GartenGüt (O jardim dos deuses) – capítulo reescrito.

Capítulo I – Da Sorim’Hem der Dorf’Varbenênt (N.A: O jovem mestre da vila Varbenênt)!

IV – O jovem fantasma!

Nas margens enlameadas de um formoso lago, crianças brandindo espadas de madeira gritavam eufóricas, ao lutar com um idêntico companheiro sujo de lama e grama.

argh!

Ahhhhh!

Roah!

As crianças brigavam e se jogavam, umas em cima das outras, com único objetivo de impressionar os veteranos sombrios que se sentavam em longas peles perfumadas enquanto saboreavam um doce licor saqueado de uma boa caravana.

chega dessa briguinha de princesas! – se levantando, um velho, de longa barba branca e cabeça careca, com um toco de braço, gritava as crianças que cessavam suas lutas, entrando em formação; – todos vocês envergonham o nosso clã Fünder! Seus antepassados devem cuspir dos céus! Isso é uma luta, não uma dança!

o kürchin (N.A: veterano) Modnoos está correto em seu julgamento, vocês lutam como príncipes de bunda cheirosa e não como soldados que comem merda e lama! – outro velho de cabelos grisalhos e barba rala também gritava!

exato kürchin Böru, os golpes desses garotos hesitam, parecem garotinhos gordos em frente a um punhado de pastéis! Vocês deveriam golpear como se quisessem matar, nada mais, nada menos. Cada golpe, uma morte, assim por diante! Entendidos?

Sim kürchinins’Hem (N.A: Grandessíssimos veteranos)!

Os jovens, que mal tinham cinco anos, retornavam às suas batalhas, golpeando e golpeando, como loucos, tendo uma imensidão verde banhada de sol como testemunha do esforço.

o mundo … meu novo mundo … é para pessoas fortes! Sendo assim, tenho que ser o mais forte de todos! – August, que, no meio das crianças, desviava, cortava, cotovelava e joelhava, pensava.

Desde que viera a este mundo, August já imaginava como seria, reconhecendo a selvageria que se sucederia e como a força era o primeiro e último bem pra sua sobrevivência, nunca deixando de praticar ou treinar enquanto jovem.

Em vera, desde o primeiro momento em que se pôs a andar, August já se alongava e corria pela vila de tendas, além de escrever escondido os contos que os anciões contavam aos finais de noite, tentando nunca se esquecer de nada.

Sua nova vida não era mórbida, ele não estava mais preso numa cama, por isso August não desejava ficar parado enquanto o tempo escorria pelos dedos.

vocês decepcionam! Decepcionam demais! Que merda! – Böru gritava! – será que vocês não aprendem? Quer saber, tudo bem, venha cá Bae’Sorim* (N.A: filho de Bae, que seria August), venha para frente, e você também Khar’Sorim. Mostra pra esse grupo de cabeçudos como se faz uma luta de verdade!

Sua Dorf’Verbant, assim como todas as outras da planície, criavam guerreiros.

O poderio físico inato desse povo, misturado com o ambiente hostil, não permitia fraqueza. A fraqueza seria a morte do povo!

e aqui vamos nós!

Com as outras crianças fazendo um U em frente aos veteranos, August se posicionava em frente ao pequeno guerreiro, duas vezes maior que ele.

vamos pequeno fantasma! Vamos lutar!

Fantasma era o apelido carinhoso dado a August, pelo simples motivo de que sua pele era bem mais pálida do que a do resto das pessoas, além de que o seu cabelo loiro pálido e os seus olhos vermelhos davam realmente a sensação de que August era um fantasma.

ha ha ha! Boa provocação – Gritava um dos kürchinis (N.A: plural de veterano), animado! – é uma ótima técnica para desestabilizar o inimigo, Khar’Sorim! Vejam pequenos demônios, vejam como os dois braços mais fortes de nossa Dorf’Verbant lutam! Ha Ha Ha!

August olhou diretamente nos olhos de Khar’Sorim, quase dissecando a alma do mesmo, que, um pouco assustado com os intensos olhos vermelhos de August, segurava firmemente em sua espada de madeira!

