Radiation

Parte III (Arco III)

Ato II – Fiodor está morto!

Subimos a escadas, agarrados um ao outro. Não havia medo entre nós, apenas um estranho sentimento de ‘ter que fazer.’. Era como se fossemos Raskolnikov com um machado ou Humbert Humbert com uma arma, preste a fazer o que tinham que fazer e, por fim, virarem os assassinos mais passionais da história …

Chegamos ao corredor no qual encontramos aquele infectado pela primeira vez, porém ele não estava lá naquele momento. Olhando para o fim do corredor, imaginei por um momento, que rota o maldito poderia ter ido, porém desistir. Não queria invadir quarto por quarto para persegui-lo, não me pareceu correto.

Desistindo da caça, perguntei à Sthefani: “me diz afinal: qual era o nome dele?”

João …” Sthefani ficou um pouco nervosa, abaixando a cabeça e olhando para o chão; “João Matos de Lima …”

Não pude conter minha felicidade com a cena – seus atos ilustraram uma cena bem memorável por alguns momentos – lançando um sorriso a ela, que abalou-a por um segundo, até ela também sorri, e me dizer:

não vale a pena parar, vamos continuar procurando esse maldito!”

Era impossível pará-la, pelo menos, que eu me lembre, ela estava querendo voar dentro do corredor de concreto que nos prendia e protegia. O que eu poderia fazer além de continuar?

se é assim!” Disse com um sorriso, sem hesitar; “vamos!”

Continuamos pelo corredor e subimos a escada, ao virar a esquina, vimos um infectado aleatório aparecer no novo andar. Eu não o reconhecia, sua face estava rasgada, destruída, sem pele, lábios ou nariz. Talvez fosse algum vizinho ou vizinha que eu tenha dado bom dia um dia, porém hoje, não era mais do que carne morta inerte, olhando para uma das portas.

creio que ele não foi atraído pelo meu cheiro de sangue! Será que ele está bem?” Um sorriso meio amarelado apareceu em meu rosto e Sthefani, quase como se tivesse entendido uma piada interna, sorriu comigo. O infectado pareceu não gostar do fato de nós termos nos divertido a sua custa, se virando e correndo para nossa direção com toda a velocidade.

Não fiquei com medo, naquela vez, bem me lembro, não fiquei com medo. Na verdade não senti nada, a não ser uma vontade fodida de querer rir. Tanto que, quando ele se aproximou, apenas levantei o facão e golpeei sua têmpora, enquanto andava para o lado. O meu facão penetrou e saiu da cabeça do maldito, fazendo grossos filetes de sangue cair no chão. O infectado caiu e se contorceu, fazendo-me sorri, apenas, para aquele pobre doente que morria.

Era quase como se eu tivesse me tornado o vilão de minha própria estória ou algo do tipo …

Continuei andando pelo corredor, olhando quarto por quarto, sem muito interesse, até que me encontrei com outro infectado. Nossos encontros estavam sendo bem mais rotineiros do que o costume, mas não me preocupei.

Esse infectado estava parado em frente a escadaria, olhando para algum lugar. Suas roupas em trapos e tripas pútridas saindo pelos lados, era uma visão cômica, de certa forma, para mim e para Sthefani, que andávamos rapidamente em direção ao infectado, sem se preocupar com os sons.

olá amiguinho” Disse, com um sorriso, para o doente e levantei o meu facão, enterrando-o na sua cabeça, fazendo-o desabar, em seguida, sobre as suas próprias tripas.

Foi nojento, mas Sthefani sorriu intensamente enquanto via o sangue fugir da ponta da cabeça do infectado.

nós temos medo deles!” Ela disse com todas as suas pérolas à mostra; “mas quando deixamos de ter medo, eles caem no chão como sacos de batatas sufocando, igual a nós, em seu próprio sangue!”

Eu concordei com a cabeça e continuei sorrindo enquanto andávamos pela escada.

oh!” Ao passarmos por alguns quartos, Sthefani continuou; “agora que percebi, esse é o meu andar! Faz um tempo que não venho aqui … será que poderíamos ir ao meu quarto buscar algumas roupas e merdas desse tipo.”

