GartenGüt (O Jardim dos Deuses)!

Capítulo XXI – O presságio!

LVIII – À quem vem com as palavras!

E lá, sentado numa enorme mesa, com um grande porco assado em cima dum prato testemunhando, junto com uma multidão curiosa, August estava, tranquilo, como um astro, contando suas mais belas histórias para todos aqueles que se dispunham a ouvir, contando cada parte que interessava ao público e, principalmente, a ele mesmo.

eu ainda não entendi – dizia Katyan’Neruch, com um sorriso surpreso – como um sonho poderia ser real. Quero dizer, como você poderia vir a morrer através disso?

August tentou responder cada pergunta toda vez em que perguntavam, no entanto ele foi-se cansando com o tempo, acelerando todo o desenvolvimento, até o final (o grande final) que fez todos ficarem boquiabertos.

Nesse seu final, August resolveu inventar, com as mais doces palavras, que um herói surgiria de algum lugar das planícies, pela voz de deus, e que esse faria, finalmente, todos os Varbenênts vitoriosos contra os shidtenis, levando a bandeira de todos os clãs exilados as mais belas penínsulas e ilhas!

Todos que ali estavam, ficaram emocionados com as palavras, sentindo fervilhar certo sentimento incompreensível, do qual talvez poucos dali sentiram, ou sentiriam, em toda à vida sofrida.

August era um bom contador de histórias, ele sabia como contá-las, já que muitas vezes, por culpa de sua doença, e também pela ausência de amigos, ele acabava tendo apenas isso para sobreviver. Sendo desta forma, ele conseguia se expressar como quisesse, sem muito pensar, fazendo aquela multidão de bárbaros ignorantes sufocar com todos os sentimentos que a fala simulava.

Clap …

Palmas foram escutadas, ao fim, enquanto uma grande voz se pronunciava:

amigos e amigas – era Xeni’Hisch, levantando sua taça de licor ao alto, e falando, tão bêbado como estava – vejam bem como o futuro é belo. Todavia, tudo pode mudar no exato momento em que formos displicentes! Olhem, um menino desavisado quase morre por não saber, e olhem mais ainda, o mesmo tem a capacidade de viajar pela vontade dos deuses ou o que valha! Já imaginou se ele morresse, como toda dádiva se perderia! Como fetos desta família, que tão diferente veste armaduras, digo: é hora de proteger o presente com nossos velhos corpos, para que o futuro seja belo e resplandecente!

Ehhhh! – gritou todos que ali estavam, fazendo com que a colina reverberasse de alegria.

meu estúpido marido fazendo um belo discurso? – Katyan’Neruch sussurrava sentada ao lado – posso ficar apaixonada outra vez, que estranho!

Em meio a toda aquela muvuca, onde August era o astro junto de Xeni’Hisch, uma voz cortava a cena, vinda da tenda principal, enorme, atrás donde a multidão se reunia. A voz dizia:

Bae’Sorim! – e após isso falhava, como se não restasse forças, no entanto atingia todos ali, pegando para si a atenção, de todos aqueles que paravam, cessando a comemoração, estando ao fim muito atordoados para tal.

Xenit! – August disse nervoso, se levantando da cadeira com algum olhar insano, vendo-a. No silêncio, ele foi o primeiro a reagir.

eu … eu … – vendo-o correr para sua direção, ela tentava falar donde estava, sem forças. Vendo a imagem, August correu para a figura, pulando por cima da mesa, e passando pela multidão que o prendia!

não fala, não fala. Vamos descansar primeiro, você não precisa disso! – ele disse ao suportá-la.

não, não! Nunca mais dormirei, sonharei, mas eu … eu … eu! – e ela respondeu, como se estivesse sufocada … desesperada.

não precisa, apenas deite … – August então carregou Xenit em seus braços de volta para a tenda, fazendo com que a multidão, que acompanhava, ficasse surpreendida!

mas que bela imagem – todos intimamente pensaram.

*

eu … eu … – De volta para a sua cama, Xenit tentou dizer algo, outra vez, sem ter sucesso. August que estava do lado, apenas a cobria enquanto buscava uma cadeira para si.

veja Xeni … – disse August, encarando-a – eu sei que você tem muitas coisas necessárias para falar, no entanto … descanse. Eu não sei o que você passou … em vera, não desejo de todo saber … mas tenho certeza que você foi punida … coitada – August parou por um momento, vendo o rosto de pena que Xenit fazia ao escutar a palavra “punida” – … não se deixe abalar por isso …

Um silêncio se sucedeu por longos minutos, enquanto Xenit, deitada onde estava, lançava seu olhar para o teto, buscando alguma verdade. Nesse tempo, Katyan’Neruch, seguida por Xeni’Hisch, entrou na tenda, de olhares preocupado, enquanto Hisch dirigia certas palavras para August:

o que houve com nossa filhinha – ele perguntava, vendo sua Xenit aparentemente adormecida – me diga que ela ficará bem … me diga que ela não ficou aleijada ou qualquer coisa do tipo … eu não suportaria!

deixa de ser manhoso … Hisch – Katyan consolava, na sua forma doce – ela ficará bem, sempre fica, não importa o machucadinho. Bae’Sorim, você que esteve com ela, tão de perto, sabendo tantas coisas reveladoras e, até mesmo, bonitas, me diga: por que isso acontece com ela?

August, sentado, olhando para Xenit, sentia uma dor. Ele não desejava contar a verdade que ele conhecia, preferindo dizer, como tudo que disse até ali, uma mentira.

trauma de emanação natural. Ela está se sentindo mal por conta disso …

Com essas palavras, os pais de Xenit suspiraram, enquanto colocavam a mão no ombro de August, sentindo um sentimento bom, de esperança.

