Arauto Negro (Versão alternativa): Capítulo 3

Cerimônia de abertura! (Parte 2 Final)

 

 

 

>IV<

 

 

 

 

O ginásio era uma estrutura de designer moderno e arrojado. Tinha a capacidade de comportar uma plateia de até 10.000 pessoas. Era um dos quatro ginásios da academia. Usados principalmente para aulas de combate mágico, testes e competições.

 

Eileen guiou Aur através de uma entrada exclusiva para membros que organizavam a cerimônia.

 

O som de passos dos dois ecoava pelo longo corredor.

 

O corredor terminava atrás de um auditório improvisado onde alunos e funcionário corriam de um lado para o outro finalizando os preparativos.

 

Entre essas pessoas se destacava uma jovem garota de olhos verde, cabelo preto, amarrado em duas caudas laterais que dava um ar infantil. Se não fosse pela cor de seu uniforme preto, ninguém acreditaria que aquela garota de aparência infantil fosse uma aluna do 4º ano.

Essa jovem era nada menos do que a vice-presidente do Conselho Estudantil. Megan Muggulis. A Bruxa que ocupa a 9º Posição do Ranking do 4º ano.

 

― O que há com isso seus lixos? Trabalhem mais rápido! Não temos muito tempo até o inicio da cerimônia!

 

Megan gritava ordens para os membros que eram alunos voluntários – voluntários a força.

 

― Megan? ― Aur perguntou incrédulo.

 

Ele não conseguia acreditar que a gentil irmã mais velha de suas lembranças estava gritando todos aqueles abusos verbais.

 

Megan virou-se rosto em direção a voz que chamava com um olhar afiado. Mas assim que notou o rosto de seu irmão mais novo, seu olhar se tornou suave. Sem hesitação ela correu em sua direção e pulou sobre Aur, derrubando-o no chão.

 

Com uma voz doce, muito diferente de momentos atrás, a pequena garota falava freneticamente:

 

― Aur é você mesmo?! Caramba se passaram três anos! Senti tantas saudades!

 

― Estou feliz por vê-la Megan ― disse Aur respirando com dificuldade. Podia sentir seus ossos estalando sob a força surreal de sua irmã. ― Ficaria ainda mais feliz se puder diminuir a força do abraço. Não quero morrer por excesso de abraço.

 

Megan corou levemente e soltou Aur, permanecendo montado sobre ele.

 

― Sabe é um pouco embaraçoso se você continuar nessa posição…

 

― Me desculpe Aur, acabei me empolgando ― ela saiu de cima dele. Virou-se para Eileen e falou: ― Presidente todos os preparativos estão quase prontos. Se me der licença deixarei o trabalho restante em suas mãos.

 

Eileen apoiou as mãos na cintura, e riu gostosamente.

 

― Obrigado por seu trabalho duro, Megan. Como P-r-e-s-i-d-e-n-t-e do Conselho Estudantil irei assumir o trabalho restante. Vou garantir que os calouros tenham uma boa lembrança da cerimônia de abertura fufufu! Divirta-se com seu irmão!

 

― O-ooo que?! ― Aur exclamou. ― Ela realmente e a Presidente do conselho estudantil?

 

Estufando o peito, sorrindo de forma convencida, Eileen falou orgulhosamente:

 

― Eu disse não disse que logo você descobriria minha grandiosidade?

 

― Aur não olhe para ela. Melhor: finja que é apenas um mosquito irritante.

 

― E-eeiii quem você está chamando de mosquito irritante?! Sua nanica!

 

― O-oooquee?! Quem você está chamando de nanica?! ― Megan gritou de volta.

 

As duas se encaram e ao mesmo tempo uma atmosfera sufocante caiu sobre os alunos presentes. Uma membrana energética escura subiu aos poucos de Megan, roubando toda luz e calor do ambiente. Enquanto Eileen liberou uma membrana energética resplandecente como os raios de luz solar, ofuscando a visão.

 

As duas eram literalmente a Luz e Trevas.

 

Mesmo não sendo afetado diretamente pela colisão das auras mágicas. Sabia que toda energia e força presente na simples manifestação de suas auras. Era o suficiente para causar sérios danos em qualquer aluno presente.