Não vi problemas e concordei, outra vez, com a cabeça enquanto seguíamos pelo corredor, até parar num quarto. Esse quarto, de porta arrombada e estilhaçada pelo chão, segundo Sthefani, era o dela.

então é aqui?’ Pensei, sem me preocupar com todo aquele estranho estado em que a porta se encontrava; ‘será que era assim sua vida, antes de tudo?’

No quarto, vi fotos dela com João por um momento, fotos que fizeram o meu peito bater bem alto. Nelas, uma felicidade transparecia e era irritante, vê-los em viagem, comendo juntos, em praias, se abraçando e se beijando.

Continuei olhando as fotos, até me encontrar com uma em especial. Nela, os dois estavam vestidos de branco dentro de um cartório, enquanto assinavam um documento e faziam caretas. Percebi, machucava o meu peito, mas percebi.

no fim, tudo vai para aqueles que estão vivos!’

Fui para a cozinha ver se tinha algo além de comida mofada e sangue, porém, realmente, não havia nada. Voltei para a sala e me sentei no sofá. Do relógio eletrônico ao lado da televisão, via que não eram mais do que 3:48 da manhã.

Sthefani, que desde que chegamos estava no seu quarto, pegando roupas, mal fazia sons, o que, após pensar um pouco, me deixou bastante preocupado. Decidi ir em direção ao quarto, para averiguar, porém, da porta do apartamento, outros sons vinham, o que me fez, mecanicamente, pegar o meu facão e me preparar para o que viria.

Andei para perto da porta e vi que dois infectados vinham correndo em direção ao apartamento. Automaticamente recuei alguns passos, desesperado, tentando achar algo para me proteger.

isso’

Na sala, peguei uma almofada aleatória enquanto os infectados invadiam o cômodo. Num movimento rápido, joguei a almofada na face de um que vinha pela esquerda enquanto desferia rapidamente um golpe na cabeça do da direita.

O infectado caiu no chão, sem movimentos, enquanto o da direita devorava a almofada, deixando-a em pedaços. Me movimentei, circulando para trás dele enquanto ele tirava, pedaço por pedaço, da almofada, e golpei-o sem pensar duas vezes na cabeça.

[Pah] [Pah]

Dois tiros altos atingiram meus ouvidos e eles haviam vindo do quarto da Sthefani. Meus olhos se arregalaram com o som e, ainda com adrenalina subindo aos montes para a cabeça, pulei em direção a porta do quarto e a chutei.

mas o que?!’

Em minha frente, Sthefani estava suspendida, enquanto João a sufocava. Esse infectado, com diversas calcinhas no rosto, sorria de uma forma incompreensível enquanto chorava rios de sangue.

Corri em sua direção e com um golpe – um golpe que eu não faço a miníma ideia de como consegui fazê-lo – cortei parcialmente sua cabeça. Veja bem, parcialmente, pelo menos o suficiente para fazer a sua cabeça ficar suspendida pelo seu pescoço.

João, um homem que lutou, não deixou morrer, e jogou Sthefani para o canto do banheiro com força, fazendo rachar os tijolinhos do banheiro, enquanto me chutava, como um espartano, no peito. Eu caí de volta para a sala enquanto me levantava, desnorteado.

maldito!’ Pensei; ‘eu vou te matar! Eu vou te matar! E te matarei mil vezes!’

Corri de volta em direção ao infectado que correu não correu de volta a mim. Ele, com a sua cabeça suspensa entre os ombros por uma fina camada de músculos e pele, se ajoelhou e morreu.

Não pude suportar, era impossível suportar! Não enlouqueci e passei tudo que passei para ele desabar no chão daquela forma!

Com ódio injetado nos olhos, me virei e olhei para o seu cadáver. Com o facão levantado acima de minha cabeça, golpeei e golpeei a cabeça desse maldito até sua face ficar irreconhecível e o meu corpo banhado em sangue.

Sthefani, que se arrastava para fora do banheiro, riu, bem alto, em minhas costas, enquanto cada golpe era desferido. Olhei para ela: seu pescoço estava com uma enorme marca vermelha de mão.

ha … haha … hahahaha!” Não me segurei, gargalhando tão alto junto com Sthefani, que nossas vozes até ecoava pelo quarto; “vamos sair daqui! Vamos sair bem rápido daqui!” Continuei; “você sabe que, mesmos loucos, não podemos morrer. Pelo menos, não hoje!”

