GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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XXVI – O Pântano Encantado [Segunda Parte]!

VIII – O velho lobo!

E lá, em frente daquele jovem pálido; que mais parecia um fantasma sob as luzes daquela fogueira; o lobo ancião; cuja a cabeça acariciava o pobre filhote que gania, em luto, pelo irmão que jazia morto ao lado; falou, num estranho tom, que continha partículas de algo bem mágico:

Eu sou um Guardião! – August, curioso sobre o que poderia ser, acabou esboçando um sorriso com tal frase, enquanto o lobo continuava; – o Último, o Decadente, O fraco, Guardião desse bosque encantado.

August ficou impressionado, sentindo os fragmentos de uma beleza que morria pelo ar, acompanhando às palavras. No entanto, ele ainda mantinha um ceticismo estranho, tornando-o a perguntar:

então esse bosque deve ter alguma história importante, sabe, para ter um Guardião e coisas do tipo … – O velho lobo, com as palavras, olhou para August sem entender o que aquele ser estava supondo, mesmo com as linhas de ignorância tomando os olhos daquele que dizia.

ah sim, era aqui onde os mais importantes povos viviam, meu jovem … – o lobo então disse, compreendendo a situação, de alguma forma; – sendo primeiro os seres espirituais, comandados pelo divino casal Élsser Der Nero e Opã Der Naturis, seguindo pelos Khuroinis após sua passagem como nômades, até os Varbenênts, cuja existência transcende a própria noção natural. Nós, a última matilha, sempre protegemos esse bosque, desde que o mundo foi concebido pelos deuses, no entanto, ele agora está na sua última fagulha, antes de se tornar apenas cinzas. Consegue entender o que digo?

August se mantinha mexendo na fogueira, aquecendo a si próprio, que já sentia o mórbido frio penetrar sua armadura.

nunca ouvi falar dos Varbenênts dividirem espaço com eben’wülves, muito menos das ninfas e sátiros. – Ele então perguntou outra vez, olhando profundamente nos olhos do lobo ancião, que sentia cada vez mais, com cada questão feita.

éramos conhecidos como seres espirituais, antes da loucura. Depois disso, nossos nomes originais caíram em desuso. – o velho lobo respondeu, segurando alguma raiva, que parecia querer transbordar pelos seus olhos.

Todavia, mesmo reparando naquilo, August ainda mantinha suas dúvidas, enquanto tentava engolir aquela louca história que, naquela voz cansada, parecia tão autêntica.

eu ainda acho um pouco absurdo, nos esquecermos de tudo sobre … – Ele por fim disse, mostrando toda a curiosidade de sua face, o que tornou, finalmente, o lobo a rir, com a sua boca escancarada, mostrando as lâminas que eram os seus dentes, que mais pareciam estalactites de papel.

meu jovem, Hahaha! – o lobo continuou rindo; – as criaturas espirituais eram bem diferentes antes de enlouquecer. Na verdade, éramos tão parecidos com vocês, humanos, que chegar a ser louco essa nossa forma atual.

isso explica algumas coisas, mas como vocês ficaram assim?

Com um súbito movimento de sua cabeça, o velho lobo suspirou, com o bom humor, por mais que sua vista ainda percorresse entre o frio das árvores mortas e a chuva.

quando os Shidtenis roubaram a herança da árvore do sátiro, enlouquecemos de vez, nos tornando nossa própria sombra, daquela que crescia sorrateiramente entre nossas mágoas e inseguranças. Por isso viramos bestas, e continuaremos a ser bestas, até que as nossas mágoas passem …

e você sabe quando elas passarão? – August, no fim disse, absorvido com as palavras do velho lobo.

não … nosso ódio é insuperável …

Com um suspiro longo e depressivo, ambos os seres se calaram, por poucos instantes, porém, como o ganido incessante se tornava irritante naquele clima, August disse, matando o silêncio que se instaurava:

devemos enterrar esse cadáver?

O velho lobo olhou para o corpo por um segundo, dizendo, tristemente:

nós não enterramos corpos, jovem …

August se calou outra vez, olhando para o luto do pequeno guerreiro, que se desmanchava num sono jovial; sendo que no fim, o pequeno lobo finalmente adormecia de frente ao cadáver daquele que lhe parecia tão importante.

eles eram irmãos, por isso chora tanto … essa cor dourada de sua pelagem é uma mágoa tão antiga, que chega a ser covarde … por tal, o mataram … – o velho lobo continuou; – quando estamos afogados em nossa própria sombra, é normal criarmos anjos e demônios … mesmo que confundindo tudo … no fim

Com a frase, August se lembrou da terra por um instante, mas ela parecia tão distante ali, que não parecia valer a pena revirá-la por algum motivo.

eu não tenho mais muito tempo jovem … – o lobo continuou falando; – estou usando a última parte que faz esse bosque respirar para lhe visitar … se eu continuar aqui, tudo morrerá. Por isso lhe dou minhas últimas palavras: salve o nosso salvador … – O velho lobo andou até as sombras, sem muita emoção, dando apenas uma rápida olhada para o filhote que dormia, tão calmamente, próximo do cadáver de seu irmão; – ele está absorvendo a força do falecido … por isso, deixe-o assim. Outra coisa: que a sorte acompanhe sua vida. Pelo que me contaram, vós precisaras.