August ria de desgosto, se preparando …

Antes um pequeno fantasma do que um covarde que hesita em luta! – sussurrando enquanto revelava a todos uma intensa força de vontade!

August partia para a batalha, desferindo um golpe em direção a coxa de Khar’Sorim que, ao ver o movimento, já desviava pro lado, preparando um contrataque no ombro de August.

muito lento! Muito previsível! – gritava Khar’Sorim, sentindo em suas papilas o doce gosto da vitória.

muito burro!

A espada que se dirigia a coxa, mudava de direção, num giro, se dirigindo, portanto, ao pescoço.

que truque é esse! – A mudança de direção foi muito repentina aos sentidos de Khar’Sorim, que via apenas a sombra atacá-lo, massivamente.

[thack]

Com o rude som seco da espada acertando em cheio a jugular de Khar’Sorim, a respiração de todos suspendeu. O golpe foi demais para os sentidos de cada jovem ali presente, já que era tão rápido e tão mortal, que aquelas pequenas crianças nem se imaginavam na frente de um golpe daqueles.

isso é … – pensou Khar’Sorim enquanto desabava no chão, em frente ao silêncio de todos os discípulos.

– …

– …

e assim termina uma batalha de verdade … – Gritava Modnoos, parecendo sair de um transe, rasgando o silêncio com sua grossa voz; – com um golpe mortal na cabeça, partindo pescoços e revelando o sangue! Vocês todos viram, correto? Ele desviou a atenção por um segundo e morreu! Aprendam com isso!

Os pequenos guerreiros continuaram olhando para o corpo caído enquanto pensavam no quão assustador aquele golpe aparentava!

não olhem assim, vocês são estúpidos? – levantava-se Böru, bufando – numa batalha. aquele que não prestar atenção morrerá como um chötgor’dör (N.A: demônio de fogo) na chuva. Palavras finais, agora se dispersem! A comida está pronta num acampamento a trezentos zad (N.A: media relativa a metros), sigam o cheiro e a fumaça!

Dispensados! – Terminava todos os kürchinis em uníssono!

*

Nadando em pelo no lago, de cor esmeralda, August pensava:

faz cinco anos desde que vim para cá, e desde então apenas evoluí quatro níveis!

Desde o primeiro momento, August já identificava sua habilidade [olhos da verdade] como responsável pela possibilidade de ver seu nível. Porém, ainda assim, não entendia ao certo como funcionava a sua evolução.

Ele inicialmente pensava que se matasse inimigos, ficaria mais forte, como num RPG genérico, porém, em vez disso, seu nível aumentou, naturalmente, com o seu crescimento, físico e psicológico, fazendo-o um tanto confuso sobre a questão.

se eu continuar treinando ficarei forte, porém, mesmo nisso, parece que eu vou precisar de algo a mais … o que será?

August terminava de boiar no sereno lago, nadando para a margem.

Limpo da lama e do suor, ele se dirigia ao acampamento oculto, cessando assim, todos os pensamentos.

*

Ás margens do lago, na posição oposta onde as crianças treinavam, um bosque se estendia, com árvores altas e cinzentas e arbustos castanhos que exalavam um odor doce.

August desbravava esse bosque, em busca do acampamento oculto.

O objetivo inicial dos acampamentos ocultos, segundo os kürchinis, era o treinamento prático das habilidades de rastreamento. Como moradores das planícies, a habilidade de rastrear inimigos por suas pegadas e reconhecer os padrões, era essencial, já que grande maioria dos nômades eram mercenários, saqueadores, e perseguidores, que ganhavam suas moedas de ouro vendendo o seu poder para as figuras externas que precisavam guerrear eficientemente nas planícies, ou para as caravanas errantes que cortavam as estradas pela planície sem fim.

As habilidades de rastreamento eram tão importantes, que, para incentivar os Sorinis’Varbenênt (N.A: filhos de Varbenênt), os kürchinis até recompensavam os primeiros a encontrar o acampamento oculto com as melhores refeições e as melhores bebidas.

