GartenGüt (O Jardim dos Deuses)!

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XXXVII — Ayuul: 1. Kafli (N.A: Perigo, capítulo 1)!

XXII – Animais noturnos!

Dentro do grande bosque, árvores coloridas se mostravam, partilhando, em seus arredores, o odor que reverberava entre as borboletas, das quais vinham após o doloroso mês de chuvas, que há pouco se finalizava. August e seus companheiros desciam as trilhas, enlameadas, que levavam por entre os emaranhados de arbustos e flores, sibilantes, cujo orvalho encharcava as calças dos indivíduos vestidos. Os seres, que também seguiam em cavalos, por motivos de obviedade, pareciam mais confiantes, seguindo em velocidade – escoltando o pequeno filhote que os seguia.

temos que encontrar um bom lugar para acampar essa noite. O tempo corre rápido e o cansaço se acumula, além de que continuar pela noite é um pleno suicídio. — Sorokherim dizia, olhando para o céu no qual um sol pendia. À sua esquerda, Niathy e Shigtai concordavam com a cabeça, dizendo:

poderíamos nos adiantar e continuar a pé, aproveitando para colher lenha.

August, do qual viajava pelas páginas do Natiora’Buch, se desligava das palavras, o impedindo de tomar uma decisão naquele momento em que todos esperavam o decreto.

O quê? — August dizia após um breve tempo de silêncio, surpreso com todos o olhando de forma curioso, questionando-o.

o que devemos fazer? — Metvina, aquela da qual mais esperava uma resposta, respondia-o, dizendo em seguida todas as informações que de fato ele perdera.

oh, entendo! — Estando finalmente a par de tudo que fora dito, August não tardava em cogitar opções para o suposto problema que vinha do dilema: acampar ou não acampar; — Bartvma’Sryx e Lervia’Stönt, vocês conseguem farejar bem, certo?

um pouco preconceituoso, mas sim, nós temos certa capacidade …

Com a resposta, August colocava suas mãos em seu queixo, ponderando enquanto trotava, vendo, entre sua dúvida, a resposta. Mas antes de entrar nesta resolução, vale a pena citar o porquê de tanta dúvida em algo tão simples quanto acampar ou não acampar.

*

Noite anterior, primeiro dia de viagem. Sorinis se escondiam em peles perfumadas enquanto os seres, abraçados, dormiam encostados numa árvores qualquer. Apenas Sorokherim e August jaziam acordados, tendo um mijando na escuridão enquanto o outro contemplava as chamas que estalavam, procurando, na sua solidão, o motivo que levava a mesma a se levantar e iluminar.

August, August … — Sorokherim dizia após finalizar suas necessidades, voltando ao conforto que existia próximo as luzes da fogueira; — me diga, o que você fez?

sobre?

Ah, você sabe, aquilo tudo. Sendo sincero, duvidei de você desde o início. De fato, vim para cá apenas porque me convenceram. Aquelas histórias de Agui’Us e o que aconteceu com vocês me assustou bastante e, mesmo que tenha vontade de fazer grandes coisas um dia, não me via protagonizando algo desse tipo. É muita coisa para aceitar!

August, que bem escutava, via na sinceridade demonstrada um alívio. De algum modo, aquelas palavras era a coisa mais sensata que ele havia escutado a algum tempo. Parecia até que Sorokherim era o último humano num mundo esquisito. Que coisa. Pouco tempo atrás August nem mesmo tinha muita certeza em confiar naquele sorim, que pouco trocara duas palavras durante todo o percurso.

as coisas simplesmente aconteceram e, pior, vão continuar acontecendo. Aceitar minha realidade foi o primeiro passo para não enlouquecer, acho que você deveria tentar um pouco.

Terminando de falar, uma risada subiu. Engessado através do bosque, Sorokherim se mostrava bem alegre, tirando, do coldre de sua armadura, um cantil, jogando-o através das chamas, ao colo de August.

digo que é até fácil você dizer isso … — Retirando a tampa do cantil, August sentia o cheiro agridoce dos licores ocultos que apenas havia em Narny’tsöl, tomando um gosto enquanto ouvia Sorokherim em sua animação atípica; — pois, veja, você praticamente faz tudo. Disse que protagonizava, mas tá mais para só assistir. Nem sacar minha espada pude. Acho que é por isso que perguntas vem se acumulando em minha cabeça, por mais que eu ache que nem respondidas serão …

August devolveu o cantil, jogando, assim como Sorokherim, através das chamas.

sinceramente, tenho muita vontade de responder todas as perguntas mesmo não, mas se elas forem criativas ou bem embasadas, talvez eu dê uma chance …

Sorokherim levantou da pedra onde se sentava:

sério?!

muito sério!

