GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

Capítulo XXII – O que faremos …

Arco II – Onde a terra se parte?!

I – O prosseguir!

Sentado numa cadeira, com os cotovelos em cima de uma mesa, August caía com sua cabeça sobre a mesma, reimaginando o dia e o futuro que dali se seguiria.

Ele sorria, era estranho, mas talvez as coisas estivessem em seu bolso, por isso ele persistia, reimaginando todo o mundo, tão bonito quanto ele poderia ser, da forma qual ele o faria; da forma sua, apenas sua.

estou a entrar! – disse uma voz vinda de nenhum lugar, caminhando por toda a Yurt, até pousar, puxando uma cadeira, na mesma mesa que August. Essa voz era possuída por um Khuroin chamado Jyo’Sallägära, vindo como um mensageiro e consultor, do qual já a muito desejava falar com August – corto os seus pensamentos?

Olhando-o de frente, com uma face bem confusa, August observava de perto os traços tão belos daquela raça especial, chamada de seres da floresta na linguagem das planícies.

só estou impressionado, as características de seu povo é … tão belo. Tira-me as palavras da boca – August disse, com os olhos caminhando por toda a parte, deslumbrando as orelhas redondas, os olhos azuis profundos e o cabelo claro, além da pele marrom, oleada, que se destacava bem num contraste com os seus pelos faciais.

que exótico, poucos Varbenênts dizem isso. – Jyo respondeu, com um sorriso, enquanto colocava certos papéis em cima da mesa. Suas mãos de algum modo tremiam, enquanto ele seu sorriso constantemente se desmanchava e se reintegrava.

August continuou:

sua espécie têm traços delicados e Varbenênts não gostam disso, já que, veja só, devemos ser fortes. Outro dia, uma senhora teve o filho morto por uma picada de aranha, isso foi piada durante dias, só para ilustrar nosso repúdio pelas coisas fracas!

Nesta, Jyo riu, enquanto respondia em seguida, de alguma forma ainda, sem conter certo nervosismo:

Heh, entendo, pra não ser devorado pelas planícies, vocês idolatram a força, ou, pelo menos, a imagem dela. Curioso – August olhou para algumas folhas, enquanto finalizava a conversa de botequim, de forma bem-humorada:

isso resume bem, nós, Varbenênts!

heh! Eu concordo com tal.

Ainda olhando aquelas folhas, das quais estavam repletas de runas ou letras estranhas, indecifráveis, ele tateava suas mãos, de forma bem maníaca, percebendo que dali deveria logo ir adiante, para a questão que realmente importava, dizendo:

no entanto não é bem por isso que vem – August tinha um sorriso bem indecifrável; do qual ele comumente via nos seriados de TV; que fazia Jyo ficar imerso em suas palavras – caso senão, não poria esses papéis elegantes nesta mesa de jantar. Me diga, caro senhor, cujo nome já conheço, o que deseja comigo?

sim, venho aqui com um propósito, mas quem não vem? – Jyo afirmou com um sorriso, tentando, ainda, parecer amigável; tentando tirar a impressão, do qual ele considerava tosca; que vinha através do pensamento de que ele apenas tinha interesses sobre August, por mais que aquele pra quem convencia já acreditasse firmemente nesse fato tão constrangedor de sua parte.

concordarei contigo nesta, bom diplomata – August disse, percebendo, entre a ansiedade e os olhos, que constantemente se desviavam, certo nervosismo pertinente aos seus interesses, que o fazia se regojizar, planejando certo labirinto por qual conduziria Jyo; tornando-o a se enraizar no fatal protagonista, mais ambicioso que Miro e suas mãos divinas – porém, bem, vejo que de alguma forma sou um produto a ser negociado, por tal me mantenho ansioso. Então, me diga: o que deseja de mim?

Ajeitando os papéis na mesa, pondo-os perfeitamente um por cima do outro, Jyo se virou rapidamente, quando estava prestes a falar; no finalmente; seus objetivos tão egoístas, vendo o biombo donde FünderBae saía, com a cara amassada do sono. Ele caiu num nervosismo ainda mais profundo, tornando-se a endireitar a postura, enquanto fazia uma fútil reverência.

mas já se vende? – FünderBae disse se sentando numa cadeira ao lado de Jyo, sem olhá-lo no rosto, ou sequer retribuir a reverência – que cruel da sua parte, sorim, como seu isä poderia dormir bem sabendo disso?

August riu em sua mente enquanto pensava em certas pertubações que lhe viriam caso não suportasse certa tribulação pendente. Desta forma, ele tomou a dobrar o papel enquanto respondia, com toda falta de pomposidades desnecessárias, nestas discussões familiares:

não fique irritado com isso – era sua fala – não planejo ir para qualquer ruína nesse exato momento. Seria idiotice de minha.

Ouvindo essas linhas, Jyo se virou rapidamente; com um ponto de interrogação na cabeça; para August. Sua seca fala parecia cair um tanto pesada em seu colo, principalmente em vista toda a educação desperdiçada entre ambos. FünderBae, que ainda tinha algum semblante ranzinza, fez o mesmo, no entanto com um sorriso estranho por trás das barbas. Talvez fosse o que ele quisesse, no entanto ele não seria tão emotivo em expor.

