Arauto Negro (Versão Alternativa): Capítulo 10

Aur vs Rana! (Parte 1)

 

 

>>> I <<<

 

Era noite. No escritório da Diretora da Academia, Mika Nurian relatava sobre o incidente ocorrido naquela manhã, sem omitir qualquer detalhe – desde a materialização da porta sangrenta até o momento em que Aur da Casa Muggulis forjou o pacto com o autoproclamado anjo.

A diretora da Academia Morrigan Hesperus, ouvia cada palavra atentamente, com um rosto inexpressivo.

― Não sei dizer se o jovem da Casa Muggulis é corajoso ou imprudente ― disse a diretora franzindo a testa. ― Desde que os engenheiros mágicos descobriram a função do Astral-Regnum, a entidade metafísica mais poderosa que um bruxo forjou um pacto foi do nono nível da camada astral… Mas além de fazer o que nossos engenheiros não sabem, usando o Astral-Regnum para acessar outra dimensão, forjou pacto com uma entidade metafísica extremamente poderosa…

Morrigan estava preocupada com a repercussão que a notícia teria sobre o reino e seus aliados. O poder que o jovem da Casa Muggulis havia adquirido quebrava o equilíbrio de poder atual entre as grandes casas nobres. Temia que isso acabasse gerando conflitos e desencadeasse uma guerra civil.

― É possível abafar as notícias do evento? ― perguntou a diretora.

A Professora Mika meneou a cabeça negativamente.

― É impossível, diretora! ― respondeu ela, sem qualquer dúvida ou hesitação. ― Houve muitas testemunhas do ocorrido. Nessa altura, acredito que a noticia do jovem herdeiro da Casa Muggulis forjando um pacto com um anjo foi espalhado pelos quatro cantos do reino.

Era como eu temia, pensou Morrigan. O que devo fazer?

Ela relaxou a postura, encostado na cadeira. Seus dedos tamborilavam sobre a mesa.

Vendo a expressão inquieta da professora Mika, pediu que ela continuasse com seu relato.

― Temo que esse evento vá atrair atenção da organização Jormungand ― disse ela com uma expressão sombria. ― Quando descobrirem que um bruxo foi capaz de alterar as coordenadas de um Astral-Regnum e forjar um pacto com uma entidade mística de alto nível, não duvido que vão tentar sequestrar Aur e força-lo… Trazer de volta ao mundo seu deus serpente.

Jormungand era uma organização que estava presente em todos os cantos do mundo civilizado, escondidos nas sombras e subterrâneo de cada nação. Financiavam organizações criminosas e terroristas, sempre visando destruir a soberania de uma nação. Esse era o “modus operandi” da organização Jormungand, mas era de conhecimento geral que o verdadeiro objetivo da organização era trazer seu deus serpente de volta ao mundo.

(Magusgod: Modus Operandi é o modo qual uma pessoa ou organização desenvolve suas atividades ou opera.)

Seus membros são um bando de fanáticos atrás da benção da entidade maligna qual veneram, pensou Morrigan. Genocidas que sacrificam cidades inteiras em rituais profanos ao deus serpente. Mika está correta. É só uma questão de tempo até eles tentarem levar o jovem Muggulis…

― Os Sacerdotes da República Teocrática de Assiah poderão causar problemas ao descobrir que um Bruxo Enoquiano forjou pacto com um anjo.

Morrigan concordou.

A República Teocrática de Assiah ocupava a região sul do continente, fazendo fronteira com o Reino de Enoque que ocupa toda região Sudeste do continente. O povo de Assiah era conhecido por suas crenças e tradições baseado em sua fé a divindade suprema, Assiah.

As crianças nascida com o talento da magia era chamados de “iluminados” e desde pequenos eram retirados de suas famílias e criados pelos templos sagrados. Treinados para se tornar guardiões de Assiah e espalhar as palavras da escritura sagrada.

Não era uma nação muito avançada, tecnologicamente. Mas seus sacerdotes – bruxos – eram um dos mais fortes do continente sul. Tudo isso graças ao método único que possuíam que os permitem invocar anjos e encantamentos que fortalece e cura seus aliados.

