GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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XXXI – Essência e Mágica!

XV – Como tudo se conecta …

Isso nada mais é que mágica! — August finalizava, em frente aquele tronco; — Isso se eu puder chamar de mágica, já que esse é apenas um detalhe dentro de uma coisa bem maior. Essa conexão entre mim e a árvore se enraíza de uma forma tão específica, que parece que a própria mágica não é isso. Posso está errado, mas estando conectado com ela, sinto que estou mais do que certo.

Sentado em frente aquela árvore, August navegava num enorme rio. Com os olhos fechados, ele era carregado por uma correnteza infinita.

August caía numa imersão incompreensível, onde o seu próprio corpo, boiando no ilimitado espaço entre as consciências, se despedaçava, se reduzindo a centenas de trilhares de pequenos corpos que se dividiam em centenas de bilhares de grandes corpos, afastando-se da parte original, como se a mesma estivesse corrompida por algo.

Ele não entendeu o que aquilo significava, mas queria voltar a ser o todo que sempre foi, tentando buscar em algum lugar da sua alma a resposta que precisava. No entanto, o mundo branco de seu espírito também estava calado.

August então percebeu, daquele modo, que teria que conectar todas as partes que te fugiam, uma a uma, até completar de volta o que era, mas no caminhão daqueles trilhares, a ausência de seus braços fazia tanta falta …

E quanta falta fazia também as pernas, o tronco, a cabeça, o sangue, o sistema nervoso, tudo aquilo que era necessário para o perfeito funcionamento de sua alma naquele rio que se estendia infinitamente.

acho que é impossível para mim está aqui sem saber o que posso fazer exatamente. Por tal, devo pensar, porém a situação é tão absurda que não entendo como eu poderia entender sua lógica no fim.

Abrindo seus olhos novamente, August via a escuridão. Era noite que surgia através daquele bosque, o dando uma estranha sensação – nova para ser mais exato –, que passava a penetrar a realidade comum, tornando-a bem esquisita em seus olhos; nessa nova perspectiva que se apresentava; onde o mundo brilhava!

isso é … — ele pensou, tendo o pensamento quase fugido de sua boca, suspendendo o seu peito num grande silêncio de admiração leniente e serena, que se tornava, sob aquele olhar também, mágica.

E havia um motivo para tais sentimentos: em todos os dias em que ele havia visto aquelas árvores retorcidas de galhos secos, August apenas imaginava uma escuridão intragável que simplesmente o levava as partes mais profundas de seus próprios temores, que drenava sua sanidade em geral, principalmente sob som de chuva, no qual já rasgava seus tímpanos e toda a paciência disponível.

Aquele brilho estranho que pulsava ao redor daquelas árvores, no entanto, tirava toda à sensação de temor, o levando, magicamente, para um mundo novo, onde todas as coisas vivas respiravam numa afeição curiosa; numa harmonia majestosa.

quanto mais me aprofundo nessa pequena conexão, mais me aproximo do mundo, entendo.

Observando as tantas coisas que mudavam nos seus arredores, August pegou um pequeno pote com alguma sopa de cogumelos ao seu lado. Ele não sabia quem havia entregado, ou quando havia sido entregado, mas ele entendia perfeitamente que precisava comer, e isso era a parte mais importante.

Esse pequeno ponderamento, sobre um simples e relés pote, todavia, o fazia pensar sobre uma coisa maior, do qual parecia te mostrar um novo caminho naquele instante: ele precisava, realmente, do seu corpo para navegar no rio das conexões? Ou melhor, porque ele precisava se levar por inteiro. Apenas uma parte, uma pequena parte, era necessária, desde que carregasse sua consciência. Porém, como ele faria isso?

Seu pensamento parecia correto, no entanto estava faltando algo essencial para completar aquela estranha lógica.

isso é um saco! — August pensou, devorando aquela sopa com uma fome que parecia que durava dias; — Os deuses sempre alteram o ambiente ao meu redor quando lhes são necessário, me dando tantas regalias descartáveis que minha vida se torna uma loucura desnecessária. Agora que preciso de algum sinal, nada me vem. Por que tanto desejam que eu pense?

Largando seu pote de lado e enxaguando a boca com toda a água de um cantil que estava agarrado num suporte da malha de sua armadura, August tentava vê seus passos, observando dentro da sua lógica a total falta de algo que o levasse para o próximo passo.

onde estou não conseguirei mais nada. Preciso voltar para aquele lugar, tentar encontrar as respostas que me faltam.

Ainda sentado no mesmo lugar onde estava, August fechou seu olhos outra vez, entrando nas entranhas da sua mente, onde havia um enorme portal de mármore; onde um vórtice o levava para um imenso rio em branco, que devorava seu corpo, o dividindo em tantas partes, que nada mais se via boiando onde as conexões existiam.

No entanto, a consciência de August ainda se encontrava lá, persistindo em meio a loucura de ter todo o seu corpo despedaçado por algo tão grande, que era insustentável nas vistas carnais.

Lá, ele tentava imaginar como poderia se reduzir apenas a um grão e invadir as correntezas que o prendia no mesmo lugar de sempre, nadando para onde deveria ir, porém, ele sentia que não tinha nenhum poder sobre a sua própria grandeza, continuando do mesmo modo, dividido em trilhares de partes.

e se for para eu ficar aqui? — Ele ponderou; — não, não é para mim continuar aqui. Infelizmente, se fosse, nada me prenderia. O quer que me prenda aqui deseja me iludir e por isso eu tenho que encontrar por mim mesmo a resposta para fugir daqui.

