GartenGüt (O jardim dos deuses)!

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Capítulo VII – O meio da linha!

XXI – A doce Halsher’drin que derramava vinho em seus lábios (Segunda parte)!

Após August sair dos campos de trigo, ele se dirigiu de volta a tenda de seu isä.

Aquela ida até o agrótes não tinha muitos objetivos inicialmente, porém, após perceber que esta questão não seria tão simples quanto aparentava inicialmente, August decidiu não desperdiçar passos, de todo.

Então, seguindo esse pensamento, ele se dirigiu de volta a tenda de seu isä, com o objetivo de se armar, ou algo do tipo.

esse menino!

Chegando lá, ele encontrou o mesmo menino pequeno (que se agarrava no vestido de seda daquela bela halsher’drin tempos antes) sentado num baú ao lado da entrada, com um rosto meio cabisbaixo. August, tentou ignorá-lo, mas a existência do mesmo havia se tornado uma incógnita irritante que logo deveria ser desvendada.

ei menino – August perguntou, então, com um sorriso – o que você está fazendo aqui?

Porém o menino não respondeu. Apenas olhou para August, fazendo um rosto assustado desfigurado, que mostrava, em seu olhos, um terrível pavor.

o que há? – August perguntou novamente, ficando um pouco mais apreensivo com aquela pequena figura em sua frente.

você pode me vê? Você realmente pode me vê? – O menino disse, enquanto um suor gelado caía de sua testa, mostrando o nervoso dos seus lábios que tremiam intensamente – não, não, não!

O menino então desapareceu dentro da tenda circular, fazendo August observar, cinicamente, a situação, enquanto invadia a tenda dizendo alto:

isä’hem, estou de volta!

A tenda, no entanto, estava rudemente silenciosa, como o mesmo já havia previsto.

Ele decidiu então atravessar o ambiente, se dirigindo a uma parte, oposta a mesa onde jantara horas antes, em frente a um biombo de madeira detalhado com flores em relevo, mostrando algo que deveria ser um quarto.

August não invadiria a privacidade de qualquer pessoa em situações normais, mas dado o silêncio, ele não se impediu de, bruscamente, fechar o biombo e encarar uma das imagens mais assustadoras que ele talvez já houvesse visto: seu isä, babando como uma criança, no colo daquela misteriosa halsher’drin, que olhava pra ele com um terrível ódio disfarçado.

o que você fez com ele? – August perguntou.

nada de todo, ele apenas dorme em meu colo … – e a halsher’drin respondeu, com um sorriso que ia de ponta a ponta.

acredito em você, porém sei que mente bastante. Acho que, no entanto, você mente desde que se via como gente – August continuou, seguindo o ritmo da mulher em sua frente que se calava enquanto dirigia seus olhos ao solo, como se passasse por memórias distantes com o mesmo sorriso imutável.

como você consegue ver minha sombra? – ela preferiu se esquivar com uma pergunta – apenas os que são capazes de manejar o Flutcher que podem ver as sombras de outrem. Vê a minha com tamanha nitidez prova que você é um mestre.

August fez uma cara de interrogação, ele havia nascido desde o começo com os povos nômades, sendo impossível para ele discernir o que aquela fatídica nainem falava.

eu não entendo bem o que dizes – ele começou, com um rosto em dúvida – porém, independente do que for, essas partes são bem particulares do que os shidten sabem, não nós, Varbenênts.

se você não é um mestre – a halsher’drin também falou, com um sorriso – então é uma criatura mágica. De todas as formas, será perseguido se me denunciar.

essa ameaça não é nada para mim, nasci dos raios, os Hilikómenus e o Dürg’hem do clã sabem que não sou uma existência simples – Com um riso, August então terminou, intensamente, enquanto olhava vagamente para aquela Halsher’drin, que também o observava, com o mesmo sorriso inicial, como se, por trás da face, guardasse ocultos pensamentos.

isso é uma mentira … – ela respondeu, desconfiada.

olhe para mim, sou pálido como um fantasma, meus olhos são avermelhados como de um morto, mas, mesmo assim, lhe aparento belo? Será que os seus sentidos não estão sendo influenciados por algo?

E assim o sorriso se desfez. O que August acabava de falar tinha um sentindo inexplicável, fazendo-a parar, por um momento, e pensar, profundamente na questão, enquanto acariciava, ameaçadoramente, os cabelos desgrenhados e sujos de FünderBae, que pinicava em suas pernas.

você é uma criatura mágica então? O clã te aceita? Do que isso vale! Todos esses bárbaros são frágeis! Morrerão pela minha mágica! Então poderei ir e vir sobre esses campos como bem quiser, não me importo com suas ameaças! – o sorriso voltou, porém sem a mesma essência inicial, aparentando mais um desespero cocho.