 

Então esse é o real poder daqueles que estão no top 10?

 

As duas energias, luz e trevas, se colidiram e se teve inicio a uma competição de força.  Aur foi forçado a recuar por causa da pressão crescente das auras mágicas. De longe continuou observando o que seria um “cabo de guerra” entre energias.

 

― Sério. Essas duas não cansam de lutar?

 

― As preparações estão atrasadas por que elas não conseguem evitar brigar a cada minuto.

 

― Eu nem me importo mais.

 

― Sim. Sim. Só tenham cuidado para não ficar no caminho, caso não desejar ficar alguns meses no hospital.

 

Por um momento Aur ficou preocupado com Megan. Mas ao ouvir os comentários das pessoas ao redor, soltou um suspiro aliviado.

 

Parece que é uma rotina a briga dessas duas, pensou Aur.

 

Minutos depois do cabo de guerra entre energias. Em um instante a aura resplandecente de Eileen aumentou drasticamente, dominando de uma única vez a aura escura de Megan, empurrando-a para trás.

 

Megan caiu no chão sobre um joelho, respirando asperamente.

 

― É minha derrota ― admitiu Megan.

 

Eileen apenas sorriu em resposta.

 

― Ei, amado irmão vai ficar só olhando com a boca aberta! ― gritou Megan irritada. ― Não vê que sua frágil e adorada irmã precisa de ajuda!

 

Aur suspirou em resignação e ajudou ela se levantar.

 

― Estou fraca. Me leve como uma princesa.

 

― Isso é meio embaraçoso…

 

― Por que está envergonhado Aur? Em casa você me carregava sempre que eu pedia!

 

De forma relutante Aur envolveu seus braços em torno da cintura de Megan e a pegou, carregando-a como uma princesa mimada.

 

― Ei, todo esse love-love…vocês realmente são irmãos? ― perguntou Eileen.

 

Eu me faço essa pergunta todos os dias, pensou Aur. Embora eu tenha minhas dúvidas se realmente somos irmãos de sangue. O passado é muito nebuloso.

 

― Sim ― respondeu Megan, descansando sua cabeça no peito de Aur. ― Esse é o nosso amor…Quero dizer carinho de irmãos.

 

― Por favor, não diga palavras que pessoas podem compreender errado! ― protestou ele.

 

― Compreender o que errado, Aur? ― perguntou Megan, olhando para Aur com olhos de cachorrinho. ― Você me ama, não ama?

 

Os olhares estranhos só aumentavam conforme Megan abria a boca.

 

― Sim ― respondeu ele, cansado. ― Como irmã.

 

Megan sorriu.

 

― Oh, então não há problema, amado irmãozinho.

 

Depois das provocações os dois deixaram o auditório. Seguindo as orientações de Megan, chegaram até parte da arquibancada com visão panorâmica da arena.

 

Bruxos e Bruxas de todas as partes do reino lotavam as arquibancadas. Conversavam entusiasmadamente com seus colegas, corações cheios de antecipação pela nova vida na academia.

 

Aur não pode deixar de ficar fascinado ao ver tantos bruxos reunidos em um único lugar.

 

Enquanto esperavam o inicio da cerimônia de abertura, os dois conversavam alegremente sobre o tempo que passavam juntos na mansão. Sobre as brincadeiras de crianças e peças que pregavam nos empregados da mansão. Sobre quando deixavam a mansão secretamente, aventurando-se pelas ruelas do distrito da cidade-estado.

 

E contaram também um para o outro tudo que passaram nesses anos separados.

 

― É pensar que você se tornaria tão forte! ― disse Aur com orgulho. ― Não esperava que estivesse na 9º Posição do Ranking do 4º ano!

 

Aur e Megan praticavam magia negra, mas com aplicações diferentes. Megan havia se especializado em magia negra do Tema <fortalecimento>, dando lhe grande força bruta e resistência. Seu método único de lutar usando magia negra em combate corpo a corpo lhe rendeu muitos títulos, quais muitos ela não gostava.

 

Ela era forte, mas se fosse para apontar uma fraqueza. Seria sua forma de lutar franca e direta, sem qualquer estratégia.

