Capítulo 6 – O Egoismo de uma Alma

O pecado já foi cometido, não a como voltar.

(Estou condenada)

– Você poderia perdoar!?
– Você conseguiria esquecer!?

(lagrimas)

– Nunca poderei (me) perdoar.
– Jamais conseguiria esquecer.

A moeda caiu para o lado errado, o destino
decidiu que o dever é mais importante que a amizade.

** 1 **

Pisquei algumas vezes antes de notar que estava em um pequeno quarto mobiliado por apenas um pano e um buraco no chão, gotas de suor desceram lentamente pela meu rosto espalhando arrepios por todo o meu corpo. O cheiro de mofo fazia cócegas no meu nariz.

(Barulho de algo sendo arrastado)

Escutei um barulho tão baixo no corredor que foi como se minha mente estivesse me pregando uma peça, com dificuldade me aproximo das barras só para sentir a frieza do metal em contraste com o meu corpo. Mesmo forçando meu rosto não consegui ver absolutamente nada, não consegui sequer escutar aquele som novamente. Ambos os lados era cobertos da mais pura escuridão.

– Não pode ser, será que aquele soldado me trouxe até a prisão – Apertei as barras com mais força enquanto murmurava para mim mesma – Então isso significa que aquilo foi uma ilusão. Significa que não era ele.

Observei a parede no lado oposto da cela, um liquido verde descia lentamente como se não quisesse chegar ao chão que era tão horrível quanto. Sons de pingos começaram a cair ritmicamente como uma musica ruim, mas o mais estranho de tudo era que mesmo na cela não havia nem um sinal de água. Encostei a cabeça nas grades antes de soltar um suspiro, uma enorme onde de ansiedade começou a surgir dentro do meu coração.

Abri os olhos no exato momento em que uma mão atravessou as grades me fazendo por reflexo dar um passo para trás. Na velocidade de um piscar de olhos a “coisa” tinha sumido deixando apenas um corredor vazio em seu lugar, fui até o canto da cela só para então me agachar enquanto abraçava as pernas, só depois desse ato que fui perceber que não estava mais com o vestido de antes, mas sim com uma roupa cinza juntamente com sapatos, por mais terrível que fosse a situação tudo indicava que agora não sou mais que uma prisioneira esperando o seu veredito.

(Sibilos)

Dessa vez não sai do lugar, mesmo quando um grito que arrepiou até o ultimo cabelo do meu corpo ecoou por todo o corredor, meu coração batia tão forte que pensei que ele sairia pela minha boca a qualquer momento. Levantei um pouco a cabeça e nisso consegui ver uma silhueta arrastando alguma coisa que raspava no chão produzindo gemidos. Me encolhi ainda mais no canto com o sentimento de arrependimento por ter levantado a cabeça, as perguntas continuavam a aumentar. Nunca estive na prisão da cidade, mas duvido que fosse assim.

(Sibilos)

Cobri minhas orelhas tentando de todas as formas me livrar daqueles sons que vinham de todos os lados, formas horrendas sibilavam no meio do escuro, de vez em quando o barulho de uma garra rasgando o chão poderia ser escutado, por uma simples piscada de olho devido ao sono senti algo gosmento se enrolando na minha perna antes de sumir deixando para trás nada mais do que terror. Por alguns instantes voltei a minha infância – As piores coisas estão no escuro Isa, sabe o motivo? – consegui escutar a voz do pai, lembrei que na ocasião balancei a cabeça inocentemente – Por que nesse momento nossa mente se torna livre -. Somente agora, nessa deplorável situação consegui entender suas palavras.

(Grito de dor)

O quarto parecia encolher a cada grito, como se a grade começasse a ficar mais próxima.

– Por que eu tive que vir para esse lugar, nunca fiz nada de errado – Falei enquanto os sibilos ficavam cada vez mais autos – Sempre fui a “garota do papai”, nunca fiz mau a alguém, então qual o motivo de eu ter vindo parar aqui?

(Sibilos)

– Parem! – Gritei enquanto jogava um prato no escuro – Não foi eu que fez aquilo a cidade, foi um engano, então por favor me tirem daqui!

(Gritos)

– Alguém me ajude – Lagrimas começaram a cair molhando minha roupa, apertei ainda mais a minha cabeça – Rodolf! aonde você está.

O desespero começou a preencher o meu coração, quando viriam me salvar, quando ele notaria que não estou bem. Será que alguém realmente estava me procurando.

– Então você ainda está inteira! Pensei que você seria a primeira a desistir.

Com a súbita voz quase bato a cabeça na parede, surgindo das sombras um jovem de cabelos castanhos se inclinando sobre a grade enquanto mostrava um sorriso que inúmeras vezes vi quando era pequena e que mesmo agora fazia o meu coração pular. Ele realmente tinha vindo me resgatar.

– Rodolf! – Gritei ao mesmo tempo em que levantava – Rápido entre aqui dentro, tem algumas “coisas” ai fora. Podem te pegar.

Ele levantou umas das sobrancelhas parecendo confuso, mesmo quando me aproximei ele rapidamente se afastou da grade. Senti o meu coração apertar, qual o motivo para ele não me reconhecer.

– Então você está me enxergando como “Rodolf” – Perguntou me olhando nos olhos – A pessoa deve ser muito importante para você, não é?

(Risos)

– Mas falando serio agora, pensei que você seria a primeira a ficar louca, foi um erro de calculo feliz.

– Do que você está falando Rodolf? – Aquilo não fazia sentido, tentei mais uma vez chegar perto dele só para notar que estava quase perto da grade o que fez o meu corpo instintivamente parar – Como assim “me enxergando dessa forma”, sempre enxerguei você assim.

Ele segurou a barriga e então se curvou, aquilo era tão bizarro que pensei que era outra alucinação, só poderia ser, ele sempre foi gentil comigo. Com um sorriso seco volto ao canto enquanto cobria os olhos com o joelho, era o único lugar “confortável” que consegui encontrar naquela escuridão.

– Me desculpe se magoei o seus sentimentos. Mas foi a primeira vez que encontrei alguma “diversão” que durasse tanto, geralmente eles ficam loucos e são levados pelos coletores.

Um grito ressoou pelo corredor logo apos ele terminar de falar.

– Sei o que você está pensando “Como ele é incrível e coisa e tal”, mas bajulação não vai te levar a nada. Só passei para chegar porquê estava entediado, mas valeu a pena.

Apertei as mãos na minha panturrilha tão forte que senti algo escorrendo por elas.

– Vou ficar de olho em você meu pequeno souris (Camundongo) me divirta bastante.

No segundo em que pisquei ele havia sumido, depois disso não sei quanto tempo tinha se passado, não sei se era de dia ou de noite, minha única certeza era que minha audição era boa demais, isso havia virado minha perdição. Terminei de comer uma pasta que tinha o mesmo gosto de terra, limpei minhas mãos na roupa só para deixar o prato em qualquer lugar. Sem mais o que fazer deito no chão desigual que comia o calor do meu corpo lentamente, as dores haviam sumido a muito tempo, o chão começava a parecer confortável.

(Gritos)

Pensamentos de querer acabar com a minha audição passavam pela minha cabeça, na frente da minha cela sempre havia uma luz que voltava a surgir de tempos em tempos, porém cada vez mais fraca, como se fosse um relógio – Será que realmente alguém iria mesmo vir me resgatar – pensei enquanto observava pelo canto do olho um vulto que insistentemente tentava se aproximar só para no momento certo desaparecer, minha cabeça estava doendo.

