Histórias de um cavaleiro: Capítulo 11

A Linha que Separa os Dois Corações, Elskerinde! ( 2 Parte Final)

 

 

 

 

O céu era coberto de nuvens escuras, nevava, pilhando neve nos telhados dos edifícios do castelo. Na sala da cozinha do castelo, serviçais a todo vapor preparavam o almoço para os homens do castelo. Encostada na parede fria da cozinha, havia uma jovem de cabelo loiro amarrado em uma longa trança, metida em um manto de pele de lobo atroz. Servia-se de uma tigela de mingau fumegante, um pedaço de pão duro como pedra.

Essa jovem de cabelo loiro não era outra se não a melhor caçadora de Ainny, Evelly filha de Jared Mestre de Caça do Castelo.

Evelly olhava com desdem o escudeiro, Sven, se engraçando com uma serviçal de nome Camila, fingindo interesse no processo da preparação da massa de pão, enquanto olhava discretamente a bundinha da serviçal.

A jovem serva apenas soltava risinho e corava como uma donzela pura. Contudo de pura não tinha nada. Essa cadela sonsa sabe usar bem seus encantos “femininos”, pensou Evelly terminando a tigela de mingau quente. Camila, está procurando um idiota promissor para se casar…

Ao dizer a palavra “casar”, sentiu um frio na barriga. Desde que soube que Adam participaria de uma entrevista de casamento, não conseguia tocar naquela palavra sem sentir um aperto no coração.

― Ah, noite passada eu sonhei que meus lábios havia sido beijado pelo jovem mestre! ― falou repentinamente a serviçal Walda, uma jovem mulher roliça cheia de sardas no rosto. ― Com aquele rosto frio e olhos penetrantes, brilhantes como sol de primavera, ele disse: “Walda, você será minha mulher! Eu te amo!”.

― kyaaaaaa!!!

As servas soltaram gritinhos animados.

― Garotas, tenho uma noticia para contar! ― falou repentinamente a serviçal de nome Bethany, uma jovem magricela de cabelo ruivo amarrado em duas tranças infantil. ― Eu ouvi uma conversa entre o senhor Dorian e um servo, dizendo que vai designar duas serviçais para cuidar do jovem mestre…Sabem o que isso significa?

As palavras de Bethany foram como um trovão em pleno dia claro. Todas servas da cozinha pararam de fazer suas tarefas, voltando seus olhos em direção a serviçal Bethany. Até mesmo a serviçal Camila que flertava com o escudeiro Sven, focou sua atenção nela.

― Bethany, o que você acabou de falar é verdade?

― S-Sim… ― respondeu a jovem timidamente, sentido todo rosto esquentar, por receber atenção de todos servos da cozinha.

As serviçais arregalaram seus olhos de espanto, fazendo caras estúpidas.

―….Mas, não é a senhora Elyse responsável por cuidar do jovem mestre? ― perguntou Camila, fazendo um rosto extremamente sério.. ― ….Agora que me lembro ele não gosta de pessoas o servindo. Uma vez tentei ajudar-lo no banho, mas ele se recusou dizendo que não se sentiria bem fazendo uma garota lavar suas costas…Ah, um mestre tão gentil!

As servas voltaram olhares frio para Camila.

As intenções de Camila eram claras como água de um lago cristalino para todas presentes.

― Ah! fiquei sabendo que a senhora Elyse deixará de cuidar do jovem mestre. Ela vai se tornar uma auxiliar direta do senhor Dorian ― disse a serviçal Walda. ― Como não há alguém apropriado para assumir o cargo de Castelão, há bastante chances dela ser a próxima governanta do castelo.

―…Então isso quer dizer que duas de nós seremos escolhidas como servas pessoais do jovem mestre?

Um silêncio estranho tomou conta da cozinha.

Era até possível sentir uma certa tensão palpável no ar – mesma tensão sentida por soldados as vésperas de uma guerra.

Até um momento atrás todas estavam brincando e rindo juntas, agora todas estão emitindo uma terrível sede de sangue após ouvir o nome de Adam! Pensou o escudeiro Sven. Que diabos aconteceu com essa garotas?

