Crônicas de Helgard: Capítulo 19

Registrando-se na Guilda dos Exploradores!

 

 

 

A Guilda dos Exploradores ficava de frente Praça Valente. Um majestoso edifício da era antiga. Feito de blocos de pedras maciças, com suas colunas de mármore com aproximadamente dez metros de altura, meticulosamente esculpido com imagens vividas de guerreiros e monstros lutando. Karl ergueu a cabeça contemplando as imensas portas duplas aberta no final da larga escadaria – por onde exploradores de todas as raças e profissões entravam e saiam discutindo com seus companheiros de equipe.

Karl viu; guerreiros robustos vestindo armadura pesada, carregando uma imensa espada nas costas. Muitos usavam elmos com placas faciais; enquanto outros mostravam claramente seus rostos. E esses ele se surpreendia pelo rosto tatuado com desenhos tribais; cabelos que tendiam do branco a prata azulado.

Eram humanos, mas era diferente dos humanos que havia conhecido até agora.

― Eles são da tribo Aurian ― esclareceu Brienne olhando para o guerreiro de rosto tatuado, cabelo branco e olhos de um violeta sobrenatural. ― Sem dúvida são os melhores guerreiros de Helgard e também amam uma boa briga! Um conselho: nunca entre em uma briga com um Auriano… Se não desejar sair com alguns ossos quebrados.

Karl assentiu com as palavras da jovem de cabelos ruivos.

― Vê aqueles ali de orelha pontuda e cabelos coloridos? ― Brienne sussurrou, olhando para um grupo bem animado. Eles tinham estatura média, corpo esbelto, cabelos de variadas cores, vestindo um leve equipamento de couro sob um manto escuro. Carregavam longas adagas curvadas na cintura e belos arcos nas costas. ― São Fearianos, os melhores atiradores; ladrões; assassinos e qualquer profissão que é preciso agilidade e uma mente afiada. Podem ser bons amigos, mas prefiro ficar bem afastada deles. São todos loucos, eu acho.

Karl não fez perguntas, mas seu coração estava agitado ao ver aqueles que ela chamou de Fearianos. Por suas características faciais e orelha pontudas, lembravam muito os elfos de histórias hollywoodianas.

Ele era apaixonado por elfas… Quer dizer por personagens elfos das histórias de fantasia.

Desde que havia entrado em Ansgar havia visto humanos de variadas etnias, mas era a primeira vez que havia visto seres de outras raças.

Seus olhos vagaram para aventureiros levando grandes mochilas nas costas. Estavam por toda parte, seguindo equipes de exploradores.

― São mochileiros, essenciais para explorações de calabouços e ruínas. São úteis de várias formas, principalmente no desmantelamento de bestas mutantes ― ela fez uma pausa olhando para o dispositivo preso no cinturão de Karl. ― Não são todos que tem um brinquedinho tão conveniente.

Karl apenas sorriu ironicamente.

Agarrada ao braço de Karl, os dois subiram os espaçosos degraus da Guilda dos Exploradores, chegando até as majestosas portas duplas.

― Todas guildas de exploradores são tão espalhafatosas?

― Obviamente não! ― Brienne revirou os olhos. ― A guilda de Ansgar foi estabelecido sobre um antigo templo helgardiano… Na verdade a cidade foi estabelecida sobre as ruínas de uma cidade helgardiana… Embora só restassem as muralhas e alguns edifícios. Minha amiga falou que os outros ramos da guilda são bem mais simples.

― Entendo… Essa sua amiga parece ter viajado por um monte de lugares.

Brienne assentiu com orgulho.

Karl olhou para cima da porta, aonde havia uma placa com cinco metros de largura e vinte de comprimento escrito: Guilda dos Exploradores.

Havia uma pequena inscrição no idioma antigo entre a placa e a porta da guilda.

― Todos podem ser exploradores, mas poucos têm a coragem necessária de ser um. Daqueles que se tornam exploradores poucos tem a determinação necessária para seguir em frente, arriscando sua vida dia após dia nas ruínas envolto pelas brumas do tempo, combatendo as hordas de bestas mutantes e os males que afligem o mundo. Ser um explorador é mais do que procurar tesouros nas ruínas. Ser explorador é alguém que procura o desconhecido e explora seus mistérios… Um buscador da verdade!

