GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

GartenGüt (O jardim dos deuses)!

XXXII – Palavras num mundo astral!

XVI – A realidade despedida …

Nivadalë das árvores mortas, de todas estações; das árvores de bronze, além da névoa, do ouro e do som … seu futuro é brilhante, nas entranhas daquilo já proposto, sendo a única coisa que poderia te parar nesse mundo confortável é ninguém menos que você mesmo. Você entende o que eu digo, não é? — Naquela clareira, sentado numa cadeira formada por raízes, um ser de três metros degustava serenamente de algum líquido vindo de uma frágil tigela de porcelana, da qual ele segurava com suas duas mãos, mantendo seus olhos fechados, admirando os longos goles que desciam por sua garganta.

August ficou atordoado.

você … você é aquele que me abraça? — Ele perguntou, enquanto se aproximava do ser que colocava sua tigela em cima de uma pequena mesa que se formava ao seu lado, das raízes que seguiam seus atos.

não … ou melhor, não apenas eu. Na verdade, um mundo desconhecido inteiro te abraça. Por isso estamos aqui. Foi-nos permitido essa visita, mesmo que ainda hajam algumas represálias contra você.

O ser tinha sua parte inferior parecida com a de um bode, mas o seu corpo era extremamente musculoso, onde, mesmo aparentando está nu, conseguia manter um ar de majestade que fazia o coração de August suspender. Ele compreendia aquele sentimento, sabendo definitivamente a identidade daquele que sorria em sua frente, mostrando certa beleza, da qual renderia muita boa fama caso fosse esculpida em gesso branco.

isso foi planejado? — Com tantas perguntas passando por sua mente, August foi direto ao ponto. A visão do local, da figura divina, de tudo, o fazia crer que enrolar não era uma boa escolha. No fim, o essencial parecia ser naquele momento, mais atrativo que mil peças quebradas de uma obra imperfeita.

O ser, favorável aquilo que August desejava fazer, apenas sorriu, vendo a sinceridade imposta por aquele que a todo tempo parecia esconder mil segredos.

tudo na sua vida foi planejado, caro August. — Olhando profundamente para August, Opã respondia; — O que você vai comer amanhã, o que você verá depois de amanhã. Cada detalhe foi planejado por entidades misteriosas e sádicas, cujo único desejo é preservar aquilo que jaz doente há tempos.

August ficou um pouco confuso com as palavras. Essa divergência o fazia deslumbrar com certa curiosidade a postura daquele que se mostrava tão exaltado, se revoltando contra os irmãos que talvez estivessem criando um mundo mais bonito.

Dessa forma, em sua mente, ele tentou buscar razão através do que conhecia, no entanto, seu conhecimento era tão limitado, que nada realmente lhe veio; tornando-o ainda mais curioso sobre o que se revelaria.

eu estou confuso, muito confuso. Por qual motivo estou aqui? O que você me prepara. Em todas as minhas visitas a esses deuses melancólicos, eles nunca foram tão objetivos. Eles sempre me apresentavam seus rancores, me dando o que eu precisava, em troca que eu resolvesse os seus problemas, eternamente, nesse mundo nefasto … também não entendo esse conflito. O que acontece para vós ficares desse modo, tão defensivo sobre os planos que seus irmãos fazem no lugar onde residem, apenas desejando o melhor do mundo que amam e respeitam? — Com o rosto corado, August perdia as forças. Seu peito estava flutuando em energias estranhas, e uma certa necessidade vinha em conjunto da verdade. O ser, que o observava, riu enquanto o lia dessa forma, vendo no seu discurso um grande alívio em relação a consciência que o mesmo parecia mostrar quanto a tudo.

Desse modo, Opã quis dizer algo, no entanto, percebia que não poderia dizer simplesmente assim. Seria tortura com aquele que perdia o ar em sua frente, preferindo então explicar o que acontecia nesse misterioso mundo para o deixá-lo daquele modo.

estamos no mundo espiritual, August, você não pode esconder suas intenções egoístas aqui. A verdade é a única coisa que perdura nesse reino, não respeitar essa lei é o mesmo de continuar no mundo carnal. Se você quiser saber a verdade, não poderá mentir em troca, principalmente se quiser sabê-la por mim.