― Camila…― chamou o escudeiro Sven, numa tentativa de quebrar aquele clima estranho.

― O que você deseja? ― perguntou Camila, o encarando com um olhar de gelar a alma.

Em seu belo rosto havia um sorriso que não era um sorriso, que dizia: “caia fora”.

Sob aquele olhar frio, sentiu todo pelo de braço arrepiar-se.

Aquele era o tipo de olhar que somente predadores possuem.

― N-nada! ― conseguiu dizer, engolindo a própria saliva.

Ele terminou rapidamente seu desjejum, deixou o campo de batalha….Quer dizer a cozinha.

― Acho que a mais bela entre nós será escolhida, não é? ― declarou Camila, como se já tivesse ganhado a posição de serva pessoal.

― Talvez escolha aquelas que sejam puras…Se for assim, você não tem chances Camila! ― zombou Walda, provocando o riso de todas presentes.

― Hã?! Quem disse que eu não sou pura?! ― esbravejou Camila, cruzando os braços sobre o peito, olhando ameaçadoramente para as garotas ao redor.

Uma discussão teve inicio, transformando a cozinha em um verdadeiro campo de batalha.

Ela normalmente ficaria apenas no canto, observando as tolas serviçais em suas fantasias selvagens.

Evelly não era um donzela boba que não sabia sobre os assuntos de homem e mulheres. Quando não estava ocupada realizando suas tarefas no castelo, andava pelo vilarejo. Por sua constituição física ser parecida com a de um elfo, sua audição era bem afiada. Vagando pelo vilarejo, escutava mulheres casadas falando uma com as outras sobre suas vidas íntimas.

“Fornicar”, essa foi a palavra educada que as senhoras casadas falaram entre si, explicando o ato de uma mulher compartilhar a mesma cama de um homem, unindo seus corpos. “Trepar”, foi a palavra rude que ouviu dos caçadores fanfarrões que bebiam nas tavernas do vilarejo – contando sem pudor nenhum como deflorar donzelas.

É, das jovenzinhas sonhadoras, ouviu os delírios de encontrar seu príncipe encantado. Que teoricamente – apenas em seus sonhos – tirariam de uma vida dura de camponesas. Deliravam sobre como seria ter seus lábios beijados por um príncipe e fornicarem em uma cama de plumas, ao invés da palha dos celeiros que pinicavam suas peles.

Era exatamente deitar-se com Adam o que aquelas serviçais desejavam. A principal razão, mesmo que Evelly não desejasse admitir, era por que Adam era um garoto elegante e maduro, cheio de um charme único que não poderia encontrar em outros homens. É a segunda razão era por que ele era um nobre, deitar-se com ele era a chance de livrar-se da difícil vida de trabalho como servas.

Não amavam Adam. Eram atraídas por sua aparência, sim, mas a principal razão era a chances de melhorar suas vidas. Normalmente Evelly teria ignorados elas. Mas hoje ela estava de péssimo humor e não pode resistir a vontade de jogar um balde de águia fria nos delírios das serviçais.

― Ele jamais se deitaria com servas fedendo a esterco de ovelha ― disse Evelly com um sorriso mordaz. ― Parem de fantasiar e acordem para realidade!

A serviçal Bethany gritou *Hiiiiii* e encolheu-se, sem coragem de refutar as palavras de Evevlly.

― É quem você pensa que é para falar alguma coisa, mestiça?! ― empertigou-se Camila, olhando-a com desprezo. ― Não vá pensando muito de si mesmo só por que a Condessa permitiu gente de sua laia viver no castelo! Não importa o que você faça, nunca deixará de ser uma pária!

Evelly fuzilou ela com um olhar duro.

Não era segredo para ninguém dentro do castelo as origens de Evelly. Por ser uma mestiça, uma pária meio-sangue, desprezado tanto por humanos e elfos. Ela havia crescido com olhares de desprezo e frieza das pessoas ao seu redor.

No passado, ela e seu pai sobreviviam da caça e venda de pele de animais, vagando sem rumo pelas terras do império. Em uma de suas viagens, acabaram conhecendo a Condessa Amalia. Admirada pelo talento com arco e flecha de seu pai, estendeu a mão em ajuda, oferecendo um emprego e dignidade que nunca sonharam ter.