Karl teve seu coração tocado por aquelas palavras majestosas. Quando voltou a si percebeu o estranho silêncio.

Todos os olhares estavam voltados para ele.

― …Karl, você sabe ler inscrições no idioma antigo?! ― exclamou Brienne.

― Aprendi com meu mestre ― disse ele. ― Sei o suficiente para ler e falar no idioma antigo. Vamos, quero me registrar ainda hoje como explorador.

Karl ignorou os vários exploradores que o encaravam com espanto, e entrou na guilda.

Esses exploradores veteranos estavam espantados, por que existia poucas pessoas capazes ler no idioma antigo – habilidade essencial para aqueles que vivem explorando ruínas antigas e traduzir inscrições antigas.

O interior da guilda era muito mais movimentado e espaçoso do que Karl imaginava. Filas se formavam em vários balcões bem dispostos ao longo das laterais do salão. A cena lembrou Karl o mesmo ambiente de um banco de sua vida passada.

No final do salão havia duas escadas que levavam para o andar superior e entre as escadas, um grande balcão com vários atendentes do sexo feminino.

― Por aqui! ― Brienne o guiou até a fila do balcão entre as escadas. ― Vou deixa-lo… E só preencher a inscrição e tudo vai dar certo. Depois que terminar o registro me aguarde em frente a estátua do guerreiro no centro da praça… ― desenhando um sorriso travesso acrescentou: ― Se eu demorar demais para aparecer pode ser que eu tenha fugido com o dinheiro.

― Não acredito que “minha garota” me abandonaria ― respondeu ele brincando. ― Mas caso isso acontecesse ficaria de coração partido.

― Realmente? ― murmurou ela baixinho com as bochechas vermelhas. Ela ficou de costas para ele e antes de partir gritou: ― Boa sorte, Karl!

Karl observou Brienne deixando a guilda, deixando ele sozinho na fila para registrar-se. Por alguma razão seu coração estava agitado. Embora as palavras de Brienne foram ditas em tom de brincadeira. Mesmo que acreditasse que ela não seria aquele tipo de garota… Uma parte de seu coração temia que ela o abandonasse.

Faz poucos dias que a conheci e nesses dias estávamos sempre juntos… Embora vamos ficar separados por um breve tempo… Por que me sinto tão inquieto?

Para distrair sua mente analisou a fila a sua frente.

Seus olhos vagaram para homens e mulheres, adultos e jovens, com expressões ansiosas. Brienne havia explicado, no trajeto até a guilda, para se tornar um explorador era necessário cumprir certos requisitos; qual boa parte da avaliação se baseia em ter habilidades de combate decentes e certo nível de conhecimento.

Após vários minutos na fila, Karl foi atendido por uma bela mulher de beleza fria, com cabelos loiros amarrados em um coque alto, revelando orelhas sem lóbulos e pontudas – traço distintivo de sua raça.

Ela usava elegantes óculos de aros de prata. Vestia uniforme padrão de funcionário da Guilda dos Exploradores.

― Seja bem vindo à Guilda dos Aventureiros! ― saudou a elfa com uma voz fria e ao mesmo tempo melódica. ― Está aqui para registrar-se?

― Sim… ― Karl conseguiu responder, ainda fascinado pela beleza da elfa. ― O que devo fazer?

― Por hora preencha esse formulário de inscrição ― respondeu ela entregando um papel com várias questões e uma caneta. ― Devo avisar que o formulário é encantado com o feitiço【Juramento da Verdade】, qualquer inverdade escrita, o formulário se tornará preto. E você estará desqualificado para se tornar um explorador.

Karl assentiu e começou preencher o formulário. Escreveu seu nome, raça, e no campo da idade hesitou sem saber bem o que colocar – pelo fato que havia reencarnado há pouco tempo em Helgard.

No fim colocou 19 anos de idade – idade que tinha quando morreu na terra.

O formulário não ficou preto, pensou ele. O que significa que esse feitiço funciona como um detector de mentiras. Se eu mentir deliberadamente o feitiço será ativado, mas se eu não souber responder, ou tiver dúvidas e disser algo errado, mas acreditando que seja verdade o feitiço não ativa. Interessante.

