GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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XXXVI – Despedida e um outro encontro!

XX – Despedida …

Era a alvorada. O orvalho evaporava dos arbustos e no gramado, além de escorregar entre as folhas das árvores. O sol batendo, nenhuma nuvem impedia sua passagem. August levantava. Face inchada. Juntos, os sorinis também se mostravam, carregando os alforjes, polindo armaduras e amolando espadas. Setas voavam, caindo em troncos de árvores não distantes. Feras aplaudiam a demonstração, enquanto se organizavam.

depois de dois dias nessa trilha, vocês sairão do bosque e indo em direção as montanhas áridas, vocês conseguirão encontrar o sul. A constelação de Bhavgai’Brünneris (N.A: Ursos de brumário) também ditará o caminho durante as noites.

Com fileiras militares atrás de ti, o ancião dizia, carregando, em seus braços, mochilas feitas de pele de alba’tuulai (N.A: Coelhos brancos), cujos interiores carregavam frutos e algumas barras de ouro que reluziam.

August se aproximou, fazendo o gesto de despedida formal, que Varbenênts normalmente faziam, do qual se consistia em balançar a mão em movimento circular, enquanto se levanta a cabeça em reverência. O sorinis o imitaram, fazendo, no entanto, uma reverência ainda mais polida do que a do próprio August.

educação dispensável, jovens … — O ancião dizia, devolvendo o cumprimento; — mas aceito, pela boa vontade.

August deu um sorriso, apontando para as mochilas. Os botões, que a faziam está aberta, deixava-o curioso com o brilho que escapava da fresta, o tornando a perguntar:

pra mim?

O Ancião esboçou um sorriso, pondo as mochilas no chão. Aquela sinceridade, de alguma forma, contagiava-o, dizendo:

os frutos é pra você guardar, ou comer, Bae’Sorim. Sobre essas barras de ouro, bem, você pode vender, mas devo dizer que são perigosas. O emblema da família real de Jam’Auteûme pode trazer problemas caso você venda para a pessoa errada.

August se aproximou das mochilas, pegando uma das barras de ouro. Alisando-as ele viu o emblema, que era formado por três folhas com uma coroa acima, além de louros ao lado. Ele ficou impressionado por um momento, todavia, subitamente, seu olhos se dirigiam em direção aos frutos.

em relação ao ouro, até entendo, mas sobre esses frutos … hum, devo dizer que há uma certa picaretagem aí. Não querendo duvidar de seu conhecimento, mas morrerei de dor se eu comer esse fruto, foi-me dito através de um sonho. Então me diga, qual a segurança em me dá?

Encarando August, o Ancião desmanchou seu sorriso rapidamente, caindo sua cabeça em seu peito – observando, contemplativamente, a união dos sedimentos marrons que se entrelaçava no verde.

você sabe bastante, mas não tudo. — Sua voz calma, era baixa, como se preferisse falar em particular, mesmo percebendo a impossibilidade de tal; — Ou melhor, você se esquece dos detalhes que te acomodam. Veja, errei por um segundo: você ainda não consegue vê as coisas como vejo, por isso não entende. No entanto, afirmo: confie em mim, e coma esse fruto e dê, por favor, para a morena de cabelos lisos, essa que maneja seu arco. Dê também para os irmãos apaixonados e para Strever’Ton, cujo a anseia há bem mais tempo que todos nós. Você pode não entender o porquê, mas deve saber o porquê de te dizer …

Rapidamente, August olhou para o Ancião: sua túnica se movia com o vento e o seu olhar hesitava. Ele não entendia, ou melhor, não desejava entender, pois sabia que daquele rosto cabisbaixo, uma enorme dúvida pairava em seu espírito. E o pior, espírito era tudo que aquele ser era, ilustrando quão grande era a dúvida e preocupação perante a situação.

farei o que você diz … — Após um breve segundo, August respondeu, dando um tapinha no ombro do Ancião, percebendo; — seu irmão, no fim, sabe o que faz. Mas bem, não vamos enrolar: onde está esse filhote? Outra, ela irá mesmo conosco?

oh sim ele irá. Não duvide disso! — Levantando sua cabeça animadamente, o ancião respondeu; — na verdade, está até pronto, espere só: Jahil’Stor e Ghify’Veter, tragam-no.

Saindo das fileiras, dois seres se aproximaram. Eles carregavam o filhote em seus braços, onde estava equipado com uma armadura de couro feita em medida, protegendo todo o seu torso, tendo aberturas apenas para os membros.

ele não vai morrer de calor assim? — Metvina comentou, com as rédeas de seu cavalo em mãos.

depilamos seus pelos, então tudo ficará bem! — Jahil’Stor respondeu, alisando aquela armadura.

estranho, mas apenas vamos. Nos atrasamos o suficiente por hoje. — August finalizou, apressado.

entendemos sua pressa, não ocuparemos mais seu tempo.

Subindo em cima de Beleuchtet, August comandou os sorinis em direção a passagem da esquerda, que levava a trilha que seguia ao sul. O filhote os acompanhava a pé.

