Histórias de um cavaleiro: Capítulo 9

Magusgod: Desculpem a demora para postar histórias de um cavaleiro. Havia falado que postaria ontem, mas não deu tempo.

Avisando, mudei a descrição da personagem Evelly. A descrição dela no capítulo 3 foi mudado, ao invés de humana agora é uma meia-elfa.

Até o fim da tarde postarei 4 capítulos de história de um cavaleiro. Que todos tenham uma boa leitura 🙂

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Intermissão

 

 

Ano 1664 do Calendário Imperial. 06º Mês (Inverno), Dia 27

 

 

O dia era cinzento e os primeiros flocos de neve caia do céu, tingindo o mundo de branco. De frente ao estábulo, escudeiros ajeitavam a sela dos cavalos de seus senhores e faziam outros preparativos para viagem até a capital do Império. Um jovem de cabelo loiro cinzento, metido em um gibão preto de veludo sob um manto das cores da Casa MacCallum. Andava ao lado de uma jovem alta envolta por um manto de peles, cabeça escondida por um capuz deixando visível apenas seus olhos verde pálido.

Eles eram outro se não Adam e Evelly.

Andando em meio aos flocos de neve, passaram por mulheres despedindo-se de seus amantes, crianças chorosas agarrando-se ao seus pais. Entrou nos estábulos, parando diante aquela mulher de cabelos negros, sempre com uma postura disciplinada, olhando para tudo e todos com aqueles olhos penetrantes, sérios, mas quando ela o olhava, aquele olhar sério se transformava em um olhar cheio de amor.

Mãe, pensou Adam naquela palavra que sempre lhe foi estranha em sua vida passada. Ele havia sido criado em um orfanado, então desconhecia o que era ter uma mãe e pai. Eu não conheço meu pai, talvez esteja morto. Mas, tenho uma mãe. Apesar de muitas vezes ser rígida, ela faz tudo por meu próprio bem.

Por tudo que ela já fez por ele, era impossível não sentir seu coração quente.

A Condessa acariciava o pescoço de seu corcel de batalha – um garanhão de pelo negro-azulado de crina branca, um cavalo de raça criado nas terras altas e montanhosas da região norte do império.

Seu nome era Vento Bravo.

Em comparação aos outros corcéis de batalha, Vento Bravo era maior e mais forte. Tinha um ar intimidante que faltava nos outros de sua espécie. Com aproximação de Adam e Evelly, Vento Bravo relinchou, soltando vapor por suas narinas.

― É uma bela montaria, mãe ― disse Adam com um olhar cheio de admiração. ― Quando terei o meu próprio corcel de batalha?

A Condessa virou-se em direção da voz de seu filho.

Ele já é quase um homem feito, pensou a Condessa analisando-o. No último mês havia passado todo tempo o treinando, acompanhando seu progresso rápido. Não havia mais quase nada que poderia ensina-lo sobre técnicas de transformação do vento. Adam poderia ser considerado um verdadeiro perito. Na sua idade eu treinava dia e noite para dominar a técnica de saque rápido, Assobio da Morte. Mas, esse pequeno domina essa técnica complexa com tanta maestria, que faz me sentir um pouco frustada.

No tempo que passou treinando Adam no salão subterrâneo secreto, colocando-o em seu limite em suas batalhas simuladas, descobriu que seu filho era mais forte do que imaginava.

― Quando você completar quinze anos de idade, de acordo com os costumes de nossos ancestrais, vou te presentear com uma bela montaria ― respondeu a Condessa, pousando a mão enluvada na cabeça de Adam, acariciando seu cabelo. ― Filho, dessa vez ficarei um longo período fora. Infelizmente não vou poder estar ao seu lado durante a entrevista de casamento. Mas estarei torcendo por você, faça seu melhor filho!

De repente sua expressão tornou-se um pouco rígida ao ouvir aquelas palavras. A Condessa ficou perplexa por um instante com a reação de Adam, até pousar seus olhos sobre a jovem caçadora meia-elfa que na grande parte do tempo estava ao lado dele.