A magia de invocação de anjos era um conhecimento exclusivo dos sacerdotes de Assiah.

República Teocrática de Assiah era uma nação relativamente neutra, não entrava em conflitos com outras nações. Contudo, Morrigan temia a reação dos Sacerdotes de Assiah ao descobrir que um bruxo Enoquiano forjou um pacto com um anjo, um anjo bem especial.

― O que senhora vai fazer?

Morrigan permaneceu calada por um longo tempo, contemplando os méritos e deméritos das escolhas que poderia realizar.

Umas das opções eram manter o jovem Muggulis sob a proteção de suas asas, criando um bom relacionamento com a Casa Muggulis e os fazendo lhe dever um favor. Mas em contrapartida acabaria trazendo atenção de organizações perigosas. E provavelmente causar problemas diplomáticos com a República Teocrática de Assiah.

Ela poderia simplesmente expulsar o jovem Muggulis e livrar-se de qualquer problema futuro. Mas em contrapartida acabaria fazendo da Casa Muggulis um inimigo. E isso era tão assustador para ela da mesma forma que seria atraindo atenção da organização Jormungand.

Embora as grandes casas nobres fossem inimigas da Casa Muggulis, não os ofendiam – não diretamente pelo menos.

Os Muggulis eram no passado e ainda é no presente, terror das casas nobres de Enoque.

Ninguém em sã consciência fazia de um Muggulis seu inimigo.

Depois de um longo tempo em silêncio ela falou:

― Por hora não vou fazer nada. Há muita coisa em jogo e não posso decidir sozinha, sem consultar o rei… Até segundas ordens, vigie cada passo do jovem Muggulis e me avise caso algo estranho aconteça. Isso é tudo por hoje, você está dispensada.

Mika Nurian bateu continência, antes de deixar o escritório da diretora.

Morrigan ativou o monitor do TPDA e enviou uma mensagem para a maior autoridade de Enoque, o rei. Para sua surpresa, em poucos minutos recebeu uma resposta do rei de Enoque.

Lendo a mensagem do rei sua expressão indiferente, quebrou-se em um leve sorriso.

― Entendo… ― ela apagou a mensagem e desligou o terminal. Deixou a cadeira e ficou de frente a janela do escritório, encarando com seus olhos violetas os inúmeros edifícios da academia e arranha céus no horizonte. ― Parece que as coisas se tornaram bem interessantes.

 

 

>>> II <<<

 

 

Quinta, 21 de Fevereiro de 4798. Localização: Academia de Bruxos Hesperus, Ginásio.

 

 

Dentro do vestiário masculino, alunos da classe coruja trocavam seus uniformes habituais por trajes de treinamento feitos especialmente para Bruxos. Era resistente e flexível, facilitando a movimentação, contudo, o designer do traje era constrangedor.

Após vestir o traje de treinamento, deixou o vestiário. Seguindo por um túnel que passava por baixo da arquibancada e dava na arena.

― Hum… Parece que não seremos a única classe utilizando a arena.

Quando chegou à arena, avistou professores e alunos de outras classes. Ele seguiu até a professora Mika e o grupo de alunos da classe coruja, sentados, observando o treinamento das classes do 2ª ano.

Ele se sentou ao lado de sua parceira Rana e seus colegas de classe.

― O traje ficou bem em você ― disse ele. ― Especialmente na área dos peitos. Eles realçam seus seios.

Rana corou e se abraçou, tentando esconder seus grandes seios – mas acabou servindo apenas para destaca-los.

― Não me olhe!

Aur riu.

Era divertido provocar sua parceira.

― Ok. Ok. Estava apenas brincando com você.

― Não é brincadeira. Isso é chamado de assedio sexual!

― Talvez sim… Mas você não se importa, não é?

― Claro que me importo! ― gritou ela. ― Além do mais agora você tem Lucy! Canalha!

Aur soltou um longo suspiro.

Seus olhos pousaram sobre as costas da mão direita, aonde havia um emblema mágico de um sol eclipsado envolto por asas.