Vendo isso, August riu!

Ha Ha Ha! Você não é uma boa mentirosa!

A halsher’drin, no entanto, não desmanchou o sorriso vicioso.

duvida de mim?

duvido! – August então respondeu, atacando diretamente com a única lógica em sua mente – Se pudesse tal, não se prostituía nesta tenda em busca de dissimular meu isä. Nem você e nem os poderosos por trás de você, que desejam, por algum motivo essas terras desoladas!

não pense que adivinhara tudo! – A halsher’drin, com a resposta, irritara-se e gritara, como se alguém cutucasse sua ferida com um garfo.

mas eu adivinhei! – August continuou, percebendo a fragilidade da mesma – O seu falso Reino de Sempre Outono deve ser o mesmo reino que invadiu as bordas da planície durante a grande seca, que terminava dez anos atrás.

A halsher’drin desmanchou o sorriso, mais uma vez, percebendo seu blefe ruindo com as águas. Ela não imaginava bem o que se passava na cabeça de August, mas entendia que talvez pudesse vir a morrer ali, naquele dia, com todas as contrarrespostas que vinha do mesmo.

muito perspicaz de sua parte, jovem – ela disse, tentando disfarçar sua ansiedade.

eu não tenho méritos em tudo, já que a resposta foi praticamente dada pela senhora! – ainda na malícia, August disse, fazendo os belos olhos castanhos daquela halsher’drin quase saltar de sua órbita ao perceber …

eu sou muito burra … – ela disse, a si própria, em autopiedade – morta por me precipitar.

hoho! Mas quem disse que a senhora morrerá? – August, com um sorriso, terminou, fazendo, outra vez, aquela bela mulher se surpreender.

você não me matará? Então o que deseja de mim!? – ela perguntou, ainda acariciando os cabelos de FünderBae.

quero uma aliada, ou pra ser exato, uma espiã! – August respondeu, pondo a mão naquele belo biombo, à se equilibrar.

vou te decepcionar, já que não recebo informações nenhuma dos meus aliados … – ela respondeu, balançando a cabeça.

eu não preciso disso, preciso de desinformação.

desinformação?

você enganará seus próprios aliados por mim.

e o que eu ganho?

primeiro terá sua cabeça mantida sobre o seu pescoço! Sobre o resto, apenas o futuro dirá.

e FünderBae?

eu convenço ele, não se preocupe. Seu papel será tão importante para as minhas futuras missões diplomáticas, que eu posso gastar algum esforço para te safar e, talvez até, te dá uma vida suficientemente boa pra se viver, um dia.

isso é tentador, pena que vocês bárbaros me dão nojo!

August se calou, aproximando-se lentamente daquela mulher com respiração arfante que o olhava odiosamente e curiosamente, mantendo um rostinho cínico que tanto combinava com sua beleza.

e eu te dou nojo? – A face de August estava tão próxima, que ele até mesmo poderia roubar-lhe um beijo, em sua latência dispensada.

não, você me assusta! – a halsher’drin disse, enquanto cuspia na cara de um August que fechava o cenho.

Fairy d’Bargeton: Aprendiz mágica. Atualmente sob enorme pressão. Resistindo ao efeito de charme. Ponto fraco – força, maldições e venenos. Ponto forte – natureza mágica, trevas, confusão e charme.”

August viu a janela que apareceu diante de seu olhos e, com um sorriso, agarrou o rosto da mulher em sua frente, fazendo o mínimo de pressão, enquanto a mesma mordia sua palma.

fada do Bargeton? O que é isso, uma escola de magia? – August disse, enquanto mantinha a expressão, assustando a halsher’drin em sua frente.

hum hum hum – ela respondeu, babando a mão de August.

bela resposta, mas não me importa de todo – August disse enquanto olhava para a nainem – você me matará logo em seguida, eu vejo.

August então fez algo do qual ele não havia feito à três meses: retirar de suas mãos a espada do escolhido, que fluía pra fora de seu corpo com um brilho cegante.

A halsher’drin viu com os seus olhos, que preferiam ser cegos, a espada que se mostrava em frente dela, com diversas runas complexas escritas, uma ao lado da outra, como uma enorme tatuagem pulsando numa cor azul-celeste.