– (Eles tem que vir, ele tem que vir – Risquei a parede com a unha enquanto tentava manter a calma – Alguém, por favor).

Ele havia retornado com um sorriso presunçoso no rosto, a similaridade de ambos era um incomodo.

– Serio que você não vai sair da cela? Não vai tentar fugir?

– Deveria? – Minha voz era tão estranha -.

– Claro, qual é a graça de ver alguém mofando em uma cela – Cruzou os braços – Mesmo que seja uma garota que tenha um belo corpo… Certamente eu não tenho esses fetiches, se fosse a minha irmã talvez, isso não interessa. Bom, quero saber o porquê de você não querer pelo menos tentar fugir?

Passei ambas as mãos no rosto, elas cheiravam mal.

– Tenho certeza que ele vai vir. Ele me prometeu que sempre me protegeria, promessa é divida.

Em um piscar de olhos ele havia se materializado bem perto de mim o que só confirmou que aquilo era uma ilusão.

– Mesmo que ele não saiba em que tipo de lugar você está? Mesmo que ele não queria vir.

(Raiva surgindo)

-Se você não tem uma resposta posso te dar uma agora mesmo, ele é um caloteiro – Tentei dar um soco em seu rosto, mas a minha mão passou direto – Mas faça o que achar melhor, fique aqui e seja uma donzela em perigo como nas historias. Talvez o “escuro” a salve de ser comida pela sua mente, os finais felizes estão por todo o lugar, basta apenas procurar.

Nunca senti tanta raiva na vida quanto hoje, tentei o máximo possível acerta-lo só para acabar com a mão sangrando por bater na parede repetidas vezes. Quando minha raiva tinha passado me encontrei sozinha naquela pequena cela, segurei minha cabeça antes de voltar a me deitar no chão.

Consegui pelo menos dormir um pouco, o pano fornecido para mim agora tinha algumas manchar vermelhas se misturando a sujeira. Fiquei olhando o sangue que descia lentamente pelos meus dedos por fim pingando no chão formando uma pequena poça, a dor nunca veio.

“Ele” tinha retornado sem que eu percebesse, aquele sorriso só me deixava com mais raiva ainda.

– Se ignorar não é uma boa opção sabe – Falou enquanto nadava no ar – Quando não se tem ninguém para conversar, falar a verdade para si mesma ajuda.

(Barulho de algo caindo)

– Parece que a sua “comida” chegou – seus cabelos apontados para baixo tocaram a poça – Não vai se servir? Devo pedir para o chefe mandar talheres junto com um pano ou você quer que eu te alimente, como um bebé? Tenho a mesma imagem do seu “amado” então isso te faria feliz não é.

Rapidamente pego o prato junto com um pequeno copo e me afasto o máximo possível da cela. Amarrei o cabelo antes de começar a pegar pequenos pedaços daquela papa, sempre deixava a água por ultimo já que higiene era necessária. Mesmo olhando para o chão enquanto comia senti o seu olhar em cima de mim, ele parecia estar tentando segurar a risada.

– Que coisa feia, uma dama da sua categoria comendo com a mão. O que o seu pai acharia desse ato? Certamente gritaria com você.

A chama ficava cada vez menor conforme ele falava comigo.

– O que o seu amado acharia se te visse assim? Penso que ele nunca mais voltaria falar com você, sequer olharia na sua cara.

Tive um espasmo perto da boca. Aquilo não passava de palavras sem sentido vindas de um “Eco”.

– Se for só “isso”, pode ir embora.

(Risos)

– Como você pode manter a paciência depois disso? – bateu a mão fechada na aberta como se tivesse tido alguma ideia – Entendo, você já está acostumada. Bom, essa “mascara” deve ser bastante desconfortável – Ele deitou bem na minha frente enquanto apoiava seu rosto com ambas as mãos ao mesmo tempo em que deixava os pés balançando para cima como um escorpião – Se quiser pode tira-la, a única pessoa que pode julga-la é aquela ali.

Ele apontou para o lado o que inconscientemente acabei seguindo só para no final ver um espelho que havia surgido no nada, meu rosto estava limpo e maquiado, meu cabelo estava arrumado em um coque, estava sorrindo. Aquela imagem por alguns segundos conseguiu prender minha atenção, mas para minha surpresa a imagem começou a derreter lentamente deixando um cranio para trás imitando cada movimento que fiz. Encostei as costas na parede ao mesmo tempo em que a cabeça, respirei fundo enquanto fechava os olhos. Rasgo um pedaço de pano da minha blusa antes de embebe-lo no copo de água e de vagar começo a passar nas partes importantes ignorando completamente a existência dele.

– Não desvie os olhos isso é muita falta de “educação”, mas sejamos verdadeiros aqui – Com a mão direita fechada ele apoio o queixo, seus olhos observavam a imagem no espelho com um grande sorriso – Você fica melhor ao “natural”, geralmente a maioria das pessoas fica.

– Por quê você ainda está aqui? – Perguntei tentando o máximo possível que ele fosse embora -.

– Quero ver o seu progresso, como num reality show. Inclusive eu votei para que você não fosse “eliminada”. Quero agradecimentos.

– Você não respondeu a minha pergunta.

– Como o anfitrião eu tenho que te dar uma atenção especial, conversar com alguém (sem que digam para você calar a boca) mentalmente normal é muito gratificante.

– Se for….

Minha cabeça foi violentamente jogada no chão fazendo minha consciência apagar por alguns segundos, não consegui levantar por mais que tentasse. Consegui sentir um liquido quente escorrer pelo meu rosto.

– Por que alguém deveria se importar com você, você não passa de um incomodo – Sua voz não era mesma de antes, agora era mais hostil – Mesmo agora (pedaço de merda) você continua sendo um pentelho (literalmente).

(Risos)

Com os olhos consegui observar o seu rosto que agora parecia distorcido em pura ódio. Não sei se foi devido o choque da batida, mas a sua imagem vacilou revelando uma “coisa” com varias mãos que por sua vez seguravam mascaras brancas, fumaça negra escorria formando algo como um corpo.

-….- Não consegui refutar seu insulto, a prova de que mais ninguém se importava comigo era eu ainda estar aqui, esse definitivamente era o inferno -.

– Diga alguma coisa (mesmo que seja inútil, como você), como pode ser tão sem graça – “ele” se inclinou chegando próximo ao meu ouvido, a força do seu aperto não diminuiu nem um pouco – deve ser por isso que ele não te quis. É por isso que ninguém veio (não vejo porquê se dariam ao trabalho) te ajudar. Espero que essa experiencia te deixe mais interessante ou você simplesmente pode voltar ao pó.

(Risos)

Com um movimento delicado ele me levanta pelo pescoço e começa a lentamente andar até um penhasco, já não estávamos mais na pequena cela, tentei o máximo possível arranhar o seu braço o que se mostrou inútil comparado ao seu aperto que impedia até mesmo a minha voz de sair. A luz ficava cada vez mais distante e a escuridão ficava cada vez mais próxima, esse era o meu destino desde o começo, agora eu entendo. Fechei os olhos esperando o que vinha a seguir, tenho certeza de que não seria pior do que não ser amado, não ser importante para ninguém, ser apenas mais uma sombra.