Mesmo que algumas pessoas não aceitavam sua presença, estava feliz por poder viver no castelo, ter algo que possa chamar de lar.

Não desejava mais nada. Não se importava em fazer amizade com as outras garotas do castelo. Estava bem sozinha. Isso até conhecer o jovem mestre da Casa MacCallum, Adam Eliot MacCallum.

Ele foi a primeira pessoa que conheceu e não a olhou com desprezo, com frieza.

Ela podia lembrar-se perfeitamente do primeiro dia que o conheceu. Daquele par de olhos dourado, sérios, brilhando com uma curiosidade voraz.

Seu jovem mestre era um raro filho de nobre que não se importava com a classe social das pessoas que o cercavam. Muitas vezes ele o acompanhava até o Vilarejo, conversando com os moradores e até mesmo ajudando nas tarefas.

Um nobre estranho, era o que Evelly pensava dele.

― Repita novamente! ― disse Evelly pousando a mão sobre o cabo da faca de caça em seu cinturão. ― Vamos repita! É talvez hoje teremos uma puta assada para o almoço!

― Você….

Camila engoliu suas palavras sob o olhar ameaçador de Evelly.

O clima dentro da cozinha se tornou estranho, com vários olhares voltado para Evelly.

― Covarde! ― bufou Evelly.

Após terminar o dejejum, deixou a cozinha.

 

 

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Mestiça, pensou ela andando pelos corredores do castelo. Já faz um bom tempo desde a última vez que alguém disse essa palavra na minha cara. Realmente, é muito frustante. Estou condenada a passar o resto da minha vida a ouvir essa palavra. Tudo, por que sou uma meia-elfa….Ah, estou de mal humor…

Ela parou, se apoiando contra a coluna do corredor, observando o pátio de treinamento. Mesmo durante o inverno os soldados eram duramente treinados pelo Mestre de Armas, Lawson.

Lawson era um homem alto, corpo robusto de pele morena, tendo quase dois metros de altura. Ele era careca, com um cavanhaque raso e uma cicatriz que cruzava seu rosto em forma de um “X”.

Tinha a imagem perfeita de um mercenário – é te fato ele era antigamente um, até jurar seus serviços a senhora de Ainny.

― Segurem essas lanças com firmeza! Golpeie o boneco de palha com toda sua força! Vamos seus inúteis! Ataque com mais vontade! Ataquem como se suas miseráveis vidas dependesse desse golpe!

― Sim, senhor! ― gritaram os soldados em uníssono.

Os soldados formavam uma fileira horizontal, diante os espantalhos, golpeando com toda sua força, gritando os mais variados palavrões.

A Condessa é um dos poucos nobres que treinam seus soldados seriamente, pensou ela. Outros senhores forneciam apenas um treinamento básico para seus soldados. Diferentes deles, a Condessa fornecia treinamento duro e aqueles com o dom de cultivar a energia da natureza recebiam o mesmo treinamento de um cavaleiro – aprendendo técnicas de transformação elemental.

Ela é uma mulher muito séria, exige muito das pessoas ao seu redor, mas é bondosa e se preocupa com o povo. Se todos nobres fossem assim, Vanaheim seria um lugar muito melhor.

― Já faz um mês desde que a Condessa deixou Ainny ― balbuciou ela, distraidamente. ― Me pergunto por quanto tempo ela ficará fora? As estradas são perigosas para viajar em pleno inverno. Mas, o que me preocupa é o fato de deixar aquele imbecil pervertido no comando de Ainny em sua ausência.

Evelly soltou um longo suspiro.

Com a partida da Condessa Amalia, Adam era senhor temporário de Ainny.

Por causa das responsabilidades do cargo que assumiu, ele não tinha mais tempo livre. Eles não poderiam ficar mais juntos, divertindo-se, caçando monstros e provocar um ao outro.

― Adam….Seu idiota… ― resmungou com as maçãs do rosto levemente corado. ― Não podia encontrar um tempo para caçamos juntos?

“Seja mais sincera consigo, criança. Lute por aquilo que deseja e não desista”, essas palavras não saiam de sua cabeça. Mas o que ela poderia fazer?

