GartenGüt (O jardim dos Deuses)!

Capítulo X – O golem de barro!

XXXI – Questão!

Após a conclusão da questão, August descansou, outra vez, na Dorf’Verbant, pelo motivo de que, certas coisas necessitariam ser resolvidas. Como por exemplo, no dia de sua chegada, após aquela ‘terrível’ batalha, uma carta shidten, com conteúdo revelador, mostrou a August alguns movimentos que ele sequer imaginava:

Os shidtenis de Jam’Auteûme desejam a morte do Dürg’hem do clã Sonne – August escutava enquanto Fairy dizia – eles querem que eu ocupe FünderBae enquanto isso, Não importando o método … o que eu faço?

Na yurt de seu isä, August encarava-a, enquanto jogava, pra cima e pra baixo, um saco de moedas que tilintava no movimento. Ele pensava, e pensava, enquanto tentava esboçar em sua cabeça, um plano digno de suspense:

se o Dürg’Hem morrer – ele disse – o Dürg’Nüts ocupará facilmente o seu lugar. Então, a não ser que vocês tenham alguma daichin ou plemistís importante apoiando-os lá dentro, não fará mal ele morrer, na verdade, não faria mal de qualquer maneira …

se é assim, bom. Continuarei buscando informações – Fairy terminou, enquanto saía da tenda com sua sombra agarrada nas pernas.

August, que encarava as moedas de prata, ficava admirado, ainda, com a concretização daquela questão.

fácil demais, com uma recompensa desse gênero … fico admirado! Parece que aquele comerciante realmente sentiu ódio de ter sua caravana incinerada. – August pensava em silêncio – se é assim, então, como seria enfrentar aquela questão do golem de barro? Será que seria fácil? Difícil? O que eu receberia é o que importa … então … é! Não vamos perder tempo com isso.

Num movimento, August se levantou e guardou suas moedas num bolso, indo em direção ao quadro de avisos perto dos currais humanos.

Lá, uma competição interessantíssima ocorria, fazendo August parar por uns segundos e observar:

falaste de minha irmã, criatura horripilante? Pagarás com sangue o que disse de minha queridíssima pequena irmã, seu fraco! – Disse um gigante peludo que empunhava um montante simples de mercenário.

calado, incestuoso degenerado! Vi o que fazem as escondidas, e por tal, morrerá, para purificarmos a moral de nosso Clã amado! – Respondia outro, com um mesmo semblante, carregando em mãos uma mesmíssima arma.

Eram dois homens, barbudos, musculosos, cheio de veias pulsando nos braços suados que golpeavam uns aos outros com os montantes pesados, que gritavam aquelas indignações e maldições para ambos, como se fosse necessário tal à se matarem.

Gar só está falando isso porque recebeu um não da irmã de Mut – Disse um daqueles que observavam o duelo.

talvez, mas Mut sempre foi meio estranho com sua irmã … talvez seja verdade o que Gar fale … – Falava outro.

E assim, August continuou assistindo a batalha. Era engraçado ver dois seres da mesma sociedade se matarem por motivos tão banais, como falsas acusações ou o quer que fosse. Ele apenas observou enquanto, dos golpes pesados, um morria, enquanto o outro saía vitorioso, com um sorriso bárbaro, enquanto profanava o morto, com sua sabedoria.

August riu interiormente enquanto via a cena: o montante ensanguentado atravessando o peito despido de Mut enquanto Gar ria, intensamente, e gritava:

e agora para sempre protegerei sua amada irmã, pois sou assassino daquele que a teve! Ha, caro nêmesis, agora quem terá ela sou eu, Ha Ha Ha.

Todos ao redor, ouvindo as palavras de Gar, quase entraram no curral para surrá-lo, porém, só saíram frustrados, do lugar onde estavam, cuspindo ao chão, percebendo quão terrível havia sido toda aquela maquinação irritante, que, talvez eles nem mesmo percebessem, caso o idiota em sua frente não gritasse tão alto para todos o ouvirem.

