GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

XXIII – As desavenças do tempo!

III – A viagem na chuva (Primeira gota)!

August então cavalgava com o grupo que se amarrava a ele, indo para as terras do sul, em alta velocidade, fora das trilhas, para esconder os seus rastros; correndo pelos caminhos selvagens, onde tantos monstros se escondiam, espalhados.

Era uma viagem perigosa na grandiosa planície; na verdadeira planície; com o seu solo seco e grama alta, que escondia os diversos perigos, como cobras e buracos, além da escassez constante de alimentos, que os faziam racionar, em meio o calor daqueles dias.

No entanto, August não se importava de todo, era o seu destino, ou pelo menos, parecia o ser … aquilo que se escondia onde a terra se partia!

*

Acampados em algum lugar, no meio da relva, uma fogueira se estendia, assando corpos de mogois (cobras) e aquecendo aqueles que se cobriam apenas com as peles perfumadas colocadas sobre seus corpos; tragas para esta extensa viagem. Lá, August estava calado, tomando um gole de água fervida no seu canecão de cobre. Ele não desperdiçava licor ou sequer aguardente, pois sabia que a viagem ainda duraria alguns meses e seus sacos de moedas talvez nem seriam o suficiente.

Nesta, ao seu lado, Metvina espirrava, vestida apenas com a parte de couro da sua armadura, preste a dormir apoiada na sua espada. Mesorim já caia em algum sono, ao lado de Sorokh’Sorim. As duas outras meninas, no entanto, produziam flechas com algumas pontas compradas antes da viagem totalmente despertas e silenciosas.

como vocês souberam que eu estava prestes a viajar? – August perguntou, colocando seu canecão próximo as chamas, enquanto tirava as partes de malha da sua armadura. Metvina foi brevemente surpreendida, visto o sono que lhe assolava, no entanto, resolvera responder sem muitos rodeios:

nós te vimos comprando certos equipamentos. De resto, seguimos a obviedade.

August suspirou com a resposta. Era algo que ele não imaginava de todo, no entanto, era compreensível. Na verdade, tão compreensível, que ele não persistiu em falar, apenas retirando as últimas peças da malha da sua armadura e se deitando o mais rápido possível. Dormir era, naquele momento, o único prazer possível que poderia se suceder, na silenciosa viagem que ele dividia com todo aquele grupo.

*

A viagem continuava, sem muitas palavras, enquanto um vento forte fazia-se aproximar certas nuvens escurecidas no céu. As trovoadas eram-se escutadas, e uma brisa úmida refrescava a todos aqueles que passavam. August pensava:

maldição!

Nas planícies, o mês da chuva sempre traria mais feras para fora de suas tocas, das quais buscariam alimentos e água. Seria um embate, coisa que não seria tão agradável durante a viagem, pois os sorinis em seus cavalos seriam os principais alvos de tudo aquilo que sairia naquele mês.

Por esta, August se preparava, mentalmente, enquanto observava a grama alta que se levantava entre os caminhos, partindo rapidamente em linha reta, com todo o cuidado, contra imprevistos.

vamos ser mais rápidos! – August gritou – quando os caminhos ficarem enlameados, será mais difícil avançar.

yaw!

*

August continuou por todo o dia, até que a chuva e os ventos se apertaram, de tal forma, que eles precisaram procurar algum abrigo. Desta, uma colina que se encontrava num desvio ao oeste, parecia ser bem mais recompensador do que continuar daquele modo, sob o risco de contraírem hipotermia ou pneumonia naquela chuva pouco redentora.

mas que péssima hora para o mês das chuvas! – Dizia Niathy, que tinha a cabeça protegida por uma capa junto da túnica. Sua voz não tremia sob as águas que caíam!

concordo! – respondia Mesorim, cujo do qual puxava sua coberta de pele perfumada, tentando se proteger do aguaceiro com ela – essa chuva apenas vai nos atrasar a viagem.

August se mantinha em silêncio, observando que a alta grama diminuía, chegando numa das partes mais áridas da planície, cuja a visão era composta por relva seca e árvores mortas, que, nesta chuva, se permitia a deixar compor certas poças d’águas, incapazes de penetrar o barro seco.

isso está ficando estranho – August pensava em seu íntimo – parece que estamos entrando na boca de alguma coisa, prestes a ser devorado!

