GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

GartenGüt (O Jardim dos Deuses)!

XXXV – Para resumir!

XIX – O que se sucedeu!

e a profecia se cumpriu … — em frente ao salgueiro, o velho ancião discursava. Todos os seres espirituais que havia na clareira, prestava uma enorme atenção, em lágrimas ou aos prantos; — nós voltamos a ter aquilo que perdemos, por aquele que vive entre os maiores traidores de nossa raça. O que isso diz, além de que devemos abandonar, finalmente, essa casca de ódio que nos agride? Não sei para vocês, pequenos filhotes, mas isso me diz que chegou o tempo de nos juntarmos e lutarmos, como nunca lutamos antes … o tempo da depressão e do vazio acabou, veja, por isso lutaremos até a morte, dessa vez!

A multidão de seres se levantou e gritou, fazendo o bosque reverberar. August, que se escondia entre eles, aplaudia e gritava. Ele sentia a euforia penetrar seus poros, por isso gritava tão alto quanto podia. Os sorinis que o seguiam, no entanto, se continham, mesmo que sorrisos furtivos fossem esboçados no canto de suas bocas. Eram tímidos.

mas felizes como estamos, não lutaremos hoje! — O ancião continuou; — hoje comemoraremos e confraternizaremos, celebrando, em brinde numa ceia, nossa fraternização com o salvador de nossas almas! Assim faremos!

Com o fim do discurso, os seres em frenesi saquearam seus estoques de bebida, nos buracos que se escondiam perto do salgueiro. Era o dia, o tão memorável dia, que acabava se seguindo numa festa, regada a álcool e comida.

Todo o estoque de licor (cujo os donos afirmavam ter mais de 300 anos de idade) e de carne eram massacrados, caindo no estômago da farra na qual, não contente, se estendia por toda uma semana, até que as nuvens cessarem na planície infinita e o sol voltou, com todo o seu esplendor.

August estava frenético, a nova perspectiva que a empatia te dava o deixava estranho, vendo no mundo formas das quais nunca havia visto antes. Além do mais, aprendendo com a natureza no livro que surgia de sua mente, ele acabava se apaixonando por um novo horizonte de ideias, que sugava seu psicológico num otimismo cíclico.

Os sorinis também aprendiam bastante, enquanto se divertiam, dançando e brincando com os seres, que em alegria, se esqueciam de todos os seus ódios por apenas um dia. Alguns desses, surpreendentemente, até voltavam a formas estranhas, belas, de seus passados resplandecentes, enchendo a visão daqueles com os anjos de um passado não tão distante!

Ehhhh! — E eles gritavam com cada transformação.

Ehhh! — E, eufóricos, eles se distanciavam da terrível realidade, drenando a bebida que sumia, sendo os dias eternos, maravilhosos, no belo desenrolar que se assumia …

*

Era noite, talvez sendo a última de comemorações entre os seres, e todo o grupo de sorinis se reuniam ao redor de uma fogueira, comendo e bebendo com os seres de nome Lervia’Stönt e Bartvma’Sryx. Eles conversavam sobre os maiores contos das planícies, sendo, em específico, a história do herói das chamas que se apaixonava pela rainha das águas e sobre como o amor dos dois se fundiu no eterno.

Eles falavam alto, bastante alegres, sem perceber que se aproximava das chamas um estranho menino, cujo sorriso iludia os sentidos numa espécie curiosa de paixão, principalmente entre as meninas, que, um tanto altas pela bebida, pareciam vê um anjo pálido morrendo em glória.

olá! — Dizia a figura, mostrando em seu sorriso, olhares que vagueavam entre os rostos surpresos; — posso me juntar a vocês?

Os sorinis não entenderam de primeira, mas depois, percebendo certa educação, eles concordaram com a cabeça, sem saber ao certo o que dizer.

August se sentou próximo de Shigtai’Götvhin e Niathy’Götvhin, que coravam. Metvina, de frente para as duas, tentava conter certo olhar, mesmo que lhe irritasse vê aquelas duas hipnotizadas apenas com a presença mágica de um August do qual pouco percebia as mudanças no ambiente, por conta de todo aquele clima enérgico.

então … — Ele disse; — o que acharam desse começo de aventura. Era isso que esperavam, quando planejaram me seguir?

