GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

XXVII — O Pântano encantado [Terceira Parte]!

X — O desenrolar da última matilha [Segunda parte]!

E lá, naquela clareira, o seres que se escondiam por trás dos arbustos se mostravam, encarando a face cínica de August, na qual parecia esconder algo de bem importante por trás do sorriso ousado. No entanto, o grupo que o acompanhava não parecia compartilhar daquela mesma ousadia, com suas faces não acreditando naquilo que se apresentava; abrindo suas bocas no silêncio, enquanto tudo parecia se desmanchar. Mas veja, não era bem culpa deles, de todo, pois as bestas que se mostravam eram estranhos, parecendo humanos e parecendo lobos, no qual tinham grandes patas e mãos enormes, com garras afiadas, além de pelagem, por todo corpo, cor de palha, tendo um focinho que não se arrebitava e profundos olhos cor de mel.

Ali eles latiam, saindo como selvagens; se colocando em fileiras na frente do grupo, no qual tremia com a imagem. De fato, apenas um daqueles seres estava fora das fileiras, sendo este de pelagem branca e bem maior de todos aqueles, que gritava para August, que se mantinha em cima do cavalo:

o que fazes!

August ficou um pouco nervoso com a frase. Porém, como não haviam muitos motivos para ficar naquele estado, ele apenas desceu do cavalo, se aproximando dos seres, com o pequeno filhote do lado.

carrego o escolhido, obviamente. Aparentemente faz parte do meu destino tê-lo comigo!

Ouvindo a resposta, o ser se aproximou de August, pondo a sua bocarra tão próxima dele, que o bafo de carne podre poderia ser sentido. Todavia, August não seria intimidado por tal, embora ainda sentisse algum nervoso perante o ser.

estranho … — August pensava, degustando do silêncio que vinha em resposta; – mas não sei ao certo o que esperar.

Com o silêncio que atacava o ambiente de confusos, os dois se encararam, esperando quem de fato fraquejaria primeiro naquela chuva que passava a apertar; em meio ao vento que sibilava no bosque morto.

A escuridão que se perpetuava não parecia se preocupar, porém, o carmesim exalava as rosas que se escondiam em algum lugar.

Shigtai preparava seu arco com aquela visão, estando confusa com a situação e afins, enquanto Metvina ainda se mantinha resiliente nas convicções que tinha sobre August.

Sorokherim e Mesorim não tinham o que fazer, pois tremiam com a fileira inerte, que também observava calmamente a cena daqueles dois seres se encarando.

Possivelmente, talvez, apenas Niathy que não estivava de toda tensa, parecendo distante da realidade em que a situação se desenrolava.

você é um tolo! — o ser berrou, vendo sair, atrás de August, o pequeno filhote dourado, do qual parecia querer defendê-lo, se precipitando a morder a canela do ser, que o pegava em suas mãos, admirando; — onde está o irmão dele? Os dois são igualmente escolhidos, logo, de imediata importância! Onde está, diga!

infelizmente, ele morreu … — August disse, indiferentemente, por mais que ainda tivesse algum respeito no tom de voz, pois, dos gritos do ser, poderia se ver a importância do tema.

não! — o ser arregalou seus olhos, após um outro grito, dando passos para trás desacreditado, enquanto se virava correndo em direção as fileiras, que se desmanchavam para uma turba desorganizada quando o mesmo uivava para um céu sem lua. Todos os outros seres o acompanharam em seguida, fazendo August ponderar por um momento até perceber a própria insensibilidade contra tudo, uma outra vez.

acho que ainda me mantenho na mesma — outra vez ele pensava, se distraindo da cena em sua mente; —parece que ainda recuso minha realidade, como se estivesse num jogo qualquer, onde, minha mortalidade se torna apenas a leve consequência de algo que, nesta realidade, deveria ser respeitada eternamente.

Ponderando, um vazio em seu peito o aproximou da cena, pondo sua mão ao alto, em respeito aquele que desaparecia do mundo.

Por um momento, ele ficou preso no sentimento, porém, da voz que atravessa o cenário, o despertar retomava, afiando seus olhos de volta a verdade que se apresentava.

A voz gritava: — o que fizeste! — Seguindo os passos pesados que o ser dava de volta a August; — o que fizeste! Responda! — a boca do ser quase o engolia, tanto que, ali parado, August se segurava, com bastante ódio, para não sacar sua espada e cortar-lhe à cabeça do ser, onde apenas as fileiras seres que o impedia naquele momento, do qual observavam o que acontecia ou o que aconteceria de lá, prontos para rasgar qualquer coisa que não tivesse pelos.

a única coisa que fiz … — August respondeu então, se contendo; — não sei, acho que me encontrar com aquele lobo ancião foi, talvez, a única coisa que eu tenha feito. Esse pequeno filhote, veja só, nada mais foi do que um encontro predestinado, felizmente.

O ser se agitou com a resposta, parecendo até que poderia fazer qualquer coisa a parti dali, por sua própria insanidade, no entanto, nada realmente aconteceu, mesmo que ele ainda se irritasse com o fato. Havia em suas mãos algo que o impedia; algo que gania no meio daquela selvageria que os seus sentimentos permitia.

eu sou o guardião dos escolhidos … — o ser disse, imponente; — lutei dezenas de anos, ganhei diversos desafios e mantive a honra de continuar sendo um guardião! Sabe o que significa? – o ser continuou, se virando para o curioso August, que ainda não entendia completamente o significado das palavras; — significa que eu falhei! E não só isso! O mais digno de todos entre nós falhou! Deixamos que um filhote fosse morto, pelo que? Não sei! Os Varbenênts podem tê-lo matado, nosso escolhido era um perigo, ou os shidtenis, ou os Khuroinis, mas isso não parece importar de fato! Ele morreu e o corpo daquele morto fora comido por esse filhote! Veja essa cor, esse poder. É certo, porém, como uma falha minha para com essa última matilha, que resiste a tantas eras, eu, Strever’Ton, que vive a mais de 300 anos, me sentencio a morte! Não há nada nesse mundo que me perdoe, por isso desejo a redenção de um guerreiro. Mate-me August Adorn, purifique-me!