Poderia dá resultados estranhos, ele imaginava, enquanto, por fim, respondia:

então não há pelo que ser tão cortês! Enganá-lo de tal forma apenas trará má fama. De tal forma, senão for mesmo, apenas diga o que deve e se vá! Não há nada pra fazer além disso.

August riu, cinicamente, com a fala, enquanto pegava os papéis na mesa outra vez, pondo aquela já dobrada em suas pálidas mãos; que conseguiam ser mais brancas que o próprio papel; ao lado, passando a dobrar esta outra. Jyo que observava, em seu estado decepcionado, quase via um fio de esperança donde estava, com August nessa forma, tão exótica.

Não se engane isä – August então disse; fazendo certa emoção desmanchar em FünderBae, de mesma forma que outra certa renascia no pobre e confuso khuroin Jyo; – eu vou um dia, por esta sou cortês, já que preciso manter relações. Nesta, não fique mal – recitando em seguida um estranho poema, do qual ele bem se lembrava:

Sorinis Kónä

Na óla sas isä

Ótan Ánemas

Beachik a porä

Sorinis kanóun

Ótan sas rotás

Gennaína óra

De chikón per theón

(Filhos fazem de tudo por seus pais quando o vento bate a porta/ Filhos se vão quando pede tempos brabos dos deuses solitários).

Terminando de recitar o poema, do qual claramente abalava FünderBae em certo grau, August se voltou para Jyo, continuando:

No entanto, veja caro camarada, não fique tão esperançoso, pois não irei hoje, e nem sequer amanhã. Irei um dia, talvez ano que vem, não mais do que isso, mas eu vou; escute isä; e voltarei, nesta seguinte forma; escute também senhor Sallägära.

Jyo então sorriu com o final um tanto surpreendente, enquanto FünderBae se levantava de repente, resmungando algo aos ventos, enquanto se dirigia outra vez ao quarto atrás do biombo. Certa amargura lho afligia, tornando-o ranzinza sem muitos motivos.

ele ficará bem? – Jyo perguntou vendo a cena.

deverá … quero dizer … – August respondeu, enquanto terminava de dobrar mais um papel – se não ficar, bem, naturalmente apenas nos afastaremos …

II – Um adeus breve …

Os Fünder’Nivadalë que mudarão a história.

Fora assim que o grupo de August ficou conhecido ao longo de todos os dias que passavam, tendo uma grande reputação em toda planície, da qual reverberava com o fato.

No entanto, o protagonista tal ato não esperava degustá-la em qualquer momento, decidindo, poucas semanas após seu despertar, fugir pelas planícies, para aquilo que os deuses lhe ordenavam.

*

Era manhã, quando o sol nem se levantava completamente, e sequer os insetos saiam de suas tocas, tendo uma jovem figura, pálida quanto papel, carregando seus alforjes com as mais diversas tralhas, vestido com uma bela armadura de malha de aço e couro, escondida por detrás duma túnica preta, desbotando para o azul marinho.

Era tão cedo, que apenas ele estava naquela Haus’pferd (Estábulo), sendo que até os cavalos descansavam em sonos imperturbáveis, tirando Beleuchtet, que se deixava ser acariciado, enquanto os seus bolsos eram carregados.

vou … mas espero voltar – a figura pensava em sua mente – porém é muito necessário que eu vá.

August sabia o que teria que fazer e, aliás, sabia bem mais do que isso, pois, visto que não fizesse, talvez perdesse um grande presente divino. Seus objetivos poderiam desvirtuasse caso não fosse rápido em buscar aquilo que deveria, no fim.

não sei o que esses seres desejam … – ele continuou pensando – mas sei que sou escravo dos seus desejos, infelizmente. Talvez é isto o que nós chamamos de destino … ou será que …

Prestes a completar seu pensamento, saindo das luzes crepitantes das tochas, uma figura surgia como companheira ao solitário August imerso em seus pensamentos; tão íntimos; que se dispersavam com a presença.

vejo que sai – dizia a figura – mas não entendo o motivo …

Atrás de August, quem se encontrava era Fairy d’Bargeton, vestida com lenços brancos e um belo vestido de seda azul. Sua face demonstrava alguma tristeza, no entanto August não entendia de todo.

Por mais que, de alguma forma, soubesse que fora bem terrível para a mesma num passado não tão distante, ele se sentia bem preso a ela, por motivos do qual era compreensível. Por tal, vê aquele rosto triste, num modo um tanto confuso, o fazia se preocupar, mais do que ele se preocuparia por qualquer pessoa normal.

por mim, não iria, no entanto, existe uma força maior que me comanda – August então respondeu, sem cessar de fazer aquilo que havia começado – você deveria já saber sobre isso … bela dama.

Fairy ficou em silêncio durante poucos minutos, inerte, olhando August carregar os seus alforjes. A bainha da espada estava um pouco gasta, e a túnica também, no entanto ela não via apenas essa parte.