(Luz se apaga)

** 2 **

O verão estava cada mais perdendo sua força para aquele mundo branco, fechei ainda mais o meu casaco que frequentemente fazia cosquinhas no meu pescoço. Passei a mão no cavalo que por vezes balançava a cabeça não parecendo nenhum pouco confortável naquele lugar, olhei rapidamente para baixo que imediatamente fez um arrepio subir pela minha espinha, tudo parecia tão pequeno.

Senti um tapa no ombro que quase fez meu coração parar.

– Você está bem? Parece pálida.

– Velho maldito! – Minhas mãos ficaram vermelhas pelo aperto – Nunca mais faça isso.

(Risos)

Respirei fundo antes de ver o ar branco sair pela minha boca, esse era o pior lugar para uma amante do calor e uma inimiga de grandes alturas. Mas apesar de tudo tive que concordar que mesmo não gostando do frio ele era lindo, dos flocos de neve até os olhos das corujas que brilhavam no meio da floresta. Segundo o vovô não demoraria muito para chegarmos na bola de neve.

(Uivo)

Os cavalos relincharam devido ao medo. Vultos poderiam ser notados pelo canto do olho, passei a mão pela sua crista tentando acalma-lo ao mesmo tempo em que observava a floresta.

Calmamente retiro minha marreta das costas, já fazia alguns dias que não a uso.

– Três pela direita, quatro pela esquerda e três pela frente – Bocejou – De um jeito neles sem danificar as peles. Você tem dois minutos.

Pulei do cavalo pousando em cima de uma poça de água congelada a fazendo quebrar em vários pedaços, das sombras que nos rodeavam apenas três saíram lentamente da floresta como se tivessem levantado do meio da neve, seus pelos acompanhavam a direção do vento. O cavalo que até então permanecia quieto bufou enquanto empurrava minhas costas com a cabeça, soltei um pouco a marreta só para segura-la perto do fim e com a mão livre fiz um sinal para o cavalo que imediatamente deu alguns passos para trás ficando perto do vovô que observava tudo em silencio.

(Rosnado)

O que estava na frente soltou um uivo antes de começar a correr em minha direção, ele era rápido o suficiente para que apenas o risco vermelho dos seus olhos fossem vistos quando se movia, pisei no chão forte o suficiente para levantar uma pequena parte dele acertando o maxilar do lobo o fazendo parar, vendo o que tinha acontecido os outros vieram pelos flancos no segundo seguinte. Corri para a frente subindo pelo pedaço do chão e com um mortal aterrisso em cima de um deles que ainda estava confuso, rapidamente curvo meu corpo para trás ficando praticamente deitada quando uma boca cheia de dentes passou perto do meu rosto. Levanto ao mesmo tempo em que balançava a marreta em um giro completo acertando por fim uma mandíbula no meio do ar fazendo sua cabeça girar. Voltando ao seus sentidos o lobo começou a se mexer loucamente tentando se livrar de mim enquanto o outro se preparava para mais um salto, com a parte de baixo da marreta perfuro o centro da sua cabeça o fazendo desmoronar. Respiro fundo antes de sair de cima do corpo e enfrentar o ultimo lobo que vendo sua situação uivou fazendo os outros aparecerem cercando nosso pequeno grupo.

– Você falhou, era para terminar com eles antes que ele chamasse o grupo – Falou fazendo o seu velho habito, sempre quis saber o porquê disso – Se você estivesse em um grupo eles poderiam ter morrido, não pense que todos são tão fortes quanto você Bear.

– felizmente não estou em um grupo, mas sim com você.

– Insolente como sempre, mas eu não vou viver para sempre criança. Alguma hora você vai ter que fazer amigos da sua idade – Desceu do cavalo – Alguma hora você vai ter que cooperar com alguém.

Dei de ombros para a sugestão, de forma alguma conseguiria imaginar esse velho morrendo, mesmo de velhice. As arvores se mexeram conforme o vento passava dando o sinal para os lobos atacarem, rapidamente giro no lugar colocando força suficiente para fazer o lobo que acertei na barriga formar um V em uma arvore próxima. Rolei para o lado no exato momento em que uma boca cheia de dentes se fechou.

(Estalos elétricos)

Cravei a marreta no chão que tinha começado a crepitar, a neve em volta começou a derreter mostrando o chão da floresta. Os lobos ficaram mais cautelosos que antes, mas em momento algum retrocederam, tinham um orgulho muito alto. Com um mortal para trás agarro a pelagem de um dos lobos no meio do ar e o arremesso em um que se preparava para dar um pulo fazendo ambos ganirem de dor. Aterrisso no chão já curvando o corpo para frente evitando outra garra ao mesmo tempo em que dava uma rasteiro no mesmo por fim enterrando sua cabeça no chão com o calcanhar. Curvei o corpo inteiro para o lado usando a perna direita como apoio quando uma pata enorme quase arrancou minha cabeça, com um mortal para o lado oposto me afasto do corpo só para ser atacada logo em seguida por uma boca cheia de dentes que me fez deitar no chão. Os outros começaram a se aproximar de mim rapidamente, com ambos os pés jogo ele para trás ao mesmo tempo em que ficava por cima, a neve branca foi tomada de vermelho.

(Rosnado)

No peito do lobo um cabo de faca continha a maior parte do sangue de jorrar para fora, como uma rolha. A raiva dos lobos somente se intensificou vendo mais um deles sendo morto, o que parecia o líder deu um passo para frente, seu tamanho era o dobro dos lobos que já eram grandes, com um sinal alguns deles recuaram para descansar enquanto outros se preparavam para atacar. O líder veio tão rápido em minha direção que em um piscar de olhos ele já estava na minha frente brandindo suas garras, rolei para o lado desviando das suas garras.

– Você só têm um minuto.

Acerto um dos lobos com o punho o fazendo ficar imóvel depois de parar de rolar na neve, pulei ao mesmo tempo em que abria a perna deixando um deles passar. Sem ter tempo para aterrissar giro no ar e usando o impulso acerto um chute no rosto do líder o fazendo rolar pelo chão com um ganido de dor. O ar saia pela boca deles com uma nuvem de vapor, suas energias estava acabando, por outro lado o líder se levantou e depois de balançar a cabeça por alguns segundos se virou em minha direção parecendo mais bravo do que nunca. Retirei uma mecha de cabelo que tinha se desprendido, olhei para o meu braço e havia um rasgo permitindo que o frio entrasse.

Os quatro lobos restantes agora não atacavam tão livremente quanto antes, porém já era tarde demais para começarem a ser cautelosos. Sem esperar a reação deles apareço na frente do líder que por reflexo desviou para o lado me permitindo acertar com a mão direita o que estava nas suas costas o fazendo desmoronar pelo choque, sem parar o movimento acerto outro que estava ao lado direito com o calcanhar ao mesmo tempo em que emendava com um chute aéreo no que estava a esquerda. No momento em que virei para trás o líder jogou todo o seu peso em cima de mim que por reflexo segurei sua cabeça, sua força me fez ser arrastada um pouco para trás deixando duas linhas na neve, o desespero faz coisas horríveis com os seres vivos. Ele começou a mexer o seu corpo desesperadamente tentando se libertar o que só fez o aperto ficar ainda maior, a batalha tinha sido totalmente coordenada até que ele lamentavelmente sucumbi-o a raiva. Gradualmente o seu corpo começou a perder a força, olhei para o Vovô que tinha levantado o punho indicando um zero.