 

― Bem, esse é meu limite ― disse ela desenhando um meio sorriso. ― Você sabe como luto, não sou uma adepta de táticas. Todos da 8º Posição para baixo são um bando de monstros em pele humana. É impossível derrota-los apenas com força bruta.

 

Aur assentiu silenciosamente.

 

― Quem é exatamente Eileen?

 

Anteriormente Aur pensou que ela fosse apenas uma cabeça de vento. Uma belíssima cabeça de vento. Mas depois de ver o cabo de guerra mágico entre elas. Ficou claro que Eileen era mais do que aparentava ser.

 

Quando pensava no momento que ela o pegou desprevenido, cobrindo seus olhos, suava frio ao pensar o que ela poderia ter feito caso tivesse más intenções.

 

― Eu estou a três anos ao lado dela, mas não posso dizer que entendo o que se passa em sua cabeça ― disse Megan agarrada ao braço de Aur, esfregando seu rosto no peito dele. ― Como teve ter percebido, Eileen é uma Trans-humana. Mesmo entre os Trans-humanos ela é especial. Única. Seja combate corpo a corpo ou em ataque mágico de longa distância, ela é imbatível.

 

― Sua posição no topo do ranking não é por nada ― murmurou Aur. ― Mudando de assunto, Megan. Por que você está me cheirando! Por favor, pare com isso e se comporte como uma irmã normal!

 

― Não seja tímido, irmãozinho. Isso é apenas uma demonstração de carinho…

 

― Não, não, não é.

 

― Sabia que o sonho de todo irmão é ter uma irmã mais velha carinhosa igual a mim.

 

― O meu sonho é ter um irmã mais velha normal!

 

Para os Bruxos que observava a briga dos dois, não eram diferentes de um casal de idiotas. Depois de provocar Aur o suficiente, Megan se tornou séria e começou a contar mais sobre a Academia, Professores, áreas de treinamento e os Bruxos que tinha que ter cuidado. E aqueles que podia ajudar em troca de favores.

 

― Tenha cuidado redobrado com os filhos das grandes casas nobres e seus vassalos ― alertou Megan num tom sério. ― Eles odeiam nossa família. E diferente de mim, você é herdeiro da Casa Muggulis. Eles são traiçoeiros e não duvido que vão tentar de prejudicar de alguma maneira.

 

― Sapientiam autem non vincit malitia ― disse Aur no idioma antigo, sorrindo, traduziu: ― Contra a Sabedoria, o mal não prevalece.

 

― Bancando o sabichão como sempre ― disse Megan. Ela conhecia bem Aur, sabia que ele era do tipo que age racionalmente, pelo menos até alguém o irritar. ― A cerimônia de abertura vai começar. Logo você vai ver um bom show.

 

Minutos depois. Eileen subiu até o auditório e começou seu discurso. Diferente de anteriormente, ela tinha uma expressão séria e suas palavras carregavam seriedade e autoridade – falava como uma pessoa de poder, como alguém que tem o poder de decidir o certo e errado.

 

― Difícil acreditar que é a mesma pessoa de antes ― murmurou Aur, maravilhado. ― Agora sim parece com uma verdadeira Presidente do Conselho Estudantil!

 

Diferente da expressão fascinada de Aur, Megan não tinha menor interesse.

 

― É tudo faixada. Depois do discurso ele vai se trancar em uma sala e ficar uma hora agachada, tremendo.

 

Seu discurso enfatizou sobre as regras e normas da Academia. Falou sobre as regras de duelo e o novo sistema obrigatório de duplas que enfatiza na luta de dublas. Para aqueles que desejavam os benefícios. A melhor forma era cumprindo missões para academia, ou desafiar pessoas bem ranqueadas. Quanto mais alta for sua posição no ranking, melhor será o tratamento dado pela academia.

 

Explicou que o primeiro ano de curso possui 600 alunos no total divididos em 20 classes com cada uma 30 alunos. Cada Classe tinha seu nome único e emblema, assim como uma classificação geral entre as 20 classes.

