GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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Capítulo XVI – O Homem de Barro (Bhagä VI)!

XLVIII – Dor, a eterna dor (II)!

Somos carne; somos espíritos.

A vida que vivemos é uma experiência tão breve e ao mesmo tempo tão longa que, olhando para trás, nos esquecemos de tantos detalhes, restando apenas os fragmentos, que se resumem às belezas e às tristezas, que faz se formar na carne o espírito, que flutua e nos persegue, tornando a vida da qual existimos em algo vivo, além da própria compreensão carnal.

E embora que esta vida, por mais que seja viva, tenha um desenvolvimento tão contrária no que se diz tempo, uma coisa é certa, o fim dela sempre é triste, por algum motivo que não conseguimos compreender muito.

A vida, que se vive, sempre é triste, quando acaba e isso talvez por nos agarramos, ou coisa do tipo, já que quando se morre a única coisa que se sobra são as pessoas, que tanto nos ama, vivas numa jornada própria, se esquecendo, aos poucos, de todos os efêmeros detalhes de nossa existência, mas que no entanto, guardam até o fim nossas almas, tão fragmentadas e distantes.

E é nesta que, em cima de um paredão, onde a luz do sol tocava calidamente o solo, aquecendo os musgos, os cogumelos e as pequenas gramas que cresciam sob as rochas, um casal, não bem casal, se via suspirando, com um olhar lírico sobre toda a reta, que os levaria de volta para a tão estimada casa.

será que eles … será que eles vão conseguir sobreviver – Xenit perguntava, olhando para trás, receosa.

a sorte vai os acompanhar, não se preocupe … – e Bid’Sorim respondia, como um cavaleiro preocupado com o bem-estar da tão estimada.

Era uma relação unilateral simplíssima, talvez … mas que todavia, ainda assim, preenchia o vazio tão corriqueiro daquele homenzinho covarde, cuja a espada presa a bainha sequer se manchara.

se é assim … por que fugimos? – Ainda com um rosto triste, Xenit perguntava, no entanto não a Bid’Sorim, cujo era cheio de justificativas; sendo esta pergunta para ninguém mais do que ela mesma, incapaz de compreender suas ações ou expectativas.

Bid’Sorim, tolo como era, não via no rosto dela toda a culpa, toda a maleza; vendo apenas o que queria ver, que era a simples beleza confusa, que o fazia se perder, amar!

Era um erro já que, parado olhando ao longe, para a grandiosa entrada do templo, onde de poucos zaid (N.A; Quilômetros) se via uma enorme batalha se desenrolar, com figuras tão distantes, que apenas o pó era percebido, um enorme pesar caía sobre o rosto da confusa garota, que se sentava naquele solo aquecido pelas luzes solares que invadiam.

sou bem tola, Bidorim … – Xenit, caída sobre a terra, falava em uma voz melancólica, da qual se planejava finalizar tantas coisas; – mas acho que isso é inevitável. Durante minha vida, da qual não sei se posso falar se é mesmo uma, desisti de tantas coisas que agora parece que sequer vivi. É uma coisa interessante, desistir das coisas para não fazer mal a ninguém, porém, bem, eu só sofro. Não há orgulho em ceder …

Bid’Sorim, que ouvia as palavras tremulentas, sentia uma pontada em seu peito, tão ansioso e sofrido, do qual não parecia desejar padecer em frente a um ápice; do qual estava pronto para uma possível batalha entre os egos infantis, que de nada entende.

Bidorim, ficamos tanto tempo sem nos falar … – Xenit continuou, sem se importar com a face desajeitada daquele em sua frente – acho que é necessário te atualizar sobre algumas coisas … estou para me casar … não … por favor, não me olhe com essa cara de bobo, você deveria saber que eu iria, no fim. Mas vejo que não importa: se eu me caso ou não caso, já que isso é bem mais confuso do que deveria.

Atrás de Xenit, explosões reverberavam magicamente, lançando para o alto um intenso brilho verde que se degradava.