August pressionou, apenas um pouco, no pescoço dela, fazendo uma tímida lágrima carmesim fluir para fora.

Fairy d’Bargeton naquele momento sentiu um medo inexplicável, sendo este, no entanto, não pela sua vida, sendo, realmente, por ver, naquele em sua frente, um sentimento divino inexplicável.

August retirou sua mão úmida do rosto daquela halsher’drin apavorada, vendo a palidez que se mostrava com um sorriso.

o que é você? – Disse, a nainem, hesitante.

seu mestre! – Terminou August com um sorriso.

XXII – As vozes das noites claras!

Durante aquela tarde, ele continuou conversando intensamente com aquela espiã shidten chamada Fairy d’Bargeton, principalmente revelando suas intenções como sorim’hem e os seus planos pro futuro dentro da Dorf’Verbant.

No fim, ele apenas pegou um arco e uma aljava de flechas e saiu da tenda, sem duvidar de sua atual sócia. Ela odiava os Varbenênts, porém, odiava mais aqueles que a prostituíram dentro de terras distantes por motivos ocultos, como August já entendia.

ela não vai me trair enquanto não for do interesse dela! – ele pensou – porém, acho que devo ter um controle das informações … não, acho que isso seria dá um tiro no próprio pé, porém creio que preciso manter algum controle sobre ela …

August andou até próximo a um lago que existia atrás da Dorf’Verbant, na encosta da montanha, e se deitou entre as lavandas altas e azuis que se estendia na margem. Lá, ele dormiu, sem camisa, com apenas um arco e um short esfarrapado.

O dia havia sido intenso, totalmente, onde, mal chegado de volta em seu lar, ele já encontrava diversos problemas irritantes, como, por exemplo, uma espiã e uma questão a resolver. Por mais que no fim fosse do desejo dele, todas esses atos acabaram drenando um pouco de suas energias.

Um descanso, então, seria mais do que necessário.

*

Noite.

August saía das altas lavandas banhadas pelas estrelas em direção a uma caverna do outro lado do lago, onde, pelas informações obtidas, havia um grupo de bandidos.

Com um mapa mental desenhado com palavras, ele sabia mais ou menos como encontrar aquela caverna, fora dos limites das autoridades Varbenênts do Clã Fünder.

tão perto, e tão longe. Aparentemente toda sociedade tem um buraco do qual as maldades se escondem! – August riu, observando sua própria situação com um sorriso, enquanto encontrava o que parecia ser a entrada da caverna.

Vendo tal, ele se escondeu ao lado de uma moita, enquanto observava, esperando pra surpreender de lá. Ele, aparentemente, planejava tal a algum tempo.

você tem certeza disso Marckus? – disse alguém que saía da escuridão da caverna – você quer mesmo fugir daqui? Você realmente quer negar quem você realmente é? Vamos viver no sudeste, no Clã Êté, não vamos além.

August que observava de longe, viu das sombras uma linda menina de pele tão branca quanto a neve e cabelos loiros esvoaçantes. Ele, sem muito pensar, já adivinhava quem era.

quando o seu pai vier, se vier, e me vê, ele não vai desistir de tentar nos matar! – respondeu o menino chamado Marckus que era tão belo quanto a menina, carregando um belo tom negro de pele e um corpo grande e musculoso.

ele pode não te aceitar, mas … – a menina olhava para o chão, nervosa, enquanto completava – quando me ver, deverá no mínimo aceitar.

você é muito boa! – Marckus respondeu num grito – por esta te amo! Oh, se eu apenas não me amaldiçoasse no passado poderia ficar aqui, com vós, cuidando da terra, do seu pai, de nossos filhos … – Marckus virou então o rosto, em vergonha, e terminou – por que me amas no fim das contas mesmo?

porque você é você … – a menina então respondeu, com um sorriso florido que o fez tremer de todo.

isso – Marckus, que chorava sem saber ao menos como responder, se aproximou da garota, pra abraçá-la e talvez beijá-la, porém um grito o interceptou:

desculpe atrapalhar o casalzinho, porém eu vim aqui te resgatar, bela nainem!

O casal arregalou os olhos em direção August que aparecia carregando um arco.

quem é você! – Marckus reagiu.

seu pai ficou preocupado com você, bela nainem. Bandidos malvados a pegaram e ele entrou num estado de depressão. Até me deu um saco de cobre pra te resgata, oque, para um agrótes, deve significar uma renda de, pelo menos, um mês.

