Nova Série: The Sound of Fog.

Arco I

O prólogo para um jovem que morre!

Capítulo 1 – A morte!

Era uma tarde chuvosa quando, num beco escuro, duas pessoas distintas se encontraram. De um lado: um jovem de cabelos castanhos numa bicicleta; No outro: um velho moribundo de barba e cabelos grisalhos morrendo. Era uma tarde chuvosa, e o jovem tinha pressa, em contrapartida, o velho aproveitava cada segundo daqueles que eram os seus últimos.

como?’

O jovem jogou sua bicicleta no chão e foi socorrer o velho ensanguentado. Sua mochila caiu no chão molhado e seu uniforme se encontrava ensopado. O velho tossia sangue e no seu peito, um buraco.

meu senhor, meu senhor!” O garoto gritou; “quem fez isso com o senhor?!”

A visão do velho estava turva, tudo parecia ser o mesmo cinza embaçado e infinito que se degradava constantemente. O garoto, no entanto, ao gritar, fez os sentidos que se perdiam, reencontrar-se.

não grite garoto!” Disse o velho; “faz os meus ouvidos doerem!”

o senhor não parece bem? Deixa eu te ajudar … há um hospital aqui perto e …”

O jovem foi interrompido pelo velho que sentia sua cabeça latejar aos gritos carregados de pânico que invadiam, penetrante, a sua consciência efêmera e embranquecida.

eu não posso ser ajudado … argh!” O velho cuspiu um bocado de sangue; “o golpe do maldito invadiu o meu peito, destruiu meu coração … vou morrer!”

O garoto não entendeu, mas, ainda assim, se achou no dever de ajudar.

não diga isso, veja, é apenas superficial” Ele mentiu; “se eu te levar num médico, você será ajudado e poderá viver o resto de sua vida!”

O garoto gritou!

O velho sorriu!

A morte inevitável, que injetava em suas veias o vazio, colidiu com um estranho sentimento que queimava, em brasas, em combustão com a voz estúpida e nervosa daquele jovem magro e fraco que se apresentava em sua vista.

O velho pensou por um momento:

e se eu usasse esse moleque, o que poderia acontecer?’

Mas depois retomou a falar em vista que sua visão turva começava a embranquecer mais intensamente:

você pode me ajudar, só que para isso, terá que morrer! Argh … coff, coff!! Você ainda quer me ajudar?”

O jovem, em sua honestidade inquebrável, incontrolável, continuou sem entender o velho, porém, em sua vil honestidade burra, rasa, irracional, sentiu que era prioridade salvar a vida do velho, sem importar qualquer mentira que pudesse sair de sua boca naquele momento.

sim!” O jovem respondeu com certo desespero; “desde que o senhor esteja bem, não me importo muito!”

você é muito idiota moleque! Deveria ter saído daqui na primeira oportunidade!”

O velho segurou o pulso do jovem que brilhou numa aura dourada.

O jovem ficou aturdido com o movimento e não entendeu o motivo pelo qual o seu braço brilhava.

O velho, então, morreu. Seus olhos cansados fecharam e sua mão gelada caiu. Numa frase curta e pouco entoada na cabeça do jovem, um fuja se apresentou, e o mesmo, tentando compreender todos os sentimentos complicados de seu corpo, escutou e saiu.

Sirenes foram escutadas e uma multidão apareceu na sombra do beco que se apossava de sua mente.

O jovem, que não sentia nada para o velho aleatório que apareceu de repente, chorou em uma estranha tristeza.

Uma tristeza que os seus sentidos não compreendiam.

O garoto dormiu em sua cama para se esquecer do estranho dia ocorrido.

Capítulo 2 – O sonho!

O jovem, de número 267.432.157, era um órfão apelidado de Dois Meia, que vivia num orfanato para menores da quinta rua do obscuro bairro de blacklight. Ele dormia num quarto junto com outras 27 crianças de várias de idades e tamanho.

As noites no orfanato eram particulares. Meninos fugiam de seus quartos para se encontrar com meninas, ou com suas gangues ou apenas para fugirem mesmo.

Dois Meia percebia e escutava os sussurros, porém não se importava, não invejava. Não essa noite pelo menos. Dois Meia, diferente das outras crianças, dormiu direto, como um jovem mais crescido e cansado. Seu dia havia sido desgastante e seu corpo rogava por uma cama quente e macia para dormir e sonhar. Claro, as camas do orfanato eram duras e frias, como uma rocha, porém, ele poderia mentir um pouco para si mesmo.

Dois Meia se deitou e, antes de reclamar da qualidade das camas, adormeceu.

Sua visão escureceu, seu corpo relaxou, sua alma suspendeu.

Mas, antes do amanhecer, quando ele acordaria reclamando da dor nas costas causada pela cama de péssima qualidade, Dois Meia sentiu o cheiro das lavandas surreais que apareciam no mundo de sonhos criado pela sua mente entorpecida, angustiada e cansada.

olá!” um velho novo, de túnica branca, barba limpa e nenhum buraco no peito apareceu; “você deve está confuso jovem, mas não se preocupe, todas as suas perguntas serão respondidas …”

O jovem olhou para o velho, aturdido e admirado. Os sentimentos de perda que imperavam em sua mente minutos antes foram lavados para longe com a presença patriarcal do morto que jazia vivo.