Larguei o líder deixando o seu corpo mole cair na neve.

– Você demorou muito – Falou se aproximando junto com os cavalos, em nenhum momento deixei de encara-lo nos olhos, o seu dedo indicador fez o seu caminho até a minha bochecha que ao voltar estava vermelho – Ainda tem muito o que aprender.

A neve caiu lentamente preenchendo o caminho que tinha sido aberto pela marreta que agora havia ao normal. Vovô agarrou o líder e o pendurou de cabeça para baixo e com uma faca ele cortou a sua garganta deixando que o sangue pintasse o chão. Apertei os punhos antes de agarrar um deles e fazer o mesmo, o vento soprou o cheiro de sangue para longe fazendo com que os pinheiros balançassem.

(Grasnar)

Um único ponto preto em cima de um galho nos observava atentamente, devia ser pela quantidade de comida. Quando terminamos de escalpelar todos o céu já tinha ficado escuro então sem alternativas acabamos tendo que passar a noite. O frio se intensificou nos obrigando a fazer uma fogueira, peguei um pequeno graveto só para ficar mexendo no fogo enquanto apoiava rosto com a mão.

(Farfalhar de arbustos)

Olhei para a origem do som só para ver um par de olhos vermelhos me encarando, vendo que tinha sido encontrado o dono daqueles olhos começou a caminhar em minha direção, quando chegou no alcance da luz consegui ver que era um filhote de lobo – Imaginei que algo assim fosse acontecer – pensei ignorando totalmente a sua existência. Ele por sua vez continuou se aproximando até ficar perto de mim só para começar a me cheirar, fingi não estar acontecendo nada enquanto olhava novamente para as estrelas cujo um fino manto verde as cobria por fim se perdendo no horizonte. Em algum momento o pequeno lobo tinha se animado e agora tentava pegar uma mecha do meu cabelo.

Senti um sorriso aparecer no meu rosto ao pegar uma pedra e a colocar em cima do seu rabo, sua reação no primeiro momento foi tentar usar a força que para um filhote seria praticamente zero, no outro momento ele começou a chorar enquanto olhava para mim.

– Ser tão dependente assim vai acabar te matando – Falei olhando em sua direção – Mesmo sendo um filhote, tente se virar sozinho.

Ele virou seu rosto para o lado.

– Além do mais – Voltei a olhar para o céu – Devo ter matado a sua família inteira a um tempo atrás, não sente nada quanto a isso?

Consegui escutar por um tempo um pequeno choro até que por fim tudo ficou tão “silencioso” quanto possível em uma floresta, o vento que apesar de fazer os galhos das arvores se mexerem não conseguiu me afetar. Sentindo cocegas no pescoço passo a mão na parte da nuca retirando um pouco o desconforto que era usar um “casaco” branco.

(Choro)

– Se você for simplesmente muito fraco vai apenas ser um incomodo – Falei sem tirar meus olhos do céu, preto era minha cor favorita – Então acho bom você sair dai em poucas horas, caso o contrario você vai ficar para trás.

Coloquei a mão na boca antes de um bocejo conseguir sair, retirei um pedaço de madeira da bolsa que tinha um perfeito formato de lobo, era um homenagem perfeita para a ocasião. Peguei uma faca sobressalente na bolsa deixando uma assinatura – ⊃>∧∇∨ -, agora a peça estava completa. Dou um beijo na testa do lobo e passo lentamente os dedos nas escrita antes de calmamente coloca-lo embaixo da arvore que anteriormente era ocupado pelos “olhos” da morte. No mesmo instante a neve começou a derreter revelando a parte “suja”, um breve vapor sobe pela noite deixando para trás o cheiro de terra molhada, arrumei meu cabelo que tinha se soltado caindo pelo lado direito o colocando atrás da orelha. Não consegui não achar aquela situação muita engraçada, sempre havia “algo” por baixo.

A luz já começava a aparecer no horizonte, a noite tinha passado mais rápida do que realmente pareceu. Estico meu corpo que depois de alguns estralos mexo em direção ao velho roncando, tentei acertar sua barriga com um chute só para ser impedido pela sua mão.

– (Realmente ainda estou muito longe – pensei jogando um pouco de neve em seu rosto o fazendo acordar -)

Pego minha mochila juntamente com a marreta, ele por outro lado teve todo o trabalho de arrumar suas coisas, não que fosse muitas. Mesmo com a luz do sol o vento frio ainda tentava penetrar dentro das roupas, felizmente fomos atacados por lobos.

– Qual é a dificuldade de me acordar normalmente – Resmungou -.

Ignorei totalmente suas reclamações enquanto observava as arvore balançarem produzindo um som único. Nesse vislumbre um ponto negro grasnava em cima de uma delas esperando por alguma coisa.

(Choro)

Meus pensamentos foram cortados, na mesma direção do barulho um pequeno filhote ainda preso na pedra me encarava com a língua para fora. Curvei o rosto um pouco para o lado o que foi copiado no mesmo instante por ele, como poderia ter tanta inteligencia se não conseguiu cavar sua própria liberdade. Desvio os meus olhos dele só para tentar encontrar aquele ponto negro novamente, porém havia somente a vida naquele mundo branco.

– Você viu alguma coisa? – Perguntou ajeitando a mochila.

– Nada – Respondi ao mesmo tempo em que levantava -.

(Barulho de cascos)

– Você vai levar ele?

– Ele não conseguiu se libertar da pedra antes do amanhecer, não tenho utilidade para os fracos – Respondi pulando para cima do cavalo -.

– Você não está sendo dura demais, ele é só um filhote.

Passei a mão no pescoço do cavalo, ele tinha se comportado muito bem durante a noite.

-….

Sem dizer mais nada ele apenas sobe no cavalo, a neve começa a cair como se para nós dizer que havíamos perdido muito tempo em assuntos desnecessários. Faço um barulho com a boca e no momento seguinte o cavalo começa a galopar deixando para trás pontos negros, uma escultura de lobo e uma responsabilidade.

** 3 **

(Batida na porta)

Não ouve resposta. Apenas o barulho do vento.

Sem qualquer consideração vovô abre a porta revelando um espaço totalmente contraditório a parte de fora. Limpamos os pés antes de andarmos por um tapete branco que seguia até uma sala, gotas começaram a surgir pela minha testa me obrigando a retirar os casacos.

(Musica clássica)

Vapor subia pela caneca negra em uma mesa perto da janela, seu cheiro fez minha cabeça dar voltas. Seus olhos me encaravam tão intensamente como se quisesse gravar o meu rosto em suas memorias, uma mecha do seu cabelo se mexia constantemente sobre a tela desenhando formas parecendo ter vida própria, com um estalo de dedos outra mecha se envolveu na caneca negra e a trouxe para mãos tão brancas quanta a neve.

Fiquei o máximo possível quieta, a situação parecia muito tensa.

– A que devo a visita inesperada – Ela levantou umas das sobrancelhas – Mal-educada e indesejada?

Seu moletom estava sujo de tinta, mas a própria pessoa não pareceu se importar com esse fato.

– Queria visitar velhos amigos, não posso? – Respondeu vovô dirigindo um sorriso para ela -.