Havia se passado mais de uma semana desde que forjou um pacto com Lucy. Não só forjou um pacto como ela agora era sua namorada. Desde então seu relacionamento com Rana – sua noiva -, tornou-se estranho e não sabia como lidar com ela.

O que devo fazer? Pensou ele. Rana é uma boa garota e não desejo magoa-la. E cancelar o noivado com a Casa Barduck causaria sérios problemas diplomáticos entre nossas casas.

― Rana eu…

Antes que pudesse terminar suas palavras, uma doce voz feminina ecoou em seu ouvido.

― Vocês parecem estar se tanto muito bem, não é?

Da sombra de Aur, Lucy emergiu vestindo um traje de treinamento similar aos que os alunos da classe coruja estavam vestindo. Ela andou com graça, cabelo branco luminoso balançando com cada movimento, beleza nobre que arrebatava o coração de quem olhava. E, olhos dourados, hipnotizante. Seus lábios cremosos sempre sorrindo sedutoramente.

Quando Lucy aparecia, todos os olhores se voltavam para ela.

Ela parou de frente para Aur, mãos apoiadas na cintura fina, olhos semicerrados ameaçadoramente.

No pouco tempo que estava ao lado de Lucy, sabia que essa expressão e postura significavam que ela estava irritada. Desconfiava, não, ele tinha certeza que ela havia ouvido suas palavras seja lá onde ela estava.

― Ele estava apenas…

Lucy lançou um olhar penetrante para Rana, fazendo-a emudecer de medo.

― Não pedi sua opinião, porca!

Rana arregalou os olhos e gritou:

― Quem você está chamando de porca?!

― Existe alguém aqui além de você que tem esses dois grandes pedaços de gordura inútil pendurado no peito? ― Lucy sorriu zombeteiramente.

― Pedaço de gordura inútil… ― murmurou ela, ofendida com as palavras de Lucy. ― Você não está apenas com inveja?

Rana se levantou e ficou de frente com Lucy, empinando seus seios, mostrando a diferença entre as duas.

Rana olhou com piedade para Lucy, zombando dos pequenos seios dela.

Lucy sem dúvidas nenhuma era uma beleza única, mas no quesito seios perdia vergonhosamente para Rana. Na verdade chegava ser covardia comparar as duas montanhas imponentes de Rana com as pequenas colinas de Lucy.

Lucy recebeu olhares piedosos de todos os lados.

A expressão facial dela se tornou sombria.

― Você… Você… ― seus ombros tremiam. ― Como uma reles forma de vida insignificante ousa zombar de mim! Vou te matar! Vou te matar! Vou te matar! Vou te matar!

O ar ao redor de Lucy começou a tremular e toda arena foi coberto por uma pressão sufocante.

Seus olhos dourados agora reluziam como dois raios fulgurantes.

Uma rajada de vento aparentemente vindo do nada, soprou forte por toda arena.

Tenho que para-la antes que a situação fique pior!

Antes que a situação ficasse fora de controle, Aur levantou-se e abraçou Lucy por trás.

― Fique calma, Lucy! ― Aur sussurrou gentilmente nos ouvido dela. ― Fique calma! ― repetiu novamente. ― Sabe que gosto de você independente do tamanho de seus peitos, certo?

Aos poucos a aura opressora que a garota emanava foi dissipada e tudo ao redor voltou ao normal.

― Verdade? ― perguntou ela, mais calma.

― Sim. Na verdade gosto deles como são ― admitiu, envergonhado.

Depois de algumas palavras, conseguiu acalmar Lucy e voltou a sentar-se no chão.

Lucy, por outro lado sentou-se no colo dele, enquanto lançava um olhar desdenhoso para Rana.

― Humph! ― Rana ignorou a provocação de Lucy, focando na luta de treino dos alunos do 2ª ano. ― Indecentes!

Aur pensou em falar algo para Rana, mas sabia que esse ato serviria apenas para começar uma nova briga entre as garotas. Deixou pensamentos complicados de lado, focando-se nas táticas e encantamentos utilizados pelos alunos do 2ª ano.

