GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

XXXIV – O sol matutino da desesperança!

XVII – O que aconteceu em Dorf’Tod!

Era manhã quando um homem despertava no meio de cadáveres carbonizados, cujas peles negras os tornavam em espécies de estátuas de carvão criadas no meio da loucura que uma intensa guerra permitia em sua insanidade, alterada.

O homem que lá estava, segurava um estranho escudo, com runas pulsantes que brilhavam num ritmo conectado aos batimentos cardíacos que retumbavam naquela sepultura.

Era fúnebre em meio aqueles que choravam ao redor, vendo os defuntos de suas pessoas amadas e suas armas quebradas ao lado onde jaziam, procurando refúgio numa raiva que se estendia em meio a um enorme desejo de vingança.

O homem que despertava apenas via, com algum sentimento estranho invadindo as bordas do seu corpo. Era péssimo as coisas terem chegado onde chegaram, mas também era inevitável, no fim, o que acontecia de fato.

A guerra, a sagrada guerra, deveria durar até que o pescoço de cada Khuroin se quebrar e se despedaçar no meio do vale da guerra.

meu senhor, meu senhor! — uma voz cortava seus pensamentos; — perdemos um oitavo de nossas forças militares e temos danos mínimos nos arredores da floresta.

Olhando de lado, Leafi se encontrava com um pequeno oficial do seu batalhão. Ele era um Varbenênt de traços shidtenis que havia escapado de sua vila original por não receber um nome decente em sua Nehmen’Name, pelo menos não enquanto primogênito de um clã de destaque em Dorf’Zij. Sobre o seu nome, ele dizia se chamar ErücLatos, mas todos sabiam que era mentira, no entanto, como ninguém sabia seu nome de verdade, ErücLatos acabou sendo como ele era chamado.

isso é uma vitória então? — Leafi’Tod respondia, mostrando um discreto sorriso que se formava nos belos traços que ele carregava dos Khuroinis; — uma ótima notícia para aqueles bardos instalados em nossas tavernas. Qual é a quantia convertida do saque pra moedas Kleinis?

O jovem oficial, cujo o rosto não parecia mostrar nenhuma expressão além de uma honrosa submissão, tinha o corpo bem rígido numa postura militar, da qual ele havia aprendido em seus dias como jovem de uma grande Dorf.

em valor líquido, temos uma quantia de 350 moedas de ouro negro, senhor!

Leafi riu com a resposta, mostrando finalmente alguma expressão mais leve. Em todos os seus anos como um pequeno Dürg’Hem de uma Setvár’Dorf (N.A: Pequena vila), ele já havia batalhado 14 batalhas contra os Khuroinis, estando com mais de 13 vitórias em suas defesas e uma derrota em um dos seus ataques, no entanto, em toda essa experiência que se amontoava, Leafi nunca havia conseguido tamanha riqueza.

eles estão começando a nos levar a sério, principalmente depois daquele ataque mal sucedido. Isso é, ao mesmo tempo, perigoso e lucrativo. Ou seja, devemos investir isso logo.

Naquela parte da planície, que na verdade era uma serra chamada Saa’Tod, cujas trilhas e estradas eram as únicas que levavam a Ger’Berig, os recursos minerais eram escassos. As raízes e os arbustos também dificultavam a procura, mas no geral não tinha muito o que encontrar, sendo dessa forma quase impossível para as vilas ao redor se desenvolverem além do primitivo, sendo necessário, constantemente, os recursos de vilas externas ou de estrangeiros.

Antigamente, Dorf’Tod se sustentava pelos comerciantes de Narny’tsöl que iam comerciar com os kleinis de Ger’Berig, porém, depois que as batalhas começaram a se suceder entre as raças de Saa’Tod, a Boombt’Gi (N,A: porto da terra) da vila começou a ficar vazia, com os comerciantes preferindo tanger a região das batalhas por uma trilha que se popularizava já como uma futura estrada, mesmo que sendo um desvio bem extenso comparado a rota principal.

hey, ErücLatos, vamos resolver isso logo. Convoque Lërci’Trellas e Garbus’Drexdellar. Nós vamos levar a guerra a outro patamar, com essas moedas.

Nas planícies, as guerras quase não existiam para se dizer a verdade. Tirando as campanhas contra os shidtenis, pouca história que há sobre guerras. Aquilo que Leafi’Tod fazia contra os Khuroinis, então, se tornava uma peça de curiosidade, mesmo que os líderes de clãs não parecessem se importar tanto, as notícias sobre as defesas de Leafi’Tod desde a época de sua emancipação dos Khuroinis era uma coisa absurda. E é tão tamanha a fama que se alastra dessas estratégias bem-sucedidas que muitos até já visualizam em Leafi um líder a par de FünderBae e Saartjana, os dois maiores generais das planícies.

nos convocaste? — Se aproximando com ErücLatos, Lërci’Trellas e Garbus’Drexdellar falaram com pouca emoção. Sentindo no ar daquele que os chamava uma rigidez digna de ser copiada.