Eufórico naquele lugar, August perdia o ar enquanto escutava aquelas palavras. Com seu rosto se transformando num vermelho marcado por veias saltantes e com os seus olhos vermelhos se arregalando da dor que o amassava, August se resguardava de uma enorme vontade, que desejava transbordar do seu corpo em prol de conhecer o mundo que lhe chamava.

O ser ria, ao mesmo tempo em que sua raiva aumentava sobre, mantendo certa calma nas palavras que fugiam de seus lábios:

fale logo o que você deseja, sabe. Você deveria entender que é apenas através disso que você não sofrerá, pois é a verdade que lhe libertará, no fim … — Com um movimento de suas mãos, as raízes que tudo formavam seguia para retaguarda de August, que caía sem ar, resistindo, até o último momento, a tentação da verdade.

eu … eu … — August começou falando, enquanto o seu corpo suava, empapando suas roupas que se desmanchavam no ar, o deixando em pelo na natureza serena, que o observava; — eu quero o mundo! Apenas isso … não me importo com o resto.

Opã, ouvindo o que August falava, suspirou, olhando para a imensidão azul que jazia acima de sua cabeça. O suspiro era longo e parecia invadir a mente de August, que parecia está em êxtase com a verdade que o seu corpo dispunha a revelar.

não vou mentir para você, August. — Vendo o mesmo tentando não parecer tão constrangido, Opã continuou; — Você não é o primeiro que deseja construir um império para todos e nem o último. Na verdade, você nem é a única criança do clã dos fantasmas. Tantos no mundo saiu do mesmo sonho ruim que você, por isso que, mesmo sendo um dos favorecidos dos deuses, nada disso lhe favorecerá quando se encontrar com outro Nivadalë. Na verdade, ninguém sabe o que acontece quando dois Nivadalë se encontram.

August, que escutava, no fluxo dos sonhos que te atormentava, parecia arregalar os olhos numa descrença infinita. Seu corpo, escutando, sentia uma certa impotência e os seus olhos se fixavam naqueles do ser.

Exaltado desse jeito, ele gritou:

Quantos deles?! — E dessa forma revoltado, ele perguntava; — Onde estão?!

Opã que entendia o questionamento da figura, no entanto, não queria seguir seu ritmo, lançando através de uma ponte de raízes, uma pequena tigela para beber chá, que caía no colo que se tremia de August, na morte das raízes que apenas ajudavam.

Antes de tudo beba, vou te revelar o que me aconteceu e o que lhe darei. É pra isso que está aqui, não é? Minha essência foi roubada por um deles, numa época muito antiga, por isso estou aqui, no limbo das figuras especiais. Você pode não entender tudo o que eu falo, mas acho que deve ter consciência do que acontece. Os deuses perderam o controle! Eles favoreceram tantas figuras importantes durante as épocas que se sucederam, que suas próprias crias já tencionam os céus onde vivem. Mas acho que para continuar minhas lamúrias, devo primeiro explicar o começo.

*

No começo, tudo era branco. Não haviam colinas, não haviam rios, não haviam florestas. Apenas o mesmo branco infinito e intocado, onde um ser nascia. Esse ser não tinha sentimentos pois não havia ninguém para ensiná-lo sobre, ele também não tinha aparência, pois ninguém via sua face para existi-la de todo. Ele apenas estava lá, sozinho, brincando com a própria ausência, enquanto o mundo se mantinha o mesmo.

No entanto, os bilhões de anos o entediaram, se tornando a ausência uma amargura infinita, que se alastrava sobre o seu corpo como uma doença mortal, reduzindo seus ossos e carne a um mesmo incessante, onde a solidão criava, em sua morte, novos seres através da mesma essência que buscava em seus pares a comunhão.