Ele se importa mais com ela do que admite, pensou a Condessa. Eu havia dito para seguir seu coração, mas ao invés disso ele escolheu seguir um caminho que lhe vai render arrependimentos no futuro. Por mais que deseje realizar ambição de nossos acentrais, você não pode sacrificar suas emoções….Não pode cometer o mesmo erro que eu cometi….

A Condessa queria dizer aquelas palavras para Adam, mas não conseguia.

As palavras estavam presas em sua garganta.

― Evelly, continue cuidando de Adam por mim ― foi o que ela conseguiu dizer, acariciando com ternura o rosto da jovem caçadora. Então, a Condessa abaixou a cabeça e sussurrou em seu ouvido: ― Seja mais sincera consigo, criança. Lute por aquilo que deseja e não desista.

― Sim, senhora! ― disse Evelly, com as maçãs do rosto avermelhada. ― Vou fazer meu melhor!

A Condessa sorriu em resposta.

Seu olhar varreu os arredores, vendo seus cavaleiros juramentados e aqueles soldados que juraram dar sua vida por ela. Estavam prontos para partir, em seus olhos havia apenas determinação, mesmo sabendo dos perigos que poderiam enfrentar.

O caminho que seguiremos agora será repleto de perigos e armadilhas, pensou a Condessa com um sorriso amargo. O campo de batalha dessa vez é a capital imperial. Homens que deviam juntar as mãos e trazer paz e prosperidade para o império, por causa de sua própria ganância esquecem de seus deveres e voltam suas espadas contra o império. Tudo será resolvido até o fim do ano. Glória para os vencedores, desgraça para os perdedores. Tudo ou nada!

― Mãe, vou com você! ― disse Adam, tirando-a de seu devaneio. ― Eu sou forte, posso….

― Não, seu dever é permanecer no castelo! ― gritou a Condessa num tom duro. Por um longo tempo houve silêncio, até ela baixar o tom de voz e falar suavemente: ― Ainda não é a hora certa de você ir para a capital imperial.

― Não é a hora certa? ― questionou Adam, erguendo uma das sobrancelhas.

― Um dia vou lhe contar tudo, mas ainda não é o momento certo ― disse a Condessa, desenhando um sorriso amargo. ― Me perdoe, filho.

― Não há nada para ser perdoado ― disse Adam, quebrando sua expressão séria em um doce sorriso. ― Você tem seus motivos. Seria infantil de minha parte ficar chateado por essa questão.

― Você é apenas um adolescente! ― resmungou ela. ― Deveria ser menos racional e ser mais infantil. Caso contrário como poderei exercer meu papel de mãe?

Adam riu.

― Essas são as palavras que uma mãe deveria dizer para um filho? ― brincou Adam, rindo como um adolescente de sua idade deveria rir.

Mãe e filho conversaram casualmente, até chegar a hora de partir. A condessa conduziu Vento Bravo pelas rédeas para fora do estábulo. Antes de montar, retirou a luva de cavalgar e tirou de seu dedo um magnifico anel.

O anel era uma obra de arte. Forjado a partir algum tipo de cristal desconhecido. Parecia um fragmento da lua, cintilando com uma luz fantasmagórica. Sua superfície era esculpido com uma imagem vivida de um imponente falcão de asas abertas no topo de uma árvore: sobre sua cabeça havia uma coroa, sobre as asas estavam uma miríade de estrelas. Seguido por uma fileira de runas antigas que pareciam sair do anel e dançar no ar.

Adam foi arrebatado pelo majestoso anel.

Os olhos espirituais de Adam podiam ver um fluxo estranho de poder dentro do anel. Um poder antigo, arcaico, algo fora desse mundo.

― Mãe esse anel…..

― É o Anel de Hraelsveg, a Águia que fica no topo da Árvore do Mundo ― explicou ela ao dar o anel para Adam. ― Há uma longa história por trás desse anel, que vou lhe contar em um momento oportuno. Posso dizer que o Anel de Hraelsveg é mais do que um simbolo do senhor de Ainny.