sim, vamos resolver isso logo. Temos 350 moedas de ouro negro por conta desse saque, vocês entendem a importância disso, certo?

sim! — Garbus’Drexdellar disse, gesticulando com a mão; — poderíamos construir uma fornalha pra poder produzir espadas por nós mesmos. Compraríamos mais material pra produzir os escudos de esfíritis e também poderíamos contratar algum senhor de escravos para construir uma muralha de pedras ao redor da vila.

verdade … — Lërci’Trellas também falava; — mas acho que construir uma muralha de pedras será ruim. Nossas estratégias são em grande parte de guerrilha. Se nós construíssemos muralhas, as conjurações kleinis as destruiriam num instante. Deveríamos no focar em preparar armadilhas mágicas ao redor da vila e alertar os cidadãos sobre.

o que Lërci’Trellas fala é verdade, e vou ficar com ele nessa … — Leafi respondia; — fornalhas e armadilhas mágicas são as coisas mais necessárias. Sobre as muralhas, elas virão com o tempo, porém, agora, não são necessárias. Acredito também que, com o que restar, poderíamos desenvolver áreas de cultivo na outra margem do rio, temos que parar de gastar tanto dinheiro em alimentos também.

Ali, todos os três concordaram com a cabeça, falando sobre mais algumas nuances pouco importantes sobre os assuntos, formalizando o plano durante o dia. ErücLatos estava lá para transcrever, e isso foi de uma importância significativa que o rendeu certos elogios dos oficiais de alto escalão.

No começo da noite, quando tudo estava terminado, a Anacrhosis’der’Türt foi feita, com os cadáveres de ambas as raças ajuntadas numa enorme pira de despedida.

Ao longo daquele mês, tanto os Khuroinis quanto os Varbenênts de Leafi’Tod esperaram, até que o mês da chuva veio, onde os preparativos começavam a se juntar, finalmente, com certas cartas.

XVIII – Fairy d’Bargeton e seu breve dia!

Era manhã e, do lado de fora da Yurt, chovia. Fairy preparava o primeiro almoço e FünderBae acordava de ressaca. Uma manhã normal na vida de ambos, porém, Fairy odiava de tal maneira, que até esboçar seu bom sorriso como halsher’drin era difícil naquele momento.

Fünder, que era um tanto feliz com aquele clima sereno, não percebia de todo, colocando em cima da mesa, certos papéis dos quais ele havia pego na khünd’surtal (N.A: Yurt burocrática) da Dorf. Esses papéis falavam sobre a alocação de recursos e, principalmente, sobre um relatório do que se sucedia em Saa’Tod e o desenvolvimento geométrico que Dorf’Tod passava naquela. O arquivo tinha bastante detalhes, falando com bastante critério sobre os avanços organizacionais e tecnológicos, e de como isso alteraria o curso das batalhas que se sucederiam. Mesmo ainda com ressaca, FünderBae conseguia entender o que o autor do texto se propunha, que era atrair investimentos externos para sua máquina de guerra, financiando a guerra de Leafi’Tod.

se fôssemos Àrnisis, não me importaria de ir com tudo pra assegurar as rotas na serra. Mas como entendo a importância da amizade com outras raças, sei que não vale a pena ir atrás da ira alheia. Mas acho que faz bem investir, só pra vê até onde essa brincadeira de Leafi chegará …

Fairy, que fingia não escutar, fazia sua sombra atrás do biombo anotar, em uma folha que estava por debaixo do piso de madeira, tudo o que FünderBae dizia, mesmo que mudando algumas linhas para poder enganar os shidtenis que se escondiam. Ela fazia isso, primeiro, por August. Era estranho, mas ela sentia a necessidade de fazer isso, como se tivesse algum respeito por aquele jovem que tanto ameaçara-a.

bela nainem (N.A: dama), — FünderBae disse, ao terminar de pensar sobre o assunto; — sairei por alguns momentos para resolver alguns assuntos pendentes. Pode tirar uma folga enquanto estou fora. Não sinto prazer em comida gelada.

Fairy apagou as chamas com a ordem, balançando sua cabeça num aceno para FünderBae que se aproximava, pegando suas mãos apaixonadamente enquanto a envolvia em seus enormes braços. Os lábios vermelhos tremeram com o ato, tentando, hesitantemente, resistir por um breve segundo, até desistir, tentando se manter naquela atuação que se persistia a tanto.

você tem essa mania … — FünderBae falava, parecendo um tanto excitado com os atos da Shidten desgraça; — de recusar, mesmo querendo tanto …

Ouvindo aquilo com tanto desgosto, Fairy permitia aquele, que ela tanto odiava, de beijá-la, tocá-la, como uma qualquer, enquanto sua alma chorava, solitária, na redoma de vergonha e ódio que ela havia criado para si, respirando apenas quando toda aquela frustação terminava, inspirando levemente, tentando fingir que tudo estava bem no mundo que Fairy cuspia.

quando eu voltar, terminamos … — Ele disse, com um enorme sorriso, enquanto saía da Yurt segurando um enorme baú que tilintava ao som de centenas de moedas se batendo.