Um minuto de silêncio possuiu Sorokherim do qual, na sua animação, se resguardava na solidão que o seu cérebro processava aquilo que desejava, formulando, no âmago, a pergunta que deveria, no mínimo, surpreender a incógnita que era August.


Este momento, em que August segurava uma risada enquanto sua curiosidade aumentava com o leve efeito daquela bebida, fora abruptamente interrompido, no entanto, quando, da escuridão longe das chamas, um ser, parecido com um morcego de penas, agarrava suas garras no estático Sorokherim, que gritava:

O quê?!

Os Sorinis acordavam, enquanto August reagia, pegando emprestado o arco de uma Shigtai adormecida.

o que é isso? O que é isso? — A imagem bailava entre as chamas e o desespero, tendo, no ombro de Sorokherim, uma fera semelhante a uma coruja, que agarrava aquele ombro com suas garras negras e bicava o rosto. O bater de asas também intensificava o desespero, o som o fazia se debater mais, enquanto caía ao solo.

August esperava uma oportunidade, enquanto os Sorinis já se levantavam, vendo com desespero, tentando entender o que acontecia por lá, para tanto reboliço.

E Swip! Uma faca voou pelo espaço, deslizando no ar em velocidade, arranhando a superfície da carne de Sorokherim, atingindo o corpo de uma fera que saltava suas garras …

Swip! Uma seta voou para a fera da qual debatia, a fazendo paralisar e se esparramar, com uma poça de sangue formando ao redor de seu cadáver. No ombro de Sorokherim, sangue também caía aos montes.

o que foi isso? — Niathy perguntou, com outra pequena faca em mãos.

são as Ghubada’Sár (N.A: Corujas da Lua)! Elas atacam pra matar durante sua primavera. — Lervia’Stönt respondia, indo com bandagens socorrer o jovem Sorokherim que gemia vendo os furos na sua carne dilacerada.

poderiam ter avisado isso antes! Estaríamos melhores preparados para ataques repentinos assim. — August gritou, aproximando-se do corpo da Ghubada’Sár para recuperar a seta e faca usada.

isso também nos desorientou … — Defendendo Lervia, Bartvma dizia; — a primavera dessas feras nunca acompanha o mês das chuvas. Pensamos que haveria paz pelo próximo mês então, até que o ambiente se estabilizasse.

Escutando, August virou seu rosto em direção a escuridão, procurando nas sombras algum resquício de perigo eminente, vendo apenas, sobre a imensidão, as estrelas cintilantes e uma lua.

precisaremos tomar mais cuidado a parti de agora … — finalizando, August decretava; — tomar cuidado na escolha de acampamentos e trilhas. Esse bosque já deve está infestado com bestas no cio, sedentos pela temporada de caça.

*

Strever’Ton, em seu conhecimento, existem cavernas por aqui? — Concluindo seus planos, August perguntava aquele cujo temor há muito já se enraizava nos peitos tímidos dos sorinis, que nem mesmo trocavam sequer palavras ao ser que os acompanhava.

De fato, apenas Bartvma’Sryx e Lervia’Stönt que lhe diziam algo, de vez em quando, no entanto, durante aquela viagem, Strever era o mais silencioso, não sendo referido por nada, parecendo até como se não existisse no meio daquele grupo.

A pergunta de August, então, parecia supor alguma desgovernança, como se o mesmo tivesse enlouquecido, ainda mais por ter batalhado quase até a morte contra o orgulhoso ser, chamado Strever’Ton.

não estamos próximos de montanhas, então é difícil haver cavernas. Porém, se for de interesse, há algumas regiões que são registradas pelos seus buracos entre raízes, como o salão dos seres.

longe das trilhas?

felizmente não.

Pondo a mão sob o queixo, August começou a pensar e imaginar, enquanto o súbito silêncio da curiosidade geral se manifestava.

Olhos concentrados nele, esperando a razão que os faria delirar, fazia a ausência de som perdurar, enquanto o mesmo voltava a viajar em sua mente desconectada de tudo. …

XXIII — Quem se levanta no bosque!

No calor do breu, um ser se levantava. Ele era peludo, se erguendo como bípede, vendo com seus olhos o verdejante que escondia o céu e as cinzentas raízes que se entrelaçavam entre buracos e o relvado. Sua boca assemelhava-se a de um cão e o seu corpo, um tanque. Tendo três metros, ele coçava seu corpo preguiçosamente, tendo em seu peito um xis grisalho na pelagem vermelha. Suas orelhas se levantavam ao som distante e o seu corpo pulava ao lado, dirigindo-se, subitamente, a uma pequena sombra que tentava se esconder em algum arbusto ordinário. Garras ensanguentadas! Elas se agarravam as tripas de um pequeno coelho de pelo branco, enfiando tudo, ferozmente, em sua boca. O carmesim se firmava.

então, é por aqui mesmo? Essas árvores vivas me enganam e temo que poderei me perder …

não se preocupe com isso, confiamos na sua memória centenária.