– Não quando você só quer algo – Falou ao se sentar na poltrona, ela havia parado de pintar – Desembucha, você está fazendo o seu tempo precioso passar.

Sem que ninguém notasse sentei no outro sofá cheio de livros, balancei a mão tentando afastar aquele cheiro de café.

– Antes disso – Larguei um dos livros bem na hora que ambos olharam para mim, só tinha dado o tempo de ler o titulo – Bear, pode esperar do lado de fora.

– Claro.

– Ao invés de esperar no frio, pode ir na minha biblioteca. Fica no final daquele corredor – Com o dedo indicador ela apontou para um tapete branco, mas dessa vez ele tinha uma seta indicando o caminho, tive que admitir que aquilo tinha sido legal -.

Cada vez que eu pisava na seta ela desaparecia só para aparecer novamente um pouco mais a frente. Quanto mais perto me aproximava da porta mais as paredes ficavam parecidas com estantes cheias de livros e em algum momento não existia mais corredor, apenas uma biblioteca. Os livros que não tinham local especifico flutuavam a espera de algum leitor.

Estiquei a mão tentando ver se algum deles se aproximava, mas nada aconteceu. Desistindo dos que flutuavam peguei um livro em uma das estantes só para então avistar uma cadeira perfeita para leitura. Com todo o cuidado folheio as paginas, não queria irritar aquela mulher.

(Passos)

Rapidamente retiro da bota uma adaga a colocando no pescoço do visitante.

– Calma – Parecia uma voz masculina – Ou melhor, me desculpe por aparecer do nada.

Fechei o livro com uma das mãos antes de deixa-lo em algum lugar seguro, virei o rosto só para encontrar dentes brancos devido a um sorriso. Ambas as mãos estavam para cima em sinal de rendição, parecia muito suspeito na minha opinião.

– Quem é você?

– Eu que pergunto – Seus olhos pareciam estar me analisando da cabeça aos pés – A casa é minha.

Estreitei os olhos ao mesmo tempo em que apertava a faca no seu pescoço, uma leve gota vermelha desceu.

– Se é verdade quem é aquela conversando com o Vovô, poderia me dizer?

Seus olhos desviaram de mim para o porta que não lembro de ter passado.

– Ela é a minha irmã gêmea – Respondeu pegando a lamina e a retirando do pescoço, a fina linha vermelha havia sumido – Você deve ser neta daquele pirralho insolente, vejo que são bem parecidos.

Guardei a adaga novamente na bota, mas em momento algum deixei minha guarda baixa perto dele. Peguei o livro novamente e o abri na mesma página.

– É assustador como são parecidos – Falou passando a mão no pescoço – Espero que não compartilhem do mesmo destino.

Parei a leitura no mesmo instante, a ultima frase tinha me pegado de surpresa. Ele por outro lado se sentou no lado oposto ao meu enquanto um dos livros que flutuavam foi até a sua mão. Sua preocupação depois de ter lançado uma bomba foi natural demais.

– Como assim o mesmo destino?

– Se ele não te contou não vejo motivo para faze-lo – Respondeu sem tirar os olhos do livro – Além do mais você me ameaçou com uma faca.

– Se você não tem intenção de contar porquê falou disso?

– Então você não tem intenção de pedir desculpas – Olhou por cima do livro – Realmente desnecessariamente parecidos.

minha perna já não parava quieta, a vontade de levantar e ameaça-lo novamente estava voltando.

– Sou o tipo de pessoa que joga uma bomba no ar sem dificuldade alguma – Suas pernas se esticaram, seus pés pousaram em cima de uma pilha de livros – Fique sabendo disso. Sou considerado por muitos uma pessoa misterioso.

Tive um espasmo no canto da boca, apertei as mãos.

– Tenho certeza que te consideram um filho da puta, isso sim -.

Sem qualquer reação ele continuou lendo, a biblioteca só não ficou em silencio pelo fato da minha perna não parar quieta. O livro que tive algum interessa agora não fazia nenhum sentido mesmo que eu lesse a mesma pagina varias vezes, amaldiçoei o momento em que tirei a adaga de sua garganta.

Dobrei a perna em cima da outra, olhei para o teto só para encontra-lo dividido, de um lado havia um sol, do outro uma lua branca em um céu cheio de estrelas.

– Sabia que “Bryan” significa aquele que é forte – Perguntou quebrando o silencio, sua visão não tinha saído do livro em momento algum – Mas o mais engraçado é que existe mais de um modo de mostrar “força”, mesmo para os brutos.

olhei para ele por alguns segundos antes de responder.

– Não vejo o que isso tem haver com o velho. Se for para falar algo, fale sem rodeios. Não gosto de enigmas

(Passos)

– Desculpe por qualquer coisa que meu irmão tenha dito – Uma voz levemente irritada soou atrás de mim – Ele costuma ser bastante confuso e irritante.

– Percebi – Mesmo com uma breve olhada pelo ombro não consegui ver o velho, deve estar esperando na sala – Já terminaram de conversar?

Ela se sentou no braço do sofá aonde seu irmão estava, seu rosto era inexpressivo como da primeira vez que a vi.

– Já – Ela mais uma vez tomou um golo, nunca gostei de café – Devo dizer que ambos os pedidos dele foram estranhos, mas como eu devia uma para ele aceitei.

Me inclinei para frente na poltrona, senti meu cabelo caindo por ambos os lados. Aquilo estava começando a ficar estranho.

– Posso saber quais eram os pedidos?

Ela apoiou seu cotovelo na cabeça do irmão só para logo em seguida descansar o rosto na mão, seu cabelos negro cobriu não só o livro mais também o seu leitor. Alguns fios seguravam a caneca no ar, aquilo era legal de uma forma estranha.

– Mas é claro – Com a mão livre ela levantou um dedo – Primeiro ele me pediu mais “tempo”.

Levantei uma das sobrancelhas, aquilo havia sido vago demais. Seu segundo dedo se levantou ignorando minha confusão.

– Depois ele me implorou para ajudar sua neta.

– Entendo – Esse dia finalmente tinha chegado, devia ter lhe dado no minimo uma cicatriz de despedida – Ele já foi?

A pergunta pareceu idiota mesmo para mim, mas antes que notasse já tinha feito. Sem se importar ela responde – A essa hora ele deve estar longe, vai segui-lo? -, sua voz continha um toque de interesse. Do seu cabelo uma mão abriu caminho revelando um rosto descontente, ele era totalmente visível quando perto dela, como uma mancha branca numa tela preta.

Levantei, alonguei o corpo antes de olha-los. Não precisei de muito tempo para responder, desde o memento em que escutei sua resposta, a minha já estava na ponta da língua.

– Não.

** 4 **

Uma fumaça negra cobriu o céu impedindo todos de ver o seu belo azul, prédios pegando fogo enquanto desmoronavam faziam a terra tremer. Engoli em seco após vislumbrar tal cena pelo binoculo, Laura que estava ao meu lado o tempo todo estava totalmente pálida. Toquei o seu ombro a fazendo dar um salto, mesmo estando em tal estado ela ainda sim resolveu vir me ajudar.

– Tem certeza que está tudo bem? Posso pedir para alguém assumir o seu lugar.

Ela apertou os punhos.

– Não perdi as esperanças ainda, mas não posso negligenciar os meus deveres. Não quando você precisa de mim.

inconscientemente apertei suas bochechas as fazendo assumir um tom avermelhado.

