GartenGüt (O Jardim Dos Deuses)!

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XXIX – Reh’Salam ah Nivadalë (O escolhido de todas as estações)!

XII – Expectativas!

Carregado pelos braços, August seguiu o velho ser até as profundezas do pântano, chegando numa estranha clareira onde havia uma enorme árvore roxa, cuja as raízes se expandiam por todo o lugar, havendo diversos buracos entre elas, onde os seres se abrigavam.

A clareira era do tamanho de um estádio de futebol e, por um momento, sufocou August com sua imagem.

A escuridão que a clareira passava era tamanha, principalmente abrigando tantos olhares que observavam com o rabo do olho, rosnando, recolhidos, naqueles buracos que eram também seus abrigos.

Sorokherim, companheiro de August que há muito já se encontrava perto de enlouquecer, não sabia como reagir aquilo, sufocado irmãmente, enquanto seguia de longe, em seu cavalo.

Shigtai, outra que seguia em seu cavalo, acompanhava em sentimento Sorokherim, assim como Mesorim, que tremia em seu cavalo, no meio daquela multidão de seres.

Apenas sua irmã, Metvina, que não parecia sentir sob aquelas circunstâncias algum tipo de sentimento particular que não fosse uma total e resoluta confiança, do qual parecia enganar até Niathy, que ainda esperava o clímax total de tudo aquilo.

Pheeew! — August assobiou, impressionado; — não esperava por isso … nem quando entrei nesse pântano infinito imaginei algo do tipo: uma enorme cidade, apenas para seres viverem e odiarem-nos.

O ser, que ainda tinha aqueles braços em mãos, não disse muito com o que foi falado, mantendo o rosto sério que se mantinha todo o caminho desde a outra clareira, onde uma batalha ocorrera.

chato! — Ele pensou.

A tensão crescia de acordo desse silêncio, o que irritava August, que fazia uma certa cara de sarcasmo, mesmo sabendo que era melhor daquela forma.

Era um momento muito delicado para conversas casuais, mesmo que contra sua vontade, restando ali apenas o desenrolar ansioso, no qual parecia não progredir nas linhas tortas já escritas.

é aqui … — August e o velho ser pararam em frente a árvore morta de raízes infinitas. Seu tronco parecia se estender ao infinito e sua copa mal era vista dali, tendo os galhos mortos aproximando a noite, cuja escuridão descia para aqueles que lá viam.

é aqui o que? — August perguntou sem compreender todo o mistério que se envolvia ao redor daquelas palavras.

você resgatará o que perdemos …

August olhou à árvore e, chegando em nenhuma conclusão aparente, olhou os arredores: nada parecia querer te dizer a verdade, voltando seus olhos para a figura principal daquilo tudo, do qual parecia um louco observando o céu, com um sorriso que quase lhe rasgava o rosto e lágrimas lhe descendo as bochechas. Ele sentiu que havia algo de errado naquilo …

como? O que isso poderia dizer?

você sabe! — O velho ser respondeu, virando, abruptamente, seu rosto de felicidade a August, que nada entendia vindo dali.

De certo era muito estranho, mas, mesmo assim, August ainda tocou naquela árvore, esperando surgir dali alguma resposta.

ainda não entendo … — ele disse, no fim, esperando a maravilhosa resposta que desceria ao seu favor. No entanto …

como pode não entender?! Você não é o Nivadalë que meu irmão disse ser?! Aquele que desceria as terras para libertar os seres de um mal vindouro?! Que traria de volta a paz e a prosperidade?! Então o que há?

Com tudo que o velho ser dizia, August se sentia embriagado. Nunca na sua vida ele havia escutado tais coisas.

Porém, aquelas palavras ainda podiam ser admitidas como um possível destino o colocando naquela situação, por algum motivo.

apenas sigo meu destino, são as pessoas que me tornam aquilo que elas querem … — August finalmente disse, como se soltasse algo preso a tempo em sua garganta.

O velho ser sorriu com a frase.

eu sei … por isso disse tudo aquilo …

Sem compreender, August foi iluminado por algo que lhe vinha, que clareava os ares e sua mente, o tornando a compreender por fim a própria confusão sobre tudo.

entendo.

A situação fugia da compreensão daquele velho ser, por isso ele apenas aceitava a realidade em que fora colocado, atuando de acordo as suas vontades para vê se o que desejava acontecia de fato. Por tal que carregava August daquele modo, e mal falava nada. Não havia cálculos, era melhor não escorregar e se manter na inércia.

Porém, ainda assim, para August, que o observava daquele modo, agora, sem nenhum filtro a sua volta, tudo parecia um absurdo gigante, uma grande piada. Um ser ancião que apenas se reduzia a sua vontade para não perder uma oportunidade de ouro.

