GartenGüt (o jardim dos deuses)!

Nota do autor: Capítulo reescrito com o objetivo de corrigir alguns furos. As mudanças fundamentais dessa versão são: a quantidade de deuses apresentados em seu palácio e algumas informações iniciais sobre FünderBae.

Prólogo! (reescrito)

Um corpo que cai!

I – O que os relâmpagos nos trazem!

Numa rara noite chuvosa nas tortuosas planícies dos Varbenênts, uma cavalaria passava em meio as trilhas lamacentas marcadas por pegadas de cascos e passos, ultrapassando dali um pequeno bosque de arbustos secos e espinhentos, seguindo em direção ao horizonte envolto no breu sem fim, cujas nuvens escuras esbravejavam seus relâmpagos estrondosos e choravam suas gotas puras, cristalinas, que caíam nos torsos despidos de cada homem montado em seu cavalo. Esses homens, musculosos como deuses e grandes como demônios, carregavam em suas costas enormes machados, escudos e espadas, voltando de uma péssima campanha contra os Shidtenis (N.A: cidadãos), que protegiam a passagem dos seres.

a chuva cai para a nossa vergonha! Os deuses riem de nossas desgraças! – Dizia um dos nômades, decepcionado.

pare de falar como um Ketzer (N.A: Herege), não havia chance para nós de todas as formas. Contra o terrível Flutcher*, não há espadas e nem machados! – Respondia outro, irritado.

Estávamos fadados a morrer contra suas chamas e suas estalactites, no fim das contas! – Continuou um, de perna decepada!

Os nômades, que somavam mais de 50, já haviam sido 500. Cada um daqueles ali presentes haviam perdido parentes e amigos na sua péssima empreitada, fazendo com que um enorme sentimento de tristeza e impotência imperasse no meio de tantos.

pelos menos há chuva! – Gritou um dos nômades.

pelo menos! – Confirmava outro.

Ainda nas gotas cristalinas, que caíam como uma antípoda de felicidade e tristeza, uma colina, de cume negro flamejante, que queimava por relâmpagos, apareceu para os nômades, como mágica.

O que há de ser aquilo!

Todos pararam, estarrecidos, com o relevo improvável na planície sem fim. Como moradores permanentes da planície, todos já sabiam que era impossível haver colinas naquelas partes, o que os fazia ficar ainda mais encantados.

Será que nos perdemos do caminho? – Um soldado de braços cruzados perguntava.

Impossível, eu fui o guia de ida e de volta. Não nos perderíamos nem se eu estivesse cego e surdo. – E respondia outro, segurando o queixo, reflexivo.

Parados em frente a sombra da enorme colina, os murmúrios exclamativos passaram a surgir no meio da cavalaria dos homens rígidos, enquanto algum medo brotava do solo fértil do peito.

Dürg’Hem (N.A: grande mestre), senhor? O que farás o senhor? Onde vais?

Entre esses nômades, um homem gigante, de peito peludo, barba espessa e longos cabelos castanhos que caía sobre os seus ombros largos, desceu de seu cavalo, deixando cair, sobre a grama ensopada, seu machado enorme, feito de liga de aço e cabo de mod’khar (N.A: madeira negra) com o entalhe de runas comuns do império de Narny’tsöl.

Vendo seu Dürg’hem agir de tal forma misteriosa, os nômades não puderam se perguntar:

O que acontece?! O que há com a vossa mente!?

 E o Dürg’hem continuava seu caminho, atravessando a planície sem pressa e escalando a colina com destreza.

Ainda no pensamento, os soldados continuavam a exclamar:

Será que ele enlouqueceu de vez? Esse morro pode ser amaldiçoado! O que acontecerá se ele não voltar? Nosso clã não pode com isso!

Dürg’hem, volte, essa colina pode ser amaldiçoada! O seu corpo não pode suportar os males dos deuses!

Ao mesmo tempo, no topo da colina, rasgando os gritos que vinham de sua base, dos nômades covardes, um relâmpago caiu, porém, esse relâmpago não era exatamente normal, revelando todas as cores do arco-íris assim que tocava o solo, espalhando suas fagulhas de diversas cores pelo ar.

O que foi isso?! Nunca em minha vida vi algo desse tipo! – pensou todos os selvagens ao mesmo tempo.

Hahaha! Seus imbecis! Será que vocês não conseguem ver? – No meio do silêncio, um homem, que era único por estar de torso protegido, gritava, com uma armadura enferrujada, repleta de marcas de sangue; – Toda essa colina, essa chuva, esses relâmpagos, tudo é um presente dos deuses para nós, miseráveis! Como podem não vê? FünderBae fala com os relâmpagos pois ambos tem a mesma essência! Compreendam!

isso pode ser … mas … – Por um segundo, todos soldados acreditaram em suas palavras, porém um segundo relâmpago quebrou toda a credibilidade que qualquer palavra poderia ter. Todavia, O homem blindado não se deixou abalar, por toda à desconfiança e do relâmpago misterioso, se pondo a gritar:

Olha lá para o nosso líder, nosso Dürg’Hem, que mata feras com um simples corte de seu machado e derrota Bärenis com mãos nuas. Ele, nosso queridíssimo líder, não cambaleia, não treme, nem com o trovejar que cai em sua frente e cega seus olhos. Não! Ele anda como se fosse parte de seu destino, parte de sua alma, de sua consciência inata. O que ele terá lá será o que os deuses há de dar, pois são esses que o chamam, através dos relâmpagos!