– Me desculpe, só me deu vontade – Abri um sorriso – Vou te ajudar com todo o meu poder quando voltarmos, mas primeiro vamos resolver isso.

Ainda passando as mãos no rosto ela assenti com a cabeça. Coloquei uma peça vermelha no lado esquerdo ao mesmo tempo em que dava as instruções pelo telefone, estávamos quase conquistando Hanlet, faltava pouco para que a coroa quebrasse. Meu corpo inteiro tremeu devido a excitação, o rei inimigo era um completo incompetente que quase me fez ter pena, quase. Poderia ter tido uma resistência se caso a pessoa que o Tenente comandante Luke descreveu tivesse aparecido, mas ao que parece ele fugiu ou se ausentou da luta o que só melhorou as chances para o nosso lado.

Poucos antes de colocar o binoculo uma serie de explosões surgiram pelo campo de batalha, animais encurralados costumam “morder”, apesar de algumas baixas do nosso lado o portão inimigo havia sido destruído, movi duas peças para a parte traseira impedindo uma possível fuga.

O barulho de outro telefone me acordou.

– o que devemos fazer agora comandante? – Perguntou Vergo do outro lado – Devemos atacar o palácio?

Coloquei a mão no queixo, precisava fazer isso com estilo. Eles não poderia sair impune depois de tudo.

– Os “ratos” estão se escondendo?

– Sim.

Um sorriso apareceu no meu rosto.

– Estou a caminho – Vergo pareceu confuso – Quero gravar isso para mostrar a pessoa que me deu essa oportunidade.

Demorou alguns segundos antes que ele pudesse responder.

– Entendido comandante.

(Som de cadeira)

– Laura vou deixar o comando para você – ela virou tão rápido que o seu rabo de cavalo demorou para segui-la – Cuide bem das “sobras”, assim podemos voltar o mais rápido possível.

Mesmo quando seu corpo ficou tenso pela súbita mudança de comando após escutar a ultima frase seu maxilar apertou juntamente com suas mãos.

– As suas ordens comandante – Sua mão direita bateu continência -.

Respiro fundo enquanto ajeitava o meu quepe. Segurei firme do corrimão antes que um solavanco ocorresse pela área, cada passo dado era acompanhado por um rangido de metal juntamente com explosões. Os soldados que me viam batiam continência antes de voltarem aos seus deveres, seus olhares eram de total respeito, assim como o Tenente tinha dito. No segundo seguinte sindo um frio na barriga, a recompensa estava tão próxima que quase pude senti o gosto.

(Explosão)

Acenei com a cabeça que ao ser notada pelo soldado que imediatamente abriu a porta, o dirigível havia parado. Solto a escada que se desenrola ao cair até o chão, o vento deslizou pelo meu corpo só tornando a descida agradável. No chão os soldados formaram um circulo a minha volta, com passos elegantes começo a andar até o portão da cidade onde Vergo esperava.

(Gemidos de agonia)

O caminho estava repleto de derrota, soldados inimigos aos montes tornando a terra estéril e o ar completamente nojento. Cobri o rosto devido a um raio de luz que conseguiu passar pela fumaça, isso tudo era necessário, a justiça tinha que ser feita. Com uma breve continência Vergo e eu caminhos lado a lado até o castelo, as ruas não eram tão belas quanto o campo de batalha, cheguei a duvidar que era ainda pior. Andamos cuidadosamente pelas ruas evitando escombros e algumas partes de corpos.

(Grito)

Pelo canto do olho consegui ver dois soldados atacando uma jovem, suas roupas já estavam completamente rasgadas. Parei por alguns segundos para observar a cena, Vergo juntamente com as escoltas fizeram o mesmo, mas pareceram não entender o motivo até que seguiram minha visão. Ambos os soldados estavam suados devo ao “esforço”, apesar de gritar a jovem já tinha desistido a muito tempo, nossos olhos se encontraram, mas apenas os meus viam alguma coisa.

Faço um sinal com a mão e ambos são detidos, ela por outro lado fica imóvel como uma boneca. Passei a mão na têmporas enquanto os soldados me encaravam perplexos.

– Esse dia será marcado com uma vitoria em nome do império – Falei chegando perto de suas orelhas – Um dia glorioso para nós, vocês realmente querem mancha-lo com um ato bárbaro desses – Seus maxilares apertaram – Quem vocês acham que somos.

– Mas comandante – Engoliu em seco – Vamos mata-la de qualquer forma, qual é o problema.

Inclinei o pescoço para o lado o suficiente para vê-la novamente, ainda viva, mas totalmente morta.

– Qual é o problema você diz – Soltei o ar em um suspiro, fechei os olhos por alguns segundos, o frio no estomago quase tinha sumido – Vocês dois esquecem que somos um exercito disciplinado e carregamos a honra do império dos ombros, cada ato reflete diretamente no império. Então quando vocês dois baixam o nível desse jeito é tão miserável que me deixa com raiva, não me importo com ela – A bainha da espada balançou – Mas sim com vocês dois, sabem o que significa desobedecer uma ordem, sabem das consequências.

Ambos ficaram pálidos, já não estavam com tanto “vigor” quanto antes.

– Sentimos muito Comandante – Lagrimas caiam – Não fomos informados sobre qualquer ordem do nosso superior, então por favor nos poupe.

Todos em volta tinha rostos sérios, o pecado já tinha sido exposto, não posso mais perdoa-lo.

– A ordem dada a todas as unidades era simples ” matem todos”, qual parte dessas duas palavras vocês não entenderam nunca vou saber – Retirei lentamente a espada que ao sair da bainha brilhou, com o dedo indicador passo o dedo pela lamina vermelha – O que vocês dois fizeram não foi nem de longe de acordo com a ordem, se querem transar que façam com prostitutas do império fora de “serviço”, no momento peguei dois orgulhosos soldados do império transando com um animal. Então se estão agindo como animais, serão tratados de acordo.

Faço um leve movimento com a cabeça, os soldados entendendo a ação e por sua vez seguraram seus cabelos os fazendo olhar para cima, lagrimas desciam pelo rosto, ambos não conseguiram se mijar de medo devido aos resquícios da excitação. Todos vendo a ação bateram as botas nos calcanhares e ficaram em posição de sentido, como em um funeral.

Coloquei a lamina perto do pescoço do primeiro.

– Uma última palavra?

– Comandante, por fav….

Não deixei que terminasse, desculpas não o salvariam, implorar pela vida só aumentaria o pecado.

Balancei a lamina fazendo o chão riscar em vermelho. Me aproximei do outro.

– Uma última palavra?

Ele engoliu a saliva novamente.

– Sinto muito.

A lamina escarlate fez seu caminho tão suavemente que somente após um tempo uma linha vermelha apareceu. Com outro balanço faço um X no chão, todos fecharam os olhos seguindo meu exemplo.

– Errado – Murmurei não tendo planos de esconder minha voz – Eu que sinto muito.

Observo os dois corpos imoveis no chão, eram dois jovens que jamais voltariam a ver suas famílias. A lei era dura, mas ela não tinha favoritos. Com um gosto amargo começo a caminhar para longe, devia te-los orientado melhor.