Ao longe, o ser escutava se aproximar algo. Parecia que um martelo era derrubado na terra fofa, suscetivamente, com barulhos estranhos entre duas partes de uma mesma espécie. Ele não sentia curiosidade, necessariamente. Seu estômago roncava e essa era a prioridade, o fazendo se esconder em algum buraco, esperando. Sua saliva caía sobre o sangue fresco em seu pelo e os seus olhos tremiam, avermelhando-se em frenesi. O ser esperava.

esperem! — Um barulho surgia próximo donde estava; — Bartvma, Lervia … sentem esse cheiro?!

não claramente. O perfume das raízes atrapalha.

mesmo assim sentem algo estranho? Entendo … Sorinis, saquem suas armas.

Um minuto de silêncio. Os corações batiam, procurando, em meio ao emaranhado, algo. Era estranho. Nenhum som parecia querer revelar nada e a imagem continuava a ser a mesma sempre. O ser, em seu buraco, também se sentia desconfortável, vendo, além do abismo, um céu verde que o esperava.

procuramos? — Outro barulho rasgava; — ou fugimos? Até onde vai o perigo?

não sei … o que sinto é o odor acre de sangue. Por isso o cuidado.

então pode ser apenas um animal machucado?

talvez, mas é melhor mantermos o cuidado.

O som de passos acompanhou, ao fim dos barulhos, a respiração que se controlava no abrigo do ser, do qual esperava, esperava e esperava, enquanto suas garras, afiadas, saíam do abrigo de pelos e suas garras mostravam-se. Quem é que se aproximava?

eu não entendo por que esse filhote nos acompanha? Essa pequena fera vai acabar nos causando problemas …

entendo o motivo de não gostar desses seres, mas acho que, pelo bem da boa convivência, você deve ser um pouco mais legal com esse pequeno.

eu odeio quando você faz isso …

o quê?

não me defende …

Próximos! O ser do abismo sentia e se regojizava. Como caçador, a presa o agradava apenas próximo de si, onde, com brutalidade, despedaçaria na ânsia, sentindo o doce no sangue e o sabor pela carne. A maravilha o fez frenético e o seu corpo, nesse estado, pulava, se encontrando com faces pálidas, atordoadas, que rolavam.

Poeira levantava em momento no qual o impacto dissipava, com facas jogadas e setas lhe perfurando o couro. Mas nenhuma dor sentida se mostrava, tendo na reação, o contragolpe. August gritou ao longe:

Pódi der Satyros! Kópsimo der Fýlla!

Na luz de seus medos, as duas garotas viam um impacto surgir com uma sombra, que ricocheteava no corpo onde fumaça subia. Nenhum sangue descia. Ainda assim, atordoadas, as meninas correram para longe, bem longe, pegando o filhote em seus braços, que latia, bravamente.

Strever’Ton e a dupla de seres se mostraram, porém, ao longe, pareciam lutar contra uma horda de Ghubada’Sár, estando ocupados, fugindo do cerco de centenas de feras aladas os rodeando. Os sorinis ajudavam. Na obrigação da proximidade, suas armas se apontavam em auxiliar, atordoados, aqueles que caíam em batalha.

Repentino e de certa forma até mortal. O céu verde era colorido por centenas de aves brancas se pendurando em seus galhos e voando inconsequentemente ao redor da clareira. Enquanto isso, August encarava o ser que, ao receber seu golpe, não mostrava em seu rosto qualquer traço de dor, do qual revelaria a eficácia de seu golpe. Ele caía em desespero com a vista, mesmo que se contivesse, observando que já havia passado por uma situação parecida, a pouco.

Roaaar! — Na outra parte, na mente daquele ser sanguinário, apenas o frenesi se permeava, mostrando na razão de sua consciência, apenas o instinto básico de sobrevivência. Humilde, mas perigoso! Seu corpo naquela forma agiria como bem entendesse em prol da própria alma, vendo, no inimigo em sua frente, a ameaça.

August preparou sua espada. Runas brilhavam intensamente e sua posição parecia hesitar numa forma entre o ofensivo e seu oposto, tendo nas pernas a tremedeira atípica, que ele entendia ainda mais vendo, naqueles olhos, o frenesi.

Gritos surgiam!

fomos encurralados! — Mente de August; — ou será que outro tipo de batalha ocorreria naturalmente. — Ele observava …

Ao redor daquela clareira todos os inimigos caíam em batalha, atacando o que havia nas proximidades. Ou seja: apenas outra casualidade, de um destino pré-definido …

outra tribulação a ser passada … — A grama se movia com os ventos sussurrantes de um desespero que vinha; — tenho que me provar apenas, uma outra vez, digno da minha condição. É isso o que os deuses desejam de mim.

Nota do Autor:

Capítulos sábados podem voltar.

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