Crônicas de Helgard: Capítulo 18

Decisão!

 

 

 

 

Ano 650 da Era Solariana. Arins (1º mês), Dia 7, 08: 49 am

 

 

O amanhecer estava cinzento, úmido e o ar era extremamente frio. Karl despertou com o ranger das tábuas do assoalho e barulho de panelas. Sentia o corpo pesado, movendo as mãos por baixo do cobertor, apalpou sobre o tecido, algo suave, um pouco elastico, mas firme.

O que é isso? Perguntou-se mentalmente.

Ainda sonolento, palpou novamente, afundando os dedos na sensação elastica sobre ele.

― Hum~~

Um gemido baixo, de certo familiar, soou vindo de baixo das cobertas.

Esse som distinto foi o suficiente para clarear a mente de Karl. Retirou a mão da elasticidade que apalpava e levantou o cobertor, revelando diante seus olhos uma jovem ruiva de roupas de dormir e cabelo bagunçado. Ela dormia aninhada em seu peito e sobre seu ombro descobriu tênue fio de saliva – ela havia babado todo seu ombro.

Olhando mais para baixo, percebeu que a sensação elastica anterior era a bunda da jovem ruiva.

― Não acredito que esse clichê aconteceu comigo! ― resmungou. ― Até parece que estou em uma das histórias do doutor…

Nas histórias do jovem mago era bem comum ver em vários capítulos ele acordado ao lado de suas amadas. Na verdade era uma das marcas registradas da história que ele amava.

Não sou um santo, pensou ele. Se essas situações estimulantes continuar acontecendo, uma hora vou acabar perdendo o controle e ataca-la. E isso não seria nada bom.

Karl ergueu-se cuidadosamente e deitou a jovem ruiva do lado, cobrindo-a com o cobertor de peles.

Espreguiçou-se, respirando e inspirando o ar frio com um ritmo controlado.

As tábuas do assoalho rangeu outra vez, vindo da cozinha surgiu o pequeno garoto, Nicolas.

― Oh, irmão mais velho!

― Está acordado há muito tempo?

― Sempre acordo cedo ― respondeu o garoto. ― É minha tarefa preparar o desjejum e acordar a irmazona… Embora acorda-la seja um trabalho difícil. Muito difícil.

Karl riu.

Os dois deixaram a sala e foram até a cozinha. O fogão era a lenha e na panela borbulhava o que parecia ser um ensopado de carne.

Um delicioso aroma de carne preenchia toda a cozinha.

― Graças ao irmão mais velho vamos poder comer carne pela primeira vez em anos! ― Nicolas exclamou, seus olhos brilhavam. ― Só por sentir o cheiro estou salivando…

Karl pensou que era uma piada, mas ao olhar para o garoto percebeu que ele realmente estava salivando por causa do aroma do ensopado. Embora fosse uma cena cômica, ele não ria. Pela conversa que teve com Brienne, sabia que eles não comiam algo como carne há vários meses e podia até deduzir que eles passaram fome diversas vezes.

― Não precisa se preocupar ― disse ele, bagunçando o cabelo de Nicolas. ― Enquanto eu estiver aqui, vocês comeram carne todos os dias.

Nicolas o encarou com um olhar duvidoso.

― Mas… Carne é bem caro sabe? Soube que um pequeno pedaço vale vários Drac de bronze.

― O irmão mais velho aqui é um grande guerreiro. Fora das muralhas caçei muitas bestas mutantes e tenho guardado vários quilos de carne! O suficiente para você, eu e sua irmã comer por muitos meses.

― Um grande guerreiro! ― exclamou o garoto, entusiasmado.

Karl assentiu e contou ao garoto sobre as bestas mutantes que viu e lutou nas terras esquecidas. Narrou com vivacidade as lutas, fazendo os olhos de Nicolas brilhar em fascínio. E fazer muitas perguntas sobre o mundo lá fora.

Minutos mais tarde Brienne surgiu cantarolando para si mesma. E os três serviram-se do ensopado de carne em uma tigela de madeira. Sentados no chão em frente à lareira, conversavam sobre vários assuntos até o tempo começar a mudar e cair uma leve chuva fina.

O chuvisco que caia lá fora aos poucos começou a ganhar forçar, martelando o telhado, tornando o barulho da chuva mais forte do que o som do trovão que sacudia o céu.

― Essas tempestades sempre são imprevisíveis! ― disse Brienne, quase gritando para que fosse ouvida. ― Elas vêm e vão sem aviso! Espero que essa tempestade seja rápida, caso contrário teremos que passar o dia inteiro dentro de casa.