O resto do caminho foi envolto em silencio, a porta do castelo estava torcida. Uma fila de soldados se formou na minha frente, andei pelo tapete do castelo que apesar de bonita tinha varias cortes e manchas, duas portas altas entalhadas com o que devia ser uma pintura da família real estava espalhada no chão deixando uma visão clara do trono.

– Quantos prisioneiros?

Vergo que não tinha dito nada desde o portão da cidade se aproximou depois de conversar com um soldado.

– sete pessoas, o resto como empregadas ou funcionários foram mortos como ordenado.

A sala do trono devia ter sido algo maravilhoso para ser ver, mas agora estava em destroços. Ajoelhados abaixo do trono estavam os prisioneiros, a única criança fazia o possível para segurar o choro fazendo a mulher ao lado morder o lábio, deveria ser a sua mãe. Cada passo dado fazia com que as cinco pessoas tremessem.

Parei na frente de todos.

– Me desculpe por deixa-los esperando. Tive que resolver algumas coisas pelo caminho.

(Silencio)

– É assim então. Bom, não me importo – Falei batendo na bainha da espada – Mas o silencio será a última palavra de cada um?

– Poupe a minha família – disse olhando para cima, ele devia ser o rei – Aceito qualquer coisa que vier depois.

– Não me entenda mal – Suspirei – Tortura não é do meu agrado, garanto que sua família será morta rapidamente – choro de criança – Mas você vai ser como premio, não posso fazer mais do que isso.

Ele mais uma vez voltou a olhar para baixo, um rapaz ao seu lado me encarou o tempo todo sem desviar os olhos ou mesmo tremer. Olhei para Vergo que imediatamente passou a ordem para os soldados, eles pegaram ambas as rainhas e as arrastaram para longe junto com uma criança e dois adolescentes, os gritos logo desapareceram. O rapaz que havia ficado junto com o rei agora tentava se soltar, seus olhos continham um ódio enorme.

O rei por outro lado não derramou uma lagrima sequer, ficou apenas olhando para baixo impotente. Retirei novamente minha espada e com um movimento rápido ela atravessou o peito do rapaz, ele abri a boca tentando falar algo, mas a única coisa a sair foi sangue que desceu pelo queixo.

O sangue que cobria a espada começou a escorrer pingando no chão, dessa vez não havia necessidade de limpa-la, não do jeito convencional.

– Suas últimas palavras “rei”.

(Silencio)

– Entendo – apontei a laminá para o seu peito -.

Ele não implorou, tal como um governante digno que devia ter sido. Em homagem ao seu reinado limpo a pequena memoria do que um dia foi um dos seus servos em cada lado do seu ombro. A ponta da laminá mais uma vez se encontra na direção do seu coração, o salão inteiro havia ficado em um completo silencio ao ponto de um leve timbre ser escutado, todos tinham medo da morte.

O tempo parou por alguns segundos.

– A Minha raça não vai deixar essa ofensa passar – Sua voz era cansada, mas convicta -.

A ponta foi perfurando calmamente a sua pele, o suficiente para que ele fizesse uma careta.

– Eu que o diga.

Seu corpo sem vida caiu no chão após o rápido soar que a laminá fez ao sair do seu corpo, o chão branco do salão começou a formar outra mancha negra, não havia arrependimento no seu rosto em momento nenhum. Dessa vez faço um breve movimento com o braço e outra linha se forma no chão, ao mesmo tempo em que guardava a espada vi o sangue tomar completamente o corpo do antigo “rei”.

(Palmas)

– Senhor Vergo, você pegou a coroa?

A resposta demorou um segundo para vir, todos olhavam para a cena

– Sim comandante, já tiramos uma foto.

– Entendo. Queime tudo e todos.

Comecei a andar para longe daquele local, não restava mais nada para nós aqui. Era uma pena que o rei tinha uma das minhas cores favoritas, o roxo.

 

** 5 **

 

Pontos negros formavam um redemoinho, o banquete havia sido servido com tudo que tinha direito e os convidados gritavam. O cheiro de fumaça impregnou o ar juntamente com uma nuvem negra que engoliu rapidamente o azul do céu logo acima do palácio.

Uma vitoria era uma vitoria, mesma que venha fácil.

-Recolhemos todos os mortos? – Perguntei cobrindo o nariz -.

– Sim comandante.

Olhei mais uma vez para a capital em chamas, entrei no lado do passageiro só para no momento seguinte escutar a batida da porta. A partir de agora o rumo que as coisas tomariam iam mudar drasticamente não só para o império como também para todas as raças, fechei os olhos quando o caminhão começou a andar deixando para trás cinzas e pó.

(Telefone)

– Comandante, o general quer saber a situação.

Massageei abaixo dos olhos, fiquei tão animada com a conquista que esqueci de enviar uma mensagem dizendo que tínhamos ganhado, todos deviam estar ansiosas a essa altura.

– Diga a ele que vencemos – Respondi sem abrir os olhos – E que estamos voltando.

Apoiei meu braço na lateral do caminhão que serviu de suporte para o meu rosto, a vibração da estrada me mantinha acordada, o vento tinha aumentado removendo por completo o terrível cheiro de fumaça. Abri somente um dos olhos por fim vendo um enorme dirigível se aproximando, sua cor era bem visível no verde da floresta.

(Conversa)

A única coisa que impedia a minha total concentração na natureza era a conversa animada dos soldados e a explicação detalhada do encarregado de explicar tudo ao general. Nesse momento um breve fleche de dois jovens chorando surgiu na minha mente atraindo junto a si um gosto amargo na boca – Devia te-los orientado melhor – pensei olhando para a floresta que passava rapidamente como uma foto assim como as memorias.

o azul do céu era lentamente tomado por uma cor vermelho alaranjado, sem que notasse tinha adormecido. As conversar tinha parado, todos estavam bastante cansados apesar de não demonstrarem.

O caminhão parou suavemente, havíamos chegado ao dirigível.

– Bom trabalho – Falei baixo o suficiente para apenas o motorista escutar – Pode descansar, assumo a partir de agora.

Sem qualquer resposta ele simplesmente assentiu antes de ir para o banco de trás junto com os outros, a partir de agora era necessário um pouco de atenção. O dirigível lentamente baixou uma rampa, manobrei cuidadosamente para dentro parando somente no final, olhei pelo retrovisor só para ver outros três fazendo o mesmo.

No mesmo instante um homem apareceu usando um macacão, óculos e luvas. Acordei todos que apesar da sonolência conseguiram sair, depois que todos os quatro caminhões estavam vazios vários homens do mesmo jeito começaram a verificar se havia algum dano. Depois que todos estavam alinhados foi que consegui ver que alguns tinham bandagens vermelhas ou membros faltando, toda vitoria tem um custo.

Me aproximei apenas um pouco deles, mas foi o suficiente para todos, mesmo os machucados fazerem sentido.

– Hoje foi um dia longo e cansativo – Fiz o melhor sorriso possível – Então os que necessitarem vão imediatamente para o setor medico, os outros podem ir festejar como desejarem, dispensados.

Todos se dispersaram em murmúrios, poucos segundos depois da conversa um jovem surgiu, ele parecia bem animado.

– Comandante, a ponte de comando está perguntando se podemos levantar voo?

– notifique os outros dirigíveis se todos subiram a bordo – Tentei o máximo possível esconder meu cansaço, mas a minha voz traiu minhas expectativas – Se caso estiver tudo correto diga a eles que podem levantar voo.