― Chamando seu senhor de idiota, ein… ― disse uma voz familiar, sussurrando em seu ouvido. ― Tal crime merece uma punição exemplar!

Evelly virou a cabeça, ficando poucos centímetros de distância do rosto de Adam. Seus par de olhos dourado a encaravam, enquanto seus lábios formavam um sorriso sarcástico.

Por um instante ela ficou paralisada sem saber o que fazer, até sentir as mãos de Adam apalpando descaradamente seus seios por cima do corsolete.

― O-ooo que você pensa que está fazendo?! ― gritou envergonhada.

― Punindo uma criminosa ― respondeu ele muito sério. ― Por sermos amigos gostaria de ignorar seu crime, Evelly. Mas, como um senhor, tenho que julgar todos com imparcialidade e justiça. Espero que me entenda, minha cara amiga. Por favor, aceite com resignação sua punição.

Imparcialidade e justiça uma ova! Gritou ela mentalmente. Desde de quando é crime chamar um idioto de idiota? Você só está querendo aproveitar-se da situação! Respire fundo, Evelly, não caia no jogo dele! Você sabe bem como esse cretino é!

― Atacar uma pobre mestiça como eu em plena luz do dia, temo que não ficará bem para sua reputação, jovem mestre ― disse Evelly, fazendo seu melhor para manter a calma.

― Não me importo ― respondeu Adam sem hesitar, olhando em seus olhos. ― É devo dizer que terei que aumentar sua punição por cometer um novo crime.

― Qual? ― perguntou Evelly, confusa.

― Por chamar a si mesma de mestiça ― respondeu apertando com mais força os gordos seios de Evelly fazendo-a soltar um gemido baixo. ― Você é aqueles tolos ignorantes falam a palavra “mestiça” como se fosse algo ruim, impróprio, maligno. Não gosto disso. Por essa razão vou lhe punir. Por favor, receba sua punição!

Ele aproximou seus lábios da orelha pontuda de Evelly, mordendo-a levemente.

― É o que todos pensam, jovem mestre…Uhhh ― ela gemeu ao ter sua orelha mordida com mais força. Ela tentou livrar-se de Adam, mas descobriu que estava firmemente presa em seus braços. ― ….Pare com isso, é muito embaraço….Todos estão nos olhando!

Adam riu.

― Ninguém está nos olhando ou ouvindo nada que acontece aqui. Preste atenção, olhe ao seu redor, vê alguém olhando para nós? Mesmo após todo seus gemidos?

Logo descobriu que Adam tinha razão.

Prestando mais atenção, percebeu que ninguém olhava para eles. Uma par de servos haviam passado por eles como se não houvesse ninguém lá. Notou também que ao redor deles, havia uma espécie de membrana translúcida e cintilante os envolvendo, ondulando, como tivesse vida própria.

― É uma técnica de transformação elemental? ― perguntou Evelly, atônita.

Evelly tinha conhecimento de técnica que permitia camuflar o usuário, mas nada daquele nível. De alguma forma, lembrava muito a habilidade de seu Mandado dos Caçadores, Gleymska – uma habilidade que pode “camuflar” de certa forma sua existência.

― É uma técnica composta pela fusão de três elementos: Vento, Yin e Yang ― respondeu Adam parando de assediar Evelly, mantendo as mãos ao redor da cintura dela. ― Pensando em como se vingar de você, por todas vezes que me atacou camuflada por aquela técnica estranha. Desenvolvi uma contra-técnica que me permite camuflar totalmente: presença, som, campo de energia mental. Não está totalmente completa, e exige uma quantidade absurda de energia da natureza. Eu nomeei de Técnica da Criação Divina: Manto do Oblivion!

(Magusgod: Oblivion significa esquecimento.)

Impossível……, pensou Evelly chocada. Adam praticamente recriou uma pseudo-habilidade do mandado dos céu e da terra em uma técnica de transformação elemental! O quão forte é sua capacidade de compreensão?

Entre os especialista era de senso comum que a habilidade de um mandado do céu e da terra, era uma habilidade transcendental, que superava técnicas de transformação elemental. Então, recriar uma pseudo-habilidade de um mandado do céu e da terra, de acordo com o senso comum era praticamente impossível.