A chuva vinha geladamente àqueles rostos, tornando a August e o grupo em geral, a se proteger com um certo pano feito de seda impermeável, perfeito para climas do gênero.

Pelo solo, os cavalos passavam a fraquejar, pelo modo do quão escorregadio os caminhos se tornavam, junto com certas figuras, um pouco interessantes, que também se mostravam naquela chuva; por aquelas terras que se encharcavam; parecendo que estavam sufocando no verdadeiro lar em que moravam. Eles eram chamados de aldaa’delkhi e pareciam pequenos furões com o pelo mesclado entre o marrom e o dourado.

os seres subterrâneos já sobem?! – Metvina exclamava com a cena. Era de certo estranho vê-los subir no mesmo instante que a chuva vinha, pois não era tão rápido a absorção do solo para a água da chuva.

fique calma … esses pequenos seres são herbívoros, não fará nenhum mal. Demora muito tempo para as camadas mais inferiores; onde estão os seres mais mortais; se encharcar. Por isso se mantenha calma – Respondendo, Sorokh’Sorim apontava para uma parte mais distante da terra, um tanto seca, do qual não parecia ser banhada pela chuva.

você está errado – August disse ao observar o cenário, enquanto tirava sua espada da bainha, precavido; – esses pequenos seres estão fugindo de algo, por isso há tantos deles por aqui. Acho melhor deixarmos nossas armas a postos.

O grupo acompanhou a visão, e, preparando suas armas, eles aumentavam a velocidade, indo em direção para a única colina que se levantava naquela parte da planície.

*

Nos céus, as nuvens eram tão espessas, que nem mais o sol lhe penetrava, tornando o dia em noite. August e o seu grupo finalmente se assentavam no topo da colina, próximo de uma árvore com troncos retorcidos e tão seca quanto a idade lhe permitiria.

sinceramente, demos alguma sorte – August disse, vendo toda a imagem que se mostrava na planície que se escondia no breu – pois veja ali: algumas Kateypillaris (Lagartas do chão) saem da terra para caça. Se fossemos mais lentos, poderíamos está em batalha, o que não é tão bom, visto as circunstâncias.

O grupo ficou um pouco surpreendido com as palavras. Era certo que muitos deles ouviram algo do tipo durante o tempo de acampamento oculto, no entanto, não se lembravam de cada palavra, como August parecia lembrar.

eles não virão para cá? – Metvina perguntou, enquanto fincava algumas peças de madeira no solo para montar uma pequena tenda..

difícil. Eles não tem o costume de aparecer em lugares mais altos. Por isso é bem improvável vê-los aqui. – August terminava de responder, enquanto mascava uma carne seca, bem específica para estes momentos, onde era incapaz de produzir qualquer fogueira.

as planícies ficarão infestadas com esses seres … – Mesorim falou; – o que quer dizer que ficaremos ilhados por aqui?

August concordou com a cabeça, enquanto via a vista infinita da negra planície, iluminada pelos raios que ascendiam nas nuvens …

mas que maravilha! – Mesorim disse, ao fim.

IV – As péssimas notícias que vem!

FünderBae estava no clã Hülz, em alguma outra conferência de guerra, que normalmente acontecia todos os meses, para discorrer sobre a questão que mais importa para os Varbenênts, herdada das últimas três campanhas contra os shidtenis de Jam’Auteûme.

Essas conferências eram ministradas pelo Dürg’Hem do Clã Hülzs, Slav’Hülzs, que naquela enorme Yurt, em frente a mesa redonda, com copos dourados que mostravam uma enorme beleza, falava, excitadamente, com todos os olhos admirando sua vestimenta completamente branca com alguns detalhes dourados; do qual ele amava dizer serem feitos de puro ouro:

amigas e amigos! – Sua voz reverberava por todo o espaço, atingindo os ouvidos dos doze Dürg’Hemis, vindos de todos os lugares da planície; – Jam’Auteûme movimenta suas tropas para a passagem dos seres, prestes a iniciar uma batalha a qualquer instante. Não digo que estamos ruins, no entanto, a última campanha de dez anos realmente nos deixou muitas marcas atemporais, que sinceramente parecem não ter cicatrizado. Por tal, deixo a próxima fala para o líder daquela campanha, FünderBae!