Karl assentiu, enquanto provava o ensopado de carne.

Nicolas alimentava as chamas da lareira com mais lenha, para que não fosse apagada pelo vento e chuva.

― Decidiu o que vai fazer? ― perguntou a jovem repentinamente.

Karl já havia pensando no assunto desde a noite passada. Pensou em ser um comerciante, mas para isso precisaria de capital e passar por muita burocracia para conseguir uma licença da federação para vender em suas cidades. Pensou em ser um mercenário e viver da guerra, mas não havia muitos méritos e a vida de um mercenário não era nada fácil.

Ele também queria, por hora, se estabelecer em uma cidade e obter uma profissão rentável.

Nesse aspecto havia só restado uma escolha: explorador.

― Em minha viagem pela terra esquecida, acabei me acostumando em lutar contra bestas mutantes ― respondeu entre as colheradas no ensopado de carne. ― Explorador ― ele colocou a tigela no chão, após esvaziar a tigela. ― Me parece bem interessante investigar ruínas, descobrir mais sobre esse mundo e quem sabe encontrar tesouros.

― Concordo! Há muitas ruínas do outro lado da margem do rio Rhiannon, com sua força acredito que seja capaz de descobrir seus segredos ― seus lábios se enrolaram e um imenso sorriso e concluiu com entusiasmo: ― E conquistar seus tesouros!

Brienne estava animada. Havia muitas ruínas que gostaria de explorar, mas eram perigosas demais para uma exploradora sozinha. Os lugares mais lucrativos eram os mais perigosos: covil de bestas mutantes poderosas e repleto de armadilhas mortais.

Para superar os desafios de ruínas mais complexas, exploradores formavam grupos entre 3 a 6 membros. Cada explorador com sua classe e especialidades necessárias para sobrevivência e investigação.

Brienne continuou falando animadamente sobre ruínas e exploradores, enquanto Karl retirava de seu inventário conjuntos de peles, separando-as conforme sua qualidade. Após terminar de analisar as peles, entregou um conjunto de pele para Brienne.

― Pode ser vendido por quantos? ― perguntou Karl.

Ela tocou o conjunto de pele, sentindo sua textura e verificando se não havia falhas causadas pelo esfolamento do animal.

― Sinceramente: não faço menor ideia. Mas sem dúvidas nenhuma pode ser vendido por um alto valor, claro, dependendo da loja.

Brienne empinou o nariz e com um *ehen*, falou com orgulho:

― Para sua sorte, conheço uma loja em que você pode vender bem!

― Entendo… Então vou deixar com você a tarefa de vendê-los.

― Tem certeza?

Ela não estava esperando por uma resposta sem hesitação de Karl.

― Não sou um bom negociante ― disse ele dando de ombros. ― Com suas perícias em oratória, não duvido que conseguira obter um ótimo preço.

― Talvez eu pegue o dinheiro e desapareça, sabe.

Karl abriu um imenso sorriso e falou com confiança:

― Não. Não vai.

Brienne estreitou seus olhos azul-esverdeado.

― Como pode ter tanta confiança?

― Não é obvio? ― disse ele num tom bem humorado. ― Por que você é minha garota… Certo?

Em resposta Brienne corou e olhou para baixo.

― Sim… ― murmurou ela numa voz baixa.

Karl riu, divertindo-se com a reação da garota.

― No fim das contas você é apenas uma garota de sua idade.

― Não ria de mim, idiota!

Karl riu ainda mais e os dois continuaram a brigar até a chuva passar. Depois, os dois foram para a Guilda dos Exploradores.

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11 comentários em “Crônicas de Helgard: Capítulo 18

  1. Busquei mais uma, agora já são 3, acho que posso dizer que acompanho o seu trabalho caro Magus, gostei da Loli, imaginando como ela vai agir quando “mulheres” começarem a se aproxima do “homem” dela huehuehue espero uma boa yandere da vida, na espera de mais capítulos, Lyam brincando de mestre isso não vai dar boa coisa…

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        1. eu achei que teriam mais cores e não o sistema de intensidade , por exemplo : Preto , Azul , Vermelho , Laranja , Verde , Amarelo , Ciano , Prata/Cinza , Branco.
          mas com o sistema de intensidade a necessidade de ter várias cores não existe , então é perfeito , eu n tinha pensado nisso kk xD

          Curtido por 1 pessoa

  2. Não é muito dificil dizer qual é o problema que vai aparecer… um lugar sem lei… vc descobre um sujeito que tem dinheiro e “tecnicamente” ele é um novato, então o que vc faz?????
    vlw pelo capitulo.

    Curtido por 2 pessoas

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