GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

Capítulo XII! O Homem de barro (Bhagä II)!

XXXVIII – Proelium (N.A: Batalha)!

Era noite alta quando os pássaros noturnos se aconchegavam entre as árvores em busca de suas presas; onde o farfalhar fazia um sibilar, como uma canção que ressoava pela floresta junto ao vento; onde a lua era suspensa longe junto com as estrelas, e no chão, embaixo de um salgueiro, tendas e peles, felpadas e perfumadas, guardavam, do frio e dos insetos, pequenos guerreiros adormecidos, que se distanciavam em sonhos tão ridículos.

[Boom]!

Era noite alta quando as chamas explodiam em algum lugar próximo, tornando árvores a ter suas folhas incineradas e animais, quadrupedes ou com asas, fugirem com os seus membros em direção a noite clara!

[Boom]!

Era uma batalha esta, com homens esguios atravessando as chamas com seus arcos tribais e suas flechas recicladas, enquanto pulavam entre o mar de árvores, numa guerrilha bárbara, de feito bem exitoso pelos velhos e bons camponeses de arroz do mundo asiático!

[Boom]!

Nesta, com o sangue fugindo da carne junto ao seu rubor lírico despejado aos chãos, soldados e mágicos dançavam entre o carmesim, acordando, num acampamento improvisado não tão distante, algumas preguiçosas crianças, que bocejavam sem sentir, pelas cores que explodiam, a histeria causada por aquela intensa batalha!

o que é isso! – August perguntou ao ver no ar o santo fogo que queimava as copas daquelas árvores – por que a batalha está tão próxima assim de nós! Não está certo!

pode ser que, talvez … não sei – acordando do outro lado, Xenit tentava falar também, porém, em sua mente semidesperta, palavras não vinham bem a sua boca.

acho que isso não deve ser importante – August continuou – já que, se formos pegos por esta, podemos muito bem morrer sem sequer saber o que nos atingiu! O melhor a se fazer agora é fugir …

concordo!

então acorde o resto, precisamos desmontar o acampamento e fugir rapidamente!

No breu enluarado, August e o seu grupo rapidamente desmembraram as tendas, retiraram e dobrobaram as peles, embainharam suas espadas e, por fim, subiram em seus cavalos, enquanto o som das explosões e chamas caíam por todo o cenário, criando, finalmente, um grande incêndio que se espalhava por toda a floresta.

O breu enluarado tomava os tons infernais no momento em que fugia aqueles pobres sorinis aos seus devidos destinos.

*

Todavia, ainda no meio daquela, um grupo de homens armados com lanças e escudos com runas bem estranhas, se encontravam frente a frente contra homens esguios e altos, que tinham no rosto diversas tatuagens tribais, além de orelhas totalmente redondas e lábios avermelhados e carnudos, como a de atrizes hollywoodianas em alguma premiação chula.

Aqueles eram os Khuroinis, uma raça bem conhecida por sua beleza assim como também o fato de serem os únicos a conquistarem, completamente, as florestas do canto sudeste de GartenGüt!

ora, ora, Manudekha! – disse um homem sujo de lama seca, que segurava sua lança firmemente – não esperava que você participasse de frente dessa batalha tão vulgar!

banda, garisha! Adhíka mirta, sarva phorma! Nantara banda! (N.A: Cale-se, sujo! Você já está morto de todas as formas, então cale-se!) – a figura disse, em sua língua materna, tendo em seus olhos, um ódio interminável!

parece que alguém está com raiva! – no entanto, o homem continuou a provocar, com um sorriso horrível, que fez Manudekha surtar! – mas não fico surpreso! Padacyuti nëta nehämi redata ahë! (N.A: Líderes depostos sempre choram no fim!)

No olhar, três globos flamejantes apareceram flutuando ao redor do cenário! No som, todos os três globos foram voando em apenas uma direção!

[Boom!]

Todavia, uma barreira de escudos estranhos, com runas brilhantes que reluziam no carmesim, refletiram os sóis voadores que colidiam naquela muralha, lançando os pequenos astros de voltar aos seus lares – o céu!

rürubassite ista dü nüssu crein tamibein? (N.A: Roubaste esta do nosso clã também?) – Manudekha disse, com o seu rústico sotaque, enquanto fazia surgir, do ar, novos globos carmesins que queimavam em seu flutuar – Varbenênt khuroin (N.A: khuroin exilado)!

felizmente não! – O homem respondeu – no dia que eu, Leafi’Tod, precisar de algo deste vosso clã imundo, farei o favor de comer merda de Udgâra Üdana!

nun dizes taissi paravrassi, nustu crein re acoreu cumu pude, e vossi ainda dizes essita? (N.A: Não diz tais palavras, nosso clã lhe acolheu como pode, e você ainda diz esta?) – Os globos que flutuavam, aceleravam fazendo círculos no ar, tão próximos, que quase colidiam, enquanto da imagem borrada, apenas um grande borrão de chamas apareciam – mereceissis murrer, para deixar de ser um Ketzer incunfurmadu! (N.A: Mereceis morrer, para deixar de ser um herege inconformado!)

Os globos foram lançados para o ponto solitário e desafiador que era Leafi, acertando o seu escudo solo numa espiral dilaceradora, que impedia o refletir de suas chamas!

[Boom!]

Dos globos, uma explosão; Do escudo, os destroços! Porém o tão aguardado cadáver de Leafi não era visto, desaparecendo o corpo nas sombras e reaparecendo, somente, quando o sorriso apagava e a lança perfurava …

Danimal! (N.A: Maldito) – o ar do corpo que desviava para o lado, sacando sua tão bela e adornada espada curta de dois gumes!

sempre, em toda a vida que estive lá – Leafi falou, enquanto rolava desviando e contra-atacando com a parte mais inferior da haste, puxando a perna de Manudekha, levando-o ao chão – sempre fui o mais forte, sempre fui o mais corajoso! Não falar com essas almas, não falar com esses seres … –

Se contorcendo, Manudekha tentou derrubar Leafi, chutando sua panturrilha enquanto no chão, porém, como o defensor previa, ele se defendeu desviando, fazendo Manudekha pegar apenas o ar!

– … tudo isto, apenas, foi o único motivo pelo qual não voei junto com vocês … – Leafi pulou e chutou, com todo o seu peso, o peito de Manudekha, impotente, que tinha o rosto retorcido com raiva naquele chão – único motivo pelo qual fugi, de quem eu odiava, de quem eu amava! Porém …

No discurso, atrás, onde muitos soldados Khuroinis caíam atravessados por lanças, o desespero reinava, todas as chamas se dissipavam, a magia cessava!

– … se não fosse por tal, eu nunca sequer aprenderia a verdadeira paixão e a verdadeira guerra! Manudekha Äha, você tentou destruir minha paixão, perdendo uma guerra por me subestimar! Por tal, morres aqui!

espera!

[Boom!]

Empunhando sua lança para matá-lo, uma explosão ressoou, tornando o ombro daquele que pisava no corpo de seu inimigo deitado, numa massa cinzenta e escura.

vocês são poucos, porém são traiçoeiros! – Leafi continuou dizendo, enquanto, sem se abalar pela explosão, golpeava Manudekha sem nenhum dó, fazendo-o palidecer e golfar todo o sangue disponível em sua garganta – mas não me importo! Mato aqui um segundo líder que ousa invadir minha terra, e de você aí que me ataca, também morre! Enquanto vocês, Khuroinis não aprenderem a guerrear, morrerão sob as minhas mãos um por um!

Atrás, o khuroin, que atacou, caía empalado por uma lança atravessada em seu estômago enquanto gritava suas últimas lamúrias de dor.

No campo que ali estava, uma dezena de Khuroinis se estendiam, perfurados, cortados, ensanguentados, em meio aquele solo manchado por chamas, barbárie, e o típico miasma dos mortos.

Olhando para tudo aquilo, Leafi nem ao menos se perguntava se realmente valeu a pena, esta louca batalha! Ele apenas sorria, enquanto arrancava a pele queimada na unha, sentindo um pouco, do doce mel da vingança!

XXXIX – Agui’Us sob o amanhecer!

Era no crepúsculo da manhã onde um grupo deixava a rota principal da estrada que ia pra jurisdição dos Drachenis para seguir em direção a um atalho, marcado, na entrada, com um totem, repletas de runas que falavam:

Agui’Us, antiga terra dos Kleinis livres!”

Agui’Us, ou caverna das águas em língua geral, era uma antiga cidade que se estendia dentro de uma enorme mina, onde os Kleinis, conhecidos como um povo fluente na arte do artesanato, produziam suas famosas armas, armaduras, tudo dos lingotes feitos com os autênticos e poderosos minérios que se encontrava em vosso próprio lar.

oh!

Andando pela trilha que levava à cidade, a mata diminuía, entrando em uma área montanhosa, com rochas amareladas quebradas ao redor e uma intensa poeira que ia de encontro aos rostos, fazendo espirrar alguns daqueles que admiravam o cenário ao redor.

Estátuas heroicas, porém desgastadas com o tempo, se levantavam linearmente no lado da trilha.

Nelas, a beleza ideal entre os kleinis se via, sendo estas de homens extremamente musculosos e parrudos, segurando armas de aparência lendárias, e vestindo armaduras que apertava bem em seus contornos, deixando-os da forma bem já descrita: heroicos!

toda raça tem os seus delírios de grandeza – August pensou, enquanto escarnava.

Terminado o caminho que se finalizava em frente a um enorme portão branco ao lado de paredes negras, a última dupla de estátuas gêmeas era vista naquela trilham, felicitando aqueles que chegavam!

Esta última, bem marcante eram de dois kleinis, sem armadura, armados apenas com lanças, pelo que parecia, acertando o pescoço de um pequeno dragão rendido no chão, com as quatro patas ao alto.

Parecia a imagem clássica de São Jorge, porém August não se importou muito com a semelhança, apenas parando em frente de um enorme portão de pedra onde um quadro feito em relevo entalhado mostrava a grandiosidade do local!

é aqui! – August disse, com um sorriso enquanto descia de seu cavalo – nosso destino jaz aqui!

nossa! – do outro lado, descendo de seu cavalo também, Xenit dizia – já ouvi algumas histórias de Agui’Us, mas nunca esperava que a realidade se agigantasse tanto das coisas que eu escutava!

isso é porque nascemos numa Dorf’Verbant – Bid’Sorim respondeu – não vemos lugares desses todos os dias, como os moradores de Jam’Auteûme ao oeste veem ou de Narny’tsöl ao sul também. Até os kleinis, oprimidos pelos Drachenis, devem viver em magnânimas estruturas como essa. Como um povo fluente nessas artes, não duvido nem um pouco!

magnânimas admito que são – Khar’Sorim também entrou na discussão – porém me parece ser um grande desperdício de pedras!

acho que eles só queriam se proteger, por isso fizeram esse portão! – Argumentando, Madchënit tocou naqueles relevos com curiosidade. A imagem que se assemelhava no quadro era de um grande homem iluminado vestido de túnica em pé numa colina.

proteger, intimidar ou simplesmente se vangloriar – August, no entanto, rebateu, retirando dos seus alforjes, todo os sacos de moedas, comidas perecíveis e o que fosse importante, sem se importar com o quadro que era visto naquele enorme portão – o que quer que signifique esse portão, uma coisa é clara, pouco adiantou para os Kleinis que aí viviam!

As portas se abriram com um forte empurrão do líder que a tocava.

o que nos importa agora é colher as riquezas deixadas para trás e viver, como pudermos, em nosso exílio interminável!

Alta concentração de energia natural! Resistência pode ser aumentada, porém, efeitos colaterais podem vir a daná-lo, cuidado!”

*

Entrando com o grupo pelo portão, August viu no interior uma enorme área, de, pelo menos, alguns hectares, mostrando uma grande praça de entrada que era invadida por vinhas estranhas, que devoravam as estátuas de bronze, os pequenos bancos de mármore e as diversas fontes de pedra negras com os seus ídolos carregando bacias ou baldes que transbordavam.

Ao redor desta imagem, as casas se amontoavam dali por perto, até subir a encosta do interior da caverna se instalando, ao fim, nas paredes altas e regulares do ambiente.

August via como tudo era dividido no passado, como as classes mais altas viviam nas altas paredes, exalando seu resplandor.

Aquilo é?

Em cima, o teto inexistia, tendo apenas uma enorme entrada para o astro sol mostrar sua beleza infinita enquanto banhava, parcialmente, o cenário, sendo as enormes tocas, feitas naquelas paredes, as primeiras a serem devidamente tocadas pela luz.

August estava impressionado com tal, porém …

cuidado, a quantidade de mágica por aqui é alta … pode muito bem ter monstros a espreita!

Sendo assim, August caminhou com cuidado pelas ruas de Agui’Us, seguindo em direção do que parecia ser uma cachoeira que descia por uma parte de aparência bem nobre, caindo para algo parecendo um reservatório, que monopolizava as águas da queda, distribuindo elas pelo que pareciam ser canos de bronze que se entrelaçavam por debaixo da terra.

Lá, eles viram as diversas casas com portas arrombadas com seus interiores mofados, repleta de teias de aranhas e madeira podre, além de móveis quebrados e, algumas vezes, pequenas estátuas danificadas feitas de material barato como gesso.

August não ficava impressionado, de todo, com essa vista, ou com as histórias que se seguiam por trás dessa. Na verdade, o que ele mais sentia por trás de tudo era um maçante medo, pois que, vendo a grande civilização que se partiu, ele não conseguia sequer imaginar o feitor que causou.

O grupo de August logo saiu daquela região, vendo que nada existia além dos fantasmas de uma época distante, seguindo para uma parte onde pareciam ter diversas forjas, que se estendiam com imensas chaminés, tão velhas e desgastadas que pareciam que poderiam, em algum momento, ruir e desabar.

Na verdade, vendo através daquele cenário, era possível ver algumas chaminés caídas em cima de algumas casas de pedra, ou em suas próprias forjas, não sobrando muito além de pedras brancas e ferro enferrujado.

olhem aquilo! – Madchënit disse, enquanto apontava para uma entrada na parede que aparentava ser bem uma caverna.

August viu algumas inscrições ao lado da caverna, numa placa, porém, não compreendeu em sua vista normal. Ele necessitou se concentrar, com o melhor que pode, para usar a habilidade inata já aprendida anteriormente:

A testemunha da verdade!”

Essa era uma ótima habilidade, usada em diversos pontos com bastante destreza, só que existia um problema: ela gastava concentração, que era algo que August não havia compreendido bem de primeira, porém, após alguns testes, ele descobriu bem o que era! Concentração era a sua sanidade e quando ela chegava ao fim, bem, aparentemente alguém ficava insano.

entrada B-4: mina de rubis!”

consegue lê? – Xenit, que via August concentradíssimo nas palavras, disse – a linguagem antiga dos kleinis não é algo bem conhecida!

se fosse um livro – virando-se com um sorriso, August respondeu – talvez eu não conseguisse lê, porém, como é apenas algumas palavras, eu posso deduzir um pouco …

não deixa de ser impressionante!

Com uma cara emburrada, mostrando-se atrás de Xenit, Bid’Sorim estalava sua língua, com ódio.

Khar’Sorim, que era tolo em momentos, e bem observador quando podia, viu a imagem e sorriu. Ele já sabia, ao menos, o que cada um sentia naquele grupo, com exceção apenas de Madchënit, da qual ele julgava apenas sendo uma menina comum, sem muito o que dizer.

então, grande Bae’Sorim, poeta das línguas mortas, o que está escrito aí? – Bid’Sorim disse, com um rosto vermelho e um grande sorriso, que, sem muito se olhar, já aparentava ser de todo falso.

nada demais, é apenas uma mina abandonada de rubi, aparentemente é uma entrada secundária – August fingiu não ver o sorriso, para não ter que socá-lo ali na frente de quem ele amava – só fico preocupado com um fato: como não vimos as outras entradas até o momento?

talvez só não andamos pelo lugar certo! – Madchënit por fim disse, e August balançou a cabeça, concordando com o argumento, seguido por todo o grupo.

já que é assim, vamos entrar. Ficar aqui vai ser só perda de tempo!

okay …

Invadindo o interior da caverna, o grupo encontrou outro grande espaço e lá …

Nota do Autor:

Esse capítulo demorou para ser lançado pois eu tive alguns problemas com queda de luz.


Sendo assim, o próximo cap pode sair quarta ou quinta, como normalmente eu posto!

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4 comentários em “GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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