Atrás de si, braços se levantavam e, fazendo o bosque outra vez reverberar, gritaram: — sigam os bons ventos com os Nivadalës e que o sangue não seja derramado em seus lados.

August mais uma vez desapareceu entre as árvores, que, em sua felicidade, parecia retornarem a vida.

XXI — FünderBae se encontra com Leafi’Tod!

Era noite, quando, numa modesta yurt, FünderBae se acolhia do frio, tomando um caneco de aguardente de trigo, do tipo que nem mais era apreciado nas planícies. Ele havia chegado por lá durante aquela tarde chuvosa e já havia assinado todos os documentos pertinentes a transferência. Ali, eles tentavam comemorar a transação bem-sucedida, porém, parecia que apenas dois tinham boas intenções no todo.

vocês ainda produzirem esse veneno é curioso … — FünderBae dizia. Naquela yurt apenas as figuras de Leafi’Tod, Lërci’Trellas e Garbus’Drexdellar se mostravam.

por aqui dizem que essa bebida é boa apenas para conservar carne. — Leafi’Tod respondia. Sua boca formava um arco e seu olhar percorria até o copo.

oh sim, me lembro dessa piada. — FünderBae, acompanhando, dizia com outro sorriso saindo das barbas; — O sabor da carne fica tão amargo com essa merda que ninguém consegue comer, eis o porquê do ditado. Beber isso puro então, é um ato de coragem.

ou de estômago! — Naquele ponto, até Lërci’Trellas respondia, um tanto quanto embriagado.

concordo! — Taças levantaram. Era um brinde rápido e informal, feita na ebriedade, que se seguia na queda, onde os líquidos caíam pelas goelas dos homens presentes, regojizados.

Apenas Garbus’Drexdellar se escondia num canto, balançando sua taça, como um estranho. Sua presença, felizmente, não era notada. Seus pensamentos, ignorados. Tanto que Leafi’Tod continuava, com as bochechas já enrubescendo, dizendo:

me contenta o fato de você financiar essa guerra. Na verdade, me chega a ser uma surpresa. — Taças foram reenchidas.

não deveria ficar. Suas defensivas bem-sucedidas e sua ousadia em batalha, impressionam. Proteger uma pessoa com tais habilidades táticas, nessa época de conflitos inevitáveis? Apenas um tolo não faria o que faço …

No canto, uma risada. Ao fim da frase, ela vinha da garganta de Garbus’Drexdellar, que parecia animado com a situação, em seu particular um pouco incomodado.

não se preocupe com ele … — Leafi tentou controlar a situação, percebendo as excentricidades do amigo; — as moedas de ouro o deixaram excitado. Quando se deitar na cama quente de sua afiliada, se acalmará, prometo.

– Ha … — Risadas soaram outra vez, sendo a mais audível a de FünderBae que, com seu rouco e profundo tom, contagiava os outros personagens com uma leveza sincera, mostrando que tudo estava bem; — nada que uma nainem não faça para melhorar o espírito de um homem cansado.

sábias palavras.

sou velho, tenho que ter alguma sabedoria. No fim é isso que define o que tu viveu, jovem!

Taças, mais uma vez, levantadas, com as risadas ébrias de homens animados.

então o que tu viveu? — Porém, com passos largos, Garbus’Drexdellar chamava a atenção de todos, enquanto roubava uma cadeira e se sentava abruptamente de frente para FünderBae, que encarava aquela face branca, de claros olhos castanhos e cabelos loiros que se enrolavam. Risadas cessaram e, calmamente, Garbus colocava sua taça na mesa, o encarando também, com coragem, mesmo que por um segundo hesitasse, dando a chance que FünderBae precisava, para iniciar o discurso entalado na sua garganta:

eu não sei quem vocês pensam que eu sou … — iniciava-se; — mas essa tentativa de coerção não funcionará. Essa brincadeira, de fingirem está felizes enquanto um revoltadinho me questiona, é deprimente. Mas bem, já que chegamos esse ponto, direi o que vim dizer e fodam-se vocês.

Um silêncio se instaurou no breve segundo que FünderBae suspirava, antes de retornar outra vez a fala:

entendo o que farão com essas moedas, no entanto, devo dizer: vocês não conseguirão. E digo com propriedade: quando os Khuroinis perceberem suas intenções, vocês morrerão. Seus escudos, protótipo de Dürg’Zij, não vão poder sustentar para sempre suas estratégias. As batalhas em guerrilha também não. Na verdade, se não fosse a devoção dos Khuroinis com a natureza, toda essa floresta já haveria de ter sido incendiada, levando cada um de vocês. Então, inteligência. Nenhum Varbenênt apoia suas batalhas e essas moedas é apenas uma recompensa barata. No primeiro tropeço, a queda será imensa. É isso que deseja?