Dois Meia suspirou, tentando conter os sentimentos falsos construídos pela sua mente que desejava abrigo.

mas o que você poderá responder?” O jovem, após uma pequena pausa, respondeu, desanimadamente; “você é apenas a sombra de uma tristeza incompreensível … apenas mais um morto em minha memória breve e mista.”

O velho olhou para as paredes do sonho, olhou para as lavandas surreais e então voltou para o garoto.

fale coisas com sentido, seu maldito!”

como?”

você é um verme chorão que fala coisas sem pé e nem cabeça! Chorando para um velho aleatório que morreu num beco escuro? Veja o lugar onde você vive: é uma latrina a céu aberto! Não deveria se preocupar com todo morto que te aparece!”

O queixo do garoto caiu, ele acreditava que o velho fazia parte de um pedaço da sua mente, uma parte bem obscura dela.

Então eu deveria ter deixado você morrer?”

bem … possivelmente! Assim haveria apenas uma pessoa morta!”

Dois Meia se lembrou do ocorrido no beco chuvoso e ponderou por um segundo!

e por que eu estou morto agora?”

essa pergunta é muito simples, porém você não vai conseguir compreender ela até perguntar a primeira pergunta que dois diferentes fazem em seu primeiro encontro!”

e qual é essa?”

pergunte-me o meu nome …”

“…”

é uma questão de educação garoto, você deve entender … né?”

e qual seria?”

Franker Médzsci! Criador do estilo A-D, você já deve ter ouvido falar de mim!”

é …”

sério? Que ignorância sua! Mas bem, não me importo! Sou um famoso lutador marcial e isso é a única coisa que importa!”

se você é alguém tão importante assim, por que morreu?”

língua afiada menino, mas que seja, vou te responder! Eu não morri, me assassinaram!”

Os olhos do menino tentavam acompanhar todo aquele absurdo sem rir. Sua mente produzia uma história fantástica e estranha, sendo quase um desvaneio hilariante cujo significado se igualava a zero.

O velho reparou nisso.

Você ainda acha isso impossível? Um morto aparecer em sua mente? Sério, de todas as coisas, logo isso? Você vive numa sociedade que te dá números como nome, que te diz que você é inferior por não ser de uma família grande e que te trata como um escravo cuja a única ambição é para com os objetivos de pessoas que cospem em você lá de cima! Você não deveria acreditar nesse seu estado de vida, isso sim!”

fica quieto” O menino se irritou; “você é apenas um traço de uma pessoa que passou rapidamente pela minha vida! Você não existe!”

realmente não existo! O que eu sou agora? Sou a essência do meu corpo original! Um rastro de minha existência! A única coisa que eu era antes de está aqui! E você garoto é o meu herdeiro. A pessoa que manterá a minha essência viva!”

[Boom]

O mundo idílico de sonhos começou a se despedaçar, as lavandas a morrer e o velho a desaparecer como poeira dourada na escuridão que se alastrava por todo plano.

merda, parece que você terá que me ver outro dia, seu fraco! Merda … até a próxima, garoto, tente não dormir tão cedo!”

O menino então viu um fio de luz perfurar a poeira negra do quarto e sentiu por fim as famigeradas dores na costa que o aportunava toda manhã.

Diversas crianças se levantavam de suas camas e bocejavam.

Freiras, como pinguins, invadiram o quarto acordando aqueles que ainda estavam indispostos para despertarem sozinhos.

Dois Meia bocejou e levantou, correndo em seguida na direção da sua ordinária vida matutina como um órfão qualquer.

capítulo 3 – O fraco!

Dentro do orfanato em que vivia, Dois Meia não era o mais forte, não era o mais bonito e nem o que tinha mais amigos. Na verdade, todos os amigos que Dois Meia um dia considerou na sua vida jaziam bem longe, tendo nada mais do que apenas memórias nostálgicas dessas poucas pessoas especiais.

Dois Meia era um simples jovem de 14 anos. Ele ia para a escola e trabalhava meio expediente numa fábrica de pilhas, coisas normais que garotos da sua idade fazem.

Mas dentro do orfanato em que vivia, Dois Meia não era ninguém.

Por isso, naquela manhã ainda, um grupo de jovens – uma gangue para ser mais exato – encurralou Dois Meia no beco onde ele guardava a sua bicicleta e começou a provocá-lo da maneira mais madura possível.

ei seu bosta” Disse o Líder do grupo, menino 164.835.729 apelidado de Heichi; “fiquei sabendo que você comprou uma bicicleta nova, será que é essa daí?”

“…”

vai responder não? O que há? Está com medo!”

Dois Meia era fraco e consciente disso. Ele queria ser forte, porém ele nunca teve tempo para tal. Ou talvez, essa fosse apenas uma desculpa íntima que ele se contava para não ter que lidar com os seus problemas tão cedo.

uh … é …”

Sua impotência também o deixava imensamente irritado.

o que foi? Fala seu merda? Ou será que apenas está gemendo como uma menininha? Te dou tesão? É isso? Você gosta de mim? Hahahahahaha! Ei vocês, olhem essa menininha aqui gemendo!”

