito… Se esbarrando em alguns inimigos resgatando mais garotas para o harem =v Sl acho q é saudade desse genero e.e

        Curtido por 1 pessoa

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