Sthefani que lutava para se levantar, estava sorridente, sorridente de uma maneira sarcástica, cínica, bem natural a sua face – parecendo até uma mórbida adolescente rindo de algum humor negro na internet.

ok, príncipe! Se você está a me dizer, como poderia negar?”

Era estranho sua forma de falar, porém, naquele momento, entendi bem o que ela queria dizer. Entendia tão bem, que até imitei o seu sorriso cínico e o olhar antes de me pôr a falar também.

ainda bem que entende! Já imaginou? Morrer no início desse joguinho? Como a minha cara ficaria ao descer pro inferno? Não desejo isso, por isso vamos logo! Esse andar ficará cheio de monstrinhos canibais daqui a pouco! Por isso, ei … volta aqui! Okay então! Vou te seguir!”

Sthefani andava a passos curtos à porta enquanto ofegava e se encolhia, pondo a mão em sua costela, quase como se tivesse quebrado-a. Vendo-a desse jeito, quase como uma velhinha, me pus como cavalheiro e dei o meu ombro para ela, que riu instantaneamente de meu ato.

você é mesmo um bom cavalheiro!” Ela disse; “pena que é um cavaleiro morto! Como vai me proteger comigo em seus braços? Será que você não escuta o som dos passos? Eles estão vindo nos pegar! Pegar o nosso sangue e nossa alma!”

Olhando para Sthefani, com ela ainda em meu ombro, ri, e não apenas ri, gargalhei. De certo estava com um pé na cova, quase morto e despedaçado, porém, tinha ainda um Ás na manga. Um Ás que, com certeza, quase já havia me esquecido completamente.

me dê a arma. Mostrarei a você às minhas habilidades com esse revólver!”

Virando o corredor, um grupo de três infectados se mostrou, enquanto corriam para a minha direção, com os seus rostos rasgados e carne pálida, quase em decomposição, ensandecidos e com a boca aguada.

abra a porta da esquerda com esse cartão e corra pra cozinha com esse facão se puder. Mate qualquer coisa enquanto entro, vamos dividi-los!”

Sthefani soltou de meu ombro e correu, aparentando muita dor, para a porta enquanto, disparando três vezes, eu derrubava dois infectados. O primeiro tiro acertou perfeitamente no meio da testa do infectado da vanguarda, o segundo acertou o ombro – estava desacostumado com o coice – e o terceiro tiro no pescoço do infectado da dianteira.

Sangue e miolos foram espirrados pelas paredes e pelo chão do corredor e o cano do revólver levantava fumaça no ar frio. Olhando para os infectados que ficaram desnorteados com o tiro, entrei para o quarto rapidamente enquanto a visão fugia.

Altas doses de adrenalina subiam ao meu cérebro enquanto fechava a porta e me escondia atrás. Parecia que até que eu estive morto por tantos anos e só agora estava devidamente vivo.

[Crack]

O infectado derrubou a porta com um chute, fazendo um som terrível invadisse minhas têmporas, porém, não me desnorteei, atacando rapidamente o infectado que balançava a cabeça na escuridão, me procurando.

[Pah]

Agarrei em seu ombro, onde sangue vermelho descia compulsoriamente, e apontei para a sua cabeça. Com um tiro a queima roupa, um buraco do tamanho de um dedão apareceu em sua infecta testa, fazendo pular sangue para todo lado.

Não parei – se eu parasse, morreria – e empurrei o corpo do infectado morto em direção ao outro infectado que adentrava o local e me aproximei para atirar em sua cabeça, mas, como já sabemos – menos o eu do passado –, Sthefani já havia dado dois tiros, fazendo com que sobrasse apenas mais quatro munições que já haviam sido usadas, sem muita estratégia, para matar dois infectados.

Ou seja: quando apertei o gatilho, apenas o click da agulha foi escutado, fazendo todo o meu sangue congelar por um momento.

Morreria, eu, caso, realmente, não saísse das sombras, uma figura esbelta e baixa, com enormes olhos verdes e um rosto temperado de sangue e miolos, atingindo o infectado aturdido, com o clássico facão do meu pai.

parece que o príncipe encantado …” Disse Sthefani com um sorriso; “no fim sou eu!”

Gargalhei intensamente e quase morri gargalhando. O que nós fizemos e o que faríamos seria cada vez mais perigoso e talvez até … morreríamos …

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