August riu ainda mais estranhamente, enquanto se dirigia para o quadro de avisos para pegar, finalmente, todas as informações para aquela questão tão interessante.

Missão: golem de barro é encontrado protegendo ruínas, necessito de pessoas capacitadas para explorar. Se encontrar com Zurag na quarta tenda da passagem dos relâmpagos, recompensa a combinar.”

XXXII – Velhos amigos!

No lado leste, na passagem dos relâmpagos, uma fila enorme se arrumava, com dois plemistís organizando a quantidade estranha de sorinis que se viam lutando por espaço.

August logo identificou a tenda, se aproximando da fila com um olhar apático. Os sorinis que lá estavam, no entanto, o olharam com alguma raiva misturada, visivelmente, com medo.

Ele, que olhava para esse cenário, não se importou muito pois, como já dito, ele estava apático esperando naquela fila.

Tsc … que saco – ele suspirou, enquanto esperava, sob aqueles olhares, vendo a hora passar, tão lentamente, que ele poderia, até, ter vivido uma vida toda naquela fila, sem sequer envelhecer.

*

Próximo – Gritou um plemistís enquanto August se adiantava, e entrava na tenda.

Lá, ele viu uma mesa quadrada de escritório repleta pergaminhos de pele de chötgor’engiin e estantes ao redor, que guardavam encadernações repletas de runas.

se apresente! – disse o homem, vestido como um burocrata, com túnica preta e barba branca caindo pelo pescoço.

Bae’Sorim, filho de FünderBae – respondeu August, em tom militar.

ótimo, o que levou o sorim a essa questão? – Na mesa, uma folha era revestida de runas com uma pena manchada na ponta com tinta vermelha (que seria, possivelmente, sangue de chötgor’engiin). Vendo tal, August decidiu não segurar sua resposta:

como todo bom explorador, desejo riquezas, desejo inimigos fortes e, acima de tudo, desejo o reconhecimento de meu clã! – O burocrata que anotava, olhou para August com um sorriso, enquanto voltava seu rosto para o papel.

muito bem sorim, agora, veja, última questão: pegue esse cubo e me diga o que você sente – Saindo do bolso do burocrata, um cubo de cor alaranjada, que era, cuidadosamente, segurado por uma mão encapada por uma estranha luva com um padrão rúnico brilhante na palma, se via.

August pegou, já imaginando o conteúdo:

isso?

Um brilho resplandecente alaranjado saiu de sua mão e percorreu pelo seu corpo, fazendo August sentir um estranho sentimento de acolhimento, até, de repente, toda a cor alaranjada fugir de seu corpo, como se fosse repelida por algo.

o que aconteceu? – na sua frente o burocrata tinha uma face boquiaberta, como se não entendesse a imagem que se mostrava.

você repeliu toda a magia, excelente! – ele disse, enquanto anotava, rapidamente, em seu pergaminho, com um ar de aprovação – bem, você pode sair por agora. Daqui alguns dias um plemistís irá na tenda de seu isä lhe convocar. Parabéns, agora você faz parte da primeira equipe de reconhecimento.

obrigado, tsaas’hem (N.A: Grandiosíssimo burocrata), não decepcionarei! – E assim August saiu da tenda, se encontrando no lado de fora, com diversos sorinis com rostos depressivos. Alguns até falavam algo sobre:

o que foi aquilo? – com os rostos pesados, enquanto encaravam as próprias mãos – aquela dor que percorreu meu corpo … parecia um inferno de chamas.

Vendo esta cena, August não pode deixar de rir enquanto se afastava de tudo aquilo, por fim.

XXXIII – Tristes notícias; Boas notícias!

Duas semanas se passaram, e a convocação ainda não havia acabado, já que, como era necessário uma quantia miníma de resistência contra mágica, pouco sorinis poderiam, realmente, participar da questão, por um motivo ainda não revelado.

