GartenGüt (O Jardim dos Deuses)!

Capítulo XXIV – As tribulações que nos vem na chuva!

V – Continuando pela lama!

E lá, naquela pradaria, onde o relvado alagava, com diversos e estranhos seres saindo das profundezas do abismo, August cavalgava junto de seu grupo, sob a chuva gélida que caía por cima de seus capuzes negros.

Ali, algumas vezes, grandes larvas marrons, com suas bocas murchas, das quais despejavam algum líquido verde corrosivo, se viam eretas para o céu, no largo de todo o caminho, no entanto elas não atacavam, como muitos imaginaram normalmente, estando paradas por alguns instantes, parecendo que tomavam um ar, antes de voltar a perfurar o solo rumo ao inferno.

Naquela cena, alguns chötgor’engiinins se mostravam correndo pelas planícies, livremente, com seus grandes chifres que caíam de suas cabeças e sua pelagem totalmente negra, além do seu corpo robusto, parecendo grandes rochas cavalgando pelo relvado encharcado. Eles estavam dispersos por lá, no entanto, aproveitavam bem da chuva, pastando livres de todos os insetos que bebiam de seus sangues nos dias de seca.

August observava bem para tudo o que acontecia, pois era bom fazê-lo. A natureza das planícies mudava bastante com essa chuva que caía, fazendo certos seres dar suas caras.

por sorte – ele pensava; – apenas bestas inofensivas se mostram por agora. Porém, acho melhor manter todo o cuidado.

Ao seu lado, ele também observava o grupo, com curiosidade. Na verdade, o silêncio que se estendia já o incomodava, por culpa do vento que chiava no seu ouvido e a chuva que caía incessantemente, parecendo que estava sozinho naquela escuridão que se perpetuava ao retumbar dos trovões; em suas nuvens negras.

ei – ele se aproximou de Shigtai’Götvhin, da qual empunhava seu arco, belamente lustrado; parecendo até mesmo ser feito de ouro; imponentemente, mostrando até um certo ar distinto nela; – você é boa com arco?

Desde muito tempo, August nunca dirigira muitas palavras a Shigtai, pois, de fato, não havia muitos motivos para ambos se falarem. Por mais que ela ainda estivesse entre o nicho dos irmãos Melinda, que era bastante ativos com August.

bem, sou melhor com um arco do que com uma espada – Ela respondeu com um sorriso, sem nenhuma timidez aparente, por mais que ainda se resguardasse de muito; – mas porque pergunta isso?

só estou curioso, pois são poucos aqueles entre nós que usam bem um arco. Somos maníacos em espadas e machados, no fim … – Shigtai balançou a cabeça, num sorriso bem bonito. Sua pele bronzeada puxava uma certa expressão forte que tornava a sua beleza quase que inconquistável, misturado com os seus longos cabelos negros e lisos, com uma franja que lhe escondia a testa, que a fazia parecer com alguma espécie de guerreira com um futuro inimaginável, no fim.

isso é verdade, por isso a força de um arco se torna especial para nós.

August concordou com a cabeça, apontando para Niathy, da qual também tinha um arco em suas mãos: – ela também é boa com esse ‘instrumento’?

Por um momento, Niathy ficou um tanto quanto atordoada ao escutar o seu nome na conversa alheia, no entanto, ela se aproximava, mesmo assim, para responder em seu nome, com todo um ar brincalhão, entendendo a intenção daquele que proferia o seu nome.

não sou muito boa com arcos – ela dizia, com um grande sorriso misterioso que, com aqueles olhos perfurantes, pareciam querer dizer algo a mais; – sou boa com adagas.

por isso esconde elas tão bem, sob essa túnica? – August perguntou, apontando para o peito de Niathy, da qual, timidamente, cruzava os braços, respondendo:

pode até ser, não confirmo de todo! – Ela disse com a face corada de vergonha, enquanto Shigtai se colocava a rir ao seu lado, junto de Sorokh que se aproximava curioso, seguido de Mesorim e Metvina, que se juntavam na conversa sob aquela gélida chuva e vento incessante, da qual lhes castigava o corpo e alma.

*

Alguns dias se passaram e o grupo continuava naquela chuva, acampando comumente em lugares altos, não tão alagados; normalmente nas horas onde a chuva transitava do aguaceiro para a leve garoa, pois era apenas nessas horas que alguns raios de sol perfurava as nuvens, tornando-as cinzentas, onde algum mormaço vinha, aquecendo um tanto aqueles sorinis desamparados.

Era verdade, August a muito observava: o clima geral ruindo numa depressão que vinha junto com o clima mórbido, misturado com uma grande ansiedade que se seguia com as marcas de ferradura no solo molhado.

como se não bastasse – August se lembrava também; – também há alguma coisa que vem, não sei de onde, mas que parece querer nossos pescoços por cá.

Ele não entendia, no entanto havia um certo pressentimento, que vinha de uma pequena coceira em sua nuca, da qual parecia sentir todo o ambiente ao seu redor, se estendendo para todas as partes onde os seus olhos não conseguiam vê, como num pulso que seu corpo emitia para a natureza.

August não fazia a mínima ideia do que era, porém ele tentava interpretar isso como algum tipo de reação por conta da emanação natural em seu corpo, da qual ele pouco compreendia, por culpa da ausência de tempo em estudá-la e do medo contínuo de ser atribuído a problemas por conta dela.

parando para pensar nisso, eu sempre me esqueço de ti, não é mesmo?

Natiora’Buch: 1. Kafli – Kjarnnin – Langt síoan í fortionní, par sem allt … ”

mas acho que entendo o porquê te esqueço … não te entendo no fim, como eu poderia te lembrar?