Com o fim da frase, certas palmas foram-se ouvidas e, com o sentar de Slav’Hülzs de volta à sua cadeira, Fünder se levantava, mostrando a força do seu peitoral, que mais parecia ter sido esculpida em mármore pelos melhores kleinis artesões.

A Dürg’Zij (Grandiosíssima líder) até mesmo cochichava no ouvido de um dos seus colegas sobre o fato, mesmo que o silêncio geral se instaurasse, com todos preparados para ouvir o grande guerreiro:

antes de falar sobre a grande falha, devo alertá-los sobre as duas primeiras campanhas! – As primeiras palavras atingia poucos que lá estavam, no entanto, era bem icônica, tornado a alguns se arrepiarem nas cadeiras donde estavam sentados –Para lembrá-los que, quando os shidtenis nos empurraram para fora dos Sihirili’Bos (bosques encantados); que agora é curiosamente chamado de Ölüm’Bos (bosques mortos); destruindo todo o verde de nossos bosques, no roubar da última essência der Satyros; nos exilando da nossa própria casa e quase nos exterminando ou escravizando, caso não fosse eu, Saartjana e os antigos líderes de FünderStrerme!

Pois, nós não só conseguimos, em uma primeira campanha excepcional, empurrar os Shidtenis para fora dos nossos bosques, como também nós conseguimos a cabeça de um dos mais famosos generais de Jam’Auteûme: Aimé Meer, livrando-nos da ameaça eminente.

Devemos nos lembrar disso e também da segunda campanha, onde também conseguimos êxitos, afugentado-os das planícies e libertando as estradas do sul, reavendo o próspero comércio com os povos do deserto; que hoje se juntam na bandeira de Narny’tsöl.

Se lembrando de tudo isso, podemos falar da terceira campanha que, no entanto, se mostrou uma impossível contraofensiva, mesmo sendo tão sonhada; que talvez nunca poderá se realizar; pois as duas torres de Vlammen; essas torres que queimam todos aqueles que se aproximam; protege a passagem dos seres com muito afinco, nos impossibilitando até mesmo qualquer aproximação. Além de que, o estreito não nos permite usar nossos cavalos; grande responsável por nossas estratégias de sucesso; dando vantagem ao exército Shidten com o seu Flutcher, visto que as tropas aglomeradas se tornam alvos fáceis contra às conjurações. Desse modo, se formos lutar, a melhor forma seria se permitíssemos que eles adentrassem as planícies, onde poderíamos preparas as cavalarias e pegá-los dispersos. Digo isso agora, adiantado, pois, caso enfrentemos alguma outra tribulação, já temos os fatos na mesa, antes de qualquer julgamento, de qualquer parte!

Os Dürg’Hemis que escutavam, balançavam suas cabeças em concordância. As palavras faziam sentido, até demais, principalmente porque muitos sentados naquela sala participaram da guerra junto com FünderBae, reconhecendo a verdade de suas palavras. Todavia, próximo do Dürg’Hem Valü’Hetrais, do clã Valü, a sudeste, o Dürg’Hem, Aenner’Doürd do clã Doürd, eterno protetor das trilhas do norte, se levantou da cadeira, prestes a falar:

essa estratégia é inviável! – ele disse, roubando toda a atenção, enquanto se preparava para argumentar – os Shidtenis perderam duas grandes guerras com essa estratégia de cavalaria. Você realmente acha que eles cairão nessa mesma estratégia?

sim! – FünderBae gritou, com sua longa voz, da qual intimidava até mesmo Aenner, que ficava sem respostas naquele momento, com todo o seu ceticismo exposto; – pois se não for através desta … que os deuses nos salvem, meu amigo.

Por um momento a conferência se calou, digerindo aquele sentimento de impotência, até que, dentro daquela Yurt, uma voz, que parecia surgir de lugar nenhum, falou …

Nota do autor:

Atrasos e mais atrasos, espero não continuar assim na próxima semana. Apenas espero!

Me avisem sobre erros de português pois eu fiquei um pouco sem tempo para escrever nessa semana.

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2 comentários em “GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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