Habilidade inata aprendida; Menzogna’Dio! Todas as suas mentiras parecerão reais e seu rosto nunca causará desconfiança, além de se tornar bem mais atraente a qualquer um que te veja!”

No ombro de August, ele sentiu alisarem, enquanto, furtivamente, lágrimas cristalinas caíam de certos olhos. Ele percebeu que, caso realmente quisesse ouvir as palavras de Xenit, precisaria despachá-los, visto toda essa emoção exagerada!

sinceramente, vamos dá algum espaço para ela. Ela precisa descansar antes de fazer qualquer coisa.

e você?

terei que ficar aqui pra ver a condição dela, conferir se realmente está tudo bem … se não há nenhuma sequela …

Os pais concordaram e, logo em seguida, se retiraram. Desta forma, Xenit abriu os olhos, com um sorriso.

eles fariam um escândalo, sabe, me vendo dessa forma.

August riu, respondendo:

realmente, não duvido disso.

Pegando na mão de Xenit, August continuou, com um sorriso indescritível, que fez aquela em sua frente sentir alguma palpitação em seu peito. Mas que belo, era o que ela pensava intimamente.

está melhor? – Xenit respondeu um sim com a cabeça – então me diga, o que queria falar comigo?

Xenit levantou o seu corpo naquela cama, enquanto endireitava a postura. Sua cabeça não entendia bem todos os sentimentos que se passava, no entanto, ela compreendia que estava, literalmente, protegida por uma força maior.

Mas que força maior era essa, que ela sempre escutava mas que, no entanto, não tinha ideia de como funcionava. Deste modo, ela não poderia vir a perguntar, com as mais doces intenções, senão:

antes disso, me fale … – ela tinha um sorriso bem doce, que parecia querer devorar-nos, com sua branquidão infinita – o que é você?

August se sentiu impressionado, mas desfez seu sorriso, por um breve segundo, enquanto observava, mais profundamente, Xenit, que tentava manter seu rosto simpático, quase se desmanchando num sorriso sarcástico.

eu não sei – August respondeu, honestamente, por fim, vendo que não encontrava nada revelado, o que também poderia ser, talvez, para conquistá-la – mas parece que isso não importa muito no fim.

Xenit ficou um tanto decepcionada, enquanto encolhia o seu corpo, como se sentisse frio. A resposta não revelava nada … assim como sua face.

ele te chamava de herói … não entendi o porquê … – ela disse … um tanto cabisbaixa, enquanto endireitava o queixo em direção a August. Ele, com a palavra, se levantou da cadeira, andando de um lado para o outro, enquanto dizia, finalmente:

então você conheceu Agui’Us?

Xenit, fechando suas mãos com ódio, respondeu:

sim, o conheci muito bem – enquanto caía em lágrimas …

Vendo-a dessa forma, August, num passo rápido, a abraçou, tornando-a em seus braços, enquanto a mesma chorava, saindo soluços da sua boca. Ele quase acariciou seus cabelos naquela situação, percebendo talvez bem mais do que deveria, ou que queria.

a pior parte é que, não … sim … a pior parte é essa mesma – ela tentou se libertar dos braços, segurando-o e observando para dentro de seus olhos – a pior parte é que tudo foi culpa minha, de ninguém mais, só minha …

August outra vez a embraçou, com os belos dizeres que a consolava, futilmente, mas que, na tentativa, ainda a deixava feliz. Todos os culpados desejam em seus braços alguém assim …

estou te enchendo de bobagens, entendo – ela disse com sua voz frágil, quase desaparecendo – mas acho que devo te dizer o principal.

se quiser … – August respondeu, ajeitando o seu cabelo, pondo-o pro lado para vê os belos olhos da beleza que era Xenit.

não fala isso, pois realmente não quero te dizer …

por que não? – ele perguntou …

no momento em que eu te falar, você irá embora, me deixando sozinha … – August sorriu com as palavras, dizendo, quase que alertando-a:

você tem bem mais do que imagina, sabia.

eu sei – e Xenit respondeu, um tanto depressiva – mas apenas você não me julgará, mesmo sabendo o quão podre eu sou … por dentro. Do que eu sou capaz de abandonar.

August ainda observava-a, com um sentimento estranho invadindo seu peito. Nesta, com um movimento estranho por sua parte, sua cabeça caiu sobre os peitos de Xenit falando, da forma que não queria falar desde o começo:

não te julgo pois estou numa situação pior que a tua – ele se lamentava intimamente, como se ali, apenas ali, fosse permitido fraqueza – nesses meses que cá estou, já fiz tanta coisa desprezível que parece que minha mente explodirá. No entanto, preciso ser forte, muito forte, mais forte do que todos, para conseguir chegar onde eu quero. Por mais que de vez em quando eu só queire fugir …

Xenit, como uma doce mãe, alisou seus cabelos, dizendo, na sua melhor forma, o que deveria falar:

August … – ela falou com um sorriso recheado com uma bondade sem precedentes – Agui’Us me disse isso: August vá para onde a terra se perde! Eu não entendi, mas ele disse que era para você, ninguém mais. Por isso, vejo que seu futuro será verde, mais verde do que de qualquer pessoa, por mais que no fim possa morrer por conta disso.

Com as palavras, August levantou sua cabeça, vendo o sorriso de Xenit, enquanto sua mão pousava em seu queixo. Num movimento sútil, as bocas se encontraram, finalizando o arco do belo presságio …

Nota do Autor:

Capítulo curto por culpa do ENEM. Foi mal …

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2 comentários em “GartenGüt (O Jardim dos Deuses)!

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