Os nômades olharam para o seu chefe que escalava bravamente para o centro do cume e pensaram que talvez até fosse verdade tudo o que o cavaleiro blindado gritava a louco.

se for verdade vossa palavra, espero que o nosso Clã prospere por mil anos! – disse um dos nômades, lutando contra o medo que assolava seu peito.

não! – dizia um outro que seguia o mesmo passo; – que o nosso clã prospere por dez mil anos!

sim! E que nosso império se torne tão grande quanto a palma dos deuses!

Ehhhhh!

O medo quanto ao desconhecido partiu e o sentimento de impotência que imperava dissipou, sobrando nas vozes daqueles nômades o grito enérgico de felicidade e esperança, enquanto suas as armas se suspendiam aos céus, em glória e agradecimento a cada deus que jaz acima, na lua.

II – Um jovem que morre!

Porém, num leito de hospital, esperança, glória e alegria não existiam, já que, numa cama branca, um menino com pouco mais de 16 anos morria, sem ninguém por perto para vê-lo proferir suas palavras finais. Esse menino, de nome August Adorn, era um órfão qualquer que havia sido usado por um instituto de combate ao câncer para uma pesquisa experimental que ele mesmo havia concordado, quando foi primariamente diagnosticado com câncer. Essa pesquisa era a sua única esperança de sobreviver, o que, para ele, já era muito. Ele não tinha dinheiro para pagar a quimioterapia, e o orfanato, que não tinha recursos nem para pagar a comida diária, também não podia pagar um tratamento caro para uma criança sem nome. Não fazia sentido e August entendia. Porém, mesmo assim, ele não desejava morrer sem lutar!

Cof … Cof! – A tosse vinha carregada de sangue; – Parece que ninguém vem, mas se for pensar, quem viria? Nesses dezesseis anos de vida sempre tive a saúde debilitada e não interagia muito com as outras crianças, estava fadado a morrer sozinho de uma forma ou de outra – Ele pensava enquanto lutava contra a dor; – Sozinho nesse mundo estive e sozinho nesse mundo morro! Poucas coisas eu queria enquanto vivo, porém ainda era muito caro para pagar! Agora vejo quão pobre eu sou. Espero que o meu corpo tenha pelo menos uma lápide decente, por mais que ninguém visite, parecerá que fui amado em vida … não – seu corpo tremia com certa lembrança; – Não! Ha Ha Ha! Como pude ter esquecido: não haverá lápide! Tolo, como pude esquecer que daqui, quando fechar os meus olhos, os homens exumarão meu corpo, e investigarão minha desgraça!

O corpo sentia as pontadas finais, e a tosse se intensificava! Sangue! Mais sangue vermelho era espirrado para fora, manchando aqueles lençóis brancos com o carmesim.

essa é a minha desgraça! – ele gritava, em cólera! – O que será que fiz contra o mundo para morrer dessa forma. Esse maldito mundo! Esse maldito … maldito … como o odeio! Nunca me dera nada, nunca me permitira nada, apenas me tirando tudo, parte por parte, mesmo que eu não tivesse nada! Por que mundo, por que nunca me destes uma chance?! – Com os olhos em lágrimas da dor e da impotência, o jovem August suspendia o seu corpo, gritando, ao final, antes de fechar os seus olhos e morrer, finalmente:

ao mundo, digo: só não me destes uma chance, pois sabia que eu te conquistaria! Seu mundo injusto! Sorte sua que morro, se não, levarias a sua cabeça como troféu, e te empalharia em minha sala, mostrando a todos como porcos injustos devem ser tratados! Ao mundo, termino: adeus arco inimigo, sei que não se importas! – Os aparelhos apitaram enquanto as pálpebras pesadas se fechavam. Do corpo mole que caía de volta para sua cama, e entre os médicos e as enfermeiras que invadiam a sala, lágrimas finais de um morto transbordavam dos olhos, percorrendo as bochechas e atingindo todos aqueles humanos que viam o cadáver, com uma enorme sombra no peito. Ser médico é lutar contra a morte diariamente, porém quando a morte ganha, é impossível não sentir uma pontada.

Por que ele morreu? – Perguntava um daqueles que o tratava, friamente; – desde que eu me lembre o novo medicamento estava com uma eficácia perto dos 100%! Todos os pacientes que foram tratados com o medicamento já estão apresentando algum progresso contra o câncer!

Segundo o relatório, ele também estava apresentando uma melhoria significativa – dizia uma enfermeira, que segurava ternamente a mão daquele médico, percebendo que a frieza mostrada era apenas de uma reles superficialidade; – Sua morte repentina é complicada de ser examinada, por isso teremos que fazer uma autópsia para confirmar a causa da morte …

O médico apertava aquela mão que o consolava com força enquanto seu coração se apertava intensamente. Ele sentia no peito cada palavra, se lamentando, em palavras lamuriosas:

tão injusto … e ainda temos que investigar a causa da morte. Nem podemos dá-lo um minuto de paz!