Os subordinados riram, talvez por medo, talvez por desgosto, de todas as formas, riram enquanto Dois Meia se encolhia no seu canto, com medo, por mais que nada realmente estivesse acontecendo.

Heichi percebeu a fuga de nosso protagonista, fazendo-o sentir um asco, que o irritou profundamente a ponto de, sem mais, nem menos, parar de rir e, ameaçadoramente, encurralar Dois Meia, face por face, contra a parede do beco.

Seus lábios, bem próximo do ouvido de Dois Meia, sussurrou, num som baixo, mas perfurante, três palavras com um sentido forte o suficiente para fazer com que toda a estrutura do nosso fraco protagonista se rendesse a opressão da gangue.

você me enoja!”

Dois Meia sentia a mesma coisa por si: um nojo infinito por ser um ninguém. Um lixo impotente que não consegue lutar por nada em sua vida.

Sua alma estava quebrada por dentro.

acabem com ele” Heichi disse, virando suas costas para o jovem Dois Meia e, por fim, andando em direção ao fim do beco, onde a luz embaçada dum sol coberto de névoa caía em filetes cegantes.

Ainda no beco: Dois Meia foi atacado, surrado e destruído.

Porém, seu corpo, templo de sua mente, estava intocado da dor, existindo em seu peito, uma única ferida, que talvez fosse no lugar mais sensível de sua alma.

O único ferimento jazia em seu orgulho.

Porém no seu corpo não havia sequer ferimento, o que surpreendeu apenas por um segundo o ferido Dois Meia destruído no chão.

capítulo 4 – O covarde!

Com a sua alma destruída – e roupa terrivelmente suja –, Dois Meia foi para a escola.

Seu bairro, uma grande favela esquecida pelo mundo, recheava o jovem com as mesmas imagens podres de muros cinzas, becos escuros e pequenas lojas vazias que exalavam uma estranha fumaça que se misturava com a névoa densa que sempre cobria as ruas tristes de sua casa.

Homens sem rumo, mulheres da vida, pessoas ambiciosas, as esquinas continham suas histórias, e talvez fosse essa a única beleza que inspirava as manhãs de nosso pobre protagonista.

e lá vamos nós!’

Dois Meia viu os muros pichados, o portão principal enferrujado, o jardim selvagem, os corredores sujos e empoeirados.

Sua escola era como seu bairro: esquecido e acabado, a diferença é que a beleza selvagem que aqui jazia não o inspirava beleza, apenas medo.

Ele se dirigiu depressa para a sua classe, após estacionar sua bicicleta na entrada e entrar devidamente na escola junto com a multidão que se apresentava.

será que terá aula hoje?’

Nosso protagonista dobrou o corredor em direção a sua classe, entrou sorrateiramente evitando olhares e visou sua carteira típica, cheia de rabiscos de poemas que ele escrevia quando algum professor faltava.

Esses rabiscos, podendo ser ditos até aleatórios, apetecia os gostos de 162, tornando esse estranho lugar num refúgio para sua alma partida.

Ele se sentou, a aula passou, o intervalo chegou, porém ele se manteve em classe.

Os intervalos eram violentos, pois as diversas gangues da escola sempre desciam em luta para tentarem conquistar a supremacia do colégio e Dois Meia não desejava bem isso.

Ele era um covarde, logo, poder parecia ser bem sem sentido.

porque eles brigam’ Ele se perguntava enquanto descansava a cabeça em sua carteira; ‘será que não existe, por acaso, uma forma de resolver essas coisas sem brigas? Será que o mundo está fadado a violência?’

Os desvaneio de um menino fraco comendo sozinho durante o intervalo. Sem nenhuma diversão, ele se contentava em observar a pequena garota solitária sentada na carteira da frente.

Essa garota, de nome 465.723.981, era bonita, com grandes olhos verdes e um esvoaçante cabelo dourado.

Dois Meia, com sua vida patética, se perguntava: ‘porque ela está sempre só?’

[Pah!]

A porta da sala foi chutada, um garoto baixo de rosto triangular e cabelos espetados entrou junto com uma trupe de meliantes.

Dois Meia, que comia sozinho, se surpreendeu, não havia praticamente ninguém na sala a não ser ele, a garota da carteira da frente e alguns meninos jogando damas ao lado. O que aqueles meliantes desejavam ali?

Essa pergunta ecoou em sua cabeça cansada e a covardia se apossou do seu corpo enquanto observava a trupe passar pelo corredor de cadeiras.

Seu corpo tremeu, suor frio desceu pela sua espinha enquanto os corpos ultrapassavam o seu, indo em direção a um garoto, em meio aqueles que jogavam damas.

O menino de cabelo espetado estava atrás de 135.274.189, apelidado de Oito Nove, por algum motivo particular, abordando-o com um grito caluniador.

Oito Nove maldito! Sua mãe, aquela prostituta, enfiou uma faca no meu pai ontem! O que você vai fazer sobre isso?”

Os meninos que jogavam damas continuaram jogando, a menina da carteira da frente continuou comendo e Dois Meia estava se tremendo em sua carteira.

o que eu tenho a ver com isso? Seu pai é um vagabundo que queria dá um calote na velha, sorte dele ter saído com vida!”

Os meninos que estavam jogando damas gritaram ‘wow’, a menina da carteira da frente riu e o nosso protagonista continuou se tremendo na sua carteira.