Um pouco longe, de costas para aquilo, Fairy se virava, com lágrimas, encarando sua própria realidade com um sarcasmo. Não era a primeira vez que ela teria que passar por aquilo e muito menos seria a última, então, que preocupação haveria? Ela se sentou na mesa, tentando se reconfortar, mesmo sabendo da verdade sobre o que sentia e da sua impotência de reagir ao mesmo. A vida tinha te calado de todas as formas possíveis, ali, no antro de selvagens.

não vamos ficar aqui sentido pena de mim. — ela disse, encarando suas mãos suaves, que, narcisisticamente, a encantava. — Tenho coisas para fazer e isso tem mais importância que chorar às pitangas. Essa é a vida que eu escolhi viver quando decidi me corromper por aquela paixão. Apenas tenho que aceitá-la, no fim …

Fairy retirou, das mãos de sua sombra, o papel com as informações, escondendo-a entre seus peitos, no vestido que se desajeitava. Assim feito, ela saiu da Yurt, subindo pela Dorf até se encontrar nas margens do lago, onde, num buraco, colocava o pedaço de papel, se voltando para as partes baixas da Dorf outra vez.

No entanto, enquanto voltava, Fairy se encontrava com uma figura bem interessante que, sentada próximo das margens, olhava com desprezo, naquela chuva, para as margens.

A figura era Xeni’Gotvhin, conhecida por Fairy apenas como uma companheira de August que se acidentara na exploração da ruína fundamental de Agui’Us. Porém, vendo-a com aquele olhar, para de frente ao pobre lago, que apenas criava pequenas ondas com as gostas que caíam em seu interior, Fairy sentiu um sentimento bem grande, como se conhecesse aquela menina a anos e, não só, sentindo também uma grande vontade de consolá-la de todo o mal que acontecia a ela ali. Dessa forma, Fairy apenas se sentou ao lado daquela garota, que sem muito reagir, continuou do seu modo.

os lagos das planícies são belos … — Fairy tentou se introduzir; — e banhados por esse céu prateado eles tomam formas ainda mais belas. Não concorda comigo, jovem nainem?

Em silêncio, Xenit concordou com a cabeça, educadamente, enquanto pegava uma pequena pedra de leito de rio e, suavemente, jogava-a para fazer quiques pela superfície do lago.

isso me lembra uma história … — Fairy continuou, desejando fazê-la se abrir; — que ouvi quando passava pelos desertos de Narny’tsöl numa caravana. Era sobre uma dama que odiava se olhar no espelho, pois o espelho refletia sua alma e, cada vez que ela via, se sentia mais enojada. No fim, para resumir, o problema da dama estava nos olhos, nada mais. Será que não é isso que também te aflige?

Ainda em silêncio, Xenit olhou profundamente para o lago, suspirando de uma forma impaciente, enquanto envolvia suas pernas em seus braços. Fairy, que não tinha muitos motivos para observá-la, tentou dizer algo, mas observando o lago daquele jeito, ela percebeu que a melhor coisa era se manter em silêncio, pelo menos, por um momento.

eu fico me perguntando … — Após um largo período de tempo, Xenit disse; — e se fosse ao contrário?

ao contrário como?

e se a menina amasse espelhos achando que é perfeita?

Com a pergunta, Fairy se calou por um momento, enquanto encarava, sem muita emoção, Xenit que, com seus olhos, parecia querer devorá-la. Fairy sentiu vertigens, por um momento, não compreendendo o objetivo daquele olhar, ao mesmo tempo em que se perdia da própria pergunta, caindo numa confusão completa.

Dessa forma, Fairy se levantou, sem compreender suas forças motoras, e se dirigiu, correndo, para sua própria yurt, apavorada com aquelas palavras que batiam em sua cabeça como ferro quente. Seu desespero fora tão grande, que até FünderBae se preocupou por um momento, quando voltara para casa. De sorte, para Fairy, ele, pelo menos, avisava que teria que levar a encomenda para Saa’Tod por ele mesmo, avisando que ficaria um tempo fora.

De algum modo, solitária naquela Yurt, Fairy ficou reimaginando o que lhe acontecia e todos os passos que acarretaram sua vida. Com pouca inventividade, sua imaginação te levava a lugares não experimentados e vidas não vividas, onde ela era exatamente quem queria ser, estando ao lado das pessoas com quem queria estar.

No dia seguinte, Fairy outra vez foi para o lago, se encontrar com aquela jovem garota que, com sem palavras, a fez se assustar de um modo terrível, onde, ao mesmo tempo, lhe fazia vê certas coisas novas em seu mundo desesperado, onde apenas sonhos distantes poderiam, de fato, consolá-la.

Nota do autor:

Esse capítulo era pra ser um extra de apenas mil palavras. Como aproveitei para falar sobre Leafi’Tod (pra quem não se lembra, ele aparece no capítulo XI) e abordar alguns outros temas. Semana que vem nós voltamos com August.

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