Ele deve ter notado porquê simplesmente anotou tudo e saiu depois de fazer uma breve continência, sem mais interrupções caminho pelo corredor, melodias poderiam ser escutadas vindo do refeitório, por outro lado choros e gemidos vinham da enfermaria. Mesmo ambos sendo muito distantes um do outro agora eles pareciam tão próximos que quase pude senti-los nas portas que passei pelo corredor.

(Passos)

– Comandante – gritou uma frágil voz muito familiar – Finalmente te encontrei, todos estão festejando, não vai participar?

Coloquei as mãos na parede.

– Dessa vez não Laura. Prefiro dar uma descansada.

Ela devia ter percebido meu cansaço porquê no instante seguinte ela passou sua cabeça pelo meu braço esquerdo apoiando meu corpo, quase senti vontade de rir, ela deveria estar dando tudo de si.

Observei seu rosto que fazia um enorme esforço.

– Vou te ajudar a ir para o seu quarto – Disse ao começarmos a andar -.

– Você não precisa fazer isso – Falei segurando a maior parte do peso – Sabe disso né.

Ela olhou para cima, seus olhos estavam muito determinados.

– Sei que não sou tão forte assim – Pisquei por alguns segundos pela súbita resposta – Sei também que não posso acompanha-la no campo de batalha, aquilo é uma selva muito grande para alguém como eu – Não consegui falar nada – Você sempre me ajudou, até mesmo agora continua me ajudando mesmo tendo muitas coisas para fazer. Então me deixe fazer pelo menos isso por você, aguentar o seu “peso”.

Não conseguiu dizer nada, parecia que todas as palavras tinham medo de sair. Nesse momento ela não parecia pequena ou frágil, na verdade ela parecia muito grande, maior do que eu. Mas o que ela disse estava errado, era justamente o contrario, por isso quis ajuda-la em sua busca.

Acertei sua testa com o dedo indicador a pegando de surpresa.

– Essas são palavras muito fortes para alguém tão fraco – ela abaixou a cabeça, deixei de segurar o meu peço – Mas não se arrependa depois se eu acreditar nelas.

Ela chegou mais perto se encaixando na minha axila ao mesmo tempo em que aperta minha cintura.

– Nunca comandante.

Andamos pelo corredor enquanto um fantasma de alguma musica soava pelos corredores, retirei um cartão do bolso só para passar na porta a abrindo. O cheiro familiar entrou pelo meu nariz, era tão bom voltar ao “lar”. Rapidamente me jogo na cama, retiro os sapatos juntamente com o sutiã que no mesmo instante espalhou uma sensação enorme de alivio pelo meu corpo, Laura tinha jogado algumas roupas da cadeira para o chão, ela respirava pesadamente.

Abracei o travesseiro com toda força possível.

– Se você não estiver bem pode dormir aqui comigo – Falei dando alguns tapinhas na cama – A cama é bem grande.

Com um pano ela limpou o rosto, sua respiração tinha voltado ao normal.

– Você não vai tomar banho primeiro? Sua cama vai ficar fedendo a suado depois.

– Então se eu não estivesse fedendo a suor você viria?

Arrumou seu uniforme.

– Não vou servir de travesseiro de abraço para você novamente, quase morri na última vez.

Fingi limpar uma lagrima.

– Como você é cruel. Para onde foi toda a gentileza de antes.

Laura levantou umas das sobrancelhas.

– Ela foi para aquela sala ali – Apontou para uma porta dentro do quarto – Vai lá buscar e aproveita e tome um banho.

Ela parecia estar bem feliz, muito contrario a sua aparência nos últimos dias. Com dificuldade me sento na beirada da cama e começo a tirar a roupa, olhei para um relógio e as letras vermelhas indicavam que já era quase hora do jantar. Sem que notasse ela tirou uma foto que ficava no bolso do peito, sua expressão era uma mistura de carinho e tristeza, pude imaginar quem era.

Depois de tirar a blusa observo uma gota solitária escorrendo pelo seu rosto.

– Como vocês se conheceram? – perguntei tentando quebrar o clima ruim -.

– Foi no inverno quando sai para comprar nossas blusas de frio, naquele dia parei para comprar chocolate quente em uma loja – Suas palavras iam ficando animadas a cada instante – No primeiro momento achei ele irritante, ele havia achado que eu era alguma adolescente que tinha fugido da aula.

Segurei o riso.

– Discutimos por algum tempo e para pedir desculpas depois que mostrei a identidade como soldado ele me deixou escolher qualquer coisa no cardápio de graça – Ela passou a mão gentilmente na foto – Pedi os dois mais caros por estar ainda um pouco nervosa, mas ele simplesmente sorriu e fez o meu pedido.

Lembrei do dia por causa da bebida, aquilo havia sido a melhor coisa que já tinha bebido na vida.

– Depois disso continuei voltando lá. Apesar de irritante ele não saia da minha cabeça, quando percebi já era uma cliente frequente do lugar. Meu coração pulava toda vez que via ele e por incrível que pareça foi ele que me propôs primeiro, toda vez que ia lá sempre pensei que era a única a sentir algo, sempre achei que era um sentimento unilateral – um sorriso apareceu no seu rosto – Engraçado, contando para você agora fez parecer que tudo foi tão rápido, mas lembro que cada segundo era como uma eternidade.

O ar triste tinha se tornado “cor de rosa”, a lagrima solitária agora havia ganhado companheiros, porem já não eram mais de tristeza e sim de uma bela memoria. Terminei de tirar a última peça de roupa, o frio açoitou meu corpo produzindo um arrepio.

Laura ainda estava imersa em pensamentos ou pelo menos parecia.

– Queria ter apresentado ele para você, acho que ambos iam se dar muito bem.

Senti um aperto do peito.

– É eu estaria mais do que grata em conhece-lo.

Ela apertou suas mãos amaçando um pouco a foto, me aproximei dela por fim lhe dando um abraço, perder alguém era muito ruim, mas a sensação de esperar por alguém que pode ou não estar morto é terrível para suportar. Ajoelhei ao ponto de poder colocar o queixo em seu ombro, ela agora soluçava como uma criança. Por um breve momento consegui ver a foto recém amaçada contendo um jovem casal abraçado, seus sorrisos podiam derreter mesmo um cubo de gelo.

Em meio aos soluços o meu coração começava a ficar cada vez menor quase o ponto de escutar algo se quebrando, em momento algum desviei meus olhos da foto, ela parecia um abismo.

Fechei os olhos evitando que a foto me “olhasse” de volta.

– Me desculpe, me desculpe – Murmurei alto o suficiente para que o meu próprio ego escutasse, mas baixo o suficiente para que Laura ouvisse.

A foto que deveria ter sido uma das mais belas lembranças agora havia se tornado a pior das punições, o eterno castigo de uma alma “fiel”. A lembrança de um único chifre se quebrando em milhares de pedaços pelo chão agora não seria somente a morte de um “rato”, mas sim que o verdadeiro significado de ter esperança era aceitar um veneno agonizante cujo a única cura era a morte do “objeto” desejado. No momento a cura estava nas minhas mãos assim como o “veneno” que ela tomava constantemente, um pecado continua sendo um pecado mesmo que ninguém tenha visto, mesmo que ninguém se importe.

O sofrimento de uma única pessoa era raso se comparado ao de um império, o dever acima de tudo.

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