 

Melhores recursos. Instalações. E Professores especializados. São recompensas das classes mais bem ranqueadas – um método de incentivar a competição entre os calouros, visando o desenvolvimento dos alunos.

 

Para estimular as chamas da competição no coração dos calouros Eileen listou algumas recompensas. Entre ela houve um item que chamou atenção dos alunos presentes.

 

― Como devem saber um Bio-Traje de Batalha Mágico é um dispositivo tecnológico que realça as capacidades físicas e mentais do usuário. Nesse ano, para os calouros que mais se destacarem, podem ganhar um bio-traje! ― disse Eileen, fazendo os calouros presentes entrar em alvoroço. ― Para aqueles que possuem seus próprios bio-traje pessoais, não se esqueçam de fazer registro no Conselho Estudantil. Caso contrário não poderá ser usado em duelos e competições oficiais.

 

Aur estava ciente que os alunos mais proeminentes do 3º e 4º ano recebiam Bio-Traje padrão como incentivo. Mas não esperava que a academia fosse tão “benevolente” ao ponto de estender esse incentivo para os calouros.

 

É necessário ficar claro que um bio-traje é um dispositivo tecnológico criado a partir de uma relíquia antiga chamada de “Armamento Mágico”. A infraestrutura e materiais necessários para criação de um único bio-traje estava na casa dos milhões.

 

Para os bruxos vindos de famílias normais e até mesmo alguns nobres de casas menores, um bio-traje era dispositivo que sonhavam em obter.

 

― Se não me engano. Seu bio-traje é do Tipo Vanir, certo?

 

Megan balançou a cabeça positivamente.

 

― Sim. Bio-Traje Tipo Vanir é o mais adequado para meu estilo de luta. Focado em habilidades de fortalecimento e possui uma defesa excepcional, uma das melhores entre os cinco tipos de bio-trajes.

 

Atualmente existem cinco modelos de Bio-Traje: Olimpiano, Aesir, Vanir, Draconiano, Valkiria. Cada bio-traje possuía sua própria especialidade classificados em três classes distintas: Vanguarda, Especialista e Biótico.

 

O bio-traje tipo Vanir pertence exclusivamente a classe Vanguarda – criado especialmente para bruxos especializados em magias de fortalecimento e defesa.

 

― Conhecendo o pai, ele deve ter lhe dado aquele protótipo baseado naquela relíquia antiga…

 

Aur levou o dedo até a boca, pedindo para ficar em silêncio.

 

― Esse não é um local adequado para falar sobre esse assunto ― disse Aur numa voz baixa. Ele aproximou a boca até ouvido de Megan e sussurrou: ― Os engenheiros mágicos conseguiram deixa-lo funcional. Apesar de que sou o único que consegue usar até agora.

 

Megan estava surpresa pelos engenheiros mágicos conseguirem tornar aquele bio-traje bizarro funcional.

 

― Entendo Aur. Depois da cerimônia deixe seu bio-traje comigo, vou registra-lo pessoalmente para evitar perguntas desnecessárias das pessoas ao redor.

 

― Vou deixa tudo em suas mãos, Megan.

 

Minutos mais tarde Eileen terminou o discurso. Do outro lado do anfiteatro surgiu uma grande plataforma metálica flutuando sobre a superfície. Preso por um campo de força de energia havia uma terrível criatura que parecia ter saído do reino dos pesadelos.

 

Era uma monstruosidade com aproximadamente 4 metros de altura. Parte traseira de seu corpo era o de um bode e uma cauda serpentina, com a cabeça de cobra. A parte dianteira era de um leão. O monstro tem duas cabeças. Uma era de um feroz leão de olhos vermelhos que ao rugir fazia o ar tremer. A outra cabeça era de um bode com chifres curvados, lançando pequenas labaredas de fogo.

 

Esse ser vivo que parece ter saído do próprio inferno era uma das pragas que estavam por todos continente do mundo. Uma praga que ameaçava a civilização humana. Criaturas como essa eram catalogadas com nomes científicos de difícil pronuncia, mas era simplesmente chamado pelo povo de: monstro.

 

― Que criatura terrível! ― exclamou Aur ao ver a criatura. ― É a primeira vez que vejo um de seu espécime!