FünderBae deseja uma criança de mim. – ela disse, como a se lembrar de repente deste fato, tão incômodo, a sua cabeça … – mas talvez isso não te importe – Fairy continuou – … visto que só há uma coisa que realmente te interessa.

Por um momento, August parou de fazer o que fazia, olhando para Fairy com olhos estranhos. Andando para o seu lado, ele apertava-lhe os ombros, por mais que fosse um pouco mais baixo que Fairy.

isso me importa – ele disse, com um sorriso depressivo, naquele estado – no entanto, muitas vezes esquecemos que sou apenas um sorim. E não apenas isso, também nos esquecemos que, acima de tudo, sou aquele que é o culpado por ruir seus planos, mudar seus rumos e, principalmente, fazer-te sentir o que sente agora. Nesta, o que eu poderia fazer? Se você assim deseja, faça o que quiser, todavia, se não quiser, veja, ficarei bem mais feliz do que estou agora, com tal fato martelando-me a cabeça, na minha saída para um destino inesperado.

Fairy mantinha seu rosto severo, com certas lágrimas banhando suas bochechas, levando August a desviar os olhos, e o próprio corpo, de volta para o que fazia originalmente.

vejo que não pode escolher – ele então disse – seu futuro parece que já está selado, porém, saiba; mesmo que aparente que apenas me envolvi com você por um simples interesse; saiba: nada me acolheu mais nesse mar de cabanas solitárias do que ti. É isso, talvez, minhas últimas palavras.

No fim, Fairy caiu em seus próprios joelhos dizendo:

você diz como se eu fosse partir para sempre.

você não … mas talvez eu vá …

Ela tentou enxugar as lágrimas com os lenços brancos, no entanto, as lágrimas continuamente se mantinham a cair, não permitindo nenhuma barragem; transbordando sem conter em todas as partes.

eu não terei essa criança, você sabe … – Fairy disse, retomando seu forte semblante, tão comum nos dias quotidianos, enquanto se levantava, com as pernas tremendo por alguma fraqueza dispensável – … mas me envergonha o fato, não sei o porquê. Talvez eu realmente tenha me apaixonado por um reles sorim ou o que quer que valha. Tanto que essa criança (que sequer virá a nascer) me envergonha tanto, mais tanto, que desejo morrer com a face por debaixo do solo só de imaginá-la em meu colo, com você ao longe. Bae’Sorim, que as estrelas te guiem, no entanto, posso lhe roubar algo antes que se vá?

August que montava, finalmente, em seu cavalo, respondia sim, sorrindo em sua figura. Fairy que se aproximava, como uma dama preste a se conter em saudades, se colocou na ponta dos pés, junto ao ser de August se abaixando, para encontrar aqueles lábios carentes.

espero que volte – ela disse no fim – acho que me apeguei a sua figura no fim; por tal, apenas volte tão rápido quanto puder …

Com um último adeus, August desceu pela estrada.

*

Na estrada, dois cavaleiros se viam, sendo esta Melinda’Götvhin com o seu irmão, Melinda’Sorim.

pra onde vai? – perguntava Mesorim, simpaticamente – irá com os Khuroinis para suas ruínas, ou simplesmente fugirá para outro lugar?

isso te importa? – e August perguntava, secamente. Ele simplesmente confundia as intenções, visto a quantidade maçante de sentimentos sentidos anteriormente – pois caso importe, talvez eu venha responder.

Metvina, até então calada, respondia donde estava, para o irmão cujo do qual realmente não sabia como abordar ninguém, principalmente num estado tão drástico quanto esse. Ele não imaginava os motivos que levava August a tal situação, no entanto entendia que era melhor remediar antes de que se tornasse complicado.

desejamos te acompanhar, independente pra onde vá?

August, ouvindo, então sorriu.

só vocês? – ele perguntou, mostrando os brilhantes de sua boca, tornando, talvez, Metvina a se embaraçar por trás do sério semblante do seu rosto.

não – Mesorim respondeu, fazendo alguns sinais com a mão – Sorokh’Sorim vem junto conosco, além de termos Shigtai’Götvhin e Niathy’Götvhin. Eles que desejaram vim … sabe …

De trás de um arbusto, ao lado da estrada, três figuras montadas a cavalo se mostraram, fazendo reverências por cima de onde estavam.

interessante, no entanto não recomendo que vocês venham junto a mim nessa jornada – August disse, vendo-os – caminharei para o extremo sul, e poderei fazer certas coisas que, bem, não sejam, de todo, confiáveis, além de ser longa viagem e perigosa deveras.

Ouvindo as palavras, o grupo riu, sinceramente enquanto diziam:

nós entendemos!

August riu, como eles, e então terminou:

realmente, vocês não sabem, pois se soubessem … ah, tanto faz. Me siga quem quiser. Não é como se eu ligasse de todo.

Enquanto trotava pela estrada, rumo ao sol que calmamente se levantava no horizonte, o grupo, por fim, desapareceu, em meio a sombra que ainda persistia nas planícies.

Nota do Autor:

O capítulo está um dia atrasado pela desculpa de quê chegamos no segundo arco. Como posso explicar, eu normalmente gosto de compor toda a ideia do arco antes de começar a escrever, por isso este foi lançado na sexta.

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