GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

Capítulo XVIII – Mensagens num quarto qualquer!

LI – Num quarto qualquer …

Acordando de repente, no que parecia ser um quarto qualquer, August bocejou enquanto se impressionava. Muitas perguntas surgiam em sua mente, como o motivo pelo qual ele jazia naquela cama, também o motivo do qual a cicatriz ainda estava em sua perna, como também a pergunta de onde estava todas as pessoas do seu grupo; porém o cansaço não deixava margem para responder, fazendo-o deitar estirado na cama, onde se cobria com uma manta de seda, onde nem mesmo o frio usual tinha costume de invadir.

August fechos os olhos ali outra vez, enquanto se lembrava de cada palavra de Agui’Us, sentindo em seu peito algum tipo de sentimento confortável enquanto o sarcasmo ainda lhe vinha a cabeça.

um homem que acredita nos homens nada mais é do que alguém fadado ao fracasso. Sua maldição, meu pobre, nunca foi contra seus pequeninos e sim contra a si mesmo! – August pensava entre as cobertas, enquanto, do biombo branco que dividia o ambiente, um ser entrava.

Ele era alto, musculoso, com uma barba espessa e cabelos negros longos, sendo acompanhado por dois velhos, vestidos com túnicas brancas feitas de seda e quipás negros com runas douradas costuradas.

vejo que está acordado, meu jovem! – disse um dos velhos, num tom autoritário, carregado de experiência anciã.

estou sim, grande Hilikómenus … estou acordado! – August respondeu enquanto abria os olhos e sentava na cama, vendo o seu isä com um ar sério e os velhos ao redor também. Ele não entendia bem sua situação, no entanto desejava que as coisas corressem dali para o modo certo.

vejo que sim, sua situação estava um pouco … bem, um pouco complexa. O seu corpo foi tomado por muita emanação natural, como também o grupo em geral. Vocês teriam morrido se algo bem incomum não tivesse acontecido … – O velho disse analisando os pulsos de August e os batimentos no peito despido.

que complicado, tanto que não entendo: que tipo de situação milagrosa é essa, por me permitir está em tal presença?

FünderBae segurou a risada, enquanto os Hilikómenus erguiam seus peitos num orgulho prepotente.

não podemos explicar isto enquanto não tivermos algumas respostas, Bae’Sorim – Um dos velhos continuou, com um sorriso patriarcal meio podre, mostrando algum narcisismo pertinente.

hum … – Coçando o queixo com a mão que ficava dormente, August tentava encontrar no rosto alguma resposta, para tentar ajudá-lo a desvendar o que acontecia, antes de falar algo que pudesse lhe colocar numa situação comprometedora. August não encontrou nada, por fim. No entanto, ainda buscou uma meia mentira para contar enquanto ainda não tivesse os fatos em geral – nas ruínas, meus Hilikómenus, tive, junto com o meu grupo, algo chamado viagem astral, eu acho. Foi uma experiência estranha, mas que, todavia, bastante importante, me revelando diversas verdades.

que tipo de verdades, Sorim? – Um dos velhos perguntou, enquanto agarrava as mangas da própria túnica, num nervoso.

verdades sobre um mundo do passado, sobre Shava’Khün e a maldição que caíra sobre ela! Maldição esta que persegue os kleinis desde o terceiro reino! – E August respondeu, mantendo todo o ar de mistério, junto com algumas verdades, ao mesmo tempo que revelava em palavras pausadas e sussurradas, fazendo os Hilikómenus tremerem, enquanto se avermelhavam.

Os seus conhecimentos entravam em colapso no contato com as palavras do pequeno Sorim. A verdade era que as coisas estavam passando a fazer sentido, em mesmo momento em que algumas coisas passavam a se perder. Eles estavam confusos no fim.

meu jovem, nessas suas palavras … veja só, quero confirmar … nessas suas palavras você afirma que Agui’Us é Shava’Khün? – um dos velhos, outra vez, perguntou, enquanto o outro começava a andar de um lado para o outro, como um maníaco.

sim! E não só: Agui’Us é o guardião do antigo reino e o culpado por tornar as ruínas amaldiçoadas. No entanto, por algum motivo, tive o prazer por ser conduzido por ele, espiritualmente, pelo seu reino.

Com o fim das palavras, um dos Hilikómenus caiu desmaiado na cama, enquanto o outro se virava e começava a andar de um lado ao outro, como o outro, roendo suas unhas amareladas. FünderBae, todavia, estava atordoado em confusão, sem compreender ao certo o peso das palavras proferidas.

Bae’Sorim, jovem – disse o velho se virando – muitas coisas aconteceram no mês que esteve em Agui’Us … digo, Shava’Khün, e mais coisas ainda aconteceram enquanto estava adormecido, acho que tenho a obrigação de te contar cada coisa, como protagonista de tantos eventos …

LII – As linhas!