 

― É natural que você nunca tenha visto um desse antes. Essa é uma Quimera. Diferente das montanhas e terras do norte, esse monstro faz seu habitat em pântanos e lugares úmidos. A capturamos alguns dias atrás nos Pântanos de Squamata na região oeste do reino.

 

Aur arregalou os olhos de surpresa. Os Pântanos de Squamata era uma área proibida. Um lugar repleto de perigos: desde uma simples planta que com um toque pode matar um bruxo, até terríveis monstros que podem rasgar a blindagem de um fragata – uma classe de aeronave pequena – como se fosse papel.

 

― O que ela está planejando fazer?

 

Megan desenhou um sorriso travesso.

 

― Não se preocupe. É apenas uma apresentação de boas vindas para os novatos. Uma apresentação para mostrar o poder daquela que ocupa o cargo de Presidente do Conselho Estudantil.

 

O campo de força da plataforma foi desligado. A Quimera estava livre.

 

 

 

>V<

 

 

A Quimera deixou a plataforma e encarou a multidão barulhenta. De forma repentina correu em direção as arquibancada. Vendo aproximação do monstro, os calouros entraram em pânico, correram para todos os lados. Alguns ficaram paralisados de medo. Tremendo. Incapazes de deixar seus lugares.

 

No meio da confusão, Aur, continuou sentado tranquilamente em seu lugar. Observando os acontecimentos como se fosse um bom show.

 

― Não tem medo que ele venha para esse lado? ― perguntou Megan.

 

― Não acredito que vocês cometeriam o erro de libertar o monstro e nos deixar indefesos.

 

― Não pensou na possibilidade de ter ocorrido uma falha, causando o desligamento do campo de força?

 

― Foi a primeira coisa que passou por minha mente. Mas descartei essa linha de pensamento ao notar suas expressões. Tanto você como a Eileen e a equipe lá embaixo não parecem nada surpresos. Então deduzi que fosse parte do show que você havia mencionado anteriormente.

 

Megan assentiu de forma satisfeita.

 

― Como esperado de meu irmãozinho! Muito perspicaz!

 

Assim como Aur havia previsto. Quando a Quimera saltou em direção das arquibancadas, foi repelido para trás por uma membrana energética invisível que envolvia toda arena protegendo as arquibancadas.

 

― Por que estão com tanto medo? Por que não sacaram seus cajados e varinhas? Por que não mantiveram a mente calma e analisaram a situação? Depois dessa demonstração patética ainda podem chamar a si mesmos de Bruxos?

 

A voz alta e fria de Eileen ressoava por todo ginásio.

 

Um por um foi se acalmando, voltando aos seus sentidos ao ouvir a voz dela.

 

― Um Bruxo Enoquiano não tem medo! Não corre! Não chora! ― sua voz ressoava com uma força dominadora pelo estádio. ― Voltem aos seus lugares e vejam como teve agir um Bruxo Enoquiano!

 

Aur olhava fixamente para Eileen.

 

― Me pergunto que tipo de magia ela usará…

 

O monstro virou em direção a Eileen e liberou um rugido cheio de raiva.

 

― Roooooaaarrr!

 

O rugido poderoso aterrou os ouvidos dos bruxos próximos, tornando suas pernas moles. Era um rugido que impunha medo naqueles que ouvia.

 

A Quimera saltou para frente e correu freneticamente em direção do auditório. Eileen não se moveu de seu lugar, olhava para o monstro com olhos impassíveis, sem menor resquício de medo. Sua postura relaxada só mostrava que ela tinha plena confiança em suas habilidades.

 

A terra tremia a cada passo do monstro. Quando ficou 10 metros de distância do auditório, a cabeça de bode soltou um balir estridente e sugou todo ar ao redor. Logo depois lançou uma bola de fogo escaldante.

 

Antes que fosse atingida pela bola de fogo, Eileen deu um passo para frente e estendeu o braço, materializando um cajado dourado com uma esfera de cristal branco no topo, envolto por uma faixa de metal em espiral. Ao longo do cajado havia uma fileira de runas esculpidas, terminando na ponta do cetro em forma de uma ponta de lança.