Poucos minutos depois, Lucy começou a bochechar e a mover sua bunda de forma estimulante, dificultando a vida dele.

― …Lucy poderia parar de fazer esses movimento? ― Aur implorou. ― Por favor, fique parada e assista o treino!

Durante os poucos dias que Aur esteve ao lado de Lucy, teve um tempo difícil para controlar Lucy e controlar-se para não ceder aos avanços sedutores dela. Aur era um garoto saudável e gostava dos flertes de Lucy. O problema era que ela avançava sobre ele em qualquer lugar, em qualquer hora, sem se importar com as pessoas ao redor – e para Aur existia tempo e lugar certo para fazer certas coisas.

Lucy aninhou-se nos braços de Aur, movendo sua mão para cima e para baixo, alisando o peito dele.

― Por que tenho que observar a luta desses insetos? Utilizando encantamentos repletos de sequências rúnicas desnecessárias… Tudo isso está me dando sono… Prefiro imergir no calor de seus braços em nossa cama, sentido seu calor corporal e som dos batimentos de seu coração… Ah! ~ Tão agradável ~!

Em meio ao treino de luta, Lucy acabou falando coisas desnecessárias com um rosto extremamente sedutor, esfregando-se contra ele.

― Ei! Vocês dois parem com esses atos indecentes! ― esguichou Rana, envergonhada.

Diferente de Rana, os demais alunos da classe coruja já haviam se acostumado com a cena atual e também com as brigas entre as duas garotas.

― Oh! Disse algo minha criança? ― perguntou Lucy, esfregando ainda mais sua bunda contra a parte inferior de Aur.

― Falei para vocês parar com esses atos indecentes!

Os lábios sedutores de Lucy se curvaram em um sorriso diabólico.

― Ato indecente? Que ato indecente? Isso é apenas um cumprimento entre eu e meu querido! ― Lucy a provocou, enquanto intensificava seu “cumprimento”, aumentando o estimulo na região inferior de Aur.

― Não. Não é um cumprimento coisa alguma! ― gritou. ― Aur fale alguma coisa… Você pare com esses gemidos estranho!

O ar ao redor dos dois havia se tornado bem quente.

― Vocês três fiquem quietos! ― gritou a professora Mika, fazendo uma careta para o trio idiota.

― Estraga prazeres! ― Lucy resmungou baixinho com uma cara empurrada. ― Estávamos quase chegando ao clímax… ― ela tinha uma olhar derretido, apaixonado, enquanto olhava para Aur. ― Não importa, deixaremos o restante para noite.

Aur ignorou suas palavras.

Ele observou a luta do treinamento dos alunos do 2ª ano com olhos clínicos. A luta era fluída, dinâmica, atacando e defendendo em um ritmo constante. Assim como todas batalhas entre bruxos: perdedor e vencedor foi decidido em questão de minutos.

Os dois não eram fracos, mas, também não podiam ser chamados de habilidosos. Na melhor definição possível: eram normais do ponto de vista de Aur.

Ele perdeu rapidamente o interesse nas lutas seguintes.

― Lucy você havia falado que eles estavam usando sequências rúnicas desnecessárias?

― Sim. A função de uma sequência rúnica é descrever o fenômeno parapsicológico que o bruxo deseja invocar no mundo material. Fenômenos mais complexos exigem mais runas e energia para invocação. Aqueles pequenos insetos estavam utilizando runas demais para descrever um simples fenômeno.

Para Aur os alunos do 2ª anos eram bem hábeis no lançamento de encantamentos do nível intermediário. Ele refletiu sobre as palavras de Lucy, mesmo assim achava difícil o conceito de simplificar uma sequência rúnica.

― O conceito de simplificação da sequência rúnica é algo bem simples ― disse ela. ― Básico do básico. Graças a essa perícia é possível lançar grandes encantamentos com poucas runas e um tempo de conjuração extremamente rápido.

Aur olhou para ela espantado.