Num quarto qualquer, o velho começou:

Foi numa tarde em que um pergaminho viajava na trilha principal dos comerciantes de Narny’tsöl com uma mensagem para o mundo. No começo, poucos acreditaram, no entanto, quando sentiram o ar fresco da grandiosa entrada e a grama que crescia por todas as partes, perceberam que o terror da maldição havia escapado. Eles aplaudiram alto, mandando pergaminhos para o seu imperador que, junto com toda a sua aristocracia, passou a informação para os Shidtenis do pequeno reino de Jam’Auteûme e para os Kleinis dos Drachenis. A informação também vazou para os Khuroinis das florestas que não se seguraram e foram obter a verdade. Verdade essa que era: Agui’Us estava livre e, por algum motivo, graças às pequenas crianças desmaiadas no portal.

O velho tomou um ar enquanto reorganizava as palavras.

Shava’Khün, ou Agui’Us como era chamado, é uma ruína fundamental. Ruínas fundamentais, sem exceção, são ruínas com grande peso pois contém as maiores informações sobre deuses, sobre a mágica, sobre a história, ao mesmo tempo que são inexploráveis, pois contém níveis maçantes de algo descrito como ‘emanação natural’ que faz muitas pessoas que tentam explorá-las desmaiar ou morrer apenas de se aproximar. Os Varbenênts são um pouco mais fortes contra, no entanto não somos imortais. Até você desmaiou apenas por chegar no portal de entrada, lugar onde nenhum outro ser havia conseguido penetrar, até pouco tempo.

August franziu a testa, tentando compreender as palavras.

então o senhor quer dizer que, me permita falar, está me dizendo que sabia que a questão era impossível? E mesmo assim havia permitido a organização da mesma?

não, queríamos apenas que vocês explorassem a parte externa. Veja August, o que se entendia de Agui’Us era todo o terreno onde havia emanação natural. Na verdade, ninguém realmente havia visto em Agui’Us algo além do portal, por isso o golen parecia algum tipo de presságio, embora que foi um erro nosso ter enviado Sorinis … ou não, visto seu êxito …

FünderBae se ajeitou na cama, pondo suas mãos sobre as de August.

Bae’Sorim, os Khuroinis estão chamando você e o grupo de Nivadalës (N.A: Escolhidos), crendo que são escolhidos para livrá-los de algo que já os persegue a tempo … – FünderBae apertou ainda mais fortemente as mãos de August, enquanto continuava – os Drachenis também estão eufóricos e os Àrnisis nem se fala. Jam’Auteûme não pôs notas, mas devem está pensando sobre também. Todos os Varbenênts aplaudem seus feitos, no entanto … bem, há perigo na fama!

No chão, o velho acordava, de supetão, mostrando um grande sorriso:

não assuste ele, Dürg’hem, seu Sorim é realmente um Nivadalë, ou melhor, um Fünder’Nivadalë (N.A: Escolhido do relâmpago), e deve agir de acordo a tal. Naquele dia, desculpe falar dessa forma para ti Bae’Sorim … naquele dia, naquela colina, você já devia ter alguma consciência do quão especial esse Sorim é. Tentar protegê-lo a todo momento é um erro.

O outro velho, que se mantinha calado por respeito a FünderBae, decidira entrar também no assunto, no entanto, pela porta, uma bela mulher entrava, com um sorriso de brilhantes destacando os lábios carmesins, interrompendo as palavras que nem mesmo fugiram da boca.

meus senhores – ela disse – O Tsaas’hem Perfi’Cio felicita-os, dizendo que deseja tratar sobre alguns assuntos urgentes. Ele também pediu para você, Sorim’Hem, desculpá-lo, pois a urgência o impede de adentrar.

August sorriu, a tensão se desvanecia com a presença da moça, tornando as coisas mais práticas a August.

diz para ele que não me importo de todo, e também diga que quando eu me sentir mais à vontade talvez o visite.

Os homens naquele quarto se despediram, seguindo a dama enquanto se enervavam, ao mesmo tempo em que August caía, com o rosto no travesseiro e a alma cansada.

LIII – Mensagens perfumadas!

Na mesma noite, naquele mesmo quarto, Fairy d’Bargeton sentava na borda da macia cama, tendo um perfume a iluminar sua presença em mesmo tempo em que o seu ser tocava os cobertores com certa destreza, acordando August repentinamente, que já se saturava dessa situação terrivelmente chata.

deseja me falar coisas importantes também, bela dama? – August perguntou enquanto se virava, aproximando-se da bela Fairy, que não se enrubescia com o ser intrusivo.

sim, você já deve ter consciência de algumas coisas. Vim aqui te contar o resto … o que, sem exagerar, realmente te interessará.