Sobre August, ele havia amontoado informações enquanto destilava ideias em sua mente. Aparentemente ele desejava ser decisivo quando o tempo o permitisse. Porém, uma outra dor de cabeça o impedia de pensar tão seriamente:

O Dürg’hem do Clã Sonne está morto! Morto, segundo fontes, envenenado pela comida. Sua halsher’drin é a principal suspeita, da qual já se encontra em interrogatório. O atual Dürg’Nüts (cujo trabalho de tsaas, e do passado como um grande plemistís, o tornou tal) Togtono nomeado Kaum’Khar já se renomeou como Sonne’Kaum tornando-se o mais novo Dürg’Hem do Clã. Sua primeira promessa como tal: vingar a morte do seu antecessor … essas são todas as informações que eu obtive do meu contato … você está bem com isso? – Fairy perguntava enquanto via no rosto de August, um semblante pensativo que a fazia tremer.

isso não está certo de todo … mas também não pode está errado – ele disse enquanto tomava, pensativamente, um chá feito de ervas silvestres – de todas as formas, obrigado pelo seu trabalho duro. A morte desse tal era certo, conhecer nosso novo inimigo é benefício. Caso você queire a destruição dos seus, deixe eles pensarem que estão nos destruindo, até que a própria ruína seja cavar demais o buraco. É isto, doce espiã …

Fairy não respondeu, parada como estava. Ela apenas olhava para August, curiosamente, enquanto esboçava um sorriso. Em seus pensamentos, porém, ela falava:

cruelmente perspicaz!

Pensamento este que não fugiu dos olhos de August, que via através dela, como se a mesma nem sequer existisse de fato.

de todas as formas, meu isä possivelmente se atrasará mais. Dado isso, desejo que você observe ele pelos seus contatos. FünderBae não pode morrer, se ele morrer, a vila caíra em poderes que não podemos controlar, coisa da qual não podemos, sequer, cogitar. – August continuou.

entendido. Farei o que puder fazer!

E assim, Fairy saiu da tenda, com sua sombra agarrada a perna.

August, que já assistira a mesma tantas vezes, apenas sorria com a imagem que tanto se repetia nesta sua vida.

*

Ainda naquele dia, um nelch (N.A: mensageiro) chamou na entrada da tenda, com um pergaminho introdutório da qual dizia:

Carta marcial: Nesta, aqui escrita, informamos ao sorim, cujo pai é FünderBae e mãe Desconhecida, sua introdução a primeira equipe de exploração da questão N#15, vulgo ‘questão do homem-de-barro’, da qual se torna primeiro akhmad (N.A: capitão) por suas capacidades já demonstradas. Junte-se no dia 04 dessa quarta semana de brumário na quinta Haus da junta militar ao oeste da Dorf’Verbant, para mais informações.

Seu clã conta com você!”

Segurando o pergaminho, August soltou um suspiro. Aquele já era o dia 04, ou seja, de alguma forma ele já estava atrasado. Porém, visivelmente, nada poderia ser ajudado a partir disso.

Desta forma, August partiu, com sua armadura, bem polida, comprada por 67 moedas de cobre, para os estábulos, também reconhecida por August como uma estranhamente irritante feirinha de rua.

Lá ele foi diretamente para a quinta Haus, se encontrando em seguida com um grupo estacionado de sorinis já bem conhecidos e alguns plemistís.

aqui está a primeira equipe de exploração? – August perguntou ao se aproximar.

sim, mas quem vem lá?