A biblioteca mental de August, onde havia todos os capítulos da Natiora’Buch, era como um rio inavegável. As palavras que não pareciam ter um sentido, acabava sendo uma barreira para o pobre menino, incapaz de entender as mudanças do próprio corpo.

acho que é por isso que eu venho nessa viagem … – Ele pensava; – talvez Agui’Us tenha imaginado isso e, por isso, me preparou essa viagem.

August fechou seus olhos, enquanto a chuva ainda lhe castigava o rosto: – estado!

??? – Nível 18

Força: 22

Resistência elemental: 20%

Agilidade: 33

Resistência a trevas: 20%

Inteligência: 95

Resistência a maldições: 80%

Resistência: 15

Resistência a venenos: 40%

Concentração: 170

Resistência a Confusão: 30%

Espírito: 180

Resistência a Charme: 70%

Charme: 90

Construção espiritual: 5%

Emanação Natural: 20

///

estou tão diferente – ele relembrava; – ao mesmo tempo que pareço o mesmo. Realmente espero que nada seja em vão, se não … o que me restará?

VI – A batalha de um herói!

A conferência de guerra terminava e FünderBae já descia as trilhas das colinas molhadas do território do clã Hülzs logo pela manhã, sem vestir nenhuma armadura naquela chuva, que descia junto com os relâmpagos. Sua cabeça flutuava nos pensamentos que a noite passada trouxera junto com as frases que um certo Dürg’Hem dizia.

o que Strader’Ïl disse é verdade … – ele se lembrava, alisando a barba que batia em seu peito; – temos que reunir todos os seres contra os shidtenis, caso senão, morreremos! Os Varbenênts não podem mais sozinhos, todas as nossas cartas já foram jogadas, nos sobrando apenas o velho caldo … que parece que pode estragar a qualquer instante.

FünderBae era um homem grande, com um pouco mais de dois sherds (metros) e quinze, com uma constituição física invejada por muitos. Ele também era um líder de clã conhecido e reconhecido, sendo um herói entre muitos plemistís (soldados) das planícies e niitlegs (civis), desde os mais comuns até os mais ricos. No entanto, muitos invejavam ele também, e alguns, certamente, o odiava.

Os motivos eram diversos, porém não o suficiente para buscarem alguma justiça, fazendo FünderBae se tornar bem alheio a esses problemas.

Aliás, ele ainda estava no auge dos seus 30 anos, o que nas planícies era chamado de Altan’Nas (idade d’ouro), pois se considerava os 30 como metade da vida de um homem.

FünderBae se lembrava disso, junto com diversas outras coisas que os caminhos o levava a rever!

parando pra pensar – ele falava, solitariamente – eu não estava afiliado a alguma daichin errante? Faz tantos anos que ela partiu … como eu ainda poderia não me esquecer?

Os caminhos encharcados o remetiam a muito tempo no passado, junto com sua própria contemplação pelo tempo que já passou, voltando para quando ele se tornava um plemistís em plena época de chuvas, onde todos glorificavam, ajoelhados, pelo maravilhoso presente que os deuses os davam.

me lembro … quando recebi o nome FünderBae na Nehmen’Name – ele disse em sua mente; – o antigo Dürg’hem quase me matou. Ele queria tanto que o seu filho se tornasse o próximo líder do clã, que corrompeu diversos Hilikómenus com os frutos da árvore do sátiro. O que foi horrível, visto que enfraqueceu todas as nossas defesas naturais.

Naquela época, após descobrir a corrupção que se alastrava, FünderBae havia desafiado o antigo líder de clã, decepando-o após uma fácil batalha, pouco memorável para se dizer a verdade, tanto, que poucos Varbenênts ainda se lembram do fato.

ele havia ficado tão fraco, tão fraco, que se esquecia, principalmente, daqueles que invadiam nossos bosques. Tive que matá-lo, pois se não, quem me seguiria para a guerra?

Foi naquela época também, que ele finalmente se afiliava a daichin chamada Saartjana, a dama da qual ele já era apaixonado desde a época de sorim, onde brincava nas terras do seu isä agrótes, se aproveitando da comida gratuita que as almas de bom coração o davam, junto com as brincadeiras que as crianças são permitidas a ter.

você … se não fosse você, eu nem estaria aqui agora … – FünderBae descia as colinas do clã Hülzs sozinho, pensando: – mas o fato de ter me deixado … ah, isso me magoa, me magoa até hoje!

FünderBae, sozinho naquela chuva matutina, se sentia mais só do que tudo ao se lembrar daquela daichin. Era ela uma cicatriz mais profunda que qualquer outra, e era a única que se abria nesses dias frios, que o fazia levantar o seu queixo para um destino vazio e cinzento.

pelo menos ainda tenho aquele sorim … – ele dizia aos ventos, no fim; – aquele odiável e amável sorim; que pensa ter todo o mundo em suas mãos; fugindo por aí como bem entende, achando que a vida é uma brincadeira.

Sua relação com August era um pouco tensa, ele não conseguia compreendê-lo de todo, ou melhor, ele até entendia toda a ambição do pequeno sorim, no entanto, não conseguia saber até que ponto ele estava disposto a ceder, em busca de tudo aquilo que almejava.

E ainda tem aquela halsher’drin – ele continuava com os seus dizeres; – que esconde tantas coisas pelas minhas costas. Ela pode até mesmo pensar que não sei, mas aquela shidten tem algo … pena que não tenho tanta vontade de saber o quê?

FünderBae descia as colinas do Clã Hülzs na gélida chuva, sem mais palavras …


Nota do autor:

Me falem os erros de português e coesão. O Kallu havia me prometido uma revisão (da qual postarei mais tarde, se tiver boa), mas não me entregou até agora. Como estou cansado e sem tempo, acabei ficando sem paciência pra fazer por mim mesmo. É apenas isso.

 

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