― Às vezes acabo esquecendo que você é um anjo…

― Se quiser posso te ensinar… Mas isso ira requer uma recompensa especial ― disse Lucy, lambendo seus adoráveis lábios.

― Recompensa especial?

― Sim ― respondeu com um sorriso travesso. ― Uma recompensa especial… Abaixe a cabeça…

Aur abaixou sua cabeça e em um ataque furtivo Lucy o beijou. Não foi um beijo como os outros. Dessa vez havia poder infundido na ponta de sua língua, informações fluindo como uma cachoeira, preenchendo sua mente com formulas e sequências mágicas.

Seus lábios se separam deixando um fio de prata entre os dois.

Então com um beijo Aur sabia como simplificar a sequência rúnica de um encantamento.

― Como um método tão conveniente de aprender pode existir?!

Lucy acariciou a face dele e o beijou mais uma vez, chupando seus lábios. Ela não se importava com nada, nem com o ambiente ou as pessoas ao redor. Queria apenas ficar do lado daquela pessoa que dava cores ao seu mundo cinzento.

Da mesma forma que Lucy havia transmitido as informações como simplificar uma sequência rúnica, transmitiu seus mais íntimos sentimentos e profundos desejos em um novo beijo.

Enquanto suas línguas se entrelaçavam, a mente de Aur era assaltada pelas fortes emoções e desejos de Lucy. Sentimentos tão complexos que Aur não encontrava palavras no vocabulário humano para descrevê-los. Em um momento os sentimentos que ela transmitia eram como uma primavera florida; às vezes como um verão abrasador; e às vezes como uma tempestade repentina.

Sentiu seu amor, sentiu seus ciúmes, sentiu sua luxúria, sentiu seus medos…

Aur havia sido dominado por aquela miríade de sentimentos e sensações.

― Esses dois não cansam de beijar dias após dia?

Zafir perguntou de bom humor, rindo. Não sabia se invejava ou sentia pena de Aur por não ter um descanso.

― Um vento forte, sem hesitar, abalando a cerejeira! ― disse Diana.

Normalmente ela era séria e reservada, mas agora ela observava os dois com olhos brilhantes.

― E-ela vai acabar engravidando dessa maneira! ― Lala Varriel tampou os olhos com sua mão, enquanto falava palavras inconcebíveis.

― Não é possível fazer bebês apenas com um beijo ― explicou Diana para sua parceira. ― Para fazer bebês você precisa… ― ela sussurrou baixinho nos ouvidos de Lala, que ao mesmo tempo foi ficando tão vermelha que desmaiou no local. ― Hum? Por que desmaiou? Não é de senso comum como os bebês são feitos?

Todos balançaram a cabeça, não sabendo dizer se foi de proposito ou ela era apenas ingênua demais.

Rana, por outro lado apenas observava Lucy nos braços de Aur. Sentia como se seu coração estivesse sendo apertado por uma mão invisível, esmagando-o aos poucos.

…Será que eu realmente estou sentindo ciúmes desses dois?

― Irmã… ― disse Marcos, sua voz estava repleta de fúria. ― Ele está desrespeitando você! Esse maldito canalha não merecer casar-se com você! Temos que relatar isso ao pai!

Rana balançou a cabeça.

― Ela é apenas uma amante ― disse ela forçando um sorriso. ― Não devemos importunar o pai com tal bobagem.

Marcos cerrou o punho com força.

― Mas…

― Ela é apenas uma amante ― voltou a repetir com uma voz mais dura. ― E eu sou a noiva dele. Nada mais importa. Entendeu irmão?

Marcos não respondeu, ficando em silêncio.

Os dois não tocaram mais no assunto.

Depois de um longo tempo, Aur e Lucy pararam de se beijar.

― É possível transmitir suas emoções também?! ― disse Aur atordoado. ― Como é possível?

― O cérebro humano comanda o corpo todo com sinais elétricos, memórias, conhecimentos, tudo que somos, simplificando, com um delicado controle de mana é possível criar sinais elétricos contendo as informações codificadas que desejamos passar como uma memória ― explicou. ― A língua é bem sensível e mais fácil de transmitir os sinais elétricos.