Podia até ser um senso comum entre os especialistas, mas….Esqueceram de avisar isso para Adam.

Sempre desconfiei que ele tinha afinidade com mais de um elemento. Mas nunca imaginei que seriam três elementos! Se essa notícia vazasse para fora, todos especialistas do Império ficariam chocados.

―…Entendo, agora pode retirar sua mão da minha cintura?

― Eu não posso ― respondeu Adam calmamente. ― Se eu retirar a mão de você, ficará fora do efeito do Manto de Oblivion.

Ela suspirou em resignação.

Ficaram calados ouvindo os berros do Mestre de Armas e os xingamentos dos soldados, golpeando os bonecos de palha.

Evelly estava nervosa por estar tão próxima de Adam, sentindo as mãos dele pressionando sua cintura.

― Por que está tão quieto? ― perguntou ela, quebrando o silêncio.

Não houve resposta. Silêncio. Som do vento frio balançando as flâmulas azul com emblema do falcão branco. Som das lanças rasgando os bonecos de palha. Som das respirações entrecortadas dos soldados em treinamento, soltando vapor branco.

― Eu estou realmente surpreso ― disse Adam após um longo tempo. ― Pensei que estaria festejando por ficar longe de mim. É aqui te encontro suspirando, chamando por meu nome!

Evelly corou.

― O que faz aqui? ― perguntou ela, mudando de assunto. ― Pensei que estava ocupado demais, para poder ter tempo para assediar as serviçais do castelo.

Adam balançou a cabeça.

― Da forma que você fala de mim, faz parecer que sou um senhor pervertido. Que gasta seu tempo assediando todas serviçais do castelo.

― É não é verdade?

― Obviamente é uma mentira infundada! ― disse Adam fingindo estar ofendido e declarou com uma expressão orgulhosa: ― Eu assedio somente você, Evelly!

― Não fale essas palavras com tanto orgulho! ― protestou Evelly com o rosto vermelho. ― Sério, qual é o seu problema?!

Adam soltou um riso baixo.

― Me sinto muito melhor agora. Havia deixado o trabalho para relaxar, clarear os pensamentos. Ter o peso das responsabilidade do condado de Ainny realmente é muito sufocante ― confessou ele. ― Sinceramente, tenho admiração por minha mãe suportar toda essa responsabilidade sozinha. Por agora não sou experiente o suficiente, dependo bastante da orientação de Dorian para assuntos internos do condado. Mas, quando eu ter experiência o suficiente, ajudarei minha mãe dividindo o peso do fardo dessa responsabilidade com ela. Quero transformar o condado de Ainny em uma terra rica e prospera!

Evelly não pode deixar de rir.

― Qual foi a graça?

― Normalmente você mantém aquela expressão fria, indiferente com todos ao seu redor. Mas na verdade você é como a senhora sua mãe, sempre preocupado com o bem do povo. Pensando em como tornar a vida de todos melhores….Realmente, jovem mestre é uma pessoa extraordinária…..quando não está me assediando.

Ouvindo as palavras de louvor de Evelly, sentiu um pouco de culpa.

Na verdade estou fazendo tudo isso por mim mesmo, pensou Adam. Apesar da ameaça constante de ataque de monstros. Ainny é uma terra cheia de riquezas. Principalmente as encostas da cordilheira Navac. Lá existe várias minas abandonadas, uma vez que seja exterminado os monstros que transformaram as minas em covil, seria possível retomar as atividades de mineração.

Essa era apenas uma das ideias que Adam tinha para fazer o condado de Ainny mais rico e próspero. Quando mais próspero for Ainny, mais dégraus Adam irá subir na cadeia alimentar da vida.

― Não faço pelo bem dos outros, mas pelo meu próprio bem ― confessou Adam. ― Sou uma pessoa egoísta que pensa apenas em meu próprio conforto.