Além de informações pessoais, também perguntava sobre habilidades de combate, que tipo de armas e artes marciais era proficiente e ofícios acadêmicos. Após terminar de preencher os campos vazios entregou o formulário para atendente.

A elfa analisou o formulário e assim que viu as informações estreitou os olhos, não acreditando no que estava lendo.

― Sabe falar também na língua antiga? ― questionou a elfa, falando no idioma antigo.

― Sim ― Karl respondeu também no idioma antigo, surpreendendo a elfa. ― Sou muito fluente no idioma antigo, bárbaro e comum. Pretendo aprender outros idiomas no futuro. Posso saber seu nome?

A elfa o estudou com seus olhos cor de bronze.

Era raro existir pessoas que sabem falar na língua dos antigos, ainda mais raro era alguém que fale com tamanha perfeição. Se Karl fosse um elfo antigo ou um mago velhote pesquisador de artes mágicas antigas poderia compreender. Mas, um jovem com meros 19 anos que sabe falar três idiomas diferentes era algo completamente impossível.

Se não estivesse falando com Karl no idioma antigo, acreditaria que ele havia encontrado uma forma de quebrar o feitiço no formulário e mentido.

Além de saber falar três idiomas diferentes ele é também proficiente em vários tipos de armas, pensou a elfa vendo as informações preenchidas no formulário. Ele também pode usar magia… Arcanista? Não me lembro de nenhuma raça com esse nome… Estranho… Depois vou verificar os arquivos da guilda.

Após considerar vários aspectos, chegou à conclusão que Karl não vinha de um fundo familiar qualquer. Caso contrário seria impossível para um cidadão normal ter tantas habilidades e conhecimento.

― Me chamo Runa Alhena Dhuha ― apresentou-se após retornar aos seus sentidos. ― Espere um momento Sr. Karl, levarei seu formulário para administração. Lá será decidido com base em suas informações se é aprovado ou não.

Após dizer essas palavras girou graciosamente sobre os calcanhares deixando o balcão.

Mas uma vez percebeu que todos os olhares estavam focados nele. Até mesmo as atendentes próximas estavam boquiabertas ao presenciar os dois falando no idioma antigo. Sem dizer que era a primeira vez que haviam a visto falar tanto com outra pessoa.

Poucos minutos depois Runa retornou com um contrato e um pingente com uma placa cristalina sem nenhuma informação.

― Parabéns, Karl! ― congratulou Runa com um sorriso frio. ― Você foi aprovado para se tornar um explorador. Normalmente um novato começaria com o posto mais baixo que é um ranking bronze 1 estrela, mas conforme suas habilidades listadas e dominar três idiomas diferentes, administração irá abrir uma rara exceção e lhe conferir o ranking bronze 3 estrelas. Por favor, leia o contrato e se tiver qualquer dúvida, me fale.

Karl leu o contrato, o que era basicamente uma lista do que era ou não permitido, penalidades e benefícios: como 5% de desconto em lojas afiliadas com a guilda dos exploradores.

Karl achou interessante o sistema de ranking que aumenta após cumprir um determinado número de feitos para guilda.

Exploradores eram divididos em cinco postos. Sendo o primeiro o mais baixo posto e o último o mais alto posto: Bronze. Prata. Ouro. Elite e Herói.

Em cada posto também existe níveis que vão de 1 estrela até cinco estrelas.

Karl assinou o contrato sem hesitar e entregou para funcionária.

― Essa é uma placa de registro ― explicou Runa entregando o pingente com a placa cristalina para ele. ― Uma vez que pingar uma gota de seu sangue na placa, você será oficialmente um explorador classificado bronze 3 estrelas. E se tornará seu documento de registro que permite entrar e sair em qualquer cidade de Helgard que tenha uma Guilda dos Exploradores.

Ele materializou uma faca de aço negro e fez um pequeno corte em seu dedo, pingando uma gota sobre a placa cristalina. Assim que o sangue de Karl caiu sobre a superfície da placa cristalina, mudou para uma placa de bronze com três estrelas e informações sobre Karl.

Naquele momento o dispositivo vibrou e lançou uma luz em direção ao pingente em suas mãos. E como havia ocorrido naquele ao escanear o pingente da jovem ruiva, o dispositivo projetou uma tela contendo suas estatísticas de poder.