August outra vez abriu seus olhos, vendo um mundo brilhante em sua frente. O que aquilo significava, no entanto?

Os mistérios se amontoavam em cima das suas pálpebras, que formava um arco de descrença, em meio a todo um mundo que perdia todo o seu sentido para August.

estou aqui, e minha motivação para continuar é uma ambição infinita. Ambição criada pela minha desgraça, numa vida passada. Apenas esses fatos me trazem, ou seja: sou literalmente todas as partes de um desenrolar não terminado. Sendo assim, não posso navegar sem todas as partes que me formam.

Mais uma vez August fechou seus olhos, entrando naquela conexão, no entanto, outra vez seu corpo se desmanchou naquele rio de infinito albino, fazendo sua teoria cair por terra, mais uma vez, o colocando numa situação de raiva e angústia, onde um estranho desejo de desistir caía em sua mente, como uma luva.

eu sou idiota, todas as minhas partes estão lá. O que me falta não é o todo, mas sim um detalhe, um pequeno e imbecil detalhe. — August continuava pensando, enquanto via a luz solar criar o cinza das nuvens que residiam em cima da sua cabeça, despejando suas águas lacrimosas que caíam futilmente entre os galhos secos da árvore. Era manhã, ele via, percebendo que talvez entendesse ali o que te faltava para completar a última parte do quebra-cabeça que aquela conexão pedia.

meu primeiro erro é considerar essa conexão como infinita! — ele disse, com a voz escapando de sua cabeça; — só de considerar ela como infinita, eu não consigo vê além dela própria, estando preso numa armadilha imortal. Dessa forma, eu sigo pro meu segundo erro: considerar que me conecto apenas com essa árvore. O bosque brilha para mostrar quem me abraça e pulsa tentando me dizer algo, não ter considerado isso, me cega. Agora, sobre meu corpo se despedaçar naquela imensidão, isso ainda não entendo … ou será que …

Sentado em frente aquela árvore, August fechava, pela terceira vez, seus olhos, entrando naquele mesmo rio onde seu corpo despedaçava, no entanto, em vez de se lamentar pelas suas incapacidades de pensar ou, pior, não conseguir se movimentar, ele olhou além, para a própria imensidão embranquecida que o engolia, se desmanchando nela mesma.

Sua consciência era lavada em meio aquele rio e ele via com clareza: sua resistência impedia o afeto que lhe davam, impedindo de entrar no meio de todas as coisas belas que compunham o mesmo mundo espiritual.

Era esse todo o mistério; Era esse o único mistério.

magia é consentir e confiar no invisível a sua volta … — August finalizava todo o seu pensamento — É a fé cega naquilo que não se vê; naquilo que se sente. É aceitar o afeto das coisas que se conectam a você.

Entrando no mundo de todos aqueles seres, August viu, magnificado, o mundo de todas as cores, onde árvores da cor do arco-íris balançavam por ventos que eram composto por pequenas fadas; onde a grama alta abrigava insetos coloridos que brincavam e escorregavam, subindo nas samambaias e troncos, além das flores, que eram polinizadas por abelhas radiantes, que dançavam ao redor de August, junto das aves que se penduravam nos galhos vívidos e verdejantes, dividindo espaço com os símios de cor dourada.

Era uma simples trilha que aparecia na sua frente e era apenas aquilo que maravilhava August, que caminhava em direção ao seu final.

Andando por ela, animais selvagens como lobos, javalis, raposas, cervos etc, tudo de cores radiantes, abaixavam suas cabeças em reverência, como se falassem humildemente que eram “honrados por aquela presença”.

August não bateu no peito em orgulho com a cena, visto que tudo ainda se reduzia num preconceito crônico. Porém, ele tinha que admitir em seu íntimo: o sentimento era muito bom. Principalmente por aquela sensação constante de está sendo calidamente abraçado por todo o mundo que surgia.

Lentamente, admirando, August se aproximou de uma clareira, onde …

Nota do Autor:

Bem, vocês não devem saber, por isso aviso aqui: junto com alguns amigos, estou trabalhando num site de novels onde o objetivo é a total e completa liberdade do autor em escrever e propagar suas obras. O nome do site se chamará NovelsOriginais (NO) e eu convido todos os autores e possíveis autores (aqueles que querem escrever, mas ainda não começaram) a escrever lá (meu contato é marco2112ts@hotmail.com, pra quem estiver interessado).

Por conta desse site, venho lançando capítulos mais curtos ultimamente e que talvez tenham mais erros (o site drena bastante do meu tempo).

Nele, também, estou programado para trabalhar 3 novels, sendo uma delas a já postada aqui The sound of the fog e a que posto atualmente, GartenGüt, além de uma nova que escrevo junto do meu amigo de nick Kallu, que se chamará o Mago do tempo.

Após o lançamento do site, dependendo da consideração do Magus, posso até sair do site, o que é apenas uma previsão negativa no fim.

Dependendo de como correr minha vida nos próximos meses (trabalho, faculdade, essas coisas), posso acabar aumentando o ritmo de capítulos também.

A todos que acompanharem essa novel até aqui, eu também digo: obrigado!

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2 comentários em “GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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