E esses seres, com um poder quase infinito, criaram uma coisa mais interessante, chamada vida, pela sua morte, sendo essa vida, mesmo que negada por aqueles que vivem, a forma mais essencial da criação dos deuses, formando assim o primeiro ciclo de três desse mundo.

Os deuses, com suas vidas e seus poderes, acabaram por decidir mudar a forma das coisas e, sem entenderem, acabaram criando mais vida. O resto você já deve entender: A vida e sua hierarquia.

As formas criadas pelos deuses, que são coisas como eu, tomaram suas consciências, reinando entre as suas menores partes no que a história desses seres carnais dizem ser os três reinos mágicos.

Mas veja, as menores partes de nós, simples formas, não era o que deveria ser chamado de carne. Havia uma parte física, mas ela servia apenas como recipiente, uma pequena camada, para não fazer com que seus interiores se desmanchassem nesse mundo azul. Mesmo assim, não reconhecidos, todos esses seres espirituais se tornaram protegidos dos Deuses carnais, nascendo aí minha primeira revolta.

No entanto, mesmo sendo dessa forma, não me importava. Eu estava vivo, aproveitando as melhores partes de mim mesmo enquanto os ciclos se mantinham. Eu não me entediava, as planícies pareciam ser um império infinito dentro de uma beleza tão finita, que não havia o que reclamar.

Foi assim que surgiu e se seguiu o primeiro reino mágico.

No entanto, com algumas coisas estranhas acontecendo no extremo sul, onde Aerum Solaris governava os seres de pele negra, certas mudanças nos levaram para o segundo reino mágico, onde um império surgia do exílio de Omni Der Homo no norte.

O que aconteceu? Bem, no sul, sem nenhuma explicação crível, seres fantásticos surgiam rivalizando em poder todos os clãs de Àrnisis de Aerum Solaris, conquistando, após alguma séries de derrotas que o levaram ao nordeste, o antigo império do leste, de Omni Der Homo, onde as penínsulas, as ilhas e a costa, tudo, foram tomadas por essa nova raça de seres, cuja maior singularidade são suas sombras, que carregam o ódio das fadas e espíritos invisíveis desse mundo, roubando a fala daquilo que não fala.

Eles foram os primeiros seres carnais, se autodeclarando cidadãos do novo mundo.

Assim, entramos no segundo reino mágico, onde os Kleinis se recusavam a aceitar seus espíritos, partindo em direção às vossas carnes, se tornando escravos dos Drachenis ao mesmo tempo em que se tornavam os segundos seres carnais, vivendo por sua selvageria.

Esse reino caminhou pelas fúrias dos seres, tendo nessa época diversas disputas no leste e no norte. Como eu vivia bem ao lado de minha amada, Élsser Der Nero, que abdicou de seu lar logo ainda no primeiro reino, não me importei. No entanto, quando Aeons Shidtenis buscavam se aproximar ainda mais dos espíritos, buscando assim alguma essência divina, muitas coisas mudaram na minha vista, mesmo que eu ainda fosse inerte aos problemas dos extremos.

Um grande erro, entendo, pois foi nessa época em que eu perdi minha primeira essência, numa batalha covarde entre os inofensivos sátiros e criaturas do bosque, contra batalhões de shidtenis treinados que buscavam meu pescoço. No fim, Morri pra salvar minha dama … essa é a minha história.

Não que isso importe nesse ponto, porém, pode-se dizer: com o exílio de Élsser junto com a extinção das ninfas e dos sátiros, o terceiro reino mágico não poderia ser mais depressivo, se arrastando na impressão de que tudo entraria numa grande bolha que precisaria ser estourada.

Não vou mentir, assim foi.

O templo de Sírinx foi erguido no nordeste para rivalizar contra o reino de Alba Nix, unindo as 6 grandes cidades Shidtenis contra um mal em comum. No sul, Aerum Solaris uniu todos os clãs Àrnisis, destruindo os Shidtenis que residiam por lá, fundando, como divindade, o reino de Narny’tsöl. Aerum subiu aos céus, deixando seu reino sob as mãos dos homens, que formou um enorme império corrupto e imoral, que reside na única ambição de lucrar com o caos.