O ser se ajoelhou no solo, com suas mãos ao alto e olhos bem fechados com fim da sua frase. No entanto, August ainda não entendia ao certo o que fazer, naquela situação tão extravagante que vinha sem aviso prévio. Tanto, que um silêncio constrangedor se manteve durante alguns minutos, onde os dois lados caiam confusos, sem compreender o próprio desenrolar daquele que se propunha.

oh, entendo … — disse o ser com um sorriso digno; — sua honra te impede de me executar, um guerreiro, cujo único crime fora ter falhado. Entendo. Por tal, dessa forma, aceito lutar contra ti, em favor de sua honra e da minha honra. Nesta, saque sua espada, por favor!

Com o fim da frase, August se manteve em silêncio, sem compreender de todo a situação. O desenrolar o confundiu, o deixando totalmente fora do ritmo que havia de um lado. Todavia, naquela situação, ele não se impedia, retirando, com um suspiro, a espada do escolhido de sua palma, da qual reluzia num brilho cegante e viciante, tomando August numa aura luminosa que impressionava todos aqueles ao redor.

Seu grupo, que a muito já não entendia quase nada do que acontecia, foram os mais surpresos, vendo com total clareza aquela espada que, de um quê mítico, parecia os chamá-los a se curvar perante.

não te conheço de todo … — August dizia, com a espada em mãos; – e nem sei o motivo de querer morrer, mas te respeito e respeito sua decisão. — com o fim da frase, August apontou sua espada para o peito do ser que apontou suas garras para o peito de August. O que aconteceria ali? Os dois sabiam bem, por tal, uma última palavra antes da queda:

que os deuses lhe receba bem!

Os dois pularam ante suas direções: um convicto da incerteza e o outro incerto sobre a certeza. Se August o matasse, estaria tudo bem de fato? E se o ser morresse, será que ele jantaria no palácio dos deuses de fato?

As perguntas não precisariam ter uma resposta ali, visto que os dois correram na mesma direção, investindo suas armas contra aquele que precisaria morrer, encharcado na chuva que caía em luto.

As viúvas desamparadas não corriam, observando a cena: August desviava por pouco das garras que parecia devorar o ar ao redor, formando um turbilhão de vento e água lá, onde August suspirava.

Por sorte, havia habilidades divinas ativadas, como o Pódi der Satyros, que o dava uma agilidade que ele não entendia de todo, fazendo sua mente e pernas parecer sincronizados num mesmo ritmo; com a espada parecendo se tornar uma só com o seu corpo. A outra habilidade, Aqua der Neros, que não precisaria sequer ser ativada, fazendo as gotas de chuva, que encharcavam seu corpo, o enrijecer, fazendo os músculos ficarem mais duros e flexíveis, elevando a resistência de August, que pensava: — Kópsimo der Fýlla!

Os olhos do ser se cerraram vendo que, da ponta da espada de August, uma aura azul se misturava com a água ao redor, formando um arco de energia, na qual quase o retirava a cabeça naquela distância. Por sorte, anos de batalha forjaram um sentido mais que divino, o salvando daquele golpe após escorregar pelo relvado molhado.

August ficou aturdido, aquele era o seu melhor golpe, feito para finalizar batalhas sem muito esforço. Como ele poderia ter errado? Ele tentou pensar enquanto desviava das patas sorrateiras que objetivavam sua queda, porém era impossível chegar em qualquer lugar. Simplesmente a agilidade do ser o combatia, além de tornar obsoletas todas as estratégias que a tanto August criara.

Ele precisava sobrepor aquela agilidade e força, mas de que modo? August já começava a se arrepender de não tê-lo executado pois percebia o perigo, enquanto tentava defender os golpes maciços que se seguiam.

Dos olhos que ele via, uma sede de sangue também começou a ser perceptível, fazendo com que ele hesitasse. Poderia ser aquilo medo? Possivelmente … August naquele momento caía em alguma forma de desespero.

Seu grupo via aquilo em August, mas não o culpava, eles também sentiam muito medo daquele olhar que seguia o frenético ritmo do ser.

E os golpes ficavam mais pesados, August se movimentava entre as brechas que o ser deixava, no entanto, assustado como estava, parecia fraquejar perante os golpes explodiam em seus ouvidos.

esse guardião é fraco! — o ser gritou, enquanto visava o pescoço de August com suas garras; – indigno! Indigno! Fraco!

August sentia suas costas contra o muro. A escuridão cegava sua visão e apenas o medo se formou, tornando a pensar:

apenas erros me trazem aqui …

Sua mão tremia reimaginando o dia e o seu ser parecia se desmanchar com a visão, mas, felizmente, ainda havia algum outro pensamento a sustentá-lo:

mas ainda deve ter sido o destino que me trouxe até aqui …

A espada de August colidiu com as garras do ser, os afastando.

August entendia agora sua falha, que nada mais era que …

Nota do Autor:

Feliz natal cambada!

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4 comentários em “GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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