August, que tinha alguma inteligência, sabia bem como atingir o coração das pessoas em poucas palavras. Isso desde a juventude, onde a doença o impossibilitava lutar com as mãos nuas.

Então fazer chorar uma menina frágil como aquela em sua frente era tão fácil quanto respirar, sendo que nem mesmo uma emoção partia de seus olhos à vê-la desabar.

o que você está falando? Está maluco! – Marckus gritou, enquanto compartilhava seus braços com aquela bela nainem de olhos úmidos.

não, não … ele está certo … essas coisas acontecem, porém é minha felicidade que está aqui … você não entenderia.

eu entendo, jovenzinha egoísta, mas a questão não é essa – August respondeu, num desdém pertinente – seu pai pagou as economias do mês a mim pra te buscar, logo, devo te levar. Não reclame de tudo.

A menina em sua frente tremeu com as palavras enquanto Marckus apertava-a com mais força em seus braços.

não posso ir, eu o amo!

que vá, mas vá apenas quando eu te resgatar.

você é uma escória.

disse a menina que faliu o próprio pai pra fugir com um amante. Seu pai está a dois passos de colocar uma corda no pescoço e mesmo assim agarra-se nos braços deste.

A menina estava palidecendo, e as lágrimas mantinham-se fluindo para fora enquanto Marckus mordia os lábios, tendendo a raiva.

você não a levará – Marckus respondeu, então, por fim – como um guerreiro, não permitirei.

um falso nomeado como ti, desafiando-me? – August, por fim riu – não basta de vergonha ao clã e a tudo que representamos?

de vergonha conheço, mas farei de tudo pra não me envergonhar mais!

fará isso fugindo de seu clã como um errante junto a filha de um inocente agrótes?

Da boca de Marckus, em sua frente, o silêncio constrangedor.

As verdades que fluíam de August marretava o seu peito, desregulando sua respiração, forçando-o a se calar como uma ovelha em frente ao porco mandante.

façamos o seguinte – continuou August com um sorriso – te levo de volta ao seu pai, onde tu, ou melhor, vocês, contarão a verdade ao pobre agrótes. Sobre a resposta dele, bem, isso não importa muito, além de que não me importo muito, de todo. Porém, creio que todo esse draminha chato acabará se vocês concordarem com isso, estou certo?

Na escuridão, o casal se calou, enquanto olhavam um para o outro, tentando vê dos olhos de cada a resposta silenciosa que davam.

já que é assim, ótimo!

XXII – Fracassos Camaleônicos!

Em frente ao quadro de avisos, outra vez, August via as missões que se mostravam.

Sem nenhum aviso sobre sequestradores, ou algo do tipo, ele suspirou.

e pensar que tudo que eu fiz foi desperdiçar o meu tempo …

No dia anterior, August havia reunido uma família, simplesmente, observando as choradeiras e abraços, tão comuns dessas cenas emotivas, com desprezo.

Nessa, ele descobriu alguns fatos inúteis, com a história de Marckus, que é um filho de agrótes que havia tentado a vida como mercenário fora do Clã a algum tempo atrás, além de um apaixonado que voltou de sua vida de vergonhas para levar sua amada para Narny’tsöl, ou algum lugar distante, sendo este o filho daquele agrótes que havia avisado August, melancolicamente, no meio dos campos de trigo, em frente a tenda de Od. Sua vida não havia sido emocionante, ou interessante. Ele apenas lutou em uma campanha rápida entre alguns Clãs e saqueado algumas caravanas, sendo que a coisa mais emocionante de sua vida tenha sido o fato de ter adotado um nome por ele mesmo, sabe, ter construído sua própria identidade em sua revolta interminável.

No fim, a questão não foi nem um pouco emocionante e talvez até a det’ghëk terminasse sendo nula. Não havia méritos ou deméritos em reunir uma família, no fim das contas.

ganhei dois sacos de cobre ao menos …

August decidiu romper com a própria covardia e pegou, sem muito pensar, uma questão sobre um chötgor’dör que havia atacado uma caravana, suspirando, um pouco pesado, no pensar do seu grande sucesso ilusório.

pegará essa questão mesmo, pequeno fantasma – atrás de August, uma menina lindíssima se mostrava com um sorriso – se for assim, por que não fazemos essa mesma questão juntos?

August, sem graça e sem resposta, virou para a figura e viu Melinda’Götvhin saindo na luz do sol com um sorriso.

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