Bidorim, não sei o que você sentiu quando toda aquela névoa te penetrou a cabeça, porém, para mim, muitas coisas se revelaram; coisas que irritam, que danam, me magoam. E eu não sei o porquê … só sei que quero chorar, mesmo não sentindo lágrimas brotarem.

Bid’Sorim encarou Xenit, procurando sentido nas palavras vagas que caíam, vendo no rosto o silêncio emocional, que apenas causava tristeza naqueles que viam.

a verdade é, Bidorim: sou uma covarde que fugiu com você, pois não aguentava mais batalhar contra a vida, contra tudo. Por isso, desejo fugir, para algum lugar bem distante, viver como uma exilada, por mais que no fim … eu já seja uma …

Bid’Sorim abriu os lábios, como já deveria tê-lo feito a muito, e, com palavras sussurradas, disse as mais belas palavras, pelo menos para Xenit, que em sua melancolia, indagava …

XLIX – Como nos destruímos!

No fim da ponte, com a magnífica cidade em chamas, caída em seu próprio pó, às costas, o grupo sacava suas armas sem brilho, de um grupo sem capital, que chorava às rochas, pois em frente do último destino, além da enorme porta maciça de pedra branca, com entalhes detalhados, tão pouco desgastados, de deuses antigos numa ceia, e dos três arcos de pedras levantados sem nenhuma reverência, soldados de barro, com cinco metros de altura, cuidavam, da melhor forma possível, da última parte de um ato que não se finalizava!

Era um rumo com dor, pois as emoções em excesso são como rosas com espinhos.

Porém August, à frente, como todo bom Akhmad deve se está; que via os soldados de barro proteger a última porta antes do sacro mistério que o afligia, era uma exceção, já que, entre todos do grupo tremulento, ele era o único sereno; e mesmo que estivesse um tanto cansado no entanto, o que é impossível de negar, ele ainda estava sereno!

Ele conhecia o potencial desses golens e também conhecia muito bem o seu, sendo impossível que muitas emoções penetrassem o seu peito, naquele momento.

Todavia, diferentemente, para Kharim e Madchënit, que arfavam ao som, apenas tremendo vendo os cinco lado a lado, preparados para matar, como pudessem, qualquer um que tentassem invadir o solo da tão estimada casa de pedra, sentiam que qualquer coisa que se desenrolasse dali seria apenas um embate unilateral, fazendo toda a beleza ficar na súbita tensão de morte que subia da pior forma, levando aos pensamentos a clara noção de suas existências tão pífias.

Pódi der Satyros”

August não pensou, não sentiu, apenas agiu como gostaria, se tornando um com o vento enquanto saltava, desaparecendo aos olhos, enquanto atacava um dos grandes golens, que se mostrava em sua frente, cortando sua barriga, cuja a pedra verde fazia pulsar todas as runas que se espalhavam, numa espiral, pelo corpo.

[Crack!]

O corpo do golen se desmanchou, de forma tão fácil, fazendo Madchënit e Kharim se surpreenderem, de repente, vendo o corpo cair, como uma geleca marrom, que escorria para o lado da ponte!

é … é … só isso? – eles pensaram; – apenas isso?!

Que pena que essa sensação fora tão breve, já que, vendo o desmanchar de seu tão estimado irmão, os remanescentes, inumanos, se zangaram, entrando num frenesi que retirava as esperanças de todo o grupo, de forma rápida, aparentando até que sequer alguma esperança um dia chegou a existir.

[Pah!]

Era uma visão intensa: todos os golens atacando, sem se preocupar com o ambiente, golpeando os solos e o resto com seus corpos gigantes.

Suas mãos, da grossura de um tronco adulto, até ficavam desgastadas com a própria intensidade da qual martelava a pobre sombra, quem em tudo que é parte desviava.

ele morrerá, e ficaremos apenas aqui só vendo – outra vez eles pensaram – espero que os deuses não nos culpem, pela impotência.