E assim, o velho lobo desapareceu nas sombras, como sequer tivesse existido de fato, deixando August sozinho, na luz que o fazia desmanchar, finalmente, num longo exalar.

esse ser … – August pensou; – esse ser roubou-me o ar e pensamentos. Que estranho.

IX – O desenrolar da última matilha [primeira parte]!

então … o que é esse filhote? – Ao acordarem de manhã, o grupo que acompanhava August tomava um susto com um pequeno e aparentemente inofensivo filhote, do qual ficava bem alerta ao lado de August, cujo tirava um último cochilo, visto o fato de ter passado a noite em claro.

eu não sei – respondia Mesorim; – mas parece que está sob o controle dele.

mesmo assim … – continuava Shigtai, com uma cara estranha; – não sei se posso confiar nessas bestas. Ele pode desfigurar nossos rostos antes mesmo que percebamos.

Naquela manhã, a chuva cessava um pouco, permitindo alguns filetes de luz adentrarem a copa das árvores mortas, tomando os sorinis num bom humor, no qual os fazia bem ativos, desmontando o acampamento numa velocidade recorde.

não confie na besta, confie em Bae’Sorim … – Metvina defendia, sem se aproximar da pequena figura; – ele sempre está certo, mesmo quando aparenta está errado … essa é a maravilha.

Com um olhar um pouco estranho para o filhote, que ainda se mantinha protegendo o dorminhoco August, Shigtai se afastava, descendo um pouco a colina, para tomar um ar. Niathy, cuja também não se sentia tão confortável, descera junto com ela. Apenas Sorokh, Metvina e Mesorim que estavam lá, esperando August despertar.

todos vocês – com os olhos fechados ele dizia; – prepare os cavalos e armas. Temos que escapar desse pântano nos próximos 3 dias.

Aqueles que o observavam não entenderam. As palavras surgiam do nada, de um corpo que aparentava não está desperto. Porém, eles ainda diziam:

entendo!

A obediência deles para August parecia até messiânica, como se em nenhum momento pudessem ir contra suas palavras. Para August, que ainda descansava seus olhos sob as pálpebras, era estranho, no entanto, fortuitamente estranho. Era como ter servos predispostos a tudo, sem que fosse necessário qualquer esforço.

me sinto o filho de um rei … ou de um burguês … – ele pensava, enquanto lentamente abria seus olhos, vendo os rostos pálidos daqueles sorinis, dos quais pareciam cadáveres desmotivados … acorrentados em rochas intransponíveis.

*

O grupo continuou a viagem, calmamente. Eles seguiam o pequeno filhote, do qual o faro e intuição os permitia andar em trilhas não alagadas, aumentando o ritmo da jornada, ao mesmo tempo em que as chances de acidente diminuíam. No entanto, a opinião geral sobre o mesmo era estranho, pois, donde poderia ter surgido tal besta? E qual intenção tinha August para com ele?

As dúvidas se amontoavam com o silêncio, que August permitia sem pestanejar, pois, para ele, a tensão poderia fazer bem, antes que qualquer batalha ocorresse lá.

escuto sons … – ele pensava; – esses sons se distorcem e se partem, como … como … não sei, só sei que me confunde …

Naquele bosque morto, cuja a água da chuva encharcava o solo, o transformando num imenso pântano, no qual criaturas peçonhentas bailavam entre o líquido e o sólido, procurando o pescoço dos seres desatentos que fugiam daquele labirinto obscuro e gelado, August continuava, em sua mente:

suas vozes são como água … nas mãos esburacadas, se dispersam …

August e o grupo continuaram pelo caminho, todo o dia, até que se encontraram em uma estranha clareira, no qual parecia ser onde todas as vozes e sons se intensificavam.

Ele olhou para o filhote, que havia guiado todo o caminho até ali, um pouco atordoado, no entanto, naquele ponto, não haveria muito mais no fim. Dessa forma, ele apenas parou seu cavalo, naquele lugar, surpreendendo, desse modo, o grupo, que há muito já se estressava com o estilo silencioso e distante que August mantinha na maior parte do tempo.

o que é isso? – Shigtai perguntava, enquanto armava seu arco com uma flecha de ponta vermelha; – caíra numa armadilha?

Sorokherim, assim como Mesorim e Niathy, ficaram confusos com a sentença, mesmo que retirando suas armas em apoio. Metvina foi a única que sorriu, confiante, se dirigindo também ao lado de August, cuja a mão tocava em seu queixo pensando.

espero que não … – Ele respondia, sem retirar sua espada da bainha, contrário a todos aqueles; – pois se for dessa forma, morreremos …

você nos subestima – Metvina ainda respondia, com a mesma confiança.

muito pelo contrário, sei exatamente a força de cada um aqui …

Próximo donde eles estavam parados, seres saíam dos arbustos …

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