Ha … — August teve que rir, mesmo que ainda faltasse uma última peça para resolver tudo de uma vez por todas, no qual o fazia continuar: — entendo agora, mas ainda não sei o que queres de mim de fato.

O velho ser era paciente o vendo daquele modo, sob a gigantesca árvore morta com toda aquela face sarcástica, respondendo-o finalmente, com toda a clareza da qual o mesmo julgava necessária:

quero que você faça retornar a vida aquilo que nunca deveria ter morrido …

XIII – Essência [parte I]!

Naquela tarde, August ficou confuso. O pedido do velho ser parecia ser um tanto esotérico, mesmo que facilmente entendível, fugindo um pouco das suas mão o necessário para a empreitada.

Num resumo breve, o velho ser nada mais pedia para August do que ressuscitar a grandiosa árvore, no entanto, não parecia haver caminhos claros para isso.

Desta forma, contra a vontade de seu grupo, ele decidiu se estabelecer naquele local durante um tempo, pois havia em sua mente alguma certeza de que no fim ele realmente conseguiria fazer aquilo que todos esperavam.

Todavia, ainda, tal empreitada não se revelava facilmente, reduzindo os seus dias ali a estar sentado, observando com todos os seus sentidos o tronco daquela árvore, vendo os insetos subirem, guerrearem, se amarem, tudo em cima daquele tronco roxo, cujo a visão de seus musgos verdes a sujava.

Foram dias extensos, todavia, ao contrário de August que pouco aprendia durante aquele processo, o seu grupo, no qual ainda tentava compreender tudo que acontecia, ao mesmo tempo que ficava em ambiente aparentemente hostil, aprendia bastante sobre aqueles que temiam.

Viver junto de índios ensinou bastante sobre ódio, e viver junto de índios ensinou também bastante sobre esperança. Mas isso é uma história a parte, visto que o principal por aqui sempre será August, mesmo com toda sua inércia …

*

como se não bastasse nada me revelar — ele pensava, um tanto cabisbaixo; — ainda tenho que morrer no mesmo lugar, por algum motivo.

Durante aqueles dias, também, August não havia mexido seus músculos sequer uma vez, a não ser para devorar os nacos de carne grelhada que lhe eram servidos ou os cogumelos doces apresentados.

Não havia motivos para se mover, era o que todos pensavam naquele local, assim como o próprio August que sentia a total falta de vontade de sair de sua posição, onde ele parecia absorver algo.

na verdade … — ele continuava pensando; — desde o primeiro momento eu sabia que aqui era, por algum motivo, um lugar especial.

Onde estava, August tinha uma sensação constante.

De fato, era esse o único motivo que o fazia continuar onde estava, pois, se não fosse, talvez ele já tivesse fugido a tempos.

Essa sensação que ele sentia era parecida com o de absorver algo ao mesmo tempo em que entregava outra coisa, como se estivesse em um tipo estranho de conexão, onde as duas partes precisavam entregar sua cota de energia para a totalidade.

August ficou ébrio com aquela sensação e não era por pouco. A forma como os dias se desenvolviam por cima do sentimento passou a revelar tantas coisas estranhas que ele começou a enlouquecer em seu silêncio, na sua solidão.

Parecia no fim que finalmente uma lógica se sublinhava naquele estranho mundo.

essa conexão, entendo ela. — De tanto que ali estava sentado, August já se tornava um com sua mente; — É estranho entender, mas entendo. Ela é a forma como a árvore se comunica e essa é a forma como eu me comunico, porém, não há palavras entre nós.

August sentia na verdade como se estivesse sendo abraçado por ela, o que se tornava ainda mais estranho. A sensação acalorada que o abraço ressoava em seu corpo era tão familiar, mesmo que em sua vida passada abraços fossem apenas algo teátrico.

a árvore precisa de amor? Ou será que ela faz isso por mim? O que é essa árvore de fato, não a entendo.

Por mais dois dias August ficou daquele modo, sentindo os braços invisíveis daquela árvore lhe acolherem, pouco a pouco, sem se desconcentrar, um segundo que fosse, daquela conexão que as duas entidades estavam se dispondo.

minha energia parece ser dispersar … agora que vejo — August voltou a concluir algum tempo depois; — é curioso, por que ela se dispersa? Porque ela não toma uma forma?

As dúvidas continuavam se amontoando, levando aquela pessoa num mar intenso de descobertas novas através do que era sentido.

acho que começo entender no fim o que é essa conexão — ele pensou no silêncio total de sua concentração; — isso nada mais é que …

Nota do Autor:

Não lancei capítulo semana passada pelo motivo do qual eu estava viajando.

Por isso estou lançando capítulo hoje e por isso lançarei algum outro capítulo na semana.

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