O garoto do cabelo espetado bufou de ódio.

você vai ver seu pedaço de merda, vamos resolver lá fora!”

se a putinha quiser, não nego!”

hahaha, para com isso Oito Nove, não basta o bosta do pai dele surrá-lo diariamente, você ainda quer batê-lo mais um pouco?”

Nove Meia não se preocupou muito com o que seu amigo falou.

apanhar não é o problema, meu amigo, é a solução!”

Nove Meia sorriu vulgarmente, o menino de cabelo espetado deu um olhar feio e os dois se dirigiram para fora da sala.

Nosso protagonista no entanto, continuava se tremendo de medo no seu canto!

capítulo 5 – A carta!

Após aquele violento episódio na sala de aula, Nove Meia voltou para a sala, com os punhos manchados de sangue e diversos hematomas no rosto. Quando alguém te perguntava o que houve, ele respondia: “você tinha que ver como estavam os outros caras!”

As garotas da sala o paqueravam, os meninos o louvavam, e o nosso protagonista em seu canto se queixava.

Ele era um covarde e um invejoso.

A aula acabou e ele foi embora, ainda era apenas meio-dia, ele ainda tinha o meio expediente para fazer e o seu péssimo dia para continuar.

Sendo assim ele desceu as escadas onde delinquentes fumavam, passou pelo refeitório onde a gangue vencedora escutava música e festejava, seguindo em direção ao corredor sujo com armários depredados e paredes pinchadas. Saindo, ele se encontrou com sua bicicleta nova em perfeito estado, porém, com uma carta colada, com durex transparente, no guidão.

Ele abriu, aturdido, e leu. O conteúdo da carta era baseado em apenas três linhas essenciais que encheu o nosso protagonista com um sentimento distinto: ansiedade e paixão.

Essas linhas, belas mas vagas, diziam apenas:

vejo que você me vê; quero te vê também; me encontre às nove no beco leste do orfanato de Saint Mary; PS: aquela que também te vê.”

As mãos de Dois Meia tremiam, seu corpo entrava em frenesi e sua alma flutuava. Seu paraíso pessoal foi descoberto em um minuto breve e todo o seu ser estava feliz com isso.

Dois Meia foi contente para o meio expediente, que ficava numa fábrica de pilhas perto da praça de Parthré Soint.

Sua bicicleta cantarolava cortando a névoa e a paisagem depredada, enquanto o dono assobiava alegremente.

Nosso protagonista estava tão alegre que o seu dia, repleto de descarregamento de caixas, limpeza em lugares diversos e montagem incessante de pilhas brilhantes de plutônio, foi até recompensador, passando de uma forma tão rápida, que Dois Meia nem sentiu as dores no corpo, o costume estranho do seu peito doer e outros derivados do seu trabalho diário na fábrica.

A noite – a tão esperada noite – surgiu rapidamente e Dois Meia saiu de seu expediente.

Em direção ao orfanato, ele ficou imaginando, pela milésima vez naquele dia, quem poderia ser aquela que o esperava no beco leste?

será que é ela? Não pode ser, não nos falamos nenhuma vez!”

As noites no bairro de Blacklight eram perigosos. Os becos escondiam a luxúria, a violência e a miséria; Os bares e boates estavam cheios e os sons recorrentes de tiros era escutado por toda a parte.

Sussurros por socorro ecoavam pela névoa e o resto era fúnebre.

Nosso protagonista desviava do cenário mórbido pela rota que ele havia composto em prol da sua sobrevivência, fazendo com que o cenário não amedrontasse Dois Meia mais como deveria.

Ele virou para o beco leste, o local estava escuro e enlameado. Dois Meia decidiu ligar uma lanterna e a figura de uma silhueta feminina apareceu.

Ele parou a bicicleta, enquanto suas bochechas coravam de ansiedade.

olá” Ele disse para a figura sem reconhecer muito; “você é a garota da carta? Aquela que me vê?”

Dois Meia estava excitado.

sim” A voz era doce e recheou nosso protagonista com um sentimento estranho; “eu sou aquela que te vê … e castiga!”

A garota se virou rapidamente e sacou, de dentro do seu sobretudo, um cassetete de segurança, golpeando Dois Meia, aturdido, na têmpora.

Seu cérebro latejou enquanto caía e a visão de uma bela garota de pele morena e cabelos brancos apareceu rapidamente.

[Argh]

A garota, vestida de um sobretudo com capuz, montou em cima de Dois Meia e, com o cabo de seu cassetete, bateu e bateu no nosso pobre protagonista que tentava se defender, com todas as forças daqueles golpes maciços.

mas por que?’

No canto dos olhos, do fraco 162, lágrimas escorreram fazendo com que um sentimento extremo de prazer e asco brotasse no peito do carrasco que o castigava.

hahahaha!”

Ela ria e ria a cada golpe.

Enquanto isso, feridas abriam na cabeça de Dois Meia e sangue caía.

A sádica se levantou, Dois Meia por um minuto pensou que seu castigo tinha terminado, porém um chute em sua costela mostrou que, pelo menos, dali não sairia com vida.

Ele rolou dois metros com dor. A menina, coberta pela escuridão, lançou um pisão em seu rosto e depois ela bicou sua têmpora.