Os primeiros seres da floresta, os Khuroinis, sendo estes quase fora da história, começaram a observar as estrelas, estabelecendo assim sua relação com a clarividência, passando a aparecer mais entre os seres, servindo quase como mensageiros de um mal vindouro, pior que a própria guerra que existe no continente, durante as próximas épocas.

No entanto, veja só como são as coisas. Fora do plano carnal, eu, Opã Der Naturis, vi com os meus próprios olhos, centenas de seres, que mais tardes seriam chamados de Varbenênts, sair das terras shidtenis para ir em encontro com as terras desoladas das planícies, onde nenhum deus ali fazia florescer; onde apenas o mal crepuscular tomava das gargantas o carmesim.

Eles, no entanto, com toda sua rusticidade, aguentaram as doses de emanação natural de tantas áreas, desbravando as planícies a ponto de descobrirem onde estava minha segunda essência, tão escondida, no leito onde um dos meus queridos pequeninos estavam. Os sátiros da última matilha, aqueles que não mais se reconhecem nesse nome, guardavam meus frutos, fraternizando com aqueles que pareciam amigos e protegendo o lar de todos aqueles que planejavam invadir.

Tal fraternidade durou duas centenas de ano, apenas, pois, as eras que vão mudando são tão curtas, que parece que o mundo está se encolhendo de repente. Isso não importa, no entanto, a fraternidade acabou quando os Varbenênts se corromperam pela covardia e fugiram dos bosques, deixando a última matilha só, lutando bravamente para expulsar aqueles amadores que desejavam minha alma.

Mesmo ainda dessa forma, uma pequena parte minha ainda se fragmentou, fazendo com que aquele bosque encantado morresse; fazendo a última matilha se reduzir as suas próprias sombras; fazendo o terceiro e último reino mágico se finalizar. Acabando assim o segundo ciclo de três.

Todavia, devo dizer, August Adorn, conhecido atualmente como Bae’Sorim, o início da era do fim não poderia ser melhor, para nós. FünderBae e Saartjana, guerreiros e líderes notáveis, fizeram encolher, em duas campanhas excepcionais, os exércitos de Shidtenis no centro-leste, chamando atenção assim de Narny’tsöl, que há muito tem desejo de conquistar todo o mundo.

No norte, Alba Nix conseguiu repelir os piratas Shidtenis de suas cidades próximo do na península de Èrshis, além de que, em tão pouco tempo, um certo jovem Varbenênt conseguiu liberar uma importante ruína fundamental de sua emanação natural.

Ainda em Narny’tsöl, uma nova classe de cientistas, chamados alquimistas, conseguiram engarrafar, segundo eles próprios, a mágica, tendo no oeste, em Ger’Berig, as primeiras levas de armas encantadas criadas pelos kleinis.

Uma guerra está vindo, de fato, por tal todos se armam. No entanto, a cada dia que se passa os shidtenis perdem suas vantagens, felizmente, ao mesmo tempo em que os reinos que há tanto se mostravam dignos, caem em corrupção.

Essas são as minhas considerações finais, caro August, de algo que estou dizendo com bastante superficialidade. Mas você deve entender, além de está bem informado.

Outra coisa interessante que devo te alertar: muitas situações fantásticas podem está, não necessariamente, ligada com pessoas que saíram de sonhos ruins, como você.

Todavia, você é o único do clã dos fantasmas em tal situação, só pra alertar.

Sobre o que isso significa, é muito cedo pra te dizer.

Não tendo mais nada para falar, e vendo que você já está bem situado do que acontece no mundo, acho que posso dizer, logo, o que desejo de ti.

Nota do Autor:

O site no qual me referi na nota anterior está quase pronto, e o próximo capítulo de GartenGüt finalmente poderá voltar a forma como eu produzia antes.

A todos que vem acompanhando, obrigado.

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