 

Dispositivo de Auxilio de Invocação – conhecido como arma sintética de bruxo.

 

Nos dias atuais, substituindo os velhos métodos de invocação de magia, cajado de bruxo é um dispositivo tecnológico mágico indispensável para qualquer bruxo moderno. Graças a tecnologia utilizada na arma sintética de bruxo é possível armazenar <sequências rúnicas> – encantamentos – e invocar a magia sem qualquer necessidade de cântico, formulas, ou círculo mágico.

 

Conjurações e rituais que levariam vários minutos, usando uma arma sintética de bruxo, o tempo de conjuração é reduzido para segundos dependendo da complexidade da magia.

 

O dispositivo de auxilio de invocação, feito com materiais sindéticos, seu designer variava conforme o tipo de magia utilizado pelo bruxo.

 

― Iniciar sequência de análise ― disse Eileen, seus olhos pratas se tornaram duas poças de ouro derretido. ― Análise completa. Magia Elemental identificada ― ela apontou o cajado em direção da bola de fogo que avançava queimando tudo no caminho. ― Iniciando Sequência Rúnica de Contramágica: <Dispersão>!

 

Em menos de um segundo. O cajado liberou uma massa de energia invisível que ao colidir com a bola de fogo, dispersou-a em inúmeras partículas de luz.

 

O ginásio foi dominado por um estranho silêncio.

 

Mesmo Aur não conseguia acreditar no que tinha acabado de presenciar. Analisar uma magia e usar uma Contramágica eficaz em menos de três segundos, era um feito que nem um Bruxo veterano conseguiria.

 

Quando ele pensou que nada mais poderia surpreendê-lo, logo descobriu que estava enganado.

 

Eileen derramou uma quantidade massiva de energia mágica no cajado, ativando a sequência mágica gravada na joia.

 

― Trajetória do alvo calculada…

 

De repente a Quimera foi envolto por uma espiral de runas de luz, circulando ao redor de seu corpanzil no sentido horário.

 

― Analise da Estrutura Biótica Completa…

 

O monstro saltou para cima de Eileen no auditório, estendendo suas garras, pronta para rasga-la em pedaços.

 

Quando as garras da Quimera estavam a poucos centímetros de distância, Eileen ativou sua magia única.

 

― Ativando Sequência Rúnica Ofensiva: <Conjunção das Estrelas>!

 

A espiral de runas ao redor da Quimera lançou uma luz resplandecente, ferindo os olhos da plateia. Antes de Aur cobrir os olhos com as mãos, pode ver parte do monstro sendo desintegrado pela alta concentração de luz solar.

 

Quando a luz cessou, tudo que havia restado da Quimera era uma pilha de pó.

 

Todo ginásio foi dominado por um silêncio sufocante.

 

Aur abriu a boca para tentar falar algo, mas sua voz não saia.

 

― O que você acha? ― perguntou Megan, num tom baixo. ― Essa magia não te lembra de algo?

 

Aur assentiu.

 

― Embora tenha algumas diferenças, o conceito é o mesmo da Magia Negra <Decomposição>. Eu não sei o que é mais chocante: o fato do cajado poder gravar a sequência de uma magia tão complexa, ou o fato dela poder ativar essa sequência mágica complexa como se fosse nada.

 

Seus olhos vermelhos olhavam intensamente para Eileen que voltou a discursar para os calouros.

 

― O pai e avô vivem dizendo que sou um gênio que é visto somente a cada mil anos ― respondeu Aur com sinceridade. ― Se isso for verdade, como chamar essa garota que demonstrou tamanho poder? ― Aur curvou os lábios em um sorriso quebrado, insano. ― Ela está em outro nível! Em um reino que pode só pode ser pisado por aqueles que deixaram para trás sua humanidade.

 

Olhando para aquela pessoa que ela tanto amava, para aquele sorriso cheio de loucura, sentiu um calafrio na espinha. Por mais que não quisesse admitir, sabia que aos olhos de Aur, Eileen era uma companheira. Alguém que como ele havia deixado para trás parte de sua humanidade.

 

E assim foi a Cerimônia de Abertura da Academia de Bruxos Hesperus.

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