Dois Meia se encolheu na lama, porém outro chute veio em sua costela, quebrando-a em uma dor inimaginável.

pare!”

Uma voz no fundo soou.

você não deseja manchar suas mãos com um verme desse gênero!”

A menina olhou para Dois Meia e cuspiu, fugindo do beco e escorregando na névoa em seguida.

Enquanto isso, a Consciência de nosso protagonista caiu no abismo de sua mente.

mas afinal … quem era ela?’

Nosso protagonista voltou para o mundo de sonhos!

A diferença é que em vez lavandas, rosas surreais compunham o mundo do qual apenas um velho residia.

capítulo 6 – A força!

Dois Meia se viu outra vez no mundo dos sonhos e, depressivo e cansado, se deitou no campo de rosas.

O velho, sorridente, apareceu em sua frente, com uma aura anciã que irritou Dois Meia profundamente.

olá outra vez seu covarde, eu disse para você não adormecer cedo demais!”

Dois Meia estava se sentindo confuso enquanto olhava para o céu, ele foi atacado de repente, sem nenhum motivo aparente.

eu não fui assaltado” Ele começou a ponderar em voz alta em meio ao campo de flores surreais; “ela me atacou por que motivo?”

porque você é um covarde! Olhar para você causa ódio, não me engano em pensar que alguém te destruiria … quero dizer, nessa realidade de merda, uma pessoa que não luta é bem nociva aos olhos de todos os outros.”

Dois Meia se zangou!

fica quieto, você é apenas uma voz na minha cabeça! Não representa nada!”

O velho chegou perto do jovem, e o tocou na testa.

Dois Meia sentiu uma terrível sensação de alívio. Ele não conseguiu entender.

você é uma boa pessoa que não quer se converter ao horrível mundo que se apresenta, não há nada de mal nisso … pelo menos não quando você é forte o suficiente para não se deixar dançar a dança do mundo.”

Dois Meia se ergueu e olhou para o velho curiosamente.

e o que é ser forte?”

O velho riu!

hahahahaha! Esse é o espírito!”

tá … mas o que é ser forte?”

ser forte?” O velho ponderou; “Antes de tudo, força é tudo aquilo que te permite agir sobre um corpo. Um homem armado poderá pôr medo naqueles desarmados, um homem com um exército sobre aqueles sem nada.”

O garoto suspirou.

força se resume ao mal então.”

Franker olhou de um lado, olhou para o outro, pensou por um momento e começou a rir.

hahahaha! Você é um imbecil? Bem e mal são polos relativos!”

duvido!”

hahahaha! Tudo bem, então eu vou te fazer uma pergunta: um homem encontra, num sertão, um poço com água o suficiente para sustentar três pessoas por três meses, porém, na sua pequena sociedade, há nove pessoas sendo duas delas grandes guerreiros, outras dois agricultores experientes e as outras quatro homens e mulheres ordinários. Você pode sustentar até cinco pessoas, contando contigo, por um mês, porém não há comida, e você teria que matar 4 pessoas para não deixar o grupo morrer de fome, lembrando que a chuva só cairá daqui a dois meses. O que você faz?”

O garoto olhou feio para o velho.

“… o que isso tem a ver com força?”

O velho esboçou um sorriso.

isso tem muita coisa a ver, pois essa pergunta é um paradoxo moral complexo.”

E é com isso que você deseja provar a sua relatividade do bem e mal?”

sim, pois sua força de decisão pode salvar de um a cinco pessoas facilmente, sendo que sua decisão te tornará ou um anjo, ou um demônio, ou os dois. Pense, se você salvar apenas três, haverá fartura de carne e água, se salvar cinco, poderá haver falta de água, se você tentar salvar os nove, ninguém sobreviverá.”

e qual a importância dessa classificação que você fez?”

nenhuma, mas não se foque nisso, pense no paradoxo!”

eu salvaria os nove e morreria!”

então todos morreriam e você seria apenas um covarde fraco no fim das contas!”

como?”

a água acabou e era tarde demais para correr atrás, todos morreram!”

então para mim ser um salvador …”

você teria que tomar uma decisão e controlá-los. Você seria um anjo, faria o bem, ao mesmo tempo que seria um demônio, e faria o mal!”

no fim das contas, o fim justifica os meios?”

isso é um clichê, porém é o conceito: não há bem ou mal, apenas vencedores. Aqueles que vencem é que dizem se há bem ou mal, os perdedores apenas se lamentaram e perderam.”

isso é deprimente!”

é a verdade, aceite-a!”

então eu quero mudar essa verdade!”

Dois Meia finalmente gritou e o velho, por fim, riu

Haha! você precisa de força para isso!”

e como eu consigo força?”

força é um processo, não um objeto que se acha na rua!”

Dois Meia olhou para as paredes do seu mundo de ideias.

quais os passos então!”

primeiro: você precisa querê-la; segundo: precisa ter coragem para buscá-la!”

explica …”

o caminho para a força é como se jogar para um abismo, e mesmo dizendo que lá tem todo o ouro do mundo, muitos se resguardam.”

então eu só preciso cair de cabeça?”

apenas!”