A enfermeira tocou no peito do médico, envolvendo-o.

não se preocupe, Matt … – Sua voz parecia água àqueles que tinham sede; – no lugar onde ele está agora, os anjos já o carregam! Por isso, não chore, agradeça! Ele não vai mais precisar viver uma vida de merda, já que a morte o salvara, no fim das contas …

III – Na presença dos Deuses; No corpo dos novos!

Atrás de suas pupilas mortas, uma sala de paredes douradas e chão platinado se apresentavam com 5 tronos, onde 3 eram ocupados por entidades misteriosas que inspiravam algum sentimento divino. Esses tronos estavam espalhado um do lado outro pela sala e eles eram feitos de luz, trevas, ar, água e terra. August segurava sua respiração olhando para cada um em seus tronos. Ele não sabia o que fazer e nem mesmo sabia como chegara naquele local. Alguns parágrafos atrás, ele sabia que estava morto, mas e agora?

Jovem August, sabe onde estás? – disse uma das figuras, sentada no trono de luz, revelando sua bela face de um rosto delicado e cabelo como chamas, fazendo-a parecer até uma rainha de tudo que brilhava num mundo desconhecido.

Nós, deuses desse plano, o chamamos de Châteu’der’gütter (N.A: Palácio dos Deuses), que é o nosso templo, nosso lar! E você mera alma errante, é um convidado especial! – Continuava outra figura, sentada no trono d’água, que tinha uma pele tão branca quanto a neve e vestia uma armadura de escamas platinadas que brilhavam intensamente.

Nós te requisitamos para uma missão, por isso salvamos sua alma do vazio! – A figura do trono de trevas dizia, que cuja a pele escura fazia miasma vazar de seus poros, parecendo até que o seu ser guardava toda a morte dentro de ti.

Essa missão fará sua vida valer a pena e lhe dará tudo aquilo que não pôde ter um dia … – Do trono de terra também dizia, sendo este a parecer como uma espécie humana.

nós deuses estamos morrendo, por isso lhe enviamos, nosso herói! Conquiste o mundo e nos salve da destruição prescrita! – Terminava todas as entidades, em uníssono! – agora vá! Vá e tome tudo para si!

Terminada a fala, August foi jogado para dentro de um portal negro, que o levava, sem saber, acima das nuvens, onde sua alma caía de forma apavorada em meio as gotas d’água e do vento, que fazia suas bochechas se abrirem como um paraquedas enquanto o solo se aproximava cada vez mais rápido!

Que droga é essa?! – Pensava ele enquanto caía; – mal morri e morrerei de novo? Será que é prazer do mundo me ferrar sempre que tem chance?

Ao se aproximar do solo, a escuridão se apossava outra vez de seu corpo, sendo essa, porém, simplesmente dissipada pelo simples abrir das pupilas, cujo testemunhavam certa mensagem:

??? – Nível 1

Força: 1

Resistência Elemental: 20%

Agilidade: 1

Resistência a Trevas: 20%

Inteligência: 50

Resistência a Maldições: 80%

Resistência: 1

Resistência a Veneno: 40%

Habilidade inata aprendida, benção dos deuses (nível 1): ganho adicional contra poderes ocultos elementais;”

Habilidade inata aprendida, a testemunha da verdade: permite ver o mundo na sua forma real! Nada obscurecerá sua visão e todas as coisas se apresentarão em sua verdadeira forma, assim como você mesmo!”

Mensagens começaram a aparecer em seu campo de visão e August percebia que estava num novo corpo, com mãos tão pálidas e pequenas quanto um grão de arroz e uma visão tão embaçada que deixava tudo ao longe censurado.

August tentou se erguer, mas suas pernas não tinham força, fazendo o cair outra vez de costas, parecendo até como se ele fosse um frágil recém-nascido no meio da escuridão e da chuva.

olá pequenino! Então você era aquele que me chamava, em minha cabeça? – dizia um ser de puro músculo, saído da escuridão – Sua manta está repletas de runas, e esse material é feita de puro linho?! Será que o pequeno senhor é filho de algum Shidtem forasteiro? Ou será que é um presente dos deuses para mim? De todas as formas, levarei-te daqui, pequenino! Realmente, você tem sorte de nascer da chuva!

August era impotente contra a muralha de carne que o pegava do chão e o suspendia no ar, como se fossem pai e filho brincando num jardim florido por relâmpagos e água.

o que há no mundo? E o que esse ser está a falar! – Pensava August enquanto suspendido, ele mal havia chegado no novo mundo e já estava atolado de perguntas.

O ser o levava para longe, para um aglomerado de homens peludos montados a cavalo.

Enquanto isso, voltando para uma sala dourada de pisos platinados, Deuses suspiravam enquanto olhavam para uma enorme ampulheta, em que areia caía e caía, sem fim.

 

 

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