― Compreendo… Todo esse conhecimento e habilidade mostram o quando você é habilidosa com o controle do poder mágico!

Aur sinceramente elogiou Lucy.

Por mais que parecesse ser simples transmitir informações em sinais elétricos codificados, na verdade era uma tarefa extremamente difícil. Para realizar tamanha façanha seria necessário um controle perfeito no controle de poder mágico.

Lucy apenas sorriu encantadoramente em resposta.

Minutos depois os alunos do 2ª ano encerraram seu treinamento. Seguindo as ordens da professora, os alunos da classe coruja formaram uma linha horizontal.

Havia chegado o momento de eles iniciarem seu primeiro treinamento prático.

A classe coruja escutava atentamente a professora Mika.

― Cada um de vocês vai praticar com seus parceiros! Encantamentos, estilo de luta, pontos fortes e pontos fracos… Tudo isso é possível ser compreendido em um combate! ― olhar de Mika varreu os alunos até parar em Aur e Rana. ― Como representantes de classe vocês dois serão os primeiros a lutarem como um exemplo para seus colegas! Vocês têm 10 minutos para calibrar seus dispositivos de auxilio de invocação!

Aur retirou do bracelete de armazenamento sua varinha. Sentado no chão ele começou a calibrar seu dispositivo de auxilio de invocação. Embora o dispositivo diminuísse o tempo de conjuração necessário, em contrapartida tinha um ponto negativo: a joia sintética de armazenamento de sequência rúnica.

A joia sintética de armazenamento de sequência rúnica é a parte mais importante de um dispositivo de auxilio de invocação. O número de sequências rúnicas que uma joia sintética é capaz de armazenar varia muito, dependendo de sua qualidade e tamanho.

Por essa razão, Bruxos sempre calibram seus dispositivos, preparando os encantamentos que usaram para cada batalha ou no uso do dia-a-dia.

A joia sintética que estava incrustada na varinha de Aur era uma herança deixada para traz de seu antepassado, Rei Bruxo Nafhir Muggulis. Era capaz de armazenar até 20 sequências rúnicas de nível básico; 10 sequências rúnicas nível intermediário e 5 nível avançado.

Se eu falasse para alguém que meu dispositivo tem a capacidade de armazenar todas essas sequências rúnicas ninguém acreditaria em mim. Uma atitude bem razoável, por que hoje em dia não existe uma joia sintética do mesmo tamanho que a minha que possua toda essa capacidade de armazenamento.

Aur sabia que tecnicamente falando, uma joia sintética do tamanho de um pingo de água, não seria capaz de armazenar tantas sequências rúnicas.

Se uma simples varinha usada pelo antepassado tem tamanha capacidade de armazenamento, nem consigo imaginar como seria a capacidade do Cetro do Tormento, Pyndingum! Pensou Aur com uma expressão sonhadora. Infelizmente, ninguém sabia o paradeiro do cetro desde a morte de seu antepassado. Agora vamos preparar os encantamentos utilizando o conhecimento de Lucy, simplificando sequências rúnicas!

Depois de calibrar seus dispositivos e preparar seus encantamentos para luta. Aur e Rana andaram para frente, ficando no meio da arena.

Os dois se entreolharam.

Diferente de sua atitude envergonhada quando se trata de relacionamento entre homem e mulher. Depois de entrar na arena. Sua postura se tornou firme e seu olhar ganhou seriedade. Ela emanava um ar elegância e nobreza pertencentes as bruxas poderosas.

A postura de Aur havia mudado também. Diferente da postura descontraída e bem humorado. Seu rosto se tornou uma máscara inexpressiva. Mas seus olhos brilhavam com um intenso desejo de batalha. Desde o dia em que a viu Rana lançar o encantamento「Raio de Congelamento」seu coração pulsava com forte desejo de luta.

Para Aur não havia melhor maneira de temperar suas habilidades do que uma luta contra outro bruxo forte.

Os cantos dos lábios de Aur se torceram em um sorriso fanático.

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