― Não é o que me parece ― retrucou ela. ― Antes de viver em Ainny, eu e meu pai vagamos pelas terras do império, conhecendo todo tipo de pessoas. Uma pessoa egoísta, não respeita outra pessoa. É faz por todos meios, sujos ou lícitos, para cumprir seus desejos. Eu estou sempre te observando, jovem mestre. Nunca te vi utilizando seu status como nobre para pisar ou abusar de outra pessoa. Pelo contrário, você as ajuda sem esperar por nada em troca. Se você é uma pessoa egoísta, então o que eu seria?

Ele ficou em silencio, surpreso, por ver ela falando com tanta seriedade.

― Acredito que a palavra “ambicioso” em um sentido positivo, combina mais com você…Por que está me abraçando!

― Não há uma razão ― sussurrou Adam com uma voz de veludo, abraçando ela por trás com mais força. ― Simplesmente quero te abraçar. Não posso?

―…V-você não pode…. ― respondeu ela. Seu tom de voz carregava hesitação. ― Não podemos, simplesmente não podemos….. ― seu corpo tremia. ― Você sabe muito bem o por que, eu sou uma….

― Será que não podemos simplesmente esquecer nossos status e sermos apenas duas pessoas normais? ― pediu Adam, interrompendo-a.

Evelly vivia o provocando e brincando, mas Adam sabia bem que ela mantinha uma certa distância, uma linha que separava os dois. Sabia bem a razão por ela não querer cruzar a linha que os separava – ele era um nobre e Evelly tinha o status pior do que um plebeu, era uma mestiça.

― Não há como esquecer que jovem mestre é um honrado nobre, e eu uma pária, cujas veias corre o sangue de uma mestiça ― disse ela mordendo seus lábios. ― Nada no céu e na terra poderá mudar esse fato!

― São apenas rótulos! ― gritou ele, numa rara explosão de raiva. ― O sangue que corre por minhas veias e o mesmo que o seu! A mesma cor de sangue que corre nas veias de um camponês! “Nobre”, é apenas um título, um rótulo qual as pessoas dão poder! O que as pessoas nos rotulam, não muda o que somos por dentro! Sua imbecil!

Evelly ficou paralisada após ouvir as palavras revolucionarias de Adam, como se houvesse sido atingida por relâmpago. Cada palavra reverberava em sua mente, fazendo seu coração bater freneticamente, apagando lentamente a linha divisória que separava eles.

― “Mestiço” ― continuou Adam, agora mais calmo. ― É um rótulo que impuseram naqueles nascidos do fruto de um relacionamento humano com seres de outras raças. Mas, eu lhe pergunto o que há de errado em ser uma mestiça?

Evelly virou-se para frente, o encarando boquiaberta, incapaz de responder.

― Quem é a melhor caçadora do condado? Quem na porcaria dessa terra é mais bonita do que você, Evelly garota dos olhos verde pálido e cabelo dourado? Se você é incapaz de responder, eu respondo: ninguém. Não existe outra mulher em todo Condado que supere você, uma mestiça, uma pária aos olhos dos homens!

Em toda sua vida, era a primeira vez que não sabia o que fazer. Ela sabia como enfrentar o preconceito das pessoas. Sabia como sobreviver em um mundo hostil e usar a violência quando necessário. Mas, nada em sua experiência de vida era útil naquele momento.

Ela havia sido reconhecida por outra pessoa, tratada como uma igual e não um ser inferior.

A linha traçada estava sendo apagada, desaparecendo em partículas de luz com cada palavra.

― Se ainda não entendeu, para deixar claro para uma cabeça de vento como você: eu só te assédio por que você é a melhor!

Seu coração bateu freneticamente, o chão despareceu sob seus pés e agora tudo que restava era aquele garoto de olhos dourados e cabelo loiro cinzento. Todas questões que afligiam sua mente despareceu com aquelas palavras mágicas. Nada mais importava.

De repente aquele mundo melancólico de neve parecia cheio de vida e cores.

Lentamente, seus braços trêmulos envolveram o pescoço de Adam, afundando a cabeça dele contra seus seios. Filetes de lágrimas desceram por seu rosto, molhando o manto de pele que envolvia Adam.

―…Seu idiota, não havia palavras melhores do que “assédio” para me cortejar? ― resmungou ela, soluçando. ― Sério, não há mérito em me ter….Há deméritos, muitos….

― Novos rótulos dão lugar a velhos rótulos ― disse ele num tom afável. ― O valor que você tem logo será notado pelas pessoas ao seu redor, mudando gradualmente seus pontos de vista. É apenas uma questão de tempo. Agora sobre os méritos e deméritos, posso lhe assegurar que só há méritos em me relacionar com você.

― Quais?

― Eu gosto de assediar você, Evelly ― respondeu Adam, sorrindo largamente. ― Por essa única razão é o suficiente para mim.

― Simples assim? ― questionou ela.

― Simples assim ― concordou Adam, entrelaçando sua mão com a mão de Evelly. ― Vamos deixar esse lugar ― disse ele, levando-a em frente. ― Não posso manter o manto do obvilion por muito tempo. Vou te levar para um lugar especial!

― Lugar especial?

― Sim, há um local que podemos ficar sozinhos.

―…Mas….É suas responsabilidades? ― perguntou Evelly, preocupada.

― Antes de fugir…Quero dizer fazer uma pausa no trabalho, deixei uma mensagem para Dorian assumir meu lugar e cuidar dos assuntos pedentes. Tenho todo dia livre.

―….Entendo…. ― murmurou ela. ― O que vamos fazer nesse “lugar especial”?

A sugestão de um sorriso repuxou o canto de seus lábios.

Os olhos de Adam eram iguais aos olhos de um lobo olhando para um cordeiro.

― Você semeou karma entre nós, agora minha cara Evelly, finalmente chegou a hora de recolher o karma plantado. Você agora será minha Elskerinde. Não fugirá de sua responsabilidade comigo, certo?

Evelly não pode evitar de estremecer ao ouvir a palavra “Elskerinde”. Era um termo antigo para chamar outra mulher de sua amante. Uma mulher de bom nascimento, ficaria ofendido por tal palavra. Mas para Evelly que jamais esperou receber amor de outra pessoa, aquelas palavras eram uma declaração de amor.

―….Em breve você participara de uma entrevista de casamento… ― disse Evelly. Sua voz tremia.

― Sim, e provavelmente terei a filha da Casa Sunagham como minha noiva ― admitiu Adam. Eles pararam no corredor que levava para 3º Torre. ― Mas, é dai? É apenas meu dever como um MacCallum. Não há amor. Somente desejo o benefício que essa união irá trazer para casa MacCallum.

Adam empurrou Evelly contra a parede gelada, aproximou seu rosto ao dela.

Seus lábios estavam poucos centímetros de distância um do outro.

―….Eu sou uma pessoa egoísta, Evelly ― continuou Adam, aproximando ainda mais seu lábios. Podia sentir a respiração quente, as batidas frenéticas do coração dela contra seu peito. ― Eu te desejo. Quero tudo que você é, apenas para mim. Exclusivamente para mim. Por todos meios. Por todos modos….Minha bela e formosa, caçadora dos cabelos loiro e olhos verde pálido.

A voz de veludo de Adam era como uma canção hipnotizante. Entrando em sua cabeça, demolindo todas suas defesas, dominando seu coração e subjugando sua alma. Era uma doce e tentadora canção que deixava claro seu intenso desejo por tê-la.

Quando ela voltou a si.

Quando procurou por palavras para tentar expressar suas emoções.

Seus lábios já havia sido selado, beijado por Adam.

O dia estava amargamente frio, mas naquele beijo de Adam, sentia o calor de mil lareiras.

Um beijo que valia mais do que qualquer palavra. Um beijo apaixonante, dominador, que deixava claro sua personalidade e verdadeiros sentimentos. Um beijo que dizia: “você é minha”.

Eu sou sua, pensou ela entrelaçando sua língua com a de Adam. Rendendo-se aquele agradável calor que surgiu dentro de seu amago e movia seu coração.

― Sou sua, Adam ― disse ela, após separar seus lábios, ofegante. ― É que o mundo vá a merda!

― Que o mundo vá a merda! ― repetiu Adam bem humorado. ― É agora vamos para meu lugar especial. Temos contas para prestar um para o outro.

Evelly assentiu e deixaram o castelo, chegando até o lugar especial de Adam.

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