Dois Meia se sentou de cócoras, um pouco chateado e angustiado.

e como eu alcanço essa coragem?”

você? Não, você é um covarde, nunca vai alcançar!”

Dois Meia se levantou rapidamente e pegou o velho no seu manto, porém a mesma sensação de alívio que ele sentiu minutos antes retomou.

Sem entender o sentimento, Dois Meia se pôs a chorar no peito do velho morto.

entenda, não chore: para um fraco se tornar forte, ele precisa morrer para renascer em algo totalmente novo!”

e o que eu faço?”

quando você acordar, se torne aquilo que você deseja ser. Apenas assim você renascerá em algo que você nunca foi.”

O mundo de sonhos então começou a se despedaçar e o velho a se tornar poeira dourada no espaço que se destruía.

capítulo 7 – A procura!

162 então acordou, de repente, no beco onde foi atacado.

Sua cabeça doía e uma poça de sangue se apresentava ao seu redor.

Dois Meia se lembrava de tudo, de todas as coisas, e sentia ódio. Ele decidiu mudar, ou, pelo menos, foi isso que ele sugeriu no seu pequeno mundo de ideias. Por tal, a primeira coisa que ele teria que fazer era seguir o conselho de seu mentor mental:

morra e renasça como algo que você nunca foi!’

O problema era que ele não fazia ideia de como fazer isso!

Ele pegou a sua bicicleta que, por algum motivo, estava em perfeito estado e saiu para as ruas do seu nocivo bairro.

Indo em direção a lugar nenhum, nosso protagonista parou a bicicleta em frente a uma vidraçaria e viu seu reflexo: rosto pálido, cabelo castanho sujo e desgranhado, olheiras berrantes se apresentaram, no entanto, nenhuma cicatriz ou ferida que mostrasse que ele alguma vez foi atacado se mostrou. Até o seu corpo magro, com ombros curvos, não estava ferido de todo.

eu morri e renasci. Em resposta disso, minhas feridas sumiram … eu acho que vai ser problemático caso eu comece a realmente a acreditar nisso.”

Ele pegou sua bicicleta e continuou rodando sem rumo, indo de lugar em lugar, passando por todas as ruas e beco enquanto ainda era de manhã e relativamente seguro.

para ser forte, eu devo buscar algo. E será desse algo que eu renascerei!’

Dois Meia pensou em ir para aula, porém se conteve. Ele não sabia bem o que era o conceito renascer, porém ele já imaginava que não poderia mais ir para a escola caso quisesse alcançar esse conceito.

Ele decidiu ir para a praça.

Lá, uma gangue de meliantes juvenis fumava e ria alto.

Dois Meia decidiu sair de lá e foi atrás de outro lugar, algum lugar.

Ele pegou a sua bicicleta e foi em direção ao ferro-velho, que ficava a 5 minutos da praça. Nesse ferro-velho, havia uma colina, limpa, sem lixo, nem nada. Apenas grama alta e uma árvore.

Antigamente ele fugia para lá como refúgio junto a um amigo. Porém, quando este mesmo sumiu, ele parou de visitar. Causava dor no seu coração vir para esse lugar só.

Ele chegou no ferro-velho, estacionou sua bicicleta com uma corrente num poste de iluminação próximo dali e pulou o portão.

Nesse ferro-velho não havia cães, não havia ninguém cuidando, pelo simples motivo que nesse ferro-velho a quantidade de lixo tóxico e radioativo era tão grande, que ninguém era louco o suficiente para invadir as fronteiras desse depósito.

A não ser, é claro, o nosso jovem e ignorante protagonista, que caminhava em direção a colina livremente, como um pássaro em voo livre.

Ele subiu a colina, viu a árvore repleta de inscrições feitas num passado não tão distante e olhou a vista.

as mais altas torres do mundo se encontram nessa cidade e eu posso vê-las daqui tão pequenas, que até cabem em minha mão. Será que essa é a distância que eu estou daqueles que realmente tem poder?”

Dois Meia suspirou e se retirou, não havia mais nada para fazer ali e isso o deixou decepcionado. Nada no mundo havia se revelado para ele, e esse, no fim, era o único motivo pelo qual ele se dirigiu até essa colina.

Ele voltou para a sua bicicleta e andou, outra vez, aleatoriamente pelas ruas do bairro. Seguindo o nada em busca de algo.

As horas passaram e o nosso protagonista se perdeu.

Ele havia entrado e saído de tantos becos que, naquele momento, ele não fazia mais ideia donde estava, o que amedrontava nosso jovem.

Sua procura o havia deixado perdido, fazendo Dois Meia pensar, por apenas um minuto, se realmente valeu a pena desperdiçar seu dia dessa forma.

Ei vadia!”

Dois Meia andava pelos becos e encontrou, talvez, o que ele estava procurando.

Parte 8 – A dama das sombras!

A noite estava alta, o beco silencioso, sendo audível apenas ao longe o som dos carros, das gritarias e dos tiros. Fumaça saía dos canos e dos bueiros para se misturar com a névoa e o jovem Dois Meia, com suas mãos trêmulas, perfurava a escuridão com sua fraca lanterna.

ei vadia!”