 

Nome: Karl Nível de Poder: C
Espécie: Arcanista Classe: Nenhum
Título: Nenhum
Filiação: Guilda dos Exploradores Ranking: Ferro (3 Estrelas)
FOR(350) DES(200) CON(300) INT(350) SAB(300) CAR(50)
Habilidade Ativas:
【Relâmpago】【Barreira Mágica】【Dominar Feras】
Habilidades Passivas:
【Compreensão Idioma (I)】【Mestre da Batalha (I)】【Canalizar Energia Arcana (I)】
Habilidade Especial:
【Imortalidade】
【Portador da Engrenagem Divina】
Resistências: Imunidade a ataques mentais\ Imunidade a ataques elétricos\ Redução de Danos Mágicos Menor\ Redução de Danos Físicos Menor \ Alta Resistência a Venenos\ Alta Resistência a Energias Negativas

 

Quando Karl viu aqueles números, quase deixou o cartão cair o pingente. Estava ciente que sua força e agilidade eram acima do normal, mas não imaginava que suas estatísticas fossem tão altas.

Karl acalmou suas emoções e sorriu para atendente elfa, pretendia agradecê-la. Mas hesitou ao perceber sua expressão tensa. Seus olhos estavam fixados na tela projetada pelo dispositivo. Rapidamente ele tocou no dispositivo para desfazer a projeção.

― Nível C? ― murmurou ela incrédula. ― Impossível…

― Há algo errado? ― perguntou preocupado.

Estava aliviado por ela estar chocada pelo seu nível de poder ao invés do dispositivo. Ele não queria atrair atenção desnecessária. E Brienne havia alertado para ter cuidado ao usar o dispositivo, pois se descobrissem suas funções únicas, sofreria uma catástrofe.

― Se há algo errado? ― sua expressão fria havia dado lugar a uma expressão cheia de emoções. ― Em toda Ansgar há apenas cinco pessoas que alcançaram o nível C. Uma dessas pessoas é o Mestre da Guilda dos Exploradores de Ansgar. Outros dois são exploradores classificados Ouro 1 estrela, líderes das duas equipes mais famosas da cidade. O Comandante do batalhão da Federação estacionado na cidade também possui o nível de poder C e a última pessoa… E líder de uma infame organização do submundo…

Agora Karl sabia o motivo da expressão perturbada da elfa. Havia apenas cinco pessoas nível C em toda cidade e todas elas eram pessoas de renome. Por seus encontros com bestas mutantes poderosas nas terras esquecidas, nunca pensou em si mesmo como alguém forte.

― Entendo… Poderia manter isso em segredo?

Ela balançou a cabeça negativamente.

― Uma vez que você fez o registro é impossível esconder essa informação… E é bem provável que o mestre da guilda já esteja ciente dessa informação.

Karl olhou com preocupação para ela.

― Não precisa se preocupar ― disse Runa num tom apaziguador. ― Acredito que o mestre da guilda manterá essa informação em sigilo, querendo ter um bom relacionamento contigo. Uma vez que o equilíbrio de poder na cidade é bem delicado, é bom ter um amigo forte quem possa obter ajuda em uma crise.

Karl soltou um suspiro aliviado.

Embora estivesse nas mãos de outra pessoa, pelo menos estava tranquilo que seu nível não seria divulgado – caso contrário não teria outra escolha a não ser abandonar a cidade. Por que não tinha dúvidas que acabaria sendo caçado pelos poderes da cidade.

― Aqui pegue isso ― Runa entregou um cristal gravado com símbolos mágicos. ― Esse é um cristal de transmissão de pensamentos. Pode ser usado 3 vezes e pode enviar uma mensagem telepaticamente para outra pessoa em um raio de até 1.000 quilômetros. Se estiver com problemas me mande uma transmissão.

― Então voltarei te incomodar no futuro! ― Karl respondeu num tom baixo, deixando o lugar.

Andando até saída da guilda, estava imerso em pensamentos.

Em troca de manter meu nível em segredo vou ter que ajuda-lo em um momento de necessidade, mas não acredito que seja tão simples. Pelo visto acabei em uma situação problemática.

Com esses pensamentos Karl deixou a guilda seguindo em direção ao ponto de encontro com Brienne.

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