August coçou suas costas, preguiçosamente, enquanto se endireitava naquela cama, outra vez, para deixar seu corpo, cansado, numa posição agradável, onde pudesse enxergar Fairy na mesma altura, para manter algum ar digno.

mas antes – ela continuou, mordendo os lábios – deverá me contar, em detalhes e de forma verídica, o que aconteceu em Agui’Us.

Shava’Khün – August corrigiu – e na verdade nem mesmo sei o que aconteceu. Em vera, tive um surto de realidade ao me vê aqui, pois veja: em Shava’Khün parecia, realmente, que eu estava dentro de algum reino esquecido enquanto eu andava por diversas minas, pontes, construções, tudo dentro do abismo perfurado pelas luzes do dia.

Sentado naquela cama, August começou a contar, em detalhes, todas as informações pertinentes para Fairy que, como uma criança, ouvia boquiaberta, sentido até certa inveja na aventura mágica que o seu sócio participara.

então, amarraste seus colegas, enfrentaste seres mágicos e, ainda por cima se encontraste com alguma forma de divindade? – Fairy disse por fim – ao mesmo tempo em que acredita que tudo não se passara de uma mentira descabida, feita apenas para testar seus sentidos? Em condições normais eu não acreditaria, mas as informações de que Agui … digo, Shava’Khün se libertou da antiga maldição parecem ser reais. Pelo menos do que as fontes Khuroinis contaram, não pode ser mentira, ao fim …

decerto, porém ainda existem algumas coisas das quais não sei, por exemplo: uma Götvhin de meu grupo fugira com um Sorim perto do final. Aparentemente eles são a prova mais do que física dos fatos. Além de que, outra: estou com uma cicatriz em minha cocha, sendo que, se fosse mesmo apenas uma ilusão, ela não existiria. Tudo o que eu vi pode ser real ou falso, ou melhor, dada as circunstâncias tudo parece ser real, eu sei, idiotice, mas acho que ainda não sei ao certo se o que se passou foi físico ou não …

Fairy descobriu August, vendo a perna nua marcada.

decerto – ela disse – é uma questão e tanto! Todavia, é fato para nós shidtenis: as ilusões de vez em quando machucam tanto quanto o físico. Como foi um jogo criado por uma divindade, não duvido que toda a dor, a dilaceração, tudo tenha sido tão real que realmente machuque.

então no fim, nada me ajuda a quebrar minhas dúvidas? Que tedioso … espero que suas novidades me animem.

Com um suspiro rápido, Fairy passou a buscar as palavras em sua cabeça. As informações descritas por August eram intensas e emocionantes, então, de mesma forma, ela buscava obter o mesmo efeito no que fosse falar, pois senão o arrependimento poderia fazer a confiança partir-se.

Jam’Auteûme se move, internamente e externamente … – Fairy começou a falar, como se a narrar alguma história – Uma tropa de 500 FlieBenders (N.A: Fluentes), que vem sendo preparadas desde muito tempo, já inicia a marcha ao leste, enquanto os espiões já banham suas adagas em veneno, cobiçando o pescoço de cada homem e mulher das planícies. Enquanto isso, veja só, Àrnisis dão o braço para os clãs Valü, Ëls e Sâlkhi, ao sudeste, e os clãs Namar, Züun e Süder ao leste. Eles planejam proteger as planícies, construindo uma torre para conter os avanços dos FlieBender, a algum tempo, desde a primeira campanha. Todavia, os atritos causados pelas pequenas tribos da serra Leafi’Tod vem causando algum ódio entre os Khuroinis das bordas, que estão lentamente se fechando diplomaticamente com os Varbenênts, até mesmo cogitando alguma guerra. O clã Fallen do império Drachenis também se vê inacessível, desde o momento em que eles temem que os Kleinis fujam de suas montanhas e minas …

Com a pausa de Fairy, August coçou o queixo, a pensar. Sua boca a falar, revelou o sarcasmo, que contido entre as fronteiras, revelava alguma vontade furtiva.

tudo isso por uma ruína – eis a frase – talvez seja por isso que nos destruímos tanto no presente.

Fairy não riu, pois estava tensa e de alguma forma nem entendia bem o significado total do tom. No entanto, para não se constranger, também desejava falar, por bem conseguinte.

os Khuroinis no entanto – ela disse quebrando o sarcasmo – tem um desejo, um desejo bem antigo, de reaver o seu lar, nas ruínas fundamentais de Vana’Beuti. Sabendo de seu êxito em Shava’Khün, eles desejam que você a reconquiste. Porém, pode haver repercussões maiores do que se deseja, podendo causar danos irreversíveis a ti e as pessoas ao se redor. Por isso, pense bastante sobre isso, antes de fazer qualquer coisa que possa se arrepender …

Terminando, Fairy saiu do quarto, acenando num tchau.

Vendo a escuridão no exterior, August também desejou acenar para a própria consciência, adormecendo uma outra vez, com a vontade de passar toda a noite sem pensar em tanta politicagem irritante.

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