Dois Meia parou, desligou a lanterna e se escondeu, tudo tão naturalmente que chegava até ser estranho para ele mesmo.

que homem mal educado!” Dois Meia via na escuridão três sombras, sendo uma delas a de uma bela mulher de cabelos longos; “chamar uma dama de vadia não é algo para se fazer no primeiro encontro. Ser dispensado não é motivo para ser chato!”

cala a droga da sua boca! Você nos ferrou, ferrou com toda nossa corporação! Isso não pode acontecer, você sabe o que vamos perder por sua culpa?”

algo entre 30 a 50 mil Rp por mês … pena, seria um negócio lucrativo!”

não tira com a minha cara. Foi culpa sua o negócio não ter ido adiante! Você tentou matar o fornecedor e ficar com a carga só pra você! Que idiotice, estávamos dispostos a entrar com o capital, não ligaríamos de perder a quantia! Porque você tentou ficar com tudo?”

huh? Eu? É claro que não! Eles que tentaram pegar tudo de mim, eu só defendi o nosso capital! Seríamos tapeados se não fosse eu!”

isso não faz sentido … para o que? Por quê?!”

talvez eles tenham ficado desconfortáveis em negociar com a dama que sou!”

Um cigarro foi aceso na escuridão pelo homem parado, estático que não gesticulava como a outra sombra.

eles querem que eu te mate …”

como?”

eles querem continuar o negócio, porém, você sabe, querem sua cabeça como garantia.”

e você vai me matar? Acho que não? Se fosse assim, você não me avisaria… então o que foi?”

nada, não vou te matar, já sabe … só estou falando que os nossos laços terminaram a partir de agora. Adeus e passar bem!”

As duas figuras masculinas se dirigiram para fora do beco. Uma das figuras, em especial, jogou o cigarro, ainda aceso no chão e pisou em cima.

A figura feminina ficou parada olhando para a costa do dois.

mas quem diria … ele teve a capacidade de acabar com a nossa sociedade mesmo … bem … dana-se”

A mulher se dirigiu para fora do beco também, porém, pelo caminho contrário – na direção onde o nosso protagonista se escondia em sua lixeira.

Nosso protagonista tremeu!

ei! Peguem ela!”

como?” A silhueta feminina parou por um momento e viu nos pequenos edifícios de cada lado do beco, homens vestidos de terno que desciam pelas escadas de incêndio. Ela suspirou e continuou; “mas é claro … como eu poderia ser burra o suficiente para pensar que eu sairía impune …”

[VRRRUM!]

Nas duas entradas, carros negros invadiram, saindo dele, homens armados com bastões e correntes.

A mulher ficou cercada!

olá garotos, vocês vieram aqui para brincar? Pensei que estivessem cansados apanhar para grandíssima eu!”

Um homem alto, segurando um bastão enorme, riu alto e respondeu, no meio do grupo que cercava a mulher.

hahaha! Você é engraçada, muito engraçada! Espero que você mantenha esse senso de humor quando cada um daqui brincar com esse corpo!”

nossa, que pessoa bruta! Fico com medo de pensar que escórias como você andam por aí, impunemente, fazendo o que quer!”

espera? A ladra aqui é santa? Você matou 6 dos meus melhores homens, chega ser irônico você falar sobre brutalidade, mesmo quando você deixou muita gente zangada, querida! Assuma as consequências com o seu corpo, agora! Redima-se de seus pecados!”

No total haviam 16 homens dentro do beco, pelo menos foi isso que o nosso protagonista, tremulento e ansioso, viu atrás da lixeira.

peguem ela!”

Todos os homens, como uma onda, foram atacá-la, porém, como uma sombra, ela evaporou na névoa reaparecendo atrás de um homem, ingênuo e fraco, que estava ali apenas para participar do terrível linchamento, para se vingar da pessoa especial que essa mulher matou.

como?”

Ela, com uma faca de desossar carne, atravessou sua nuca, fazendo-o o morrer com os olhos abertos, surpreso.

mas o que!”

Os homens tentaram bater nela com os seus bastões, porém, como uma sombra, ela sempre se esgueirava, de um lado para o outro, sendo impossível de atacá-la ou sequer tocá-la.

Esses homens, com um espírito maligno elevado, começaram a bater cabeça enquanto, majestosamente, a mulher continuava a desviar de cada golpe.

vocês são muito fraco, creio que deveriam ter trago mais pessoas para essa batalha, meus amigos idiotas!”

Dois Meia, atrás da lixeira não conseguia ver bem na escuridão, porém, ele ainda sentia a força que aquela mulher exalava de longe.

essa mulher é forte’ Ele pensou; ‘como ela é tão forte?’ Dois Meia terminou.

A mulher enfrentava quatorze ao mesmo tempo, e os sufocava sem sequer tocá-los.

Um quadro realmente impressionante.

A mulher parou, ela estava de costa para a entrada do beco, conseguindo fugir, com todos os êxitos, do cerco que os homens criaram.

parece que vocês realmente são retardados!”

Os homens tentaram avançar, porém, como o beco era estreito, não era mais possível ir dez para cima dela ao mesmo tempo, podendo ir apenas 5 de cada.

Ela avançou contra os cinco, empunhando em mãos facas de cozinha que ela jogou contra o grupo.

[argh!]

As facas atravessaram o crânio de dois homens que caíram no chão com olhos esbugalhados enquanto ela sacava, de um suporte escondido na sua costa, mais duas facas.