August não sentia uma grande dificuldade para rastrear, na verdade, como um bom ladino, ele já conhecia todas as façanhas do ofício.

siga o odor e a fumaça que você encontrará! Esses desafios nem são tão complicados assim, por mais que o raio de distância esteja aumentado aritmeticamente.

Numa clareira, não tão longe da entrada do bosque, August via três tendas enormes que se apresentavam fazendo um triângulo, com três panelas de barro borbulhantes, ao lado e uma longa mesa de madeira ao centro.

Esse era o acampamento, feito para suportar o sono de quase 30 crianças e mais os servos.

August olhava ao redor, confirmando ser o primeiro a chegar, se sentando numa cadeira qualquer. Sem esperar muito, duas halsher’drins (N.A: governantas) apareceram com um prato de madeira fumegante, com sopa transbordando, além de um copo preenchido com o que parecia ser licor de Narny’tsöl (N.A: Império do sol) e um pedaço de bolo doce, enrolado numa longa folha verde, natural das árvores urt’blatt (N.A: Troncos morenos).

Essa era a recompensa normal para aquele que encontrava o acampamento primeiro, sendo que os outros ficariam apenas com a sopa aguada e um pão preto.

eles não só recompensam os mais fortes, como também os inteligentes. Essa sociedade nômade é encantadora! – August pensava enquanto se deliciava com a sopa rústica, que continha pedaços enormes de carne boiando junto de vegetais.

Ele até se deliciou com o licor, que tinha um gosto tão doce, que nem parecia ser realmente álcool.

o que é isso?

Nos baixos arbustos do bosque, duas outras crianças saíram, sendo uma garota e um garoto.

parece que são outras crianças … estranho, eles conseguiram achar o acampamento bem cedo dessa vez.

Na Dorf’Verbant de August, garotos e garotas treinavam igualmente para serem guerreiros. Muitas mulheres eram extremamente poderosas, sendo, até mesmo, líderes de grandes clãs das planícies.

Então não era surpresa ter um punhado de meninas treinando junto com os garotos, sendo que, realmente, havia até mais meninas do que garotos, nessa leva de sorinis em treinamento.

As duas crianças se sentaram na mesa, ficando ao lado de August.

nossa, você sempre é o primeiro a chegar! Que chato, ficar com o prêmio de consolação sempre é irritante! – falou a menina, que era chamada Melinda’Götvhin; – mas bem, como o Sorim’Hem (N.A: Jovem mestre) é mais do que sua responsabilidade ser o mais forte e o mais inteligente, por mais que ainda seja um gärch (N.A: de fora) adotado.

para de implicar com ele, Melinda, você sempre faz isso toda a droga de almoço! – respondia o garoto, que por acaso também era o seu irmão, chamado Melinda’Sorim.

do que importa, ele nunca responde! Ele é bobo e não fala nada!

Decerto August não gostava de falar, já que, por mais que estivesse no corpo de uma criança, August ainda tinha a mentalidade de um jovem relativamente maduro. Em tal, ele não se sentia bem à vontade conversando com outros de sua idade.

talvez ele não te responda porque você é chata!

você que é o chato, e ele também! Não tem graça ficar perto de vocês dois!

não ligue para ela, minha sorâ (N.A: irmã) só é assim porque fica de rosto vermelho entre as cochas e os travesseiros pensando no pequeno fantasma dela! Ha Ha Ha!

calado! – a menina se levantava raivosa, com um traço bem visível de vermelhidão nas bochecha, se atacando em seguida contra o irmão – pare de falar merda a torto e a direito, senão eu te mato! Te mato e te mato!

[thack!]

August, que pouco se importava com a situação, pôs-se de lado, ao terminar a refeição, e se levantava, caminhando em direção a uma tenda.

As duas crianças nem se importaram, se mantendo numa briga extremamente boba, que August cagava, olhando friamente para a tocha que crepitava em frente sua tenda.