Por um momento, o silêncio se levantou entre os sorinis. A pergunta talvez fosse um tanto como surpreendente no fim. Apenas Shigtai dizia, entre goladas daquele licor na caneca:

Eu não atirei uma vez sequer, não decepei ninguém, apenas observei batalhas de longe e fiquei encharcada o tempo todo num tempo frio em um ambiente mórbido, porém, não vou mentir: passei por muitas situações que cortaram minha respiração e me fizeram realmente crê que eu morreria. Então, nem sei o que dizer …

Sorokherim e Mesorim, bastante alterados, riram numa emoção vibrante, enquanto Metvina e Niathy levantavam suas taças, falando:

roubo suas palavras!

acho que todo mundo roubará as palavras dela aqui!

Os sorinis levantavam suas canecas num alegre brinde, com as palavras que viajavam ao redor da fogueira, fazendo o líquido derramar suas gotículas de cores alaranjadas na fogueira, que subia em alegria.

vocês, sorinis, estão bem felizes … — Lervia’Stönt, vendo a imagem, dizia, sem que muitas atenções fossem lhe dadas de todo; — nem parece que tem bem mais para fazerem a frente. Sabe, ir pra terra do sol se encontrar com uma importante coisa que definirá tudo?

eu irei! — August, único a escutar o que ser dizia, respondia, num tom não tão alto, como se dissesse em privado para Lervia’Stönt; — mas não hoje, entende? Hoje estou bebendo e comendo, feliz. Um outro dia talvez, quando eu for, penso sobre isso, mas hoje, infelizmente, não …

Os sorinis, que percebiam a fala de August, fizeram um silêncio repentino, tentando compreender o que acontecia, tomando Bartvma’Sryx a rir, enquanto dava tapinhas em seu companheiro que igualmente ria, no fim, da resposta de August.

você realmente é corajoso. — Bartvma’Sryx falava; — Me lembra certos sorinis do passado que, como devem saber, mudou toda a história dos Varbenênts.

sim, sabemos, sobre FünderBae e Saartjana, que são, curiosamente, meu isä e minha äiti. Grandes guerreiros, é verdade.

pessoas grandes têm passados tão grandiosos quanto. Vejo que não é uma decepção.

felizmente …

Com o clima ficando mais tenso, August olhava fundo nos olhos do ser, que parecia conter algo, do qual ele não tinha ideia. Lervia’Stönt, que ao lado bebia sem se importar, parecia também esconder algo.

August não queria brincar, por assim dizer, franzindo seu cenho para uma verdade que se revelava:

Sátiros da última matilha: atualmente sob o efeito de charme!”

August riu, mas não riu pouco. A informação que se apresentava o fazia rir demais, como um louco, tanto que os sorinis nem mesmo conseguiam acompanhar a mudança de ritmo, rindo também, com August, insanos. Os seres ficaram atordoados, mas do olhar inocente que August tinha, eles também foram capazes de rir, enquanto a noite se aproximava do seu devido fim, numa alegria generalizada.

*

Manhã, August se levantava dos escombros do dia anterior, sentindo no bafo o gosto delirante de bebida amarga e vômito. Como havia dormido num buraco qualquer, com outros seres que se amontoavam, August também sentia uma terrível dor nas costas que perseguia seu espreguiçar.

Ao longe, enquanto se esticava, ele via o ser ancião em frente da árvore sagrada, conversando com ela com bastante entusiasmo, como se estivesse louco. August se aproximou sorrateiramente, pondo suas mãos nos ombros estáticos, reflexivos.

August, eu te esperava … — O ser disse, sem virar seu rosto para o jovem que se sentava ao seu lado; — entendo que você deseja voltar a viajar logo, mas temos que conversar. Meu irmão volta a aparecer em meus sonhos e ele me diz muitas coisas importantes.

August não estava a fim de escutar tais coisas importantes, principalmente por mal ter acordado, mas como também não gostava de adiantar estas, ele se precipitou:

você deseja mandar quem para me acompanhar? — O velho ser balançou sua cabeça, percebendo que não precisaria ali entrar nos detalhes mais pífios da discussão.