Os homens remanescentes da primeira horda, atacaram-na com seus bastões, ou melhor: atacaram sua sombra.

olá bebês!”

Ela degolou o primeiro descompromissado. Um dos colegas que a viu, atacou-a com um golpe lateral, porém ela se esquivou e enfiou uma faca, como um uppercut, no homem.

A faca ficou por lá mesmo enquanto ela desviava do último que aparecia.

ela é incrível, mas vai morrer!’O jovem escondido atrás da lixeira pensou; ‘ela só deu dois passos e agora está de novo encurralada!’

De fato ela estava. Os homens que se espremiam para acaba com ela, outra vez se encontravam por toda a parte, a não ser, porém, que dessa vez haviam apenas 10 pessoas para tentar destruí-la.

você é boa, mas não pode contra tantos!”

Eles atacaram, ela desviou, eles bateram cabeça e, divinamente, se infiltrando outra vez nas costas do inimigo, ela conseguiu matar mais um dos capangas.

Ela tinha um jeito estranho de lutar, como podem ter percebido, essa estranha mulher evitava lutar de frente, desviando sempre que possível, atacando apenas para matar.

Para o nosso protagonista era estranho e excitante vê-la se infiltrar entre os inimigos e matá-los tão rapidamente.

rápida e mortal como uma pistola!’ Dois Meia quase exclamou alto em seu pequeno observatório.

Os passos sussurrantes da mulher sombria foi de um lado, para o outro, indo e voltando com os seus braços em toda a parte, como uma cobra, cobiçando a nuca de cada um, para o seu beijo mortal.

[slash]

O sangue manchou todo o beco e a figura sombria da mulher jazia em pé em cima de uma pilha de cadáveres.

Menos de cinco minutos se passaram e todos aqueles que desejavam lhe destruir, morreram sem nem mesmo ver sua morte. Dois Meia se impressionou com sua força e, de certo modo, invejava-a por ser assim.

saia daí garoto e venha até aqui!”

A estranha mulher olhou para o início do beco, onde a lixeira/refúgio escondia o nosso protagonista e com uma voz cortante, perfurante e ao mesmo tempo doce, excitante, ela disse.

Dois Meia tremeu e fingiu não escutar nada.

A mulher, no entanto, voltou a falar.

se não sair daí, não terá uma segunda chance!”

Num movimento rápido, Dois Meia saiu de seu refúgio e olhou para a dama sangrenta que se encontrava na sua frente.

A bela dama, com frios olhos vermelhos e quente cabelo ruivo, mordeu a língua, estalando-a insubordinadamente para si mesma.

garoto, você não viu nada, entendeu?” A mulher disse, porém, nosso protagonista, num pensamento esporádico e incompreensível, decidiu não falar nada; “ei, está aí? Veja bem, se você contar para as pessoas o que viu aqui, vai ser problemático, entendeu?”

não …” Dois Meia disse, se tremendo.

como assim não? Será que o senhorzinho é rebelde e quer uma bala?”

A mulher tocou no ombro do jovem Dois Meia e sentiu algo estranho o suficiente para fazer sua expressão alegre e serena mudar para uma distorção complexa de sentimentos mistos e contrários.

quem é você garoto?”

Dois Meia tremeu, ele não sabia o que estava acontecendo e nem o que aconteceria, apenas que, a opressão causada por essa mulher era, sem sombras de dúvida, algo para fazer seu coração parar por um segundo de medo, quase como se um monstro estivesse te observando.

eu … eu …”

A mulher socou Dois Meia no queixo de repente e o mesmo desmaiou rapidamente se encontrando, por uma terceira vez, no idílico plano de ideias com um sorridente e surpreso velho que batia palmas.

bem-vindo de volta moleque … vejo que você está com problemas!”

Nota do Autor:

Esse é o meu mais novo projeto de novel que tem o objetivo de falar sobre um garoto fraco que deseja melhorar a própria realidade em que vive (ou pelo menos, como vocês podem ver, esse é o conceito inicial).

Esse prólogo ficou enorme por conta do meu medo de enrolar muito para terminar essa primeira parte, por isso o prólogo será considerado o primeiro arco.

Deem sua opinião sobre a série, e por favor me avisem sobre os erros de português, ou coisas que vocês não entenderam sobre a série. SaberHero agradece.

Boa Leitura!

 

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12 comentários em “Nova Série: The Sound of Fog.

    1. Faz sentido, é que eu não quis apontar muito para um tempo exato pois fiquei com medo de querer mudar de ideia no meio da história, mas vejo que a falta dessa característica se torna mesmo drástica na concepção da história. Obrigado pelo feedback

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  1. deu pra entender tudo, e é muito boa a novel porem falta o próximo capitulo (falando serio acho que esta faltando uma explicação melhor, sobre o mundo e origem do personagem mas de resto esta tudo exemplar. Obrigada pela ótima novel e pelo arco)

    Curtido por 1 pessoa

    1. É, o prólogo ficou grande por ter abordado muitas coisas, eu queria fazer capítulos menores, Porem eu não teria espaço para explicar muita coisa e não sobraria tempo. Obrigado pela opiniao.

      Curtido por 1 pessoa

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