A santa decepção que afligia com a virada tão de repente dos fatos!

No entanto …

Kópsimo der Fýlla!”

Ainda assim, mesmo que os seres carregassem toda aquela velocidade, eles não eram competição para August com a habilidade [Pódi der Satyros] ativado, já que os seus pés balançavam em velocidades tão irreais, que sequer um fio de cabelo era tocado, com toda a intensidade já mostrada.

[Crack!]

Então, inevitavelmente, alguém mais cairia e esse alguém não seria do grupo de August, que se escondia atrás do grande herói armado com apenas uma espada e todas as trapaças, tão bem entendidas pelos deuses que o vigiava!

ele é um monstro! – dizia Madchënit, enquanto tremia vendo a batalha, sentindo no peito a volta de uma emoção não narrada!!

nunca concordei tanto! – também dizia Kharim, em uma situação igual.

E lá a batalha continuava em uma intensidade sem fim, com as pedras se desgarrando do solo, como podiam, e um vulto constante passando entre as brechas do cerco de braços.

[pah!]

*

Todavia, caída no solo, uma cabeça via a intensa batalha, com inveja, já que todos os corpos lutavam para sua vingança, fazendo-a desejar dali fazer parte também.

E o que se deseja leva ao que? Se for da forma que idealizamos, então, daquele seu pescoço, por algum motivo mágico, que apenas os deuses o sabem, algumas perninhas, tão pequeninas, saíam, fazendo pular pelo solo, como uma lebre o faz nas suas fugas, até que, por fim, a cabeça se agarrou num enorme golen, seu irmão, do qual se movimentava como uma britadeira, numa tão intensa batalha contra uma borboleta.

E era por aí que ela subia, como se estivesse numa escada rolante, passando pelas costas do golen sem sequer ser vista, enquanto, de forma bem tola, outros dois irmãos também caíam, com a joia em seus peitos quebrando e os seus corpos de barro se derramando, formando algo que bem parecia um monte de estrume.

Ah! Que tristeza, porém não fiquem assim, já que de todos os corpos caídos, as cabeças imitaram sua errante, indo de forma bem engraçada para o mesmo, enquanto apenas um irmão ainda se mantinha de pé, servindo de abrigo para todas as cabeças sem lar!

[Arrrrgh!]

*

Indo finalizar o último, August parou. As cores tão comuns mudavam e isso atordoava, sendo o dourado passado para o verde, e as joias, todas potencializadas ao dourado.

August, decidiu não perder tempo, acertando, no meio da apresentação, a cabeça daquele que mudava, tão de repente!

espera, o que ele está fazendo!

Porém, da cabeça destruída, nenhuma explosão surgia, nem mesmo com a joia quebrada em dois, sendo que, em verdade, outra cabeça se apresentou no lugar para atacar, ou proteger o enorme templo às suas costas.

August, no entanto, não se preocupou muito com o fato, já que, o que poderia acontecer?

No entanto, outra vez, algo impressionante se mostrava, atordoando nosso protagonista de repente, mais uma vez, com a visão complexa que se mostrava.

as cores, tão intensas!

Se calando … August tentou entender, porém ele sentiu que não daria tempo, pois, em sua intuição, algo o alertava de tal, fazendo-o, correr, enquanto sinalizava com as mãos, para os seus queridos colegas, fazendo-os também perceber, o perigo que surgiria por ali.

[crack!]

O corpo do golen se tornava quebradiço atrás.

[Crack!]

Fazendo se descolar do corpo, todas as runas!

[Crack!]

Além de tornar rachado, a gloriosa joia que se quebrava!

[Boom!]

Uma explosão subiu, calorenta, levando aqueles que davam os seus passos, violentamente, para frente!

Os pedaços que eram lançados, do descomunal solo derretido, fazia alguns se ferirem, em estados pouco práticos, resumindo algumas pernas em nada, que sangraram no sacro espaço, das portas destruídas, de um templo que surgia …

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