Strever’Ton tem o desejo de te acompanhar e acompanhar o filhote. Bartvma’Sryx e Lervia’Stönt também. Eles parecem a vontade, principalmente por terem feito amizade com o seu grupo de companheiros.

entendo e não vejo problemas. Porém, eles são seres espirituais, não seria muito chamativo levá-los para Narny’tsöl?

O ancião concordou com a cabeça.

porém, não posso prendê-los. Além do mais, Narny’tsöl é um império para todos os seres, quero dizer, eles só falam com moedas kleinis, mas não é um problema. Temos o suficiente para sustentar e ostentar a viagem de todos.

isso é bom e resolve todos os nossos problemas. Mas fico encucado: não é só isso que você quer falar, não é?

Outra vez o ancião concordou com a cabeça. Dessa vez, seu rosto estava um pouco mais severo.

receio que é meu dever perguntar, mesmo que não queira de todo — suspiro; — como você conseguiu? É que, não vou mentir, desconfiava de sua capacidade, mas veja, tenho um motivo: você não foi o primeiro sorim a passar aqui nesses vinte anos e nem o primeiro errante. De fato, muitos do seu clã, das pessoas que saíram do sonho ruim, passaram por aqui, inclusive shidtenis e todos eles falharam miseravelmente. Pensei que o ciclo fosse se repetir …

Com a frase terminada, August pulou e se virou para o ancião. Sua face, mais pálida que o papel, não demonstrava vida com o fato, mesmo que pela motivação errada.

não fique assim, você é especial também. — O ser tentava consolar; — Além do mais, muitos deles devem está mortos agora. Sua espécie é bem inconsequente, vivendo uma vida selvagem como bárbaros, no limite. Poucos são aqueles que conseguem fazer algo com tudo o que tem, no fim.

Mesmo escutando, August ainda estava inquieto, raciocinando em sua cabeça sobre milhares de coisas que mudariam com a reles possibilidade de se encontrarem, forçando sua boca se mover, inconscientemente, e dizer:

Quantos passaram por aqui?

O ancião não se surpreendeu com a pergunta, respondendo:

hum, acho que trinta, contando com você. Havia até alguns grupos, com dois ou três. Havia também muitos Àrnisis, alguns kleinis e muitos poucos Shidtenis. Só um dessa raça maldita veio, para dizer a verdade, e ele era insuportável de arrogante. Pior que você.

August riu.

acredito … mas parece que nenhum deles conseguiu fazer o que deveria, então acho que posso ser bem mais arrogante agora …

O ancião riu também, colocando suas mãos em seu peito numa certa teatralidade cômica, que de certo modo até alegrava August.

pergunta: porque vocês deixaram shidtenis virem até aqui?

simples: não deixamos. Na verdade, os matamos. Quem você acha que era aquele que cobiçava o poder dessa árvore?

August, com a resposta, olhou para o tronco esverdeado do salgueiro.

fico me perguntando, será que eu reconheceria?

Suspirando, o ancião permitiu o silêncio subir por um tempo. Certas coisas anseiam por calma, era seu pensamento.

August, pessoas do seu tipo são como eu: um ser nascido direto da essência; e sendo igual a mim, você vê o mundo da mesma forma. Os humanos dos sonhos ruins cheiram bem, como doces ou frutas, suas almas são brancas, escondendo o pior de tudo que eles tem, você verá, sem espectros, até seus verdadeiros nomes, a distorção que causam na realidade. Você verá tudo … por ser igual a mim.

Desenhando na terra úmida, August ouvia, desanimado.

então nem me esconder eu posso … minha vida será uma batalha constante assim …

como?!

uma batalha constante …

Ouvindo, o ancião ficou sem palavras. O covarde se mostrava no corpo do herói. Ou será que era o gênio? O ancião precisou pensar bastante pra chegar numa conclusão, no breve minuto em que trocavam olhares, respondendo:

sim … ela será …

Os dois ficaram em silêncio durante um tempo, até que os seres começaram acordar, separando os dois em direções as suas vidas, ou destinos … o que quer que seja essa escravidão inegável …

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