Ao término do discurso, os lábios dos três oficiais tremeram, Digerir aquelas verdades parecia impossível num primeiro momento, mesmo que um sorriso de lado fosse esboçado pelas figuras afetadas. Suas mentes trabalhavam em respostas, enquanto caíam em vertigens pela imposição da figura.

hum, acho que é você que não entende o que somos aqui … — Garbus respondeu, num sussurro, cessando o breve silêncio. Os ânimos, com suas palavras, agitaram-se, principalmente entre Leafi e Lërci, que gritavam, para acalmar:

segundo oficial, controle-se. Você não está falando com um qualquer!

FünderBae, que deveria ser o ofendido da história, todavia, apenas reenchia sua taça, fazendo as gentilezas e enchendo a de Garbus também, enquanto penetrava os olhos daquele com os seus.

felizmente, conheço vocês … — a voz fazia tremer; — meninos de Jvala’Küla. Varbenênts de um povo antigo e oculto, carregando da palidez de seus corpos a marca arrojada de uma desgraça antiga. Suas línguas não proferem o idioma dos espíritos e sua carne não sente o peso de deus nas entranhas. Exilados de uma floresta bárbara e também primeiros Varbenênts da espécie a se assentarem na encosta da selvageria das planícies. O ódio de vocês não é diferente dos primeiros Varbenênts expulsos das seis grandes cidades shidtenis. Mas veja, aceitamos nosso ódio com o tempo, e trabalhamos em algo nunca antes visto. Em que era foi-se registrado essa quantidade de vilas Varbenênts, erguendo tendas em colinas e nas margens dos rios, sem se preocupar com hordas de Chötgor’Rüs (N.A: Demônios dos rios) ou Räksasas’Ebens (N.A: Monstros das Planícies). O ódio pode não só destruir, meus jovens, como também pode construir, aprendemos, vocês devem também. O que vocês sentem pelos Khuroinis pode até não passar, mas é melhor viver odiando, do que viver chorando. Essa guerra que vocês desejam perdurar causará isso, não duvidem.

estamos preparados!

não, vocês não estão! Quando seus filhos morrerem nos bosques, suas mulheres forem estupradas, quando seus membros apodrecerem e vocês sentirem a impotência, vão perceber que em nenhum momento valeu a pena. É nesses momentos que guerreiros, normalmente, choram, pois é isso que faz vocês voltaram para a realidade, sem glória … — Do seu bolso, Fünder tirava um cachimbo e acendia. A pequena pausa fazia Leafi suar um tanto, mesmo que o rosto calmo estivesse naquela face. FünderBae continuava:

esse cachimbo era do meu pai. — Sua voz rouca não tremia; — Ele conseguiu de um comerciante Àrnis quando era guarda de caravana num passado distante. Quando eu e Saartjana decidimos lutar contra os shidtenis que tentavam atravessar as planícies em direção a Ger’Berig, ele foi o primeiro a se voluntariar. Te enchia de orgulho saber que o filho de um agrótes sem nome havia se tornado o Dürg’hem de um clã original. Ele me acompanhou nas três campanhas, grande guerreiro. Mesmo levando uma flechada no joelho na segunda campanha, me seguiu para a primeira ofensiva. Porém antes, claro, bom pai, me deu esse cachimbo que, vejam esses caracteres, diz: paz entre os seres. Bom velho, mesmo que meio burro. Morreu na minha frente, incinerado por uma torre de Vlammen. Vi apenas seu pó voar entre as chamas e da fumaça, esquecido, na passagem dos seres. História de um homem que morreu feliz, ao lado do fracasso. Mas bem, acho que entendem o que ele desejava dizer.

Leafi e Lërci paralisaram, chocados. A estranha e resumida estória parecia ser direta demais e nem a face de FünderBae parecia querer desmentir aquilo que eles pensavam, ou melhor, interpretavam. Garbus, porém, estava muito afogado no próprio ódio, dizendo, com a face para baixo, como um covarde:

então foi nesse dia que arreganhara as pernas?

FünderBae não respondeu, olhando para Leafi’Tod, que ainda tentava se recompor de tudo que acontecia ali. Sua face viajando era registrada pelos olhos de seus colegas, que tentavam entrar no mesmo mundo, se perdendo em pensamentos. Eles também suavam e FünderBae, sabendo que o serviço estava feito, apenas se levantava.

Garbus, esse é o seu nome? — FünderBae, perto de sair, perguntava.

sim, esse é … — Garbus, atordoado, respondia.

Perto da saída, sua face parecia ser mais intransponível que uma rocha e o seu corpo, imponentemente parado, ameaçava até a última partícula de poeira da sala.

se não fosse por respeito ao que vocês vem fazendo por aqui — FünderBae falava; — eu já teria te matado. Respeite seus oficiais e aproveite meu bom humor. Dá próxima vez que eu te vê, sua cabeça bem que poderá não ficar mais grudada.

E assim saía, na noite gelada, com a chuva rasgando seu corpo e alma.

Nota do Autor:

Não teve capítulo sábado passado por conta do carnaval. Peço desculpas desde já.

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