*

minha locação é a única arrumada, como sempre! – adentrando ao interior da tenda, August via os arredores com um pouco de raiva.

As tendas eram divididas em diversas peles no solo que funcionavam como camas e cobertores. Elas ficavam normalmente em frente de baús onde as crianças guardavam os seus itens pessoais, como armas, armaduras, muda de roupas, e algumas moedas de bronze.

Nessa tenda, não tão exclusivamente assim, todas essas peles estavam bagunçadas, invadindo a área um dos outros e os baús estavam abertos, revelando os itens pessoais que se encontravam tanto dentro quanto fora, fazendo com que a tenda realmente parecesse uma zona, tirando a perfeita e arrumada pele de August.

Estado! – August tentou não pensar muito nisso. Doía o seu coração, mas ele sentia que não era importante, preferindo assim conferir a tabela, repleta de números, que se apresentava a ele, com a frase.

??? – Nível 5

Força: 7

Resistência elemental: 20%

Agilidade: 9

Resistência a trevas: 20%

Inteligência: 63

Resistência a maldições: 80%

Resistência: 5

Resistência a venenos: 40%

Habilidade inata aprendida, benção dos deuses (nível 1): ganho adicional contra poderes ocultos elementais;”

Habilidade inata aprendida, a testemunha da verdade: permite ver o mundo na sua forma real! Nada obscurecerá sua visão e todas as coisas se apresentarão em sua verdadeira forma, assim como você mesmo!”

August se surpreendeu um pouco com os números. Na noite passada, seu nível não passava de 4, agora ele havia passado para mais um nível.

isso é ótimo, mas eu já sabia que isso viria. Minhas estatísticas já estavam altas, apenas resistência que não subia, sendo assim, quando consegui aumentar um ponto hoje, de uma maneira que não faço ideia – possivelmente do treino –, evolui um nível, comprovando minha teoria que o nível serve mais como um rank. Parece que apenas o treino físico funcionará por enquanto.

August olhava para suas mãos pálidas e os seus pés sujos, tentando refletir em algo:

o que eu me pergunto é: com o meu nível de agora, valerá a pena desbravar aquele buraco?

No dia anterior, August encontrava no bosque, enquanto verificava um pouco os arredores, fagulhas, de cores coloridas e brilhantes, voando por entre as árvores a fazer uma trilha.

Como um bom curioso, ele acabou seguindo-a, se encontrando com um buraco no chão, oculto por folhas.

Nela, ele sentiu algo puxando-o para baixo, querendo levá-lo para algum lugar.

August não ousou entrar logo no primeiro encontro, ele estava com um pouco de medo, além de estar desarmado.

Ele voltou então para a tenda, enquanto marcava o caminho quebrando galhos.

eu até poderia ir lá hoje, minha espada no baú reluz e não parecia haver perigos num primeiro olhar. O que será que me impede?

Das suas costas, o som de crianças chegando atingiu-o forte, fazendo ele se desmanchar fora dos seus pensamentos.

caso eu morra … não tem nada que eu possa fazer!

August se dirigia a um baú ordinário de madeira, tirando de lá uma espada sem brilho e adornos, além de uma bainha feita com pele de um chötgor’engiin (N.A: Demônio das planícies) ordinário.

Com os itens pegos, ele saía da tenda, correndo em direção ao local que ele encontrara no dia anterior.

Suor descia o pescoço e um sorriso era esboçado. Algo aconteceria, e essa seria a melhor parte …

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7 comentários em “GartenGüt (O jardim dos deuses) – capítulo reescrito.

  1. Yoyoy, está me prendendo bastante, já que eu curto muito as histórias onde o MC começa do zero e vai se tornando fodendo forte.
    Há esse presságio do que vem no futuro (arco final, talvez?): primeiro quando ele diz que se tivesse apenas uma chance iria foder com o mundo, e depois ele aparece nesse novo mundo e a mina do trono diz mais ou menos isso, que ele pode fazer o que ele quiser nesse mundo – ou seja, hypando por um MC badass >.<

    Curtido por 1 pessoa

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