Bae’Sorim, primeiro akhmad desta equipe, eis minha identificação – respondeu August levando a carta marcial em seus bolsos para o plemistís de cara quadrada que o interrogava – me encontro atrasado por motivos superiores, minha carta não veio a mim a tempo e é isso tudo que tenho a dizer. Porém creio que isso não é um problema, visto que todos aqui ainda me esperam.

decerto eles estavam … bem, sem assuntos a mais, nos retiramos, porém, tome esta carta informativa. Seu Clã conta com você! – August pegou o pergaminho e se despediu, da maneira militar, dos plemistís. Em seguida, ele abriu o pergaminho:

Carta informativa: Nesta aqui escrita, informamos ao primeiro akhmad da primeira equipe de exploração a missão lhe imposta:

  • Destruir o Golem de Barro na ruína recém-encontrada em Agui’Us.

  • Exploração da ruína recém-encontrada em Agui’Us.

  • Tomada de possíveis tesouros na ruína recém-encontrada em Agui’Us,

A divisão dos tesouros será feita pela equipe administrativa do Clã Fünder, de acordo com as nossas gesetz (N.A: Leis).

Seu Clã conta com você!”

XXXIV – Equipe!

Terminada a leitura da carta, August se virou para o seu grupo, reconhecendo de primeira aquelas pessoas já não tão novas à sua vista.

Khar’Sorim, Madchën’Gotvhin, Bid’Sorim e Xeni’Gotvhin … quanto tempo … – August disse, com um sorriso – passaram bem, nessa pequena folga?

não tão bem, velho bom amigo – Khar’Sorim respondeu, com um sorriso, enquanto se apresentava para abraçar August – pelo menos, não melhor que o senhor … caro fantasma!

como poderia? – Atrás, Xeni’Gotvhin aparecia com um sorriso, enquanto dava sua mão pra beijar. Essa mesma, após tantos anos, tinha uma beleza berrante, tendo um narizinho arrebitado bonito e um rosto um pouco alongado, mas que dava uma aparência bem refrescante junto ao seu cabelo longo e rosa. Ela, como uma beleza reconhecida, muitas vezes agia como alguma princesa, de algum reino distante, o que era um pouco irritante para as diversas outras garotas que com ela se relacionava; – esse nosso fantasminha não parou quieto, nem no primeiro minuto, saindo pra brincar por aí com Metvina e chötgor’dörinis ou unindo famílias de agrótes! Haja pessoa ativa!

é … – do lado desta, Madchën’Gotvhin se apresentava, timidamente, segurando as mãos, enquanto olhava para o chão. Ela, diferente de Xeni, tinha uma beleza mais recatada, tendo pequenos lábios rosados e delicados e olhos castanhos claros bem vivos, porém que se escondia um pouco nos seus cabelos curtos que davam-na uma aparência um pouco mais masculina, fazendo-a passar batida pelos olhos daqueles meninos facilmente impressionáveis.

– … olá – E no fim, o último que respondeu, Bid’Sorim, não deixou muita margem, mostrando para todos a sua frieza e o seu calculismo, como se fosse, por algum motivo, superior a todos os outros.

August riu em seu interior com a cena.

bem, com um abraço quente deste amigo e essa cálida mão à ser beijada, penso, que talvez, já possamos seguir viagem? – Com um olhar, August percorreu entre os seus subordinados, vendo o rubescer de duas meninas belas e o sorriso afável de um menino alto constituído de músculos.

concordo com tal! – Khar’Sorim respondeu.

não vou mentir: também concordo e você Madchënit (N.A: Abreviação de Madchën’Gotvhin? – perguntou Xeni.

não vejo porquê não …

se é assim, subam em seus cavalos e vamos. Pegaremos a rota das caravanas até o distrito d’águas. Lá, teremos que ir a pé até a nova ruína, o que pode ser um pouco puxado, mas não tão difícil.

okay, akhmad! – terminou, com poucas palavras, Bid’Sorim, que subiu, tão rápido pôde, em seu cavalo, enquanto mostrava um sorriso totalmente sarcástico.

então vamos! – August respondeu por fim, imaginando o quão interessante poderia vir a ser, este pequeno interlúdio.

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