Adam pegou anel com as mãos trêmulas e ergueu contra a luz cinzenta daquele dia de inverno. A inscrição rúnica cintilou uma luz sobrenatural e flutuou para fora do anel, dançou no ar e fluiu para os olhos de Adam

―….Konungur himins, örninn, sem situr ofan á heimsins tré. Silent Sentry heimi. Augu hans fylgjast bæði menn og guði ― disse Adam recitando a inscrição rúnica e depois falou no idioma comum: ― O rei dos céus, a águia que fica no topo da árvore do mundo. Sentinela silenciosa. Olhos que observam e julgam homens e deuses.

Após ler as inscrições rúnicas, Adam encarou sua mãe com perplexidade.

Havia muitas perguntas em sua mente. Sabia que o Anel de Hraelsveg escondia algum grande poder, por que nem seus olhos espirituais concedido pelo Senhor da Luz, Metatron, podia ver os segredos contido no anel.

―….Mãe….

― No período de tempo que eu ficar fora, você tomara meu lugar! ― falou a Condessa, interrompendo-o. ― Coloque o Anel de Hraelsveg e assuma o manto da responsabilidade!

Adam hesitou por um breve instante, mas acabou aceitando essa responsabilidade. Ao colocar o Anel de Hraelsveg em seu dedo, sentiu uma mudança misteriosa invadir seu corpo e elevar sua alma. Alguma coisa dentro dele havia mudado, mas ele não sabia ao certo o que mudou.

― A partir de agora você é o senhor temporário de Ainny ― disse ela, montando Vento Bravo. ― Dorian irá te auxiliar nos assuntos interno do território e deixarei Sir Frederick para te proteger e auxiliar nos assuntos de guerra.

A Condessa já havia falado com Dorian e Sir Frederick sobre deixar Adam como governante temporário de Ainny até seu retorno. Além de ficar de olho em Adam para que não cometa erros, ou abuse de seu poder como senhor, seriam seus avaliadores – um teste para saber que tipo de governante será Adam.

Seus cavaleiros juramentados, carregando estandartes da Casa MacCallum, se alinhava em uma coluna bem disciplinada, seguido por homens armados, prontos para uma guerra.

― Não me decepcione, filho ― disse a Condessa, trotando gloriosamente até a formação.

― Não irei te decepcionar, mãe! ― respondeu Adam sem hesitação. ― Quando retornar, encontrará uma Ainny mais rica e prospera. Essa é minha promessa com você, mãe. Juro pela honra da Casa MacCallum!

― Mal posso esperar por ver essa Ainny mais rica e prospera! ― gritou a Condessa, instigando Vento Bravo seguir em frente. ― Que os Deuses te protejam filho! Vamos, meus honrados cavaleiros, temos um longo caminho até capital imperial!

― Sim, senhora!

Seguido por gritos e o som dos cascos golpeando a terra, passaram pelo portão do castelo, deixando para trás aqueles que amavam.

O destino empurrava a Condessa em direção a capital imperial, para uma batalha que não desejava lutar, para uma pessoa que não desejava ver. Tudo que ela desejava era permanecer em Ainny, cuidar de suas terras e viver ao lado de seu querido filho.

Era tudo que Amalia desejava……

……É era tudo que ela jamais poderia ter.

Por ser quem eu sou, por Adam ser filho daquela pessoa. Não haveria paz para nós. Não até que todos aqueles que desejam nosso mal estejam mortos. Banhando o aço frio da espada com sangue de nossos inimigos.

Não por honra. Não pelo império. Não por aquele homem. Mas sim por seu filho. Tudo por ele. Para que tenha uma vida de paz.

Seu destino era lutar e lutar até morrer pela espada.

Morrer em glória e ser levada para o salão dos mortos dos deuses, Valhala.

Esse era o destino de todos guerreiros e amazona.

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