GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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Capítulo XV – O homem de Barro (Bhagä V)!

XLVI – Dor, a eterna dor (I)!

Juntos, Xenit, a menina dos cabelos rosa e da beleza berrante, e Bid’Sorim, o menino do rosto pálido e ofegante, fugiram pelas baixas ruas da cidade, indo em direção a um curso d’água artificial das quais diversas pontes de pedra se entrelaçavam.

Elas levavam para um grande ponto no flanco da cidade, onde terra vermelha deixava crescer diversos capins altos, que se embaralhavam numa selvageria virgem, na qual a natureza se permite, principalmente, quando a solidão o deixava tão bem, longe dos homens.

[Boom!]

No centro da cidade, onde já estavam suficientemente longe, as explosões cresciam e os destroços se levantavam, levando a destruição a toda parte, com o pó e as pedras que caíam ao ar.

então realmente estou certo …

Bid’Sorim sorriu com a imagem, porém se recompôs. Não era de seu desejo vê os seus amigos mortos, todavia ser o correto era um sentimento muito bom para se recusar.

Principalmente quando ele continuava pelas trilhas asfaltadas com pedras até a uma passagem que indicava ser exatamente o que ele já imaginava: uma escada.

isso deve nos levar para o topo desse paredão – Xenit disse, com o rosto pálido e com os batimentos cardíacos audíveis, fazendo Bid’Sorim suspirar por um minuto breve – porém, não sei … acho que deveríamos esperar, vê se eles vem, ou algo do tipo …

Bid’Sorim coçou o seu queixo, já que a resposta era boa, sendo o que ele desejava escutar, todavia não era algo de todo sensato.

A morte já poderia ter chego para aqueles que se escondiam atrás de seu inimigo, por isso esperar apenas seria uma ansiedade injustificável, pelo menos à aqueles conscientes de si.

eu não vou concordar – ele então disse, acenando com as mãos, numa discordância ensaiada – se aqueles golens vierem atrás de nós, morreremos. Por isso precisamos ir agora …

Xenit estava se tremendo, com lágrimas caindo pela lateral de suas bochechas.

ela deveria ter vindo conosco … – Xenit começou – porém ela não veio … e isso é culpa minha …

Bid’Sorim de alguma forma também sentia algum pesar, no entanto não se deixava abalar de todo.

ela fez uma escolha – ele tentou consolar – que foi ficar ao lado de seu amado. Não há pecado nisso!

Com a luz penetrando o ambiente desolado, os insetos cantavam na mata ao lado.

Xenit que tinha uma mente ruidosa, não se segurou, nem como pode, e riu! Riu com um deboche insano sobre algo que ela sentia; algo que finalmente deveria ser gritado!

Hahahahaha! Você é muito tolo Bidorim – O som da gargalhada era irritante, era alto, parecia como se vinda para causar um inferno que reduziria as coisas ao ódio, que era justamente o que Bid’Sorim tanto odiava pensar – você me ama, me ama e me ama! Me ama tanto que esqueceu as coisas a sua volta, te machucando! Veja só você agora, salvando uma menina que nunca ficará contigo, que bobo!

[Boom!]

Ainda ao fundo, parte da grande escadaria se quebrava, reduzindo-se ao pó, enquanto caía pelo mar de casinhas que se encostava ao lado. Feixes amarelados cortavam os céus e o som ensurdecedor de Caos ainda era bem escutado daquela parte.

Vinte e três golens de barro também se eram vistos pulando nas diversas lajes ao longe, como pontos brilhantes e marrons no meio de todo o cinza, dourado e azul daquela bela cidade amaldiçoada.

do que … – Bid’Sorim tentava falar, embaraçado; confuso – do que … do que … do que você fala? Amar? O que é isso, sou um guerreiro não alguém que … que … que pensaria nessas coisas …

As explosões ressoantes deixavam expostos a cruel batalha que se desenvolvia pela escadaria do templo; O som da cachoeira que descia por ali perto, a calmaria das boas ideias.

Bid’Sorim estava constrangido enquanto desviava a visão daqueles olhos para os teus. Era penetrante demais e sua alma invadida se via muito desconfortável naquela situação.

você é um fracasso – Xenit terminou, olhando para o chão, sem sorrir, sem nada, apenas decepcionada, o que deixava Bid’Sorim ainda mais confuso – incapaz de pensar, de reconhecer! Vê apenas o que deseja … é um mal teu tão antigo que chega a ser danoso em tudo que engloba a sua vida! Acho que deveria ter ficado com o resto do grupo, ainda não entendo as razões que me levam a ficar aqui. Porém creio que já é tarde demais.

Xenit pegou o caminho da escada primeiro, deixando Bid’Sorim inerte, em seus pensamentos, tão confusos, de um jovem tolo que pouco compreendia a vida.

me espera! – ele gritou enquanto a sombra de Xenit desaparecia pelas escadarias de pedra enegrecida que por dezenas de metros levava …

XLVII – a sacra batalha no gélido caminho de pedras!

August, Madchënit e Khar’Sorim, o novo trio que surgia naquele ministério desolado de tempos tão antigos, saía rumo a praça principal, donde havia um caminho adjacente para a escadaria que levava ao templo.

Segundo o plano, a fuga pela periferia até aquela praça já tinha um objetivo, que era reduzir ao mínimo a quantidade de batalhas, para deixar todo o fôlego na reta final, que levava templo adentro.

[Bang!]

Um feixe de luz cortou a praça rumo a uma estátua …

[Boom!]

Que explodiu de forma ensurdecedora, deixando todo o grupo atordoado por um momento.

saque suas espadas – August esbravejou à vista de, que dos céus, … – vocês devem batalhar por suas vidas a partir desse momento!

[Pah!]

Um golen caía.

Esse, diferente do primeiro, bem intrusivo, era bem-feito, com um corpo totalmente simétrico e rígido, com suas runas brilhando numa bela cor dourada e com a joia em seu peito tão bem polida quanto podia.

Ele era, apenas numa observação breve, bem mais forte do que qualquer um daqueles outros golens que pulava por aí ao seu prazer, pelo menos numa observação breve.

[Arrrrgh!]

Com raiva, o golen gritou e com o seu corpo, ele correu para golpear August e o grupo num abraço de urso bem já conhecido.

O movimento foi rápido e maciço, porém August, que já lutou bem com um desses golens, fazia alguma ideia de como agir naquela situação tão arriscada.

Por tal, naquele enorme boneco de barro que se dirigia como um trem, August apenas deslizou pelo asfalto, ralando suas calças de linho, no entanto desviando e golpeando, com a força conjunta do seu movimento mais a do golen, tornando a espada do escolhido penetrar tão fundo naquela perna feita de barro úmido, que a arrancava fora com todo o ódio disponível!

[Arrrrgh!]

O golen desabou no solo, com sua perna decepada e as runas, que nela haviam, apagadas.

Vendo, num grito, August apenas alertou!

Acertem a cabeça! – e assim Madchënit fez, estocando com toda a força naquela joia que explodia, fazendo-se espalhar toda a meleca da sua cabeça pelo ar!

isso foi fácil – A mesma, suja com terra que secava em seu corpo, dizia – tão fácil que chega a ser ridículo.

não pense assim – Kharim disse, apontando para a estátua destruída – tivemos sorte de pegar apenas um, porém, se fosse mais do que isso, sentiríamos muita dificuldade.

isso não importa, apenas vamos! – August encerrou a discussão que se iniciava.

No momento os golens atacavam aleatoriamente as ruínas, porém, quando eles se focassem no grupo, muitas coisas ruins poderiam vir.

*

Eles pegaram o caminho adjacente e viraram na escadaria. A sacada mostrava a vista de toda a cidade, sendo possível se ver de longe a escadaria lateral que levava para cima do paredão.

vocês os enxerga? – August pensou vendo Madchënit tão melancólica olhando ao longe enquanto corria – não se preocupa, se conheço a mente humana, Bid’Sorim passará por algum purgatório, por conta de sua própria covardia. Não que isso seja uma vingança a ti, porém é o melhor que se tem, para um orgulho de tantos anos drenado.

A escadaria era longa, se interligando com pontes retas, que levava a outra leva de escadas, suscetivamente, até que se chegava numa altura onde tudo se era visto.

estamos próximos do fim? – Bid’Sorim perguntava, enquanto sua voz arfava com um cansaço que parecia não ser dele – sinto todo o meu corpo ruir e tudo desabar! Parece que estou morrendo de cansaço ou algo do tipo!

August acenou com a cabeça em discordância enquanto olhava outro lance de escadas.

lute contra o cansaço, tente respirar direito … dê o seu jeito! – Madchënit, com uma grande rudeza não característica, disse – se pararmos para descansar aqui, podemos morrer. Por isso vamos!

O grupo continuou pela escadaria, passo por passo, sentindo cada vez mais seus braços e pernas, até que, não tão longe, grupos de golens pulavam por aí, pelas lajes quase destruídas, lançando os seus raios, aleatoriamente, para a as diversas partes da ponte, fazendo se explodir tudo!

[Boom!]

August se alertou e apertou o passo, correndo enquanto olhava para o grupo.

corram, corram antes que tudo desabe!

Rachaduras surgiam do solo, revelando a teia que se punha a expandir até que, por fim, todas as pedras se dividissem e pulassem, levando o pó ao alto e toda a estrutura para baixo.

rápido, rápido!

O lance de escadas era devorado pela gravidade que agarrava tudo ao solo, enquanto o grupo de August partia para outra ponte, correndo rapidamente um grande percurso a outro lance de escadas!

[Bang!]

Outro feixe atravessou, colidindo bem próximo ao piso onde August estava …

[Boom!]

Explodindo quase toda a sua perna, se por sorte do destino os seus reflexos não o alertassem mais rápido.

que merda!

August pulou antes que os destroços devorassem todo o seu tornozelo ou decepasse o seu joelho, fazendo apenas uma pequena ferida na sua bochecha, de uma pedra que cortava de forma tão azarada.

que merda!

Era uma batalha invisível, mas que, com certeza, mostrava seu grau de mortalidade!

[Arrrrgh!]

outra vez não! – disse Madchënit que já sentia seu pulmão pular para fora de sua boca! – esses merdas de novo!

Naquela ponte, três golens se agarravam nas muretas, revelando suas faces ocas, que disparava simultaneamente três feixes em direção ao grupo.

se abaixem!

[Bang!]

Num reflexo, os três rolaram e se estiraram ao solo, fazendo os feixes irem em direções tão dispersas, que foi bem difícil de acreditar que um deles havia sido acertado por um fogo tão amigo.

[Boom!]

acertem!

Caído ao solo, sob o som das explosões, August não perdia tempo, acertando, com uma estocada bem precisa, numa rápida corrida perigosa, a pedra na cabeça do golen, explodindo-a da forma que já bem se entendia.

morra!

Kharim também seguiu a dica e acertou a cabeça daquele golen pendurado!

[Arrrrrgh!]

Sujos de lama, o grupo continuou pela ponte, enquanto ao longe, numa pequena parte, tão pequena que quase August não via, diversos feixes, sete se fosse contar, atingiam, de forma uniforme, uma mesma parte da ponte.

corram! Corram muito rápido!

O grupo acelerou, porém, logo tão próximo como podiam do seguinte lance de escadarias, a explosão ocorreu!

Porém essa não era como as outras, se elevando tanto pelo alto, que o choque da explosão até mesmo jogava August e o grupo para frente, de cara ao solo, com diversos destroços caindo como chuva!

levantem … vamos – August gritou enquanto via lentamente rachar todo o solo, auxiliando Madchënit a se erguer, mais rápido do que a mesma podia.

[Boom!]

E a escadaria entrava em colapso enquanto o grupo corria para o que parecia ser o último lance de escadas que levava, exatamente, para um grupo de golens que guardavam a tão esperada entrada.

August que para lá corria, já se preparava junto ao grupo